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Atropelador bebeu antes de matar ciclista, confirma amiga que estava no carro

Em depoimento, Isabela Serafim confirmou que José Maria da Costa Júnior bebeu. Comanda do bar endossa afirmação.

A mulher de cabelos vermelhos que aparece no elevador junto com José Maria da Costa Junior, em imagens gravadas logo após a morte da cicloativista Marina Harkot, apresentou-se à delegacia nesta quarta-feira 18 para prestar depoimento.

Com os cabelos tingidos em outra cor, o que evitaria seu reconhecimento após a exposição das imagens, Isabela Serafim compareceu ao 14º DP. Acompanhada de um advogado, sua apresentação à polícia ocorre dez dias após o atropelamento em que ela esteve envolvida.

De acordo com reportagem do SBT, Isabela tem 21 anos e afirmou ser “amiga de infância” de José Maria. Mas o atropelador tem 33 anos, 12 a mais que Isabela, o que tornaria no mínimo estranha essa relação: quando José Maria completou a maioridade, Isabela teria apenas 6 anos.

Isabela compareceu à delegacia com um visual bastante diferente daquele em que foi flagrada na noite da morte da ciclista. Imagem: SBT/Reprodução

Não percebeu o atropelamento

Em seu depoimento, que teve uma das páginas divulgadas em matéria do SP1 (veja mais abaixo, nesta página), Isabela conta que ela e o outro amigo, identificado como Guilherme, entraram no carro para serem deixados no Metrô Vila Madalena. Mas, a caminho da estação, “sentiram uma forte pancada no veículo” e que todos ficaram muito assustados, “sem entenderem o ocorrido”.

Isabela estava no banco do passageiro ou carona, bem de frente a onde o corpo de Marina bateu. O vidro do para-brisa ficou quebrado e afundado com o formato da pancada – que aparentemente foi em sua cabeça. Apesar disso, nega ter visto o momento do atropelamento, alegando estar no celular quando José Maria atingiu e matou a ciclista.

“Informa que não percebeu, que apenas viu um vulto preto se chocando com o automóvel, salientando que naquele momento mexia em seu celular e ainda a via estava bem escura pelo que percebeu”, diz o documento. Mas isso contradiz o depoimento da Policial Militar Mariana, que prestou os primeiros socorros à ciclista enquanto o atropelador fugia. “Era uma via super iluminada, com certeza ele viu a Marina, não tinha como não ver a Marina”, afirmou a PM ao Fantástico, na reportagem que completa a entrevista onde José Maria se contradiz.

Fuga e omissão de socorro

Câmera da CET gravou José Maria da Costa Júnior em alta velocidade na Avenida Sumaré, fugindo do local do acidente. O limite é de 50 km/h, mas ele estaria a 93 km/h. Imagem: SP1 (Globo)/Reprodução

Ainda no depoimento, a mulher afirma que pediu para o atropelador parar o carro, mas que em vez disso ele partiu em alta velocidade, indo para sua residência em vez de deixá-los no metrô.

Chegando à casa de José Maria, Guilherme teria chamado um Uber, enquanto ela subiu “apenas para ir ao banheiro”. Na imagem que abre esse post, veiculada pelo SBT, ela e José Maria da Costa Junior aparecem conversando, descontraídos, como se nada tivesse acontecido, ao chegarem em casa logo depois do atropelamento.

Nesse momento, Marina já estava sem vida no asfalto, onde foi deixada pelos ocupantes do carro, que fugiam sem prestar socorro, sem acionar a emergência e sem comunicar o fato às autoridades.

Isabela Serafim foi indiciada por omissão de socorro qualificada. Mas assim como José Maria da Costa Júnior, ela responderá em liberdade.

Multa mostra que o atropelador fugia do local em alta velocidade: 93 km/h, quase o dobro do limite da via. Imagem: CET/Reprodução

Alcoolizado

José Maria da Costa Júnior em estacionamento ao lado de um bar na Vila Madalena. A mulher à sua esquerda aparenta ser Isabela Serafim. Imagem: SBT/Reprodução

A reportagem informa também que Isabela teria chegado ao bar Zé do Peixe, na Vila Madalena, por volta das 19h, acompanhada de outro amigo. José Maria teria chegado ao local uma hora depois.

