A história da ciclovia da Av. Sumaré, em São Paulo, hoje compartilhada com pedestres

Canteiro central da Av. Sumaré deve ser compartilhado com os pedestres. Foto: Carlos Crow

Canteiro central da Av. Sumaré deve ser compartilhado com os pedestres. Foto: Carlos Crow

O canteiro central da Av. Sumaré, na zona oeste de São Paulo, foi sinalizado como espaço compartilhado entre pedestres e ciclistas, oficializando o uso misto que já ocorria. Ainda assim, ocasionalmente ocorrem conflitos entre quem anda a pé e quem está circulando em bicicleta. Por que? Para entender de fato, é preciso conhecer o histórico desse espaço. Vamos a ele.

Até 2012, a ciclovia da Av. Sumaré tinha "sonorizadores" nos cruzamentos, uma estrutura que só faz sentido para automóveis e danificava as rodas de algumas bicicletas. Foto: Thiago Benicchio

Até 2012, a ciclovia da Av. Sumaré tinha “sonorizadores” nos cruzamentos, uma estrutura que só faz sentido para automóveis e danificava as rodas de algumas bicicletas. Foto: Thiago Benicchio (2006)

Fase ciclovia – 1996 a 2012

A via no canteiro central da Av. Sumaré, se estendendo até parte da Av. Paulo VI, foi inaugurada como ciclovia em 1996, com cerca de 2,5km. Apesar de tecnicamente ser uma via exclusiva para bicicletas, era utilizada por moradores para atividades de lazer a pé (corrida, caminhada, passear com o cachorro e até ensinar crianças a pedalar).

A via era extremamente mal projetada, com retornos que colocavam os ciclistas em risco, sem semaforização para bicicletas, e sem pintura de solo nos cruzamentos e retornos, que tinham áreas para os motoristas aguardarem a abertura do sinal, fechando o caminho para bicicletas. Para piorar, havia SONORIZADORES próximos aos retornos para obrigar o ciclista a dar preferência aos carros (com o potencial de estragar as rodas das bicicletas), um tipo de intervenção que só faz sentido para automóveis – o que mostra a total falta de conhecimento de quem projetou a estrutura. Uma ciclovia com o objetivo único de tirar as bicicletas da rua, para que não interferissem na circulação dos carros, sem nenhuma preparação para protegê-los de fato. Com isso, muitos ciclistas preferiam usar a avenida mesmo, no lado direito da via, onde circulavam ônibus (ainda sem faixa exclusiva) e muitos carros estacionavam.

Em 2006, foi criada a motofaixa no bordo esquerdo da avenida, junto ao canteiro central, e muitos ciclistas começaram a utilizá-la, pois se sentiam mais confortáveis nela do que na ciclovia do canteiro central, com seus sonorizadores, raízes de árvores quebrando o pavimento e pedestres circulando.

Na fase calçada, ciclistas continuaram usando o espaço, como sempre haviam feito nos 16 anos anteriores. Foto: Willian Cruz

Na fase calçada, ciclistas continuaram usando o espaço, como sempre haviam feito nos 16 anos anteriores. Foto: Willian Cruz (abril/2014)

Fase calçada – 2012 a 2014

Em 2012, depois de 16 anos consolidada como ciclovia, um vereador (não sabemos qual) interviu junto à subprefeitura da Lapa, atendendo a pedidos de moradores, para que a área fosse transformada em passeio. Houve então uma reforma que a caracterizou como área de pedestres. E aí começaram os conflitos no local.

Os ciclistas tinham certeza que o espaço ainda era uma ciclovia, agora melhorada, com pavimento bom e sem os estúpidos sonorizadores que sempre incomodaram tanto e não faziam o melhor sentido. Sinalização de ciclovia? Não tinha, mas nunca teve nada além do concreto vermelho. Outras ciclovias na cidade também não tinham nem o chão vermelho. Então, para esses ciclistas, continuou sendo ciclovia, agora reafirmada pela reforma. Os pedestres circulando ali, portanto, estavam no lugar errado.

