Arte sobre foto de Alexandre Perotto (cc)

Produção brasileira de bicicletas deve crescer em 2022

Brasil deve fabricar 17,4% mais bicicletas do que em 2021, mas indústria ainda encontra dificuldades para voltar ao patamar anterior à pandemia

A quantidade de bicicletas fabricadas no Brasil deve ter um aumento de 17,4% esse ano, atingindo 880 mil unidades. E isso considerando apenas o Polo Industrial de Manaus (PIM). O cenário otimista é previsto pela Abraciclo, associação que congrega as fabricantes de bikes instaladas nessa região amazônica.

O segmento deve apresentar uma retomada gradual em 2022, avalia Cyro Gazola, vice-presidente do Segmento de Bicicletas da instituição. A melhora vem após um ano que ele define como conturbado.

“Além de todo o impacto da pandemia nas linhas de produção, a escassez de peças e componentes travou o ritmo das unidades fabris. Esse problema ainda vai persistir por mais alguns meses, mas acreditamos que em uma intensidade menor”, aposta. “Dessa forma, teremos capacidade para atender à demanda, que mantém tendência de alta”.

Confiando nesse crescimento, as indústrias instaladas em Manaus já estão investindo em melhorias na infraestrutura e em novas tecnologias nas linhas de produção. Segundo a Abraciclo, duas fabricantes anunciaram recentemente a ampliação da capacidade produtiva.

Indústria nacional tenta recuperar sua capacidade produtiva, para atender à demanda – que cresceu na pandemia. Foto: Willian Cruz/VdB

Falta de peças

Há cada vez mais pessoas aderindo às pedaladas no Brasil, seja para locomoção, lazer ou esporte. “Com mais pessoas pedalando, é preciso que haja mais investimentos na melhoria da malha cicloviária para garantir segurança aos ciclistas”, ressalta Gazola.

Esse aumento na demanda já havia trazido um certo impulso para a indústria em 2021. No ano passado, foram produzidas 12,6% mais bicicletas em Manaus do que em 2020. Mas esse fôlego ainda não foi suficiente para trazer de volta o momento que o segmento experimentava em 2019, quando cerca de 920 mil bikes foram fabricadas no PIM.

Com a chegada da pandemia em 2020, a diminuição da produção foi de 27,7%, uma queda da qual o segmento ainda tenta recuperar. “A falta de insumos foi o principal gargalo para a retomada do nosso segmento. Tivemos muitos problemas devido à escassez de peças e componentes, que dificultou a montagem de alguns modelos e limitou o processo produtivo”, relata o vice-presidente da Abraciclo.

Gazola explica ainda que cerca de metade dos itens das bicicletas produzidas em Manaus são importados. Exemplos disso são os sistemas de freios, as transmissões, suspensões e até alguns modelos de selim.

Bicicletas fabricadas no Polo Industrial de Manaus entre 2019 e 2021 (em milhares de unidades). O número referente a 2022 é uma projeção. Fonte: Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares)

Mountain-bikes

Em termos quantitativos, as mountain-bikes continuam sendo as bicicletas mais fabricadas. Foram 465 mil unidades em 2021, mais de metade do volume total (62,1%).

São bikes que podem ser usadas em qualquer tipo de terreno, tanto para deslocamentos no dia a dia quanto para o lazer e a prática esportiva. “Essa versatilidade caiu no gosto dos brasileiros”, explica Gazola, acrescentando que agora os consumidores começaram a descobrir também as vantagens das bicicletas elétricas.

Bicicletas elétricas

Em 2021, a categoria que mais cresceu percentualmente foi a de bicicletas elétricas. As 10.294 e-bikes fabricadas no ano passado no Polo de Manaus representaram um aumento de 119% na produção, em relação a 2020.

Apesar de somarem apenas 1,4% do total fabricado no ano, os números mostram uma clara tendência de crescimento da categoria. Em dezembro, as elétricas já respondiam por 3,6% do volume produzido no mês.

Distribuição por categoria das bicicletas produzidas no Polo Industrial de Manaus, nos anos de 2020 e 2021. Fonte: Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares)

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