De fato, imagens das câmeras de um estacionamento próximo ao bar mostram o atropelador descendo do carro sozinho. Outras imagens que foram veiculadas na imprensa mostram ele e Isabela no mesmo estacionamento, supostamente aguardando a chegada do veículo.

Na entrevista ao Fantástico, o homem que matou Marina Harkot negou ter bebido quando esteve no bar. Mas Isabela Serafim teria contado à polícia que ela e o outro amigo teriam bebido cerveja, enquanto José Maria teria ingerido uísque com energético.

A comanda do estabelecimento, em nome José Maria, comprova esse consumo. Mas seu advogado insiste que ele não bebeu, apenas pagou a conta. Se isso é verdade, por que essa conta tem apenas o uísque com energético, não incluindo também as cervejas?

Será que Isabela, que afirma que quem bebeu o uísque foi José Maria enquanto ela e Guilherme tomavam cerveja, na verdade dividiu essa bebida com o amigo, enquanto José Maria só olhava sem consumir nem ao menos um suco de laranja? Um dos dois certamente está mentindo.

Polícia obteve a comanda de consumo que seria de José Maria da Costa Júnior: whisky com energético. Imagem Globo/Reprodução

Garrafa de bebida no carro

Um homem com bolsa tiracolo aguarda do lado de fora, enquanto a mulher entra no estacionamento para retirar uma garrafa do carro. Imagem: SBT/Reproduç]ao

Imagens das câmeras do estacionamento onde o criminoso escondeu o carro mostram uma mulher, escondendo o rosto com um lenço e o corpo com uma coberta, retornando meia hora depois de terem estacionado. De acordo com a reportagem do SBT, o depoimento do gerente do estacionamento à polícia indica que a mulher seria Isabela e que ele a viu portando uma garrafa de bebida.

A mesma imagem mostra um homem na porta do estacionamento, conversando com a mulher antes de sua entrada no estabelecimento. Esse homem, que aparenta estar escrevendo no celular, usa bolsa e roupas semelhantes às que José Maria usava minutos antes, no elevador.

A folha do depoimento divulgada pela Globo indica que essas pessoas seriam mesmo José Maria da Costa Júnior e Isabela Serafim. Ela afirma que ficou pouco tempo no apartamento, pois teria subido apenas para ir ao banheiro. Ela teria descido para pegar seu carregador, que teria ficado no carro.

“Indagada quanto ao motivo de ter encoberto sua cabeça e rosto com um lenço quando retornou ao automóvel, afirma que estava frio na ocasião e que pegou um cobertor”, diz o documento. Curioso que José Maria, presente nas mesmas imagens, não aparentava sentir o mesmo frio.

Próximos passos

Havia mais um homem com eles no carro, que estaria sentado no banco de trás. Na página do depoimento de Isabela que foi divulgado pela Globo, é possível ler que o nome dele é Guilherme. Uma reportagem do G1 afirma que a polícia o ouvirá nos próximos dias.

Ainda falta o depoimento da família da vítima para que o inquérito possa ser concluído. De acordo com a Globo, o marido de Marina deve depor na segunda-feira.

De acordo com o cicloativista e advogado Kristofer Willy, terminado o inquérito o delegado deve encaminhá-lo ao Ministério Público, onde um promotor o recebe e decide qual será o próximo passo. “O promotor pode oferecer a denúncia, tornando os investigados réus em um processo criminal a partir do momento que o juiz a receber. Pode também determinar a volta do inquérito à delegacia, se entender que precisa de mais investigações e provas. Mas pode ainda entender que não ocorreu crime algum e pedir o arquivamento”, esclareceu ao Vá de Bike.

De qualquer forma, essa história ainda está só começando.

O depoimento

Essa é a página do depoimento que foi veiculada pelo SP1, da Globo. Ampliamos e aumentamos a nitidez da imagem.
Acompanhe o caso

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