Por outro lado, os moradores que caminham por ela passaram a ter a certeza de que não era mais uma área para bicicletas. O chão não era mais vermelho e muitos sabiam da movimentação do vereador e da subprefeitura (que não foram tornadas públicas) para desfazer a ciclovia. Para eles, os ciclistas circulando ali eram infratores e deveriam ser maltratados. Muitos ocupavam a calçada toda quando viam uma bicicleta chegando, faziam de conta que não viam os ciclistas e os incomodavam até que perdessem a paciência, para tentar convencê-los a não usar mais o espaço.

A simples transformação em calçada não ajudou ninguém, pelo contrário: além de potencializar conflitos, cruzamentos e retornos continuaram colocando ciclistas e pedestres em risco. Foto: Willian Cruz (abril/2014)

A simples transformação em calçada não ajudou ninguém, pelo contrário: além de potencializar conflitos, cruzamentos e retornos continuaram colocando ciclistas e pedestres em risco. Foto: Willian Cruz (abril/2014)

Devido a essa reforma para desfazer a ciclovia, sem esclarecimento ou comunicação à população, tampouco sinalização de outra área para as bicicletas, conflitos entre usuários passaram a ser comuns, muitas vezes chegando a um bate-boca nada amigável entre ciclistas e pedestres, cada qual na certeza de estar com a razão. A atuação do tal vereador (que não sabemos quem foi) e a ação da subprefeitura foram bastante irresponsáveis no episódio, sobretudo pela falta de comunicação e de esclarecimento público, atendendo apenas a uma demanda local em um espaço utilizado para tráfego de cidadãos de várias regiões. E quem pagou por isso foi a população, tanto os moradores do entorno quanto os ciclistas que têm na avenida um dos melhores caminhos para cruzar a elevação que tem seu pico na altura da Dr. Arnaldo, reduzindo o esforço físico necessário para ir do “além pontes” da Zona Norte até as regiões da Paulista, Vila Madalena, Pinheiros e além.

Placas sinalizam uso compartilhado. Foto: Carlos Crow

Placas sinalizam uso compartilhado. Foto: Carlos Crow

Fase atual: espaço compartilhado

Os moradores do entorno consideravam, desde 2012, o espaço do canteiro central como área para caminhada, corrida e lazer a pé. Mas para todo o resto da cidade, continuava sendo uma ciclovia, embora mal sinalizada. Ciclistas continuavam circulando pelo local, como já faziam há mais de uma década.

Foi quando, em agosto de 2014, a CET decidiu atuar e definir o espaço como de “circulação compartilhada entre pedestres e ciclistas”. Foram instaladas 32 placas informando sobre o compartilhamento ao longo dos 2,7 km de extensão. Outras 22 placas de regulamentação e advertência também foram instaladas, além de sinalização de “travessia rodocicloviária” e travessia de pedestre em dez retornos e cruzamentos ao longo das duas avenidas. Um mês depois, o trecho foi ampliado em mais 700 metros, com a instalação de mais seis placas indicando o compartilhamento e cinco outras placas de regulamentação e advertência.

A sinalização de compartilhamento tende a reduzir os conflitos, já que agora torna claro que o espaço deve ser utilizado por todos. Mas é necessário ter a consciência que o espaço não é de um e nem de outro, mas de ambos. E isso não será conseguido se os ciclistas, que conhecem o espaço há anos, continuarem agindo como se ainda fosse de uso exclusivo, tampouco se os moradores da região continuarem tratando os ciclistas como invasores do quintal de suas casas.

A preferência deve ser dada ao pedestre, claro, mas isso não significa que quem está a pé deva impedir displicentemente a passagem dos ciclistas, como ainda acontece com frequência, por incrível que possa parecer. E quem estiver de bicicleta deve perceber se tratar de espaço compartilhado, não abusando na velocidade na descida, pedindo licença para passar, sendo gentil com quem está circulando a pé e tomando especial cuidado com animais de estimação, crianças e idosos que eventualmente estejam no local. Uma simpática buzininha trim-trim e um sorriso sincero são essenciais nessa hora.


