Mulheres que pedalam em São Paulo consideram ciclovias seguras e se queixam de motoristas

Foto: Willian Cruz

Foto: Willian Cruz

As mulheres estão ganhando as ruas de bike, mas ainda não são todas. Segundo o levantamento realizado em 2015 pela Ciclocidade, apenas 6% das pessoas que pedalam em São Paulo são mulheres. Para entender essa e outras questões, foi criado em 2015 um Grupo de Trabalho de Gênero na associação.

O primeiro resultado divulgado pelo GT foi o compilado da pesquisa inédita “Mobilidade por bicicleta e os desafios das mulheres de São Paulo”, que chega para jogar luz sobre os desafios femininos pelas ruas da metrópole. O trabalho foi totalmente elaborado, conduzido e analisado por pesquisadoras mulheres.

Segundo Marina Harkot, integrante do GT e coordenadora do levantamento, os principais problemas que impedem as mulheres de usar a bicicleta são os desafios que as ciclistas enfrentem todos os dias: “o medo de ser atropelada e de colisões, assim como a falta de respeito no trânsito, no compartilhamento de vias”, destaca.

Imagem: Ciclocidade

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O resultado da pesquisa mostra que 45% das entrevistadas julgam ser muito perigoso compartilhar a via com automóveis, enquanto a maioria considera seguro transitar pelas ciclovias e ciclofaixas. “Mais importante do que infraestrutura, é o respeito no trânsito. É ter o seu direito de estar na cidade e transitar de maneira segura.”

Imagem: Ciclocidade

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Um dos dados mais interessantes levantado pela pesquisa é que 52% das ciclistas afirmam ter um carro, mas mesmo assim optam pela bicicleta como meio de transporte. Os principais destinos das mulheres que pedalam são trabalho (28%), supermercado (23%) e lazer (23%). Dentre as ciclistas, 28% pedalam todos os dias da semana e 23% usam a bicicleta cinco dias por semana.

Imagem: Ciclocidade

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Ainda é notório que as mulheres que pedalam há mais tempo e usam a bicicleta mais vezes por semana têm renda mais baixa entre as entrevistadas. “Possivelmente isso acontece por falta de alternativa, já que a bicicleta é o meio de transporte sem custo que resta como opção para elas”, comenta Marina.

Imagem: Ciclocidade

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Os resultados serão usados para qualificar a discussão sobre o baixo índice de mulheres usando a bicicleta como meio de transporte. “Os estudos que existem hoje são generalistas e pouco conclusivos. Dessa forma a gente pretende elevar o nível da discussão e, em um futuro próximo, tentar entender esse perfil em uma pesquisa qualitativa”, completa.

Por toda a cidade

O grupo percorreu todas as 32 subprefeituras de São Paulo nos meses de junho e julho deste ano para entrevistar mulheres que utilizam a bicicleta como meio de transporte e também as que não utilizam, mas que têm contato próximo. Ao todo, foram 332 mulheres entrevistadas, sendo 128 ciclistas e 206 não-ciclistas.

“A ideia era não ficar apenas nos lugares onde todo mundo sabe que passa muita gente de bicicleta, mas sim que existe mulher na cidade inteira e que elas pedalam há muito tempo”, explica Marina.

Ficaram de fora da pesquisa apenas as regiões administradas pelas subprefeituras do Ipiranga, M’boi-mirim e Cidade Tiradentes, onde o GT não encontrou nenhuma mulher ciclista durante os trabalhos.

Clique aqui para baixar os dados completos da pesquisa.

Assista em vídeo a apresentação dos resultados da pesquisa:


10 comentários para Mulheres que pedalam em São Paulo consideram ciclovias seguras e se queixam de motoristas

  • Rosana

    [Comentário oculto devido a baixa votação. Clique para ler.]

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    • Tiago

      Memoria curta é foda. Você não cansa de trolar ?

