As 3 infrações que ciclistas mais cometem (e como mudar isso)

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Ciclista na calçada da Ponte Cidade Universitária, em São Paulo. Foto Cecilia Bastos/USP Imagens (cc)

Com a regulamentação das multas a ciclistas, cresce o debate sobre as infrações cometidas por quem pedala. Mas as discussões costumam se reduzir à letra fria da lei e ao caráter punitivo, sem a preocupação de realmente entender por que tantas pessoas ignoram as regras quando estão de bicicleta.

“Essas regras são para garantir, em primeiro lugar, além da segurança destes pedestres e ciclistas, a de todos que estão no trânsito”, afirma o diretor do Denatran, Elmer Vicenzi. Mas será essa a melhor maneira de chegar a esse objetivo? As pessoas começarão a pedalar dentro das regras para não receber multas? E o mais importante: realmente estarão mais seguras ao cumprir essas regras?

Relacionamos abaixo as infrações mais cometidas por quem pedala, analisando por que são cometidas e qual a melhor maneira de solucioná-las. Longe de endossar esses comportamentos, muito menos incentivá-los (para saber a conduta que recomendamos, leia aqui), nosso objetivo é esclarecer o que motiva os ciclistas a trafegarem dessa forma, apontando o caminho que o poder público deve seguir para chegar a um trânsito mais seguro para quem faz uso de modos ativos de deslocamento.

1Calçadas

Pedalar sobre as calçadas é o exemplo mais claro de por que ciclistas cometem infrações. Quem trafega na calçada com a bicicleta o faz, sem a menor dúvida, por medo do comportamento dos motoristas. E será que multar o ciclista fará com que as pessoas não pedalem mais na calçada?

A resposta é não. E o motivo é que uma bicicleta na calçada não é o problema em si, mas um sintoma de problemas maiores. É preciso combater as causas, que são a falta de estrutura de proteção (ciclovias) e as ameaças e agressões de quem dirige, fatores que empurram o ciclista para o uso das calçadas.

Exemplos práticos – o que você faria?

Para quem transporta uma criança, muitas vezes não trafegar por calçadas significaria não usar a bicicleta. Foto: Willian Cruz

Imagine uma pessoa que leva uma criança na cadeirinha todos os dias, indo para a escola. No caminho, é preciso trafegar por várias quadras de uma grande avenida, com caminhões, ônibus e motoristas que têm muita pressa e pouca paciência. O que é mais provável nessa situação: que essa pessoa crie coragem e enfrente os motoristas, que não a aceitarão ali, buzinando, xingando e espremendo contra a calçada, ou vai proteger a integridade e a vida dessa criança pedalando pela calçada? O que você faria para protegê-la de motoristas que não aceitam a bicicleta na rua e não pensam duas vezes antes de ameaçar o ciclista com o tamanho e o peso de seu automóvel?

Outro exemplo: um idoso, que não tem mais as reações rápidas que tinha na juventude e se assusta facilmente, pedalando no asfalto com um motorista buzinando atrás dele e mandando sair da via, ou com um caminhão passando a centímetros de seu guidão, ou com um motorista que entra na sua frente e freia para “ensiná-lo” a não pedalar na rua (todas situações reais, que ocorrem volta e meia com quem pedala). Num caso como esses, é justo que a fuga para a calçada seja considerada uma infração?

Como tirar os ciclistas da calçada

Calçadas são irregulares, com degraus, buracos, postes, orelhões, lixeiras, caixas de correio, saídas de garagem, lixo, poças d’água, há idosos, crianças, animais de estimação e é preciso parar a cada esquina, onde não há rampas e os carros viram sem cuidado com quem vai atravessar.

Porcentagem de ciclistas na calçada em relação ao total, antes e depois da estrutura cicloviária. Quedas de 89% e de 100%. Fonte: Contagens Ciclocidade

O único motivo para usar as calçadas é a sensação de segurança que isso dá. Portanto, a forma de tirar essas pessoas da calçada é oferecer uma área com mais segurança, já que é isso que estão buscando. Com uma ciclovia ou ciclofaixa, elas preferirão usar a estrutura segregada do que a calçada, pois oferece o mesmo nível de segurança sem os inconvenientes citados acima.

E isso não é achismo: levantamentos feitos nas avenidas Paulista e Eliseu de Almeida, em São Paulo, mostram que a criação de estrutura cicloviária reduziu, respectivamente, em 89% e em 100% o uso das calçadas.

Multar o ciclista que está na calçada é obrigá-lo a pedalar entre os carros. Muitos não o farão e continuarão usando clandestinamente a calçada. Pressionar com fiscalização e apreensões só fará com que as pessoas deixem de usar a bicicleta, buscando formas de deslocamento motorizadas (ainda que sejam os já saturados ônibus).

