Bicicletada dos Imprestáveis, em São Paulo, teve apoio e críticas de moradores

Manifestação levou ciclistas à R. Honduras, onde moradores afirmaram que "gente que anda de bicicleta não presta". Foto: Rachel Schein

Manifestação levou ciclistas à R. Honduras, onde moradores afirmaram que “gente que anda de bicicleta não presta”. Foto: Rachel Schein

Cerca de 50 pessoas se reuniram para se manifestar a favor das ciclovias na R. Honduras, no Jardim Paulistano, bairro nobre da capital paulista. O protesto foi resultado de declarações de moradores do local, resistentes à futura ciclovia que será implantada neste trajeto: um deles afirmou a um jornal de grande circulação que “quem anda de bicicleta não presta”, o que deu origem ao nome do evento.

Dirce Limberte não é coooontra ciclovias, mas, porém, todavia, entretanto, deveriam passar em outra rua. Foto: Rachel Schein

Moradora da R. Honduras, Dirce Limberte não é contra ciclovias, mas, porém, todavia, entretanto, deveriam passar em outra rua. Foto: Rachel Schein

A rua Honduras já é uma ciclorrota, ou seja, um caminho natural do ciclista. Tanto que já há uma sinalização indicando esse caminho. É a via que liga o bairro dos Jardins até o parque do Ibirapuera sem que o ciclista tenha que pegar nenhuma avenida. A ciclovia no local foi anunciada pela Secretaria de Transportes no mês de setembro. Saiba mais sobre a demanda nessa via.

Reações

A Bicicletada saiu da Praça do Ciclista, percorreu a av Paulista e desceu a rua Pamplona ao som de Reginaldo Rossi, com a música “Eu não presto mas eu te amo”.  Chegando na rua Honduras, os ciclistas recolocaram a faixa da CET informando sobre a ciclovia, que estava caída.

Alguns motoristas passavam propositalmente em alta velocidade – excedendo o limite da via e com isso colocando pessoas em risco – e foram vaiados. Mas a maioria passava buzinando em sinal de  apoio e era aplaudida pelos manifestantes.

O morador Mario Sergio Limberte pegou capacete e bicicleta do filho e juntou-se aos ciclistas. Foto: Rachel Schein

Já o marido de Dirce, Mario Sergio Limberte, pegou capacete e bicicleta do filho e juntou-se aos ciclistas. Foto: Rachel Schein

A principio, os cidadãos que protestavam foram recebidos de forma negativa pela moradora da casa em frente a faixa, que depois desceu e foi conversar com os ciclistas. “Eu não sou totalmente contra as ciclovias mas, porém, todavia, acho que tem outras vias que poderiam ser usadas” – justificou Dirce Limberte. Ou seja, ninguém é contra, desde que não seja na porta da sua casa.

O dentista Mario Sergio Limberte, marido de Dirce, foi mais simpático. Pegou a bicicleta e o capacete do filho e saiu pra se misturar com a massa, surpreendendo a todos. Ele conta que não anda de bicicleta porque tem medo de cair. “Agora com a ciclovia pode ser que eu me anime”, afirmou sorrindo à nossa reportagem (veja no vídeo).

“As pessoas acham que o que está próximo da sua casa é patrimônio privado. Mesmo sendo rua, que é patrimonio público. E o que está longe não é de ninguém”, argumenta Guilherme Morais, assistente jurídico. E completa: “A prefeitura deve defender os interesses públicos e a ciclovia é um interesse da cidade inteira.”

O professor de yoga Luiz Isique, que esteve presente no protesto, acredita que sempre vai haver resistência: “É triste, é infeliz, mas esperado, o que importa é que estamos aqui de coração aberto e havendo resistência ou não estaremos firmes nas ruas”.

Segundo pesquisa realizada pelo Ibope a pedido da Rede Nossa São Paulo, 88% da população aprova a ampliação das ciclovias.

Fotos e vídeo

Veja a galeria de fotos abaixo e nossa videorreportagem neste link.


7 comentários para Bicicletada dos Imprestáveis, em São Paulo, teve apoio e críticas de moradores

  • teresa cristina kikabola

    TEM DE SER SEM BURRACO ,ESTA UM PERIGO ANDA NAS CICLOVIAS MUITO MAS FEITA.GASTOU TANTO POIS DEVERIA SER PERFEITA RESPEITANDO AS PESSOAS PREFEITO PENSE NISOOOOOOOOOOSSSSSSSSSSSSSSSOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOSSSSSSSSSSSSSSSS

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  • Bom, vocês são impecáveis e eficientes em todo o trabalho que fazem. Mas devo dizer que este foi particularmente sensacional!
    Amo muito tudo isto!

    Parabéns pelas belas fotos da Rachel Shein e parabéns a todos que fazem este blog levar tanta consciência com humor e esperteza.

    Eu mesma não presto mesmo nem um pouco da minha paciência a gente que nem quer saber o que é a alegria de uma bicicleta.

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  • Rosana

    Ei, quando vai ter ciclovia passando na porta da minha casa????? (se sentindo imprestável)

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  • “Dirce Limberte não é contra ciclovias, mas, porém, todavia, entretanto, deveriam passar em outra rua.” Frase clássica já conhecida nos EUA: Not In My Back Yard, que significa “não em meu quintal”

    Tem razão dona Dirce, bicicletas atrapalham. O melhor mesmo é que sua rua seja bem barulhenta por conta do grande numero de carros, ao ponto de deixar todas as janelas e portas da casa fechadas. O melhor é ter um congestionamento monstro parado à porta de sua casa, ao ponto de não conseguir tirar o próprio carro da garagem. Isso fora a piora da qualidade do ar por conta da poluição excessiva e o fato de trancafiar seu cachorrinho sempre em casa, pois a chance dele fugir e ser atropelado por um carro são muito maiores.

    Tem mesmo razão dona Dulce.

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    • Felipe Fernandes

      Netti, muito longe de querer defender a moradora, não se trata disso, porém sua comparação só seria válida se a prefeitura estivesse tirando uma faixa de rolagem para colocar a ciclovia, infelizmente ainda estamos no momento de tirar somente vagas de estacionamento, Carro parado, não polui, não faz barulho, não congestiona nem atropela cachorros.
      A visão que faz com que estas pessoas sejam contra a ciclovia na porta de suas casas é a da apropriação do espaço público para uso privado, as pessoas acham que as vagas de estacionamento na frente de suas casas são delas, elas veem a implantação das ciclovias como a perda de um direito (inexistente), a reação é “estão tirando a minha vaga”.
      O que precisamos mostrar é que, primeiro aquele espaço não é propriedade de quem mora ali, e segundo que o uso do espaço público para estacionamento de carros particulares é um absurdo, a sociedade não deveria arcar com os custos do estacionamento dos carros, isto deve ser um custo que o dono do carro deve absorver e não a sociedade como um todo.

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