Bairro de Copacabana tem mais de 11.500 entregas em bicicletas por dia

Em Copacabana, cargueiras levam até colchões - e vários de uma vez! Foto: Zé Lobo/Transporte Ativo

Em Copacabana, cargueiras levam até colchões – e vários de uma vez! Foto: Zé Lobo/Transporte Ativo

Por Aline Souza

Foto: Transporte Ativo

Foto: Transporte Ativo

O 4o Fórum Internacional da Mobilidade por Bicicleta – BiciRio – aconteceu na cidade do Rio de Janeiro no final de setembro de 2014. Um dos convidados para participar do seminário foi Zé Lobo, presidente da ONG Transporte Ativo. A TA, como também é conhecida, se tornou referência em estudos e pesquisas sobre o uso de bicicleta como meio de transporte no Rio. Na ocasião do evento, Zé Lobo falou um pouco sobre o uso de bicicletas de carga em Copacabana, bairro que é o projeto piloto para a Política de Incentivo ao Uso de Bicicletas nas Cidades.

De acordo com os dados apresentados, o bairro de Copacabana tem grande uso desse tipo de bicicleta para a prestação de serviços, entre triciclos e cargueiras. São padarias, petshops, carteiros, pizzarias, farmácias, lavanderias, lojas de colchão e até o transporte de geladeiras chega a ser feito sobre duas rodas. No total são 11.541 entregas por dia no bairro todo (veja o relatório completo).

A entrega sustentável, movida à energia humana, é muito importante. “Muitos milhões em mercadorias são entregues em bicicletas de carga no Rio de Janeiro. Diversas soluções já foram desenvolvidas aqui, enquanto na Europa somente agora estão evoluindo com esse tipo de uso da bicicleta. Precisamos valorizar isso!”, afirma Zé Lobo.

Recentemente, foram inaugurados em Copacabana mais de 1,3 km de ciclofaixas e faixas compartilhadas. Ao todo são 14 km de infraestrutura destinada à mobilidade por bicicleta em vias internas do bairro, além da orla, que já conta com 4,7 km de ciclovias, permitindo a circulação dentro do bairro e a integração com as estações do metrô (veja aqui).

Infelizmente ainda não há isenção fiscal para as empresas que entregam seus produtos usando bicicleta. Também não há isenção para a compra de bicicletas no Brasil, ao passo que para a compra de automóveis o Imposto sob Produtos Industrializados (IPI) é zero. A longo prazo o alto número de veículos nas ruas se tornará algo como um tiro no pé. “Não há como voltar à era do carro, o tempo dele já passou”, diz Lobo.

História de amor ao Rio e à Bicicleta

Parte da vida de Zé Lobo é dedicada à bicicleta e às melhorias para seu uso na cidade do Rio de Janeiro. “Começamos a fazer o Dia Mundial Sem Carro em 2004. Já em 2009 a prefeitura assumiu, mas sempre a TA apoiou a iniciativa”, ele diz. Durante o passeio ciclístico de visita técnica ao bairro de Copacabana no dia 22 de setembro, e também para o 4º BiciRio,  a Transporte Ativo integrou o conselho que idealizou o evento e atuou na produção dessa semana da mobilidade.

Sobre sua palestra, Zé Lobo ressaltou a importância do ciclista que pedala as bicicletas de carga na cidade, que consegue ser ainda mais invisível que o ciclista comum. “Qualquer atividade que promova a bicicleta procuramos sempre estar presentes e apoiar fornecendo conteúdo e informação para que mais pessoas se informem e comecem a pedalar”, concluiu.​​

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