31 comentários para A história da ciclovia da Av. Sumaré, em São Paulo, hoje compartilhada com pedestres

  • Marcelo

    Desculpe, essa via está insuportável o tal compartilhamento, principalmente aos domingos, que os pedestres tomam conta da via para caminhadas, corridas, passeio com animais, etc… Ou volta o que era antes como ciclovia, ou deixa de vez como calçada. Já tivemos neste domingo novamente conflitos entre pedestres e ciclistas no local, e inclusive alguns esbarroes acidentais. A qualquer momento pode ocorrer acidentes sérios nesta via. Totalmente irresponsável a medida tomada por esse vereador com intuito apenas de agradar na busca de votos eleitoreiros. Ou transformem de vez em ciclovia, ou calçada. Os dois não combinam.

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  • Luiz Alberto Melchert de Carvalho e silva

    14% da pkpopulação tem deficiência visual séria e 6,8% tem deficiência incapacitante necessitando de auxílio e sinalização especial. O espaço compartilhado não possui piso tátil nem sinalização sonora. Para o autor dessa matéria, bem como para as autoridades, os cegos e as pessoas com baixa visão não existem. Na matéria, fala-se sobre idosos e animais de estimação mas não sobre pessoas com deficiência. É preciso entender que ciclistas são uma parte da sociedade e pedestres são todos, por mais que as bicicletas popularizem-se.

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    • Rafael

      Certo, mas qual sua sugestão?

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    • Tem razão, Luiz. Mas esse espaço do canteiro central era tradicionalmente uma ciclovia, que foi “perdida” para espaço de lazer e depois recuperada, fazendo-se a concessão de dividi-lo com quem quer praticar seu lazer a pé.

      As calçadas, espaços de circulação exclusivos de pedestres, continuam existindo em ambos os lados da avenida, portanto não há porque se negar o fluxo de ciclistas no canteiro central. Essas calçadas, sim, precisam ser sinalizadas e adaptadas para atender a todos que se deslocam por elas, retirando degraus, readequando entradas de garagens e consertando-se os buracos.

      Abraço e obrigado pelos dados fornecidos, que são de bastante relevância e serão levados em consideração em discussões futuras.

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  • Emanuel

    Como pedestre e ciclista, não sou contra a circulação compartilhada, mas apenas quando ela é realmente necessária. Lembremos que a Av. Sumaré possui calçadas para pedestres de ambos os lados. Portanto nenhum prejuízo para a circulação de pedestres caso fosse uma via exclusiva de bicicletas.

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    • Felipe

      Eu moro ali no bairro e a verdade é que muita gente usa a Sumaré como opção para a prática de esportes…o que nao é possível na calçada.
      Pego a ciclovia da Sumaré todo dia pra ir trabalhar de bike e oq vejo, com todo o respeito, é que a maioria dos ciclistas não entende o conceito de “compartilhado”.
      Compartilhado significa que você não pode descer a avenida a 40km/hra, simples assim.
      Reclamamos dos carros que não compartilham a via conosco e não conseguimos compartilhar o nosso espaço com pedestres. Difícil.

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  • Rafael

    O Vereador que, com emenda parlamentar, reformou o canteiro central na “fase calçada” foi o Marco Aurélio Cunha, conforme um folheto do gabinete dele, que recebi em casa.

    Abç

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  • Marco Antonio

    Gente, sem confusão. Cabe todo mundo na Sumaré. Ando por lá a muito tempo e nunca tive qualquer problema. Boas pedaladas. Abr.

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    • Carlos

      Como sempre bom senso e gentileza, faz a vida de todos melhor, até mesmo melhorar a qualidade de vida. Que infelizmente, nas vias motorizadas, está escasso, por isto que temos que fisicamente alocar espaço esclusivo para ciclistas e pedestres.

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    • Carlos

      Só tome cuidado com os pedestres que estão com fone de ouvido, às vezes, podem fazer movimentos que podem levar a colisão.

