Secretário de Transportes participou pedalando em Desafio Intermodal de SP

O ciclista Ricardo Bruns (esq.) foi o primeiro a chegar na prefeitura. Foto: Rachel Schein

O ciclista Ricardo Bruns (esq.) foi o primeiro a chegar na prefeitura. Foto: Rachel Schein

O secretário de Transportes, Jilmar Tatto, participou do Desafio Intermodal pedalando uma dobrável. Foto: Rachel Schein

O secretário de Transportes, Jilmar Tatto, participou do Desafio Intermodal pedalando uma dobrável. Foto: Rachel Schein

Pela primeira vez em 9 anos, o Desafio Intermodal contou com a participação de uma das autoridades de Transportes da cidade de São Paulo. O secretário Jilmar Tatto, convidado pelo Vá de Bike e pelo Instituto CicloBR, que organiza o desafio, fez o percurso de bicicleta em 1h27 min, pedalando por vias calmas.

Assista em vídeo a participação do secretário e
veja a galeria de fotos do Desafio Intermodal 2014 em São Paulo

Bicicletas

A bicicleta entrou no desafio esse ano de três formas:

  1. por vias rápidas: o caminho mais curto, por avenidas, geralmente os caminhos percorridos por bike couriers
  2. por vias calmas: são os caminhos por dentro dos bairros, por ruas menos movimentadas e evitando grandes avenidas (exceto onde há ciclovia)
  3. bike dobrável + metrô: uma opção de intermodalidade pra quem percorre uma grande distância ou não quer encarar subidas

O desafio tem como objetivo medir a eficiência de vários meios de transportes na cidade através de itens como o tempo, a velocidade, o custo, a qualidade do deslocamento e o impacto ambiental. Esse ano, a ação contou com 11 participantes. A bicicleta por vias rápidas voltou a ficar em primeiro lugar, chegando 3 minutos antes da moto. Em 2013, foi o motociclista quem chegou 4 minutos antes do ciclista.

Tempos
Bicicleta por vias rápidas 20min 09s
Motocicleta 23min 07s
Bicicleta Dobrável + metrô 46min 15s
Ônibus 53min 58s
Carro 59min 04s
Trem e metrô 1h 02min 19s
Cadeirante no transporte público 1h 03min 24s
Pedestre correndo 1h 04min 55s
Bicicleta por vias calmas 1h 27min 03s
Skate 1h 32min 45s
Pedestre caminhando 1h 45min 08s
Veja os tempos dos anos anteriores

O que mudou

Fazendo uma comparação com os anos anteriores, algumas mudanças interessantes. O tempo do ônibus melhorou, e muito: em 2012, o participante que fez o trajeto de ônibus levou 1h 30min. Em 2013 esse tempo caiu para 1h08min. Esse ano, o tempo foi feito em 53min58s. Segundo Paulo Teixeira, que fez esse trajeto, o tempo mais curto se deve aos corredores.

O carro, que tinha levado quase o mesmo tempo que o pedestre em 2012, também vem abaixando o tempo desde então. De 1h41min em 2012, fez em 1h07min em 2013 e agora em 59min45s.

Tatiana Lowenthal, que foi correndo da av. Eng. Luis Carlos Berrini até o Viaduto do Chá. Foto: Rachel Schein

Tatiana Lowenthal, que foi correndo da av. Eng. Luis Carlos Berrini até o Viaduto do Chá. Foto: Rachel Schein

Mas o tempo de deslocamento para quem usa o transporte ativo é quase sempre o mesmo. Por avenidas, a bicicleta sempre leva entre 20 e 25 minutos. Correndo, dá pra fazer em cerca de uma hora e caminhando leva-se mais ou menos 1h 45min.

“Se você tem disposição, dá pra fazer” – conta a geógrafa Luciana Dias do Nascimento, que escolheu caminhar no desafio. “Eu tinha a opção de ir de carro, mas preferi usar meu tempo pra caminhar, observar a cidade. Não queria ficar um tempão presa dentro do carro”, declarou Luciana. De acordo com a participante, a pior parte foi passar pelo túnel Nove de Julho. A advogada Tatiana Lowenthal, que fez o percurso correndo, fez a mesma observação: “o caminho é bem tranquilo, mas o túnel é um lugar hostil para pedestres”.

Luciana Dias do Nascimento escolheu fazer o percurso caminhando. Foto: Rachel Schein

Luciana Dias do Nascimento escolheu fazer o percurso caminhando. Foto: Rachel Schein

Uma opção que teve o tempo abaixo do esperado foi a conjugação de bicicleta dobrável e metrô. Thiago Benicchio participa desta forma há dois anos e passou da décima posição para a terceira esse ano. Benicchio, que pedalou pela ciclovia da Faria Lima até a estação de Metrô no Largo da Batata, desembarcando na República para pedalar o resto do trajeto, conta que no ano passado precisou esperar quatro trens passarem até conseguir entrar, devido à superlotação. “Esse ano foi mais tranquilo, mas tinha trânsito de bicicletas na ciclovia da Faria Lima”, observou. ”Tem muito mais gente lá [esse ano], então fomos muito mais devagar que no ano passado porque tem muita gente pedalando, o que é um prazer na verdade”.

Kal Brynner, cadeirante que fez o percurso de trem e metrô. Foto: Rachel Schein

Kal Brynner, cadeirante que fez o percurso de trem e metrô. Foto: Rachel Schein

Kal Brynner, cadeirante que foi de trem e metrô, conta que a principal dificuldade são as calçadas irregulares. “Tem muitos obstáculos, poste, lixo…”  No transporte público não teve dificuldade em entrar e sair dos vagões, mas a sinalização deixa a desejar: “perdemos tempo procurando o elevador”.