      O canteiro central do minhocão nunca foi calçada. mal havia espaço entre os pilares para uma pessoa poder passar com tranquilidade. O canteiro era subutilizado e usado apenas para atravessar de um lado ao outro, IGUAL o antigo canteiro central da Av.Paulista

      O canteiro central foi ALARGADO para caber a ciclovia e ao mesmo tempo, todo reformado. Ele nunca foi projetado para ser uma calçada e os pedestres já tem 2 calçadas em cada um dos lados da avenida.

      A ciclovia passa por trás do ponto de onibus e existem barreiras, alertas e espelhos para orientação de pedestres e ciclistas nos cruzamentos. Se pedalasse e fosse usuário das ciclovias, conheceria bem a realidade. Como não pedala, só fala o que não sabe.

      Tirando aquele infeliz acidente, nunca mais tivemos nada parecido na ciclovia, tivemos?

      Você não conhece porra nenhuma, NÃO é ciclista e só aparece falando merda atrás de merda, sempre tentando de alguma forma, desqualificar as ciclovias e ciclofaixas, numa tentativa inútil com comentários vazios e sem nexo.

      SE FOR PARTIR DESSA SUA PREMISSA, ENTÃO VAMOS TIRAR A CICLOVIA DA AV.SUMARÉ, JÁ QUE ELA É UMA CICLOVIA COMPATILHADA COM PEDESTRES DESDE OS TEMPOS DO KASSAB. E que vai muito bem, obrigado!

      Seu lugar não é aqui, mas sim na revista 4 rodas, que trata sobre carros.

      http://quatrorodas.abril.com.br/

      Divirta-se!

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      • Tarantino

        Calma aí, cidadão, pra que tanta raiva?

        Posto aqui neste site faz já algum tempo, e muitas coisas que coloco, apesar de nem sempre serem bem recebidas, visam ao bem geral.

        A ciclovia do Minhocão está mesmo errada. Os pontos de ônibus deveriam ser nas calçadas, e não no canteiro central. Observe bem a foto que postei, os ciclistas passam no meio daqueles que estão esperando o ônibus. Ali podem haver pessoas idosas, que às vezes não enxergam e nem ouvem bem, crianças que repentinamente saem correndo, e pronto! Mais um acidente.

        Em momento nenhum afirmei que deveria ser eliminada a ciclovia. A prefeitura de SP faz muitas obras mal executadas e projetadas (não s[o ciclovias), e é dever daqueles que percebem isto alertar os outros. Não é um comentário sem nexo, como você afirma. Aliás, se tivesse já lido várias coisas que já postei aqui, veria que até já sugeri medidas para desestimular os pedestres a transitarem na ciclovia, entre eles, sugeri a colocação de canteiros com plantas altas junto aos pilares, que além de embelezar a ciclovia, desencorajaria a travessia nestes pontos sem visibilidade.

        Realmente, nestes dias de hoje não ando mais de bicicleta, eu andava na década de 1980-1990, pois estudava próximo à Marechal Deodoro. Naqueles tempos não havia ciclovias, mas havia mais RESPEITO, por isso não me acidentei.

        Não estou desqualificando as ciclovias; quem desqualkfica é a própria prefeitura, entregando obras péssimas a peso de ouro.

        E vamos parar com essa polarização “carrocrata/ ciclista”, isso é pensamento curto e obtusidade mental. O mundo é muito mais do que isso.

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  • Valter Neto

    [Comentário oculto devido a baixa votação. Clique para ler.]

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    • Andre

      Espero que esse comportamento de clamor por justiça se dê também aos motoristas e motociclistas que matam e lesionam infinitamente mais que os ciclistas.

