Os Jovens-ponte e suas microrrevoluções

Você já ouviu falar em “Jovens-Ponte”?

Uma pesquisa realizada pela empresa Box1824, para o projeto O Sonho Brasileiro, apontou que existem no Brasil 25 milhões de jovens entre 18 a 24 anos. Uma geração conectada, que anda revolucionando a maneira de se relacionar com o mundo. Segundo o levantamento, 8% desses jovens podem ser caracterizados como “Jovens-Ponte”.

Quem frequenta as redes sociais já deve ter notado a presença de uma nova galera que, além de conectada, é politizada e ativista de algumas causas pelas quais acredita - ainda que de forma isolada. Esse fato vai de encontro a uma antiga crença de que a internet é um espaço exclusivo de pessoas desocupadas, sem conteúdo, onde não se faz política nem se discute nada com seriedade e profundidade.

Dentro desse contexto, mais de dois milhões de jovens encontraram novas formas de provocar microrrevolucões cotidianas em suas cidades. Seja utilizando a arte, música, grafitti, dança ou esporte, os jovens-ponte descobriram maneiras inteligentes e criativas de se relacionar, espalhar idéias, influenciar pessoas e contribuir para uma sociedade melhor.

Assista ao vídeo e entenda sobre o que estamos falando:

Interessante notar a presença constante de bicicletas nas imagens, cenas dos desenhos na Praça do Ciclista, um convite do Dia Mundial Sem Carro, notícias sobre o Churrascão da Gente Diferenciada, a Casa de Cultura Digital, jardinagem libertária e tantos outros exemplos reais, cotidianos, palpáveis.

Todos eles tratam de uma outra maneira de engajamento cívico, político e social, onde são exercitados os pensamentos coletivos e discursos horizontais numa nova forma de organização e cidadania. Algo bastante próximo do que o Chris Carlsson relatou sobre a “Utopia do Agora”.

Sem nenhuma grande figura heróica, essa geração é formada por vários micro-heróis, pessoas que influenciam positivamente a realidade ao seu redor. Esses são os jovens-ponte que funcionam como catalisadores e executores de idéias.

Mais uma vez é interessante notar na bicicleta um dos instrumentos utilizados por essas pessoas, vista como um meio não só de transporte, mas de vida, de possibilidade de ingressar em outro mundo, de revolução, de experimentação e liberdade.

Diante disso, não me surpreende ver uma grande montadora desesperada pra saber como vender mais carros para a geração nascida nas décadas de 80 e 90. A GM americana encomendou uma pesquisa à MTV Scratch para tentar entender o que esses jovens querem. O resultado, comentado no site The City Fix Brasil, apontou que dentro das 31 marcas favoritas para esses jovens, as de carros passaram longe das 10 primeiras posições.

O carro é a representação e o símbolo mais concreto daquilo que essa geração não quer: individualismo, egoísmo, poluição, medo, pressa, prisão e solidão, mesmo quando a propaganda tenta nos enganar e vender o contrário. E aí você descobre que ser rico e ter carrão é muito “anos 90″, como bem explicou Natália Garcia.

Entre os milhares de jovens-ponte que fazem um trabalho lindo e inspirador aqui em SP, deixo, para finalizar, a apresentacao no TEDxTombo do JP Amaral e da sua bicicleta. Ele é um dos idealizadores da rede Bike Anjo como conhecemos hoje, consultor ambiental, cidadão e ativista por uma cidade ciclável e melhor para se viver.

Seja um “jovem-ponte” você também – independentemente de sua idade. “A gente muda e a cidade muda com a gente”.


12 comentários para Os Jovens-ponte e suas microrrevoluções

  • pedro

    nas ultimas duas semanas os paulistanos e brasileiros em geral estão tomando ciencia da existencia destes jovens pontes .
    jovens pontes estes que como toda nova comunidade se pautam pela miscelanea de comportamento , da mesma forma que as ciclistas do fabricio . assim temos as pontes de boa qualidade e as pontes pensils , as pontes estaiadas ( muito em moda ) e algumas pontes que ruem por terem estrutura bichada por maus calculos !!!!!!!