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  • Waldir

    A única ciclovia decente que SP possui é a Ciclovia do pinheiros, aonde é expressamente proibido a circulação a pé, de skate ou qualquer outro tipo de mobilidade que não seja por bicicleta ou, os veículos de serviço. Isso também nos traz segurança por saber que se alguém entrar com más intenções, será obrigado a retirar-se como já vi acontecer, além de nos “garantir” que pelo menos ali dentro, não seremos vítimas de assaltos. Quero ver eles (políticos) normatizando o uso das pistas da marginal Pinheiros ou Tietê como compartilhados e, colocar as mãezinhas deles andando por lá junto dos automóveis, só pq tem que ser compartilhado? Veículo não pode andar no mesmo leito carroçável que pedestres, salvo para manobras de entrada ou saída de garagens. O mesmo se aplica à bicicleta, que é hoje considerada veículo e deve ser tratada como tal. Inadmissível esse tipo de compartilhamento, justamente aonde existe generosa calçada em ambos sentidos de direção da avenida em questão (entre outras). Eu já andei na Sumaré e na Faria Lima e achei os compartilhamentos uma droga e excessivamente perigosos, ainda mais num traçado sinuoso, cheio de pontos cegos, que podem vitimar pedestres e ciclistas, isso sem falar em outros tipos de usuários não normatizados (skatistas, patinadores, carrinhos de rolimã, carroceiros etc) como veículos. Eu mesmo passei por isso na Faria Lima, quando quase atropelei um skatista andando/ brincando na contramão e, justamente “escondido” atrás de uma árvore do percurso sinuoso. Foi por um fio. Jeitinho brasileiro de político levar vantagem (ganhar votos) em tudo cerrrrto?

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  • Andreas

    Uso essa ciclovia diariamente, e tenho algumas considerações, desde o começo do ano está bem mais tranquilo pedalar pela sumaré porém, nos primeiros quarteirões próximo à rua Turiassu a faixa continua com postes e raízes de árvores transformando a pedalada em um desafio. e na parte Final, sobre a ponte chegando à Av. Henrique Schaumann é desconfortavel pedalar, pois a ciclovia simplesmente acaba e não possui nenhum rebaixamento de guia na faixa de travessia. No meu dia a dia, sigo pelo canteiro central até a estação sumaré do metro, depois disso vou pelo bordo direito da via, o mesmo acontece quando volto subindo pela Henrique Schaumann, sigo pela via até proximo à estação para depois ingressar no canteiro central.

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    • Rafael

      Realmente, falta mover os postes perto do Palmeiras, e rebaixar a Guia perto da Henrique Schaumann. Mas não duvido de uma ciclovia seguindo até a Av. Brasil, inclusive. Espaço tem.

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  • Humberto

    Comecei a usar a bike para deslocamentos diários ao trabalho, e tive várias gratas surpresas. A principal delas é que a grande maioria dos motoristas respeitam os ciclistas. Eventualmente aparece alguém que deve ter sido criado sem receber as mínimas noções de compartilhamento e civilidade. É questão de berço. E este tipo de cidadão, não importa se ele está de carro ou a pé. A diferença é apenas o tamanho do risco que ele pode ser. Outro ponto. Já encontrei várias vezes pedestres andando na via exclusiva da bicicleta, e isto não me dá o direito de agredi-lo ou ameaça-lo, fundamentado simplesmente na boa educação e no respeito à vida. Nestes casos um sorriso e um obrigado após a passagem farão o pedestre prestar atenção mais do que uma reação agressiva. E para finalizar: na última sexta-feira “precisei” vir trabalhar de carro devido uma forte gripe. Me senti desconfortável, gastei mais tempo, enfim, no meio do caminho da ida já estava com saudades da magrela.

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  • Douglas Augusto

    Não é ciclovia.

    É preciso enfatizar que um espaço compartilhado entre pedestres e ciclistas *não* é ciclovia. Ciclovia é uma pista própria destinada à circulação [exclusiva] de ciclos. Chamem de ciclodestre, pedesciclo, etc., mas não de ciclovia.

    A distinção é importante porque é permitido ao ciclista, quando não há ciclovia, transitar legalmente pela pista de rolamento (Art. 58 do CTB). Neste caso, qualquer ciclista experiente que não está ali por lazer vai preferir usar a rua; é mais rápido e mais seguro.

    Infelizmente, jogar ciclistas e pedestres em uma “vala comum” sinaliza nitidamente que a intenção é “evitar que atrapalhem os motorizados”.

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    • Cícero Soares

      Ou é ciclovia, sim, Douglas, mas com o poder público autorizando o compartilhamento. Definição do CBT:

      CICLOVIA – pista própria destinada à circulação de ciclos, separada fisicamente do tráfego comum.

      Ou seja, é pista própria e separada fisicamente.