O secretário de Transportes Jilmar Tatto, que fez o percurso por Moema, parque do Ibirapuera, Abílio Soares e Rua Vergueiro, apontou duas dificuldades no percurso: não conseguir passar entre os carros, devido ao tamanho dos automóveis (na rua Abílio Soares, que estava travada) e os aclives do caminho. “Pra quem não está preparado, as subidas também dificultam um pouco”, observou.

O secretário de Transportes pedalou também em vias que não contam com ciclovias. Foto: Rachel Schein

O secretário de Transportes pedalou também em vias que não contam com ciclovias. Foto: Rachel Schein

Mesmo assim, acompanhei o secretário no seu trajeto e não tivemos que parar pra descansar e nem descer da bicicleta em nenhum momento. E quanto à qualidade do deslocamento, Tatto ficou satisfeito com a ciclovia recém-inaugurada na Rua Vergueiro. “É bom poder descer com segurança e com vento no rosto”, comentou com um sorriso no rosto.

Além de ser a primeira vez que o Secretário participou, também foi a primeira vez que parte do trajeto pôde ser feito por uma ciclovia.

“O importante não é ganhar ou perder, o importante é mostrar que existem várias opções de deslocamento na cidade” – esclareceu Thiago Benicchio. Para Jilmar Tatto, esse tipo de teste é importante para ajudar a aumentar a consciência do paulistano e para fortalecer o uso do transporte público e veículos não motorizados.

Thiago Benicchio (ao centro) embarcou com a dobrável no Metrô. Foto: Rachel Schein

Thiago Benicchio (ao centro) embarcou com a dobrável no Metrô. Foto: Rachel Schein

Análise rápida

Talvez ainda seja cedo para afirmar, mas a melhora do tempo do automóvel pode se dar até por conta das outras opções de transporte oferecidas ao paulistano. Conforme o vídeo feito pelo “Bike é Legal”,  o ônibus por exemplo demorou 3 minutos pra passar e não estava lotado. Talvez o sentido contrário (centro-bairro) ainda deixe a desejar, mas no sentido centro é possível ter transporte público de qualidade nesse horário.

A ciclovia da Av. Faria Lima teve um aumento de 37% do número de viagens, segundo pesquisa realizada pela CET em agosto desse ano. Isso devido ao bicicletário instalado no Largo da Batata. O número de bicicletas compartilhadas circulando nessa ciclovia também mais do que dobrou, por causa da instalação de uma estação do Bike Sampa no metrô Faria Lima. Daí a afirmação de Thiago Benicchio sobre a quantidade de bikes na ciclovia da Faria Lima (o que não prejudicou o tempo de chegada do participante).

Como já afirmou Janette Sadik-Khan, ex-secretária de Transportes de Nova York, quanto mais opções de transporte você tem, mais equilibrada sua cidade.

Ricardo Bruns e a emoção da chegada. Foto: Willian Cruz

Ricardo Bruns e a emoção da chegada. Foto: Willian Cruz


8 comentários para Secretário de Transportes participou pedalando em Desafio Intermodal de SP

  • Roberto

    Neste horário (fim de tarde), a origem e o destino deveria ser invertida ou alterada para sentido centro-bairro.
    Só assim seria retratado nosso dia a dia no trânsito de São Paulo.
    Com certeza, a bike (mesmo por vias calmas), teria muito mais vantagens.

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  • Anderson

    Poxa, achei que o prefeito iria aparecer. Seria muito bom ver ele andando de ônibus no horário de pico.

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  • Hélio

    Teria como divulgar o trajeto do ciclista que fez o percurso em 20 min? O do Tatto foi inteligente. Brooklin/Moema é a melhor rota para o Centro de fato.

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    • Felipe Prenholato

      Só que ele subiu pela Abílio em vez de ir pela Av Dante Pazzanese/Av Conselheiro Rodrigues Alvez > R Aurea > R Morgado de Mateus > R. Humberto I > R. França Pinto, e perdeu um tempão nisso já que a idéia era pegar a ciclovia da vergueiro. Sinceramente achei que ele demorou tempo demais hehe, mesmo usando uma dobrável e indo por ruas calmas.

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      • Felipe,

        Sua sugestão de rota é interessante. Ela aumenta um pouco o trajeto, mas sai do trânsito da Abílio, que neste ano estava mais carregado que em anos anteriores. Qual a maneira pela qual você acessaria a Dante Pazzanese a partir do Parque do Ibirapuera? E no final da França Pinto, como chegaria até o trecho com ciclovia da Vergueiro?

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        • Felipe Prenholato

          Eu costumava passar pela passarela do Ibirapuera, e saindo dela seguir pela direita pela Av Pedro Alvares Cabral. Tem uma calçada pouco movimentada ali após o ponto de ônibus, andando com cuidado vc sai do trânsito sem machucar ninguém.

          Hoje em dia eu vou pela calçada mesmo, saindo a esquerda da passarela, com muito cuidado, para subir direto a França Pinto. Mesmo indo devagar, muito devagar por causa dos eventuais pedestres, vale + a pena do que dar a volta toda.

          A França Pinto termina na R. Domingos de Morais, segue reto mais uma quadra e você está na ciclovia.

          Eu faria esse caminho http://ridewithgps.com/routes/6081648 … Não são vias totalmente calmas (principalmente no começo, quando ainda na berrini), mas são vias ciclaveis sem problemas.

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    • Ele foi pela 9 de Julho, Hélio.

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