Estudo em Maceió chama atenção para alto uso da bicicleta como transporte

Foto: Divulgação/CicloMobilidade

Foto: Divulgação/CicloMobilidade

Uma contagem de ciclistas promovida em Maceió, em maio desse ano, revelou o uso da bicicleta com maior relevância nos horários de pico dos deslocamentos, o que indica o uso expressivo do modo ativo de transporte para a viagem de casa ao trabalho do cidadão maceioense. No entanto, a prefeitura parece não estar atenta a esse fato.

A constatação foi feita pela Associação de Ciclistas Urbanos de Maceió (CicloMobilidade), em um estudo feito no cruzamento entre as avenidas Menino Marcelo e Cachoeira do Meirim (veja no mapa). Ao longo da contagem, feita das 5h às 20h, foram registrados 2.576 ciclistas. Os horários de maior movimento no dia foram entre as 6h e 7h, com 342 pessoas pedalando, e entre as 17h e 18h, com 475 ciclistas. A pesquisa aponta uma média de 171 pedalantes por hora.

Segurança das pessoas que se deslocam de bicicleta é posta em risco no local. Foto: Divulgação/CicloMobilidade

Segurança das pessoas que se deslocam de bicicleta é posta em risco no local. Foto: Divulgação/CicloMobilidade

O mesmo levantamento revelou ainda uma esmagadora maioria de homens pedalando, na ordem de 98%. Apenas 1% das pessoas usavam capacete no período analisado. Em relação à contagem realizada na avenida Fernandes Lima, em fevereiro de 2016, este estudo registrou uma quantidade bem maior de ciclistas. Na outra ação foram computadas 1.156 pessoas usando a bike como meio de deslocamento.

O local escolhido para este estudo é cruzado pela Avenida Menino Marcelo, sendo uma das vias com maior importância na capital do estado de Alagoas, com cerca de 11 quilômetros de extensão, interligando bairros com grande densidade populacional como Cidade Universitária, Benedito Bentes, Jardim Petrópolis, Ouro Preto, Serraria e Barro Duro.

A região, de acordo com a CicloMobilidade, concentra grande circulação de veículos motorizados, sobretudo caminhões e ônibus, além de ciclistas e pedestres, estes últimos com condições precárias de locomoção, com ausência de calçadas e de travessias seguras.

Confira aqui o relatório completo da contagem.

Alerta ao poder público

De acordo com Juliana Agra, representante da associação, o estudo foi pensado como meio de alertar o poder público do real valor da bicicleta na mobilidade urbana. “Foi a questão da inoperância do estado em trazer a estrutura para a gente. Para pedir com mais força, a gente começou a fazer as contagens”, conta Juliana ao Vá de Bike.

Nas palavras dela, parte da população e principalmente a administração municipal ainda não valorizam a prática entre os deslocamentos cotidianos. “O ciclismo, enquanto esporte, é bem quisto e até incentivado. Já as pessoas que utilizam [a bicicleta] como meio de transporte são desacreditadas”.

Maceió tem apenas 41 km de vias com infraestrutura cicloviária. No entanto, segundo recomendação da associação, a capital necessitaria de ao menos 200 km desse tipo de infraestrutura para garantir segurança e conforto a quem pedala.

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