      Por outro lado, ainda segundo definição do CBT:

      PASSEIO – parte da calçada ou da pista de rolamento, neste último caso, separada por pintura ou elemento físico separador, livre de interferências, destinada à circulação exclusiva de pedestres e, excepcionalmente, de ciclistas.

      Ou seja, passível de controvérsias sim.

      Agora, “qualquer ciclista experiente que não está ali por lazer vai preferir usar a rua”? Aqui não há controvérsia nenhuma, Douglas, você está redondamente enganado.

      Eu me considero um ciclista experiente em deslocamentos pela cidade (aliás, como ciclista de lazer confesso que sou muito do inexperiente), principalmente compartilhando o viário, e utilizo bastante o canteiro central da Sumaré, super na boa. Eu e diversos e diversos e diversos outros ciclistas experientes, acredite.

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      • Douglas Augusto

        Obrigado por ter apontado a definição de “passeio” segundo o CTB, que é justamente o que essa estrutura da Av. Sumaré é. Ciclovia e ciclofaixas são para uso exclusivo de ciclos.

        Quanto eu disse “experiente”, além da referência aos ciclistas que pedalam tranquilamente meio aos motorizados, eu estava me referindo àqueles que se deslocam em velocidade (qualquer coisa acima de 20, 25km/h), o que é inviável em espaços compartilhados com pedestres (pela insegurança para ambos). Mas talvez *ainda* seja viável se deslocar com fluidez meio aos pedestres nesse passeio compartilhado da Av. Sumaré, mesmo para quem não está a lazer.

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        • Cícero Soares

          Douglas, sejamos rigorosos: “justamente”, não, não é bem assim. Mesmo que ausente a “excepcionalidade” na definição de ciclovia, as municipalidades teriam competência pra normatizá-la. Além do mais, os passeios (calçadas) já existem ladeando a avenida, né? Sem falar que esse canteiro central tem mais a, hum, cara de ciclovia e da definição dela do que qualquer outra coisa. Mas sendo mais rigoroso ainda, não posso deixar de admitir que falta sim rigor à coisa.

          Ah, claro, claro que imaginei que era dessa experiência em “fluidez”, digo, em velocidade alta e constante que você estava falando, mas…

          Douglas, cuidado com isso, tá?, cuidado ao transferir sem nenhuma mediação a mentalidade motorizada para o nosso modal. Primeiro que não é nada tranquilo ficar em meio aos motorizados, nossa atenção no viário é permanente, ela não descansa (e nem pode, você sabe disso). E quando nos meus trajetos venho a dispor de ciclovias… putz, é um alívio fundamental. Como nessa compartilhada da Sumaré, que é quase pura sombra e água fresca…rs..

          E quanto ao “desperdício” de tempo… Meu, é só se programar, sair um pouco mais cedo da sua origem, etc. O problema da Sumaré são os horários de rush de pedestres, mas podendo evitá-los… Ah, mas domingo nem pensar: é pista direto, sem pensar…rs.

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          • Douglas Augusto

            Primeiramente, o que está sendo defendido aqui é o direito do ciclista de optar por transitar pela via dos motorizados, como rege a lei, pelo benefício de ambos ciclistas e pedestres. Não entendo a resistência a isso; os que quiserem, que pedalem pelo passeio compartilhado.

            Como integrantes do Sistema Nacional de Trânsito, os municípios podem, ao lado dos demais membros, propor alterações ao CTB, mas não podem ao bel prazer redefinir definições do CTB. Não é competência do município definir o que é ciclovia ou passeio. Uma bicicleta, por exemplo, continuará sendo um veículo por mais que algum município eventualmente tema que é um brinquedo.

            Me fez lembrar do fatídico caso da prefeitura de Petrópolis-RJ, que criou uma bizarrice batizada de “ciclofaixa compartilhada” (entre ciclistas e automóveis) [1]. Ora, o CTB afirma categoricamente que ciclofaixa é uma pista destinada à circulação exclusiva de ciclos; não precisariam ter gasto tinta para demarcar um espaço que o ciclista já tem direito garantido por lei de transitar (e com preferência sobre os motorizados). Se é compartilhado com automóveis não é ciclofaixa, é pista de rolamento.

