Limites de velocidade não são feitos para render multas

O vídeo abaixo é de uma campanha de redução de velocidade veiculada no Reino Unido, em 2006.

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A menina do vídeo diz:

“Se você me atropela a 40mph (64km/h), há cerca de 80% de chance que eu morra.

Se você me atropelar a 30 (48km/h), há cerca de 80% de chance que eu sobreviva.”

No final, é exibida a frase: “São 30mph por uma razão”.

Essa outro vídeo, de 2009, também tem forte apelo, dizendo para “matar sua velocidade” ou “conviver com ela”:

Redução de velocidade diminui mortes

Aqui no Brasil, os motoristas ainda acreditam que os limites de velocidade são apenas uma desculpa para multar. Quantas vezes não ouvimos frases como essas, às vezes até de nossos familiares e amigos?

“Se não tivesse tanta gente lerda, o trânsito fluiria melhor.”

“Pra quê 60km/h nessa avenida? Dá muito bem pra andar a 90…”

“Até ali atrás a velocidade é 70. Aqui nessa curva diminui pra 60, só pra gente ser multado no radar ali na frente.”

Limites de velocidade têm seus motivos. Se o limite é menor em certo trecho, pode ser por uma maior presença de pedestres, por alguma dificuldade em ver os carros vindo naquele ponto ou mesmo por questões de segurança para os próprios motoristas, como inclinação da via, por exemplo.

Esses valores não são escolhidos aleatoriamente e, na maioria dos casos, ainda estão bem acima do que seria considerado seguro em outros países.

Se você percorrer um trecho de 10 km com uma velocidade média de 25km/h (contando paradas, semáforos, etc.), chegará em 25 minutos. Se acelerar mais pode conseguir subir sua média para, digamos, 30km/h, uma média alta para uma cidade com muitos automóveis. A economiza seria de apenas 5 minutos no trajeto. Vale a pena arriscar a sua vida e a de outras pessoas por cinco minutos?

Destreza versus surpresa

A ponto não é nem a destreza do motorista ou suas qualidades como piloto. É uma questão de tempo de reação. Quanto maior a velocidade, mais tempo leva para conseguir parar o carro, por mais rápido que você reaja.

Excedendo o limite de velocidade, você precisará de um espaço maior para frenagem, acima do que foi calculado como seguro quando se estabeleceu a sinalização da via. Se um carro surgir saindo de uma rua, se um pedestre estiver atravessando na esquina, você pode não ter espaço suficiente para conseguir parar a tempo.

As grandes cidades ganham dinheiro com as multas por excesso de velocidade? Ganham, sim. Mas isso é uma consequência do desrespeito à sinalização e, em maior extensão, do ato de colocar vidas em risco, seja de forma intencional ou não. Lembre desses vídeos na próxima vez que o ponteirinho do velocímetro estiver subindo.

Devemos priorizar a vida, não o fluxo.


23 comentários para Limites de velocidade não são feitos para render multas

  • Daniel Jones

    A redução de velocidade para 50km é importante nas avenidas que circulam muitos ciclistas. Nas ruas, a redução deveria ser 30km. A justificativa é simples: vidas serão salvas.
    Com a redução, mais pessoas serão estimuladas a saírem com suas bicicletas. E no final, o fluxo do trânsito será melhor para todos os modais.

    O argumento “preservação da vida”, que inclusive resulta em benefício do próprio motorista, é suficiente para exigir que as autoridades adotem na cidade com urgência. Se é uma medida que reduz mortes ou diminui os acidentes, deve ser priorizada em uma cidade que tem números alarmantes.
    Entretanto, a cidade pode adotar outras medidas que auxiliariam a todos, como extinguir estacionamento de ambos os lados em ruas – mais espaço para bicicletas, mais espaço para o fluxo de carros. Outras medidas simples são reduzir áreas de estacionamento de carros, aumentar a quantidade de ônibus nos corredores exclusivos, incentivar áreas públicas e privadas com paraciclos e campanhas de educação como estas apresentadas pelo Vá de Bike.

    A sua vida, afinal, agradece.

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  • AndreaG

    Eu moro a mais de um ano em Nottingham, no Reino Unido e realmente as velocidades aqui são mais humanas. Ando de bike pra todos os lugares desde Junho e ainda não me senti ameaçada por um carro. Não gosto quando caminhões muito grandes me ultrapassam, mas geralmente estes tomam ainda mais cuidado para passar longe suficiente. Demorei pra me acostumar com a ideia de que tenho o direito de estar na rua, mas hoje em dia a única coisa que ainda não encaro são os balões (rotatórias). Acho que se o balão tem mais de uma via, este requer um pouco de habilidade a mais do que tenho neste momento. Fiz até aula de como dirigir bicicleta na rua que me foi fornecida pela universidade e prefeitura. Mas, a última aula era aprender a fazer o balão e eu amarelei. Rs. Além de tudo tem que ir no sentido horário, que ainda me é estranho…

    Aqui, não é Holanda, então muitas vezes se tem que dividir o espaço com os carros. Mas, os motoristas e os ciclistas tem treinamento e se portam melhor na rua. Eles aprendem na escola, aos 9-10 anos, e vejo muitos pais levando as crianças pra aula de bicicleta, patinete, scooter, skate, patins, etc! Mas, mesmo com a educação dada, o ciclista tem que usar capacete, luva, luzes, colete/roupa refletiva, sapato adequado, etc. Quero dizer, as luzes são os únicos acessórios que estão na lei. (E a multa é cara pra quem não usa!) Mas qualquer idiota vê que é necessário usar roupa refletiva e tudo mais. Até porque no inverno aqui escurece as 3:30 da tarde!

    Enfim, o que eu queria falar na verdade é o seguinte:

    A gente pensa que o carro limitado a uma velocidade menor vai fazer com que a gente chegue no nosso destino mais tarde de carro ou ônibus, mas isso não é necessariamente verdade se esta medida é coordenada com outras medidas que restrinjam o uso do carro, diminuindo o número de carros nas ruas, sem esquecer de dar outras opções viáveis, é claro!

    Aqui, muita gente tem carro. No entanto, poucas delas usam estes durante a semana. E mesmo se usam, não usam pra todos os destinos. Alguns, até preferem pegar transporte público nos finais de semana pra não enfrentar encontrar/pagar estacionamento.

    Por exemplo, na universidade onde estudo, aluno não pode estacionar durante a semana–só servidor/professor, etc. Não existe forma de burlar essa regra. A multa é bem cara. Portanto, aluno geralmente pega ônibus, trem, tram (uma espécie de bonde moderno), bicicleta, patins, patinete, scooter, ou até caminha. É bem comum um estudante caminhar 30-40 minutos pra universidade. Então, quando pego ônibus pra universidade, percebo que embora o ônibus esteja indo devagar, ele quase não para fora das paradas e acaba fazendo um tempo bom até a universidade, sem pegar transito nem se aborrecer com outros carros.

    Espero que quando eu volte ao Brasil (daqui a pouco menos de 2 anos) o Brasil tenha avançado nesse sentido porque não sei se tenho mais paciência pra enfrentar trânsito atrás do volante…

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  • silvia ballan

    caracas!!!!!! super produção, arrepiante, mas será que amanhã o motorista idiota vai lembrar e não correr….

    todo os dias cruzo uns idiotas corredores que param o carro no farol seguinte, entnao pra que correr????…num aguento tanta idiotice…

    (desculpem tanto idiota no texto, mas é a tradução mais light para eles…)

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  • Luciano Spiun

    Acreditar na boa fé de político Brasileiro é piada.

    Sim existe uma fábrica de multas. E não, a velocidade não pode ser aumentada só por causa disso.

    Pra começar vamos tirar do poço a famosa hipocrisia. Por décadas a fio a prefeitura ignorou a manutenção e expansão das vias urbanas. Digo via não só ruas para carros, como também passarelas para pedestres, ciclovias para bikes etc. Na mesma proporção de inoperância o transporte coletivo tb foi ignorado.

    Hoje, “não” trânsito é o resultado.

    Me dou o direito de reclamar geral pq em 2006 eu vendo meu carro e decidi andar a pé, até que neste ano de 2013 a cidade me ganhou pela fadiga e não aguentei mais me sentir humilhado. Eu sei os vários lados desse dilema, vivi sendo pedestre por anos a fio depois de ter sido motorista e volto agora para o volante. Até o ano passado eu esperava ansiosamente por ciclovias para eu poder ir de bike do metrô para minha casa, eu ia juntar o útil ao agradável, fazer exercício e chegar em casa …. naaaaaada aconteceu.

    O que a prefeitura fez foi a Bikedemagogia, os espaços para as bikes se tornaram de lazer, e não para locomoção. Muita gente anda de carro a semana inteira e aplaude a prefeitura por interditar a faixa da avenida principal de seu bairro para que ela passeie de bike. Isso é demagogia de todos os lados. Na hora do sujeito ir trabalhar ele quer via, no dia em que ele não quer sair do bairro ele quer as vias interditadas e transformadas em espaços de lazer “DELE”. TUDO PARA ELE.
    Veja se a prefeitura fez ciclofaixa em bairro de periferia e de pobre. Q nada, o papo de tudo verde, saúde, bike ficou para a nata nobre para angariar votos. Durante a semana, o patrão sai com seu carro e quer via, enquanto o empregado peão que se lasque no busão, no domingo, passeia de shortinho colado na sua bike pela faixa que carinhosamente a prefeitura interditou na frente da sua casa. DEMAGOGIA, DEMAGOGIA E DEMