Em Nova York, ciclovias diminuíram acidentes entre ciclistas e pedestres

Reformulação de ruas em Nova Iorque incluiu mais espaço para pedestres e ciclistas, e redução de velocidade para automóveis. (Imagem: Loozrboy, Creative Commons)

Reformulação de ruas em Nova York incluiu mais espaço para pedestres e ciclistas, e redução de velocidade para automóveis. Foto: Loozrboy (cc)

O mote “construa e eles virão” não serve apenas para provar a legitimidade das ciclovias na melhoria da mobilidade das cidades. Segundo um estudo de dois especialistas do Hunter College e de um acadêmico da Universidade de Nova York, o aumento do número de usuários de bicicleta pode contribuir para a diminuição do número de acidentes, principalmente aqueles que envolvem os atores mais frágeis do trânsito: os pedestres.

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Peter Tuckel, William Milczarski e Richard Maisel constataram que houve uma diminuição no número de ferimentos em pedestres atingidos por ciclistas tanto no Estado quanto na cidade de Nova York, a partir do ano de 2008. No Estado, a taxa de pedestres feridos em incidentes com ciclistas caiu de 5,45 por 100 mil habitantes para 3,78 por cem 100 mil. Na capital, a taxa caiu de 7,54 para 6,06 no mesmo período. Ao mesmo tempo, somente na ilha de Manhattan, o número de ciclistas dobrou.

Planejamento urbano levou em conta o direito de ir-e-vir e a segurança de pedestres e ciclistas, não só de motoristas.

Planejamento urbano levou em conta o direito de ir e vir e a segurança de pedestres e ciclistas, não só de motoristas. Foto: Spencer Thomas (cc)

Ruas para pessoas

Os dados são referentes a um período que, concomitantemente, viu um desenvolvimento contínuo da infraestrutura para bicicletas: na cidade de Nova York, a extensão da rede cicloviária duplicou entre 2007 e 2010, contando atualmente com 480 km de ciclovias e ciclofaixas. O planejamento urbano também mudou substancialmente, com uma reformulação que alterou a paisagem de pontos mundialmente conhecidos, como a Times Square, que suprimiu faixas de rolamento para automóveis. Elas viraram não só ciclovias, como também espaços para pessoas, com mesas e locais de convivência, humanizando as ruas.

Recentemente, a velocidade máxima para veículos automotores foi diminuída para 40 km/h. O Departamento de Trânsito (NYC DOT) registrou um declínio de 58% em incidentes com todos os usuários da 9ª Avenida, onde foi construída uma ciclovia segregada. E a cidade quer, ainda, zerar as mortes no trânsito em dez anos, a chamada Vision Zero.

Comparação desigual

Comparando com outros modais de transporte envolvidos em acidentes de trânsito, o estudo também apontou que os motoristas do Estado de Nova Iorque feriram e mataram cerca de 22 mil pedestres e ciclistas somente em 2012. Já no caso dos ciclistas, entre 2009 e 2012, houve três mortes de pedestres causadas por quem se locomovia de bicicleta. Na capital, motoristas causaram a morte de 178 pedestres e ciclistas no ano de 2013, segundo a polícia nova-iorquina.

Mais bicicletas, menos acidentes

Outro estudo realizado na Grã-Bretanha há cinco anos já havia constatado que a taxa de incidentes com ciclistas costuma ser mais baixa onde há mais bicicletas circulando. A pesquisa mostra que “consideradas diversas circunstâncias, se o uso da bicicleta dobra, o risco individual de cada ciclista cai em aproximadamente 34%”.

Isso acontece, entre outros fatores, porque quanto mais bicicletas há nas ruas, mais fácil é enxergá-las. Os motoristas se acostumam com os ciclistas, passando a saber como conviver com eles e o que isso exige, como a ultrapassagem a 1,5m e a diminuição de velocidade. Por fim, passam a entender que um ciclista ou pedestre são pessoas, não obstáculos. Um planejamento urbano voltado para as pessoas e feito em escala humana reforça essa compreensão.


11 comentários para Em Nova York, ciclovias diminuíram acidentes entre ciclistas e pedestres

  • Tarantino

    Renato, grato pelo esclarecimento. Por que será que não integram de uma vez todas as 4 empresas?

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    • Renato

      São 3 empresas: CPTM (que é responsavel por 6, das 11 linhas), ViaQuatro (concessionária responsavel pela linha 4 amarela) e Companhia do metropolitano de São Paulo – Metrô, responsavel pelas 5 linhas restantes (linhas 1- azul, 2 verde, 3 vermelha e 5 lilás)

      As 11 linhas são totalmente integradas entre si e com integração gratuita nas estações Santo Amaro, Tamanduatei, Luz, Barra Funda, Brás, Pinheiros, Republica e Paulista.

      O maior benefício ocorreu em 22 de Maio de 2000, qdo o Governo do estado iniciou o amplo programa de unificação do sistema de trens metropolitanos (e consequente conversão do modo de operação, adotando-se intervalos e padrão metrô), sendo que hoje isso fez a demanda subir de cerca de 800 mil para 3 milhões na CPTM e de 1,5 milhão para 4 milhões no metrô).

      Não há problemas em ter mais de uma empresa operando linhas dentro da malha. muitas linhas de metrô e trem são operados pela iniciativa privada, assim como estatais em conjunto.