            Finalmente, a bicicleta está passando por um momento crítico de adoção, com muita experimentação. Limitar a velocidade efetiva de deslocamento eliminaria uma das suas grandes vantagens. Se é necessário fazer concessões, que venha do transporte individual motorizado; não do pedestre, não do ciclista.

            1. http://www.tribunadepetropolis.net/Tribuna/index.php/capa-cidade/12628-campanha-orienta-motoristas-e-ciclistas-sobre-o-uso-da-ciclofaixa.html

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          • Cícero Soares

            Nossa, Douglas, se toda essa discussão é só para se enquadrar religiosamente no art. 58 e justificar o uso da pista, fique tranquilo, você tem um cúmplice aqui: no farol da Praça Caetano Fracaroli eu sempre pego a avenida. Acho que a primeira parte dessa seqüência, apesar de formalizada ao compartilhamento, é “realisticamente” inadequada a ela.

            Ah, confesso outra “infração” minha ao art. 58: quando tenho que seguir contornando apenas um quarteirão, e na rua intermediária há ciclovia à esquerda (ou seja, estou à direita, viro à direita e então à direita), não faço uso dela.

            Ah(2), e só pra reforçar: ninguém falou aqui de competência do município em redefinir definições, mas no que dispõe o art. 21:

            II – planejar, projetar, regulamentar e operar o trânsito de veículos, de pedestres e de animais, e promover o desenvolvimento da circulação e da segurança de ciclistas;

            Ah(3), e, finalmente, de experimentações e concessões (mas aí são opiniões pessoais, tá):

            1) o canteiro da Sumaré é ótimo para o exercício da convivência ciclista-pedestre, ele nos força a um aprendizado mútuo constante;

            2) já o constante do aclive da pista é péssimo para a adoção da bicicleta como meio de transporte “de massa”.

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      • Renato

        Bem, eu também sou ciclista experiente, uso a bike como meio de transporte faz mais de 20 anos e no caso da Sumaré, prefiro mil vezes utilizar a ciclovia “compatilhada” com os pedestres do que ir pela avenida….

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  • Renato

    Bem, eu não vejo problema na ciclovia compatilhada….pelo menos nas vezes que passei ali, o pessoal tem me dado passagem e eu não chego atras pressionando ninguém. Uma senhora que veio falar que ali não era bicicleta, eu respondi que é de pedestre e ciclista compatilhado. E falei para ela olhar a placa acima. Dai ela ficou quieta.

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  • uBÍQUO

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    • Joaão

      uBíquo, mais respeito com o próximo!
      Se não queres ser chamado de bípede palhaço, respeite quem anda de ciclo.
      Estamos em uma sociedade.
      Pessoas como voce são o retrocesso da humanidade.
      Deves ser um pseudo atleta com abdomen avantajado que se diz um atlela de final de semana.
      Só voce não tem consciência que os ciclistas estão dando a cara para bater a voces, que pensam desta maneira, e que os ciclistas estão colaborando para uma sociedade mais saudável e pacífica.
      Todos os profissionais da saúde já disseram :
      A maioria da população, principalmente os idosos e debilitados, vão morrer por causa da poluição em questão de poucas decadas. Veja o r. Saldiva, pesquisadores americanos, etc…
      Acorda rapaz! vai cheirar extruma de vaca no parque da agua branca para ver se raciocina melhor.

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    • ALEKSANDRO

      Por favor, não use o espaço para denegrir nossa imagem ou usar frases pejorativas….
      Se vc tem opnião use o seu nome….

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    • Renato

      mimimi….mimimi…

      Lá vamos nós de novo…carrocrata chorão na area detected!

      Bem, é Troll !!!

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  • Felix

    Como é via compartilhada não sou obriigado a pedalar por ela, prefiro pedalar pela direita (faixa de ônibus – Na Sumaré passam 6 onibus por dia!).
    Apesar de sinalização vertical e horozintal (tem até bike box) ainda existem motoristas que reclamam achando que tenho obrigação de andar no canteiro central…

    Polêmico. O que acha? Thumb up 5 Thumb down 5

  • Uau, moro aqui no Sumaré e realmente não tinha ficado sabendo desse período entre 2012 e 2014. Ótima matéria, Willian!

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