Alguns ciclistas pegam pequenos trechos na contramão para evitar longas voltas para usar a mão correta, o que nem sempre é simples para quem não usa motor. Foto: Bicicletada Floripa

2Contramão

O uso da contramão tem três motivos principais: um deles mais claro, os outros mais sutis.

Segurança

Quem pedala na contramão o faz principalmente pela sensação de segurança. Vendo os carros se aproximando e podendo desviar deles, o ciclista se sente mais seguro do que se estivessem vindo por trás, podendo supostamente atingi-lo sem que haja oportunidade de reação.

Entretanto, essa sensação de segurança é ilusória (entenda aqui). Principalmente porque o ciclista se aproxima mais rápido dos motoristas, podendo surpreendê-los sem deixar tempo para reação, e se coloca em situações de pouca visibilidade, como ao sair de trás de um carro estacionado ou da curva de uma esquina.

Distância e esforço

Em outros casos, utilizar a mão correta implica em aumentar bastante o trajeto, utilizar uma avenida com tráfego agressivo ou ter que vencer uma bela subida. Para quem usa a força das próprias pernas para se deslocar, economizar algumas quadras pode fazer diferença, principalmente se o mesmo trajeto é realizado diariamente.

Sinalização indicando possibilidade de trafegar no contrafluxo em Paris. Foto: Guilherme Tampieri

Obrigar quem se desloca com seu próprio esforço a trafegar no sentido dos carros com uma bicicleta é o mesmo que tentar disciplinar pedestres a darem uma volta no quarteirão para chegar na esquina da mesma rua onde estão, “por questões de segurança”. Não daria muito certo com quem está a pé, não é mesmo?

Lembre-se que as mãos de direção são feitas pensando na fluidez e segurança dos motoristas, que devido a características de tamanho, velocidade e conduta nem sempre conseguem dividir o viário indo e vindo ao mesmo tempo. Tanto que, em alguns países, há sinalização permitindo ao ciclista utilizar a contramão.

Aspectos cultural e histórico

Além desses motivos, há um componente cultural e histórico no uso da contramão. Por décadas se ensinou a quem pedalava que o mais seguro era seguir de frente para os carros, pois seria mais seguro sair da rua quando os carros passassem.

Abordamos melhor essa questão mais adiante neste texto, no bloco “bicicleta nunca foi percebida como veículo”, mostrando que mesmo órgãos oficiais recomendavam essa prática. De qualquer forma, essa também acaba sendo uma motivação relacionada à sensação de segurança.

Como fazer os ciclistas andarem na mão correta

Primeiramente gostaríamos de reforçar que, nas condições atuais do nosso trânsito, não é seguro trafegar no sentido contrário aos automóveis (saiba por quê).

Mas é fato que muita gente ainda adota essa conduta e isso não vai mudar com a simples aplicação de multas. Principalmente porque essas pessoas o fazem por não se sentirem seguras ou respeitadas ao conduzir suas bicicletas em meio aos demais veículos.

Porcentagem de ciclistas na contramão em relação ao total, antes e depois da ciclovia. Quedas de 94% e de 100%. Fonte: Contagens Ciclocidade

Novamente, o melhor caminho é oferecer área segregada, bidirecional, onde os ciclistas possam tanto se sentir seguros quanto poderem seguir o trajeto mais curto e com menor esforço para chegar ao seu destino.

E, mais uma vez, levantamentos mostram que o uso da contramão diminui fortemente com a construção de ciclovias. As mesmas contagens que apontaram a redução do uso da calçada nas avenidas Paulista e Eliseu de Almeida mostraram o mesmo para o uso da contramão, com diminuição de 94% na Paulista e de 100% na Eliseu.

Multar os ciclistas não fará com que deixem de usar a contramão, pois a maioria o faz por sensação de segurança ou porque a alternativa é muito longa. Esses fatores continuarão pesando em suas decisões, havendo ou não chance de multa.

3Sinal vermelho

Furar o sinal não parece se aplicar ao mesmo contexto, certo? O que um comportamento de risco como esse tem a ver com segurança?

Claro que há quem passe direto nos semáforos, sem se preocupar com os pedestres que estejam atravessando. Essa conduta, obviamente, é indefensável. Mas existem outras situações em que o ciclista não coloca ninguém em risco, parando para avaliar e cruzando com cuidado – como muitos motoristas fazem de madrugada, por receio de assaltos. E é dessas situações que vamos falar aqui.

