Manifestação pela ciclovia da Av. Eliseu de Almeida, em São Paulo

Arte: Camila Oliveira

Nesse sábado, 1º de dezembro de 2012, será realizada uma manifestação na Av. Eliseu de Almeida, pedindo a implantação da mitológica ciclovia.

A página do evento no Facebook, que já tem cerca de 800 confirmações de comparecimento, informa que os cidadãos pedalarão no canteiro central gramado da avenida, onde deveria ter sido construída uma ciclovia há anos. Também pretendem sinalizar com cal uma “ciclofaixa provisória” nesse canteiro.

Deveria estar pronta em 2006, mas nem começou

Segundo dossiê elaborado pela Ciclocidade, as tentativas de implantação de uma ciclovia na região vêm desde 2004, com a realização do Plano Regional Estratégico do Butantã, que estabeleceu o ano de 2006 como data para a conclusão da obra. Mas, no ano seguinte, houve o anúncio da prefeitura de que a estrutura seria concluída até 2010.

“Em 2012, ao fim de mais uma gestão, o poder público não deu início a viabilização de qualquer infraestrutura básica a fim de fornecer segurança e conforto para o tráfego de bicicletas nessa importante avenida, acessada diariamente por mais de 600 ciclistas, em condições extremamente precárias e com trânsito intenso de automóveis”, diz o relatório.

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Durante 3 anos consecutivos, a Ciclocidade realizou contagens de ciclistas na região, demonstrando uma demanda relevante de pessoas utilizando a bicicleta. Em 2012, foram fotografados 580 ciclistas na avenida entre as 6h e 20h – um número alto, mas que seria bem maior se houvessem condições de segurança para os usuários de bicicleta.

Não se trata apenas de estimular o uso da bicicleta. A questão é proteger as vidas das pessoas que já a utilizam por ali. O eixo representado pelas avenidas Eliseu de Almeida e Pirajussara é muito utilizado por ciclistas, por ser um caminho plano e direto ligando a região de Taboão da Serra ao centro expandido. E o viário que estimula a velocidade dos automóveis, aliado à falta de fiscalização, acaba por resultar em constantes atropelamentos de ciclistas.

Foto: Aline Cavalcante

Omissão da prefeitura matando trabalhadores

Manhã de terça-feira, no início de abril. Lauro Neri, pedreiro de 49 anos, ia para o trabalho de bicicleta, na Av. Pirajussara – continuação da Eliseu de Almeida, onde também deveria haver ciclovia. De repente, uma freada e um impacto; depois disso, mais nada. Uma vida interrompida por um ataque pelas costas, de alguém com pressa demais. Lauro não chegou no trabalho, não voltou para sua esposa. Uma pessoa a menos, pagando com a vida pelo descaso da prefeitura. Leia aqui.

Outra manhã de terça-feira, agora em novembro. Nemésio Ferreira Trindade foi atropelado por um micro-ônibus na Av. Francisco Morato – Paralela à Av. Pirajussara, que deveria ter a ciclovia. Foi socorrido pelos Bombeiros que, em imagens dramáticas registradas de um helicóptero, lhe aplicavam massagem cardíaca ao lado de uma poça de sangue, vários metros adiante de sua bicicleta retorcida. Infelizmente, Nemésio também faleceu, atropelado pela omissão do poder público. Leia aqui.

Esses dois casos foram só no ano de 2012. Quantos mais ocorreram nos anos anteriores, quantos mais não chegaram a ser notícia – e, o pior: quantos mais serão necessários para que a Subprefeitura do Butantã tome uma atitude? Quanto sangue mais precisa ser espalhado no asfalto, quantos corpos ainda precisam ser dilacerados para que a Prefeitura cumpra sua obrigação de tornar a via segura para todos os cidadãos?

