10 mil m², R$ 15 milhões investidos e nenhum espaço para bicicletas: é o prédio novo do IFCE, em Fortaleza

Bicicletário atual do Instituto: demanda é maior que oferta de vagas e formato "gancho" dificulta o uso. Foto: Sheryda Lopes

Bicicletário atual do Instituto: demanda é maior que oferta de vagas e formato “gancho” dificulta o uso. Foto: Sheryda Lopes

No dia 30 de setembro, o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE) inaugurou um novo bloco didático na sede do Campus Fortaleza, localizado na avenida Treze de Maio, no bairro Benfica. O novo prédio ocupa uma área de 10 mil m² e recebeu R$ 15 milhões em investimentos, segundo as declarações do Instituto. O amplo estacionamento chama a atenção: em área coberta, tem capacidade para receber 94 carros e 25 motos, sendo duas dessas vagas destinadas a pessoas com deficiência. E nenhum bicicletário.

Alunos e funcionários acabam
prendendo as bicicletas
em postes, árvores e grades

O atual paraciclo do IFCE está instalado na mesma sede onde fica o novo bloco didático. Localizado em área aberta, a estrutura é popularmente conhecida entre os ciclistas como do tipo “açougue”, onde é necessário erguer a bicicleta e pendurá-la por uma das rodas em ganchos, semelhante à forma como peças de carne são expostas em frigoríficos. O local conta com seguranças que ficam constantemente próximo à área onde as bicicletas são guardadas e controlam a entrada e saída de alunos e funcionários.

Para Paulo Victor Fernandes, 26, aluno do curso de Tecnologia em Estradas do IFCE e que desde julho pedala até o local, o atual paraciclo não comporta a demanda, e por isso muitos alunos e funcionários acabam prendendo suas bicicletas em postes e árvores próximos e nas grades de proteção do Instituto. Para ele, o estacionamento do novo bloco deveria dar atenção aos ciclistas. “Se ele tem vaga para carro e moto, por que não criar espaços para guardar também as bicicletas”?, questiona.

“Não consigo pendurar
no gancho porque
não tenho força
nem estatura”

Além da questão do espaço, a dificuldade de utilizar a atual estrutura preocupa Raquel Santos, 30, estudante do curso de Licenciatura em Artes Visuais do IFCE, que funciona em outra sede e está previsto para se mudar para o novo bloco. “Eu não consigo pendurar a bicicleta ali porque não tenho força nem estatura. Das vezes em que fui à sede na Treze de Maio prendi o veículo em árvores e postes. Se quando nos mudarmos para lá essa situação não tiver sido revertida nós lutaremos para conquistar o espaço que precisamos. É um absurdo que o prédio novo não tenha bicicletário”.

“Não há reclamações”

Segundo a assessoria de comunicação do IFCE, cerca de 150 pessoas chegam de bicicleta diariamente ao Campus, e o atual paraciclo comporta essa demanda, já que não há reclamações registradas sobre falta de vagas. Já a respeito do novo estacionamento, o Instituto declara que “só existe o controle de entrada para servidores do campus e não para alunos, participantes de projetos, terceirizados, etc. Sendo assim, não teria como o bicicletário atender a demanda da maior parte do público que utiliza esse tipo de veículo”.

O Instituto declara ainda que já está em fase de estudo e realização de projeto, por parte da assessoria técnica da instituição, uma nova organização do estacionamento atualmente utilizado pelos ciclistas. Além de ampliar o número de vagas exclusivas para bicicletas e motos, a medida prevê um paraciclo que evite que o proprietário da bicicleta tenha que erguê-la para estacionar corretamente. A assessoria não informou prazos, mas afirmou que “tudo isso deverá ficar pronto em breve para proporcionar mais conforto, segurança e comodidade à comunidade acadêmica”.

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