Evitando uma possível agressão

Quando o sinal abre, é assustadoramente comum que o motorista que aguarda atrás do ciclista não tenha paciência com a baixa velocidade de arrancada da bicicleta. Afinal – raciocina o motorista -, se logo à frente há um espaço vazio, parece um absurdo ter que esperar para sair por conta dessa pessoa que está impedindo minha aceleração (mesmo que seja visível um novo congestionamento adiante).

Nessa situação, é comum esse mau motorista buzinar, acelerar e ultrapassar tirando uma fina, ou mesmo fechando e espremendo contra a calçada. É para evitar essa situação de agressão e grande risco que muitos ciclistas preferem cruzar o sinal antes que ele abra, dando distância do motorista com “síndrome do grid de largada”, que acredita – mesmo! – que essa pequena aceleração vai fazer alguma diferença no seu tempo de trajeto.

Foto: MaxPixel (cc)

Melhor um risco que o outro

Há ainda um segundo motivo que leva ciclistas a furarem o sinal: ao fazê-lo, o cidadão que está na bicicleta circulará por uma quadra ainda vazia, sem um fluxo grande de automóveis ao seu lado. Especialmente em uma avenida de grande fluxo, isso significa muitos motoristas circulando em velocidade e, com grande frequência, sem paciência para respeitar a velocidade de deslocamento de uma bicicleta.

O ciclista acaba por preferir então o risco calculado de furar o sinal, situação em que ele vê claramente as possíveis ameaças e calcula sua travessia para evitá-las, ao risco imprevisível de um mau motorista colocando-lhe em perigo pelas costas.

Como conscientizar a respeitarem os semáforos

Respeitar as leis de trânsito ainda é, em muitos casos, perigoso para o ciclista. E nem todos que pedalam tem o sangue frio necessário para impor seu direito de circulação como veículo, enfrentando motoristas que os ameaçam usando apenas seus próprios corpos.

Acaba sendo mais seguro se comportar como clandestinos, que pedalam pelas bordas e transgridem as regras de circulação que entendem beneficiar apenas os automóveis. Comportamentos como avançar um sinal antes dos carros acabam diminuindo, ao menos em suas avaliações pessoais, as chances de serem abatidos por quem os coloca em risco apenas para provar um ponto de vista (geralmente errado).

Quando os verdadeiros criminosos do trânsito forem realmente punidos ao colocar em risco as vidas de terceiros, quando houver infraestrutura adequada para proteger os ciclistas e quando as ruas se tornarem seguras para quem está fora do automóvel, o poder público conseguirá cobrar de quem pedala o cumprimento das regras de circulação – que, então, os protegerão de fato no viário.

Bicicleta nunca foi percebida como veículo

Historicamente, o uso da bicicleta no Brasil sempre foi algo marginal, visto como falta de opção ou comportamento inadequado. A bicicleta sempre foi tratada como um intruso no viário, que foi planejado prioritariamente para os automóveis, tratando pedestres, transporte público e bicicletas como empecilhos à circulação dos carros.

Dentro dessa cultura, propagava-se a ideia de que lugar de bicicleta era nos parques, no máximo nas calçadas. Bicicleta era algo válido somente como brinquedo, equipamento de lazer ou de prática esportiva.

Se o ciclista insistisse em utilizá-la na rua, era instruído a fazê-lo na contramão, para desviar dos carros. Afinal, se rua é lugar de carro e o ciclista é um intruso, ele que arcasse com a responsabilidade de evitar os acidentes, dando passagem para todos os automóveis que encontrasse no caminho, se esgueirando e se escondendo nos cantos, onde não atrapalhasse a fluidez motorizada.

Nossos próprios familiares e amigos – e até os órgãos e agentes de trânsito! – recomendavam a contramão. Para dar um exemplo claro, surgiu em abril de 2012 uma polêmica no Paraná em torno de uma informação disponível no site do Batalhão de Polícia de Trânsito do Estado (BPTran), que dizia que o ciclista deveria trafegar na contramão.

E até hoje, ainda é comum os ciclistas ouvirem “sai da rua”, “vai pra calçada” ou “vai pro parque” de motoristas nas ruas. Com essa marginalização do uso da bicicleta, quem a utiliza em seus deslocamentos nunca se sentiu aceito no viário, passando a se comportar como o clandestino que o convenceram a ser, ignorando as leis que não foram feitas para ele e que o colocam em risco. Esse erro histórico, com resultado comportamental, demora muito a ser corrigido. E essa mudança precisa começar com o comportamento de quem está atrás do volante.

Quando a bicicleta passar a ser aceita nas ruas pelos demais usuários das vias e o poder público passar a tratá-la como o veículo que é, os ciclistas seguirão naturalmente as regras de circulação que, então, perceberão terem sido feitas também para eles.