Projeto Ciclo Rede Butantã, que não foi implementado. Clique para ampliar. Fonte: Dossiê Ciclocidade/Apresentação Pró-Ciclista de Arturo Alcorta

Não foi por falta de pedir

Além das cobranças da imprensa e de ciclistas e moradores, que chegaram a entregar um abaixo assinado à Prefeitura, a Ciclocidade realizou uma reunião com a subprefeitura do Butantã em setembro de 2010 (que, naquele momento, assumia para si a responsabilidade pela ciclovia).

Nessa reunião, os representantes da entidade ficaram sabendo que o início das obras não ocorreria antes do final de 2011, quando seria concluída a canalização do córrego Pirajussara. A Ciclocidade sugeriu então a possibilidade de uma nova proposta cicloviária, com a infraestrutura para bicicletas junto à calçada. Desse modo, a segurança dos ciclistas naquele importante e bastante utilizado eixo de deslocamento seria atendida mais rapidamente.

Mas, pelo jeito, imprensa, ciclistas, moradores e a Ciclocidade não foram levados a sério. A canalização foi concluída, mas as obras da ciclovia estão longe de começar. Enquanto alguém pensa se desengaveta o projeto ou não, vidas se esvaem. Uma ciclovia no local não é nem “para ontem”, é para seis anos atrás.

Em abril de 2012, após a morte do ciclista Lauro Neri na Av. Eliseu de Almeida, cidadãos pintaram bicicletinhas no asfalto em protesto. A ciclovia teria evitado sua morte. Foto: Aline Cavalcante

Usando ou não essa avenida, sua participação é importante

Só com mobilização a prefeitura irá se mexer. É criminoso ignorar que o viário da região coloca em risco quem precisa ou deseja se deslocar de bicicleta em direção ao centro expandido.

Não queremos só lazer: queremos chegar em casa vivos

Não adianta promover a bicicleta apenas a lazer na cidade, usando a iniciativa para justificar um suposto cumprimento do plano de metas. Não basta fazer apenas estruturas de passeio aos domingos, quando trabalhadores morrem durante a semana.

As Ciclofaixas de Lazer são úteis e importantes, sim, mas não podem ser confundidas com política cicloviária. E colocá-las na conta da infraestrutura de mobilidade por bicicletas da cidade, ainda mais contando sua extensão duas vezes, chega a ser ofensivo.

Não dá mais para sermos enrolados

Não estamos falando de algo que possa esperar, cazzo! Não é admissível permitir mais nenhuma morte nessa via. Essa omissão criminosa precisa ter um fim. Se a ciclovia demora, por um motivo qualquer que agora certamente irá aparecer (ou será criado), que se faça uma estrutura ou operação emergencial para que essas vidas sejam preservadas!

O Código de Trânsito Brasileiro é bem claro, em seu artigo 58: quando não houver ciclovia, ciclofaixa, ou acostamento, as bicicletas devem usar a via, com preferência sobre os veículos automotores. Que façam valer essa prioridade! E o artigo 24, em seu item II, esclarece: é obrigação dos “órgãos e entidades executivos de trânsito dos Municípios [leia-se CET e Secretaria de Transportes] promover o desenvolvimento da circulação e da segurança de ciclistas”.

Não estamos pedindo nenhum favor, nem tão somente o que foi prometido muitos anos atrás. Estamos pedindo o cumprimento da lei. Estamos pedindo por nossas vidas.

Participe da manifestação pacífica pela ciclovia na Eliseu de Almeida

Sábado, 1 de dezembro de 2012, a partir das 9h da manhã

Av. Eliseu de Almeida, alt. do nº 1500 (atrás do Shopping Butantã)

Sua presença é essencial e representará a reação ao descaso em toda a cidade, principalmente nas periferias. Essa luta é de todos nós, ciclistas ou não. Não podemos permitir que pessoas continuem morrendo porque outras pessoas em cargos-chave no executivo não consideram a ciclovia relevante!

Confirme presença no Facebook. Compartilhe esta página, divulgue essa mensagem e compareça no dia 1º!

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6 comentários para Manifestação pela ciclovia da Av. Eliseu de Almeida, em São Paulo

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