Quase todas as mortes de ciclistas ocorrem onde não há ciclovia em São Paulo (e na periferia)

Apenas 2 das 40 mortes aconteceram em vias que possuem estrutura cicloviária, de acordo com os dados da CET. Imagem: Google Maps/Vá de Bike

A prefeitura de São Paulo lançou, em 17 de setembro, uma plataforma para a visualização de dados sobre acidentes de trânsito na cidade, chamada Vida Segura. Utilizando a ferramenta, conseguimos apurar o que já tínhamos certeza, mas que agora também temos dados para comprovar: as mortes de ciclistas na cidade ocorrem quase que exclusivamente fora das ciclovias.

Usando o recurso de filtro dos dados, separamos no mapa da plataforma as 40 ocorrências fatais envolvendo bicicletas em 2017. Depois exportamos esses dados, que contêm latitude e longitude, e os sobrepusemos à rede cicloviária da cidade, de acordo com mapeamento da CET. O resultado desse levantamento do Vá de Bike é o mapa você vê mais abaixo, aqui nessa página.

Com exceção de uma ocorrência na Av. do Imperador, Zona Leste, e outra na Av. Senador Teotônio Vilela, Zona Sul, todas as demais (95% do total) se deram em vias que não possuem estrutura de proteção. Uma evidência inequívoca de que, mesmo com eventuais falhas de pavimento e pouca segregação, as ciclovias protegem a vida de quem se desloca de bicicleta pela cidade.

Ainda não há dados de 2018 nessa plataforma.

Ciclista cruza ponte em meio aos carros na zona norte de São Paulo: sem conexão cicloviária com o centro. Foto: CicloZN

Quase todas na periferia

Apenas 4 mortes ocorreram no chamado “centro expandido” da cidade (marcado em amarelo no mapa). 90% dos óbitos ocorreram nas regiões consideradas, por esse critério, como periferia.

Essa informação é um claro alerta ao poder público, para que olhe com atenção para as regiões mais distantes do centro, onde a fiscalização é baixa, o trânsito é mais agressivo, a infraestrutura é pouca e desconectada da rede e as mortes acontecem em maior quantidade.

Mapa


(se o mapa não aparecer nesta página, clique aqui para abrir em outra janela)

Obs.: Três ocorrências estavam sem as informações de georreferenciamento e foram parar no oceano quando importamos os dados. Elas estavam marcadas como “R. Arealva” (Jardim Vila Formosa, Zona Leste). É uma rua de duas quadras, residencial, com tráfego apenas local – um palco improvável para três atropelamentos fatais ao longo do ano, em datas diferentes. Em nossa opinião, tratam-se de ocorrências em que o local não constava nos registros, tendo o sistema inserido esse nome de rua apenas para não deixá-lo em branco. Optamos por posicionar os pins na rua indicada.

Plataforma Vida Segura

A ferramenta foi criada pelo Banco Mundial e adaptada para a Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes (SMT) pela Iniciativa Bloomberg para a Segurança Global no Trânsito, com base nos dados consolidados de acidentes fatais e com vítimas da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). Com essa plataforma, qualquer pessoa pode consultar o banco de acidentes de trânsito da cidade dos últimos três anos (2015, 2016 e 2017), de maneira interativa e com opções de filtragem.

Produzido em código aberto, o sistema utilizado é uma adaptação do DRIVER (Data for Road Incident Visualization, Evaluation, and Reporting), projeto conjunto entre o Banco Mundial e a Azavea, uma empresa norte-americana de geoprocessamento e aplicações web. O sistema utiliza os dados consolidados da CET sobre acidentes, que de acordo com a SMT usam informações dos Boletins de Ocorrência, “a mesma metodologia desde 1979”.

Para utilizar o Vida Segura, clique aqui.

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