      Para o usuário, isso não muda nada, pois com o acesso livre e irrestrito, dá para ir de Itaim Paulista ou Guaianazes (extremo da zona leste) até Grajaú que fica no extremo da zona sul, tudo via trilhos….

      Unificar seria bom para reduzir custos administrativos, mas há a intenção de ir repassando as linhas para a iniciativa privada, a exemplo do que ocorreu com a linha 4, 6 – laranja, 18 – Bronze (uma em construção e outra em licitação) e recentemente, com a linha 5 – Lilás (Que está em obras no trecho entre Adolfo Pinheiro e Chacará Klabin)

      Hoje, embora a cidade ainda necessite de muitas novas linhas, a unificação da rede, possibilitou a ampliação da area de cobertura na cidade pelo usuário, qdo conectou as linhas que atendem dezenas de bairros da cidade de São Paulo a rede do metrô. Antigamente, não havia integração e onde havia, era pago.

      Pelo mapa da rede atual(link abaixo), você pode conferir qtos bairros são atendidos hoje pela rede….

      http://www.cptm.sp.gov.br/Documents/Mapa-Metropolitano.pdf

      Por conta dessa unificação que a rede metroferroviaria é superlotada….a facilidade e a praticidade de se deslocar via trilhos fez a demanda quadruplicar do ano 2000 até os dias atuais. E continua crescendo….

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  • Tarantino

    Como basicamente o ser humano é o mesmo tanto aqui como lá, com certeza a imposição de multas contribuiu para o melhor comportamento de todos. A parte mais sensível do homem é o bolso.

    Polêmico. O que acha? Thumb up 7 Thumb down 4

  • Fabio

    Nova Iorque tem um sistema de bike sharing (não o do city bank) muito interessante em que não tem estações e a bike pode ser travada em qualquer lugar. Seria interessante não só uma matéria sobre isso, mas também uma “pressionada” básica de nossos ciclo ativistas mais influentes para implantação de algo parecido aqui do lado de baixo do equador.

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  • Tarantino

    Muito legal tudo isso. Só esqueceram de dizer que a infraestrutura de transporte público lá é incomparavelmente melhor do que aqui, e isso também estimula os usuários a deixarem o carro em casa. E também não falaram que lá os ciclistas estão sujeitos a multas pesada em caso de infração.

    http://www.eldiariony.com/ciclistas-quejan-multas-contra-nyc&template=mobile_redesign

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    • Renato

      Bogotá não tem metrô e tem uma malha cicloviaria com cerca de 400 km…e lá foi a mesma coisa!

      Polêmico. O que acha? Thumb up 6 Thumb down 3

    • Alexandro

      Claro, você apenas não diz que o metrô de Nova iorque é sujo e tem até rato dentro dos trens, plataformas e estações….é o velho complexo de vira-lata!

      es uma dose de realidade:
      https://www.youtube.com/watch?v=Lvgf85AT49A

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      • Tarantino

        Não conheço pessoalmente, mas amigos meus já disseram que realmente é muito sujo mesmo, assim como o McDonald’s de lá também é uma imundície.
        Creio que em termos de qualidade, o metrô de SP seja um dos melhores, pena que só tenha cerca de 78 km de extensão, contra cerca de 370 km em NY.

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        • Renato

          Negativo, está desinformado. Mas eu exclareço:

          SP não se resume somente aos trilhos operados pelo Metrô, como a midia adora papagaiar. O municipio de São Paulo tem atualmente 214.5km de trilhos, com pouco mais de 150 estações, 11 linhas e operada por 3 empresas diferentes. ViaQuatro, CPTM e Companhia do metropolitano.

          Moradores do extremo sul, leste, oeste e norte tem facil acesso ao centro da cidade graças a unificação de 2 sistemas em um só e a adoção de tarifa única.

          Hoje é chamado de sistema metroferroviario e ambos os sistemas operam da mesma forma….

          https://medium.com/trens-metropolitanos/os-130-km-de-trilhos-da-cptm-esquecidos-dentro-da-capital-475a930a34ca

          Mesmo assim ainda estamos distantes do sistema metroferrovario novaiorquino, porém, estamos quase com a mesmo tamanho.

          Ignorar as linhas que atendem os extremos da zona sul como Grajaú, Interlagos, Jurubatuba, Guaianazes, Perus, Pirituba, Itaim Paulista, São Miguel dentre diversos outros é leviano e demonstra o nivel de ignorancia de nossa imprensa que acha que trilhos em SP se resume somente aos 78km da rede operada pela companhia do metropolitano e ViaQuatro (linha 4 amarela é privada)

          A diferença com NY é que lá é operado apenas por 1 empresa, enquanto aqui são 3.

          Só para constar: As 6 linhas operadas pela CPTM carregam 3 milhões de pessoas por dia, sendo 1,8 milhão só no trecho dentro da capital, o que demonstra a vital importancia dessas linhas. (e que o lixo da imprensa insiste em fazer de conta que não existe).

          Comentário bem votado! Thumb up 4 Thumb down 0

  • [...] foi publicado um texto no site Vá de Bike justamente sobre a diminuição dos acidentes entre pedestres e ciclistas após a implementação [...]

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