    Viva estes novos jovens que realizam um novo ciclo

    Thumb up 0 Thumb down 0

  • Fabrizio

    Hoje aconteceu uma coisa muito engraçada na ciclofaixa. Duas moças andando randomicamente pegando as duas pistas da faixa conversando e ziguezaguendo na velocidade da tartaruga. Ao invés de darem passagem, fizeram como 80% das pessoas da ciclofaixa no domingo: Simplesmente ignoraram as regras e atrapalharam todos os que realmente queriam pedalar na faixa mais rápida de acordo com a lei de trânsito. Uma pessoa que andava mais rápido tentou passar as duas que ignoravam as regras, foi fechada já que estavam ziguzagueando e capotou. O que os outros ciclistas ignorantes falaram: “ela tem que pedir licença!!” Ou seja, os ciclistas tem que ficar gritando na ciclofaixa como uns auto-falntes a cada 200m pedindo licença aos desinformados que acham que tem o direito de pedalar ocupando todas as faixas da pista para ficar batendo papinho. Em qualquer país do mundo a outra ciclista estaria certa dentro das regras da ciclofaixa. No país atrasado como o Brasil, o certo é ficar gritando pedindo licença. Se a pessoa não ouvir, problema seu.

    Thumb up 1 Thumb down 1

  • Aline Cavalcante

    VAMOSSS!!!!

    Thumb up 2 Thumb down 0

  • otimo post , o video do Carlsson ja esta disponivel ?

    Thumb up 0 Thumb down 0

  • Ótimo texto; altamente recomendável à reflexão. Não hesitei em espalhá-lo, não apenas na recomendação usual, lá no NaMiradoLeitor, mas também no Twitter. Sou professora de redação; adoro refletir e oferecer soluções às questões coletivas, portanto, um “Adulto-Ponte”, kkk…

    Muito sucesso ao Vá de Bike!

    Thumb up 2 Thumb down 0

  • carlos

    quero saber é de bike não de nego que não tem o que fazer na vida.

    Thumb up 0 Thumb down 4

  • Aline Cavalcante

    foi publicado na veja, ponto.
    acabou a discussão por ai
    =)

    Thumb up 2 Thumb down 0

  • Helton

    Enquanto isso a ultra-reacionária Revista Veja, em sua edição 2255 (8 fevereiro de 2012), sobre o Facebook, dá a entender que ali não é lugar para ficar tendo devaneios políticos:

    “(…) as redes on-line incentivam os membros a expor seu lado militante. O mural (onde as mensagens são publicadas) do Facebook, por exemplo, é, como o próprio nome sugere, um ótimo lugar para “colar” cartazes e “estender” bandeiras ideológicas virtuais. Ali se faz proselitismo de vegetarianismo, de crenças religiosas, de posições políticas e de outras causas. Como não há botão de “Não Curtir” no Facebook, resta discordar por meio de um comentário ou se calar.

    Alguns sociólogos acreditam que o contato involuntário com opiniões conflitantes nas redes on-line pode ter ao menos o efeito positivo de estimular a participação política dos cidadãos. Uma pesquisa com 3.500 jovens de 18 a 24 anos feita durante as primárias das eleições presidenciais americanas de 2008, contudo, mostrou que o interesse em compartilhar informações e comentários de cunho ideológico na internet não se estendia a atividades políticas convencionais, como votar. Nada é mais improdutivo do que usar o botão do mouse para discutir com os amigos.”

    Thumb up 1 Thumb down 0

  • Marco Labão

    Bom saber que cada Ação dessas é uma semente mais que se planta e de onde colheremos os frutos que alimentarão um Mundo Bem Melhor, inexoravelmente.

    Thumb up 2 Thumb down 0

Enviar resposta

  

  

  

Você pode usar estas tags HTML

<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>