Educação para o uso das vias

Para poder dirigir um carro ou uma moto é necessário ter aulas práticas e teóricas, além de fazer exames que demonstrarão sua aptidão para fazê-lo. Teoricamente, quem está na rua dirigindo um veículo motorizado, que possui um componente de grave risco para todos à sua volta, só o faz porque se provou apto a isso. Por isso, o motorista pode ser cobrado por esse comportamento.

Para os ciclistas, não há treinamento algum. Poucas pessoas que utilizam a bicicleta sabem realmente quais são seus direitos e deveres nas ruas, simplesmente porque não aprenderam. Não se pode cobrar um ciclista por um comportamento que ele não aprendeu ser o correto. E essa não é uma situação que se muda da noite para o dia.

O ideal seria termos educação de trânsito nas escolas, ensinando como funciona a circulação para quem está em um carro, uma moto, uma bicicleta, a pé ou usando transporte coletivo, pensando coletivamente em vez da forma individual como geralmente se ensina aos adultos.

Há programas de educação de trânsito para crianças, trabalhando com essa orientação e focando em bicicletas, no Canadá, Estados UnidosAustrália, FrançaReino Unido, Áustria, Dinamarca, Alemanha e Holanda. Tempos atrás, foi implementado um projeto em escolas da cidade de São Paulo que poderia servir de modelo para o país, mas infelizmente foi interrompido e nunca mais retomado.

O vídeo abaixo, legendado em português pelo Vá de Bike, mostra como se dá a educação de trânsito em bicicletas para as crianças na Holanda. Ações desse tipo são comuns no país desde 1935!

Quando os ciclistas forem instruídos sobre seus direitos, deveres e sobre a conduta mais segura nas vias, passarão naturalmente a respeitar as regras de circulação que, então, perceberão serem mais seguras para eles.

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10 comentários para As 3 infrações que ciclistas mais cometem (e como mudar isso)

  • Leandro

    Eu sempre detestei andar na contramão. No entanto, passei a pegar um trecho de rodovia (4Km) em que a mão correta tem muitas saídas de bairro e uma saída para outra rodovia com muitas faixas e velocidade alta, bem difícil de atravessar. Do outro lado, nenhuma saída de bairro ou acesso a outras estradas. Acabo indo e voltando pelo mesmo lado da rodovia.

    E se me multarem, vou pagar a multa e ir pelo mesmo lugar no dia seguinte.

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  • EDUARDO CASTILHO

    A bem da verdade, somente o dinheiro que será arrecadado (“arrancado”) com as multas é o que interessa para os “idealizadores” dessa sandice. Nunca houve preocupação com “a coisa pública”; só há o interesse pelo dinheiro e, se for possível, espezinhar o cidadão comum.

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  • Emerson Ribeiro

    Excelente matéria e muito bom também o vídeo do Erlon. Tantas mudanças educacionais importantes que precisam ser tomadas de forma séria e persistente mas que nunca vemos neste país … A simples e não menos importante disciplina “Educação Moral e Cívica” não consta há muito tempo de nossos currículos, imagina o q esperar de ações como a desses países desenvolvidos …

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    • Carlos

      Eu focaria no significado original de Educação, ao invés de doutrinamento, que seria conduzir, que significa mais direcionar, orientar, … de modo mais interativo.

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  • Bruno

    Maravilhoso esse vídeo sobre o ensino de boa conduta de bike na Holanda. Não consigo entender por que o Brasil não “rouba” essas boas ideias que dão certo nos outros países para aplicar aqui. Não só nesse tema de segurança no ciclismo. Mas em TUDO. Pior que sempre falam: “Ah, mas o Brasil é assim mesmo”. Eu acredito tem o país tem capacidade de mudar e melhorar sim.

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    • Carlos

      Gostei do seu cometário, mas evitaria usar a palavra “roubo” dado a cultura de roubo que temos nesse país. Eu preferia chamar de “Boas Práticas”, emprestando o significado de sistemas de qualidade e sistemas ágeis. Sim da área de TI e de qualidade. Para melhorar é bom prestar atenção ao ciclo PDCA. Creio que essa aderência a essa prática é o torna a mudança para melhor, aplicado no dia-a-dia de cidades, estados e país. Isto explica porque o Japão, Suécia são países de excelências.

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  • Luis

    Sobre o ciclista se adiantar no sinal vermelho, há um vídeo francês explicando janelas de oportunidade segura para a bicicleta. https://youtu.be/Brh9Dv_5NaA

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  • wallace

    Simples assim ajudar e educar sem atrapalhar.

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  • Erlon

    Fantastico. É isso mesmo. Só no Brasil mesmo que se tenta consertar o que nunca foi objeto de prevenção. As atitudes sempre são tomadas após a desgraça.

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