Bicicletada de São Paulo completa 10 anos de história

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Bicicletada passando pelo Elevado Costa e Silva (conhecido como "minhocão")

Segundo relatos dos dinossauros da Bicicletada, em 29 de junho de 2002 ativistas ligados ao movimento antiglobalização se juntaram com a ideia de pedalar pelas ruas caóticas da paulicéia, numa extensão prática das reflexões políticas e sociais que se estabeleciam na época. Nascia assim a Bicicletada de São Paulo, exatos 10 anos depois do surgimento da Massa Crítica (Critical Mass) em São Francisco.

Leia a reflexão de Pablo Otellado: Dez anos de Bicicletada – memórias da pré-história

Em meio à massa de bicicletas, crianças pedalam com segurança. Porque a rua deve ser de todos.

Com o passar do anos, a Bicicletada foi ganhando corpo, adeptos e hoje agrega mensalmente centenas de pessoas pelo Brasil inteiro, entre ciclistas, skatistas, patinadores e pedestres. Gente disposta a gritar pela própria existência, seja protestando, sorrindo, tirando a roupa, levantando cartazes ou simplesmente existindo.

Mesmo com todas as divergências esperadas em meio a essa multidão de cabeças pensantes, há pelo menos uma unanimidade: a Bicicletada virou um ambiente de encontros, articulação e ações. Um dos melhores legados deixado por ela é a riqueza de pessoas reunidas ali, gente de carne e osso, sonhos e energia, propondo uma nova maneira de fazer política e uma interação completamente revolucionária com a cidade.

Com seu caráter anárquico, sem organização formal nem lideranças, a Bicicletada se comporta de acordo com quem está presente, é temperamental como nós e um organismo vivo, cheio de nuances e mistérios. Por existir numa cidade autoritária, repressora e injusta, a aceitação social pela sua existência em SP foi um tanto tumultuada e, muitas vezes, conflituosa, visto que o poder público não têm mostrado muito interesse em discussões sérias sobre a bicicleta como meio de transporte, equidade de espaços e investimentos.

PM acompanhando a Bicicletada de março de 2012. Dessa vez, em bicicletas - e fazendo os carros diminuírem a velocidade ao ultrapassar a massa. Foram recebidos com sorrisos e aplausos.

Ainda assim, hoje é possível sentir o hype da sustentabilidade nos discursos políticos. O tradicional encontro mensal da Bicicletada paulistana, reunindo sempre centenas de pessoas, atualmente é tolerado e por vezes até escoltado (de forma positiva e sem interferências). Tem até campanha da prefeitura, via SPTuris, com cenas da Bicicletada, alçando-a a um dos motivos para se fazer turismo em São Paulo! (assista ao vídeo e veja aos 0:48).

E se hoje a bicicleta está na mídia, na moda e a cada dia é mais possível e socialmente aceito se pedalar nas ruas, a Bicicletada tem sua parcela de culpa. Para saber mais sobre a história do movimento em São Paulo e suas consequências na dinâmica da cidade, acompanhem a série de ÓTIMOS posts que Odir – um desses dinossauros antológicos – vem fazendo durante essa semana:

bicicletada: 10 anos de massa crítica no brasil

bicicletada 10 anos: a primeira massa crítica

bicicletada 10 anos: consolidação e ação

bicicletada 10 anos: ação coletiva

bicicletada 10 anos: elas

bicicletada 10 anos: é hoje!

Leia e tire suas próprias conclusões sobre o poder da coletividade, a força assustadora que temos quando estamos juntos e o potencial do cidadão de influenciar e mudar a própria realidade.

E não esqueça, nessa sexta-feira, 29/06, venha comemorar com a gente! A partir das 18h, na Praça do Ciclista (Av.Paulista x Consolação)

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8 comentários para Bicicletada de São Paulo completa 10 anos de história

  • Silvia Ballan

    passar por um lugar que eu não curto – o Shopping, ver aquele monte de “engomadinho” nos secando com os olhos esbugalhados, fazer novos amigos e rever os antigos foi sensacional!

    Não concordo com muito barulho, mas tinha muita gente no estacionameto do shopping JK Iguatemi pra véia aqui pedir pra “abaixar o som”

    🙂

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  • Cinira

    Foi uma das melhores bicicletadas que participei! E depois que compreendi a razão pela qual passávamos pelo estacionamento do JK IGUATEMI, aí – como disse o Ricardo – realmente, a bicicletada não teve preço!

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  • Ricardo

    Essa bicicletada de hoje, passando dentro do estacionamento do JK IGUATEMI, não teve preço!

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  • Douglas

    Olá Willian,

    Li os textos as discussões e os muitos comentários.

    Em um mundo ideal, se a relação entre o trânsito e bicicletada fosse assim como você descreve eu concordaria totalmente.
    No mundo em que vivemos, na realidade atual concordo mais com os textos do Bruno Vicari.

    Em um de seus textos vc afirma que se as 300 pessoas que estivessem na bicicletada estivessem de carro o transito não estaria muito pior.

    Eu pergunto se as 300 pessoas que estivessem de bike não estivessem ali o transito nâo estaria melhor?

    Não estou discutindo o direito de se estar ali, estou discutindo a necessidade de se estar ali.

    Sou apaixonado por bicicletas, por ciclismo e ex-apaixonado por cicloativismo, os radicais, os xiitas estão acabando com um movimento que era para ser em prol do compartilhamento, da paz e a favor das bicicletas para transforma-lo em uma guerra, que antes de amor à bicicleta prega-se o ódio aos carros.

    Parabéns pelo blog, que salvei entre os favoritos no meu navegador.

    Boa pedalada hj a noite!

    Abs.

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  • 10 anos de bicicletada - Ana Rusche

    […] + texto com detalhes da aline linda no vá de bike […]

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  • Douglas

    Um slogan legal seria: “Bicicletada, 10 anos causando imobilidade para promover a mobilidade!”

    http://blogs.jovempan.uol.com.br/pedaladas/bicicletada-quando-o-ciclista-se-rebaixa/

    Abs.

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    • Willian Cruz

      Oi, Douglas

      Recomendo a leitura deste texto sobre o assunto, bem mais ponderado e sem preconceitos.

      O Bruno Vicari não é parâmetro e muito menos referência sobre mobilidade urbana. Ele entende – e me parece que muito bem – de ciclismo esportivo, mas muito pouco sobre o uso da bicicleta para deslocamentos dentro das cidades, até porque carece de experiência prática. Avaliar o uso da bicicleta de dentro de um carro é receita certa para equívocos conceituais e práticos. Aliás, o texto que você indica já rendeu uma boa discussão por aqui, por favor leia.

      Grande abraço,

      Willian Cruz

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  • odinn

    obrigado pela menção, mesmo como fóssil.. hehehe, sabe que te amo, né aline?

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