      Comentário bem votado! Thumb up 8 Thumb down 1

    • Ciclista

      Pedalo a mais de um ano quase todos os dias para ir ao trabalho e vejo que existem ciclistas e bicicretinos, mas esses são esmagadora minoria… a maioria tende a respeitar o pedestre que atravessa na faixa e no momento certo, que é o sinal Verde para ele. Vocês da Apesp já ficaram um tempo observando o comportamento de pedestres no cruzamento da Rua dos Pinheiros com a Av. Faria Lima? Eles ficam parados no meio da ciclovia enquanto olham para os carros que sobem da R. Paes Leme é quando acham que dá tempo de ir, saem correndo desembestados sem olhar para o lado da ciclovia, que é duas mãos. Ciclistas que são ciclistas e sabem disso passam devagar, mas já vi pedestre derrubando ciclista da bicicleta por correr em sua direção. Então não venha culpar apenas o ciclista. Se cada um soubesse esperar sua vez, acidentes não ocorreriam.
      Apareçam por lá um dia de manhã, se vê-los terei prazer em parar para lhes mostrar que há comportamento errado dos dois lados, e nem por isso você vê ciclistas pregando o fim das calçadas. Não vamos fomentar o ódio e a intolerância… ao invés de gastar recursos combatendo, gaste educando.

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      • Vinicius

        A verdade é que nesse país está instalada a cultura da falta de respeito.

        Eu também ando diariamente pela Faria Lima de bicicleta e simplesmente uns 70% dos ciclistas NÃO param no semáforo vermelho para a passagem de pedestres. Em toda a cidade os ciclistas só param em semáforo para carros quando HÁ carros. Em dois anos que ando nessa ciclovia, já presenciei dezenas de vezes pedestres tendo que parar no semáforo verde para eles para não serem atropelados por uma bicicleta de um imbecil. E este imbecis NÃO SÃO MINORIA. Fora os que esperam o semáforo em cima da faixa de pedestres e depois ficam furiosos quando o carro fecha o cruzamento da ciclovia. HIPOCRISIA. É vergonhoso andar junto desse povo.

        Esse cruzamento da Rua dos Pinheiros com a Faria Lima também é um show de horror para o ciclista. O que você falou é exatamente assim e já esbarrei em um pedestre quando o ser atento estava correndo olhando para o lado dos carros. E na Berrini então é pior ainda, os pedestres atravessam a qualquer hora, a qualquer momento e com qualquer velocidade. Lá em dia de chuva tomei um capote enorme para não atropelar um pedestre que resolveu atravessar a rua correndo loucamente sem aviso nenhum e fora de qualquer faixa. Mas a APESP não quer processar o pedestre, né? No dos outros é refresco. HIPÓCRITA.

        A verdade é que está cidade está repleta de imbecis. A solução realmente não é exterminar as ciclovias, e sim uma forte campanha pró-respeito para desipocritização, desimbecilização e desburratização dos indivíduos, independente do modal. Se quer ser respeitado, RESPEITE.

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    • Renato

      A ciclovia do minhocão foi feita a partir do ALARGAMENTO de uma calçada no canteiro central que NÃO era sequer usada, já que o trecho entre os pilares era muito estreito para a passagem de pedestres. Logo, o canteiro central era usado apenas para atravessar de um lado par o outro.

      Agora é incrivel como o Sr. que se institua pedestres, vir com esse mimimi todo contra ciclistas e nada falar sobre os motoristas que são 10 vezes mais agressivos do que qualquer ciclista agressivo.

      Então, ao invés de se preocupar em cobrar, pressionar e exigir melhorias e reforma das calçadas, o Sr. está mais preocupado com a ciclovia.

      Para mim você não é só um pedestre, pois todos somos pedestres em algum momento. Mas sim um CARROCRATA que quer apenas o fim das ciclofaixas para voltar as vagas de CARRO para o Sr. poder usar.

      Saiba que existe O PLANO NACIONAL DE MOBILIDADE URBANA aprovado em 2012 e que prevê a obrigatoriedade e a prioridade, dentre outras de PEDESTRES E CICLISTAS.

      Todos os prefeitos são OBRIGADOS a seguir essa lei.

      O máximo que o Sr. vai conseguir é o REALINHAMENTO de alguns trechos de ciclofaixas, mas NÃO a sua retirada…e sabe pq? A gente vai para a justiça cobrar o cumprimento do plano nacional de mobilidade.

      além disso, o Dória já se comprometeu com os cicloativistas a não remover ciclofaixas, mas sim corrigir as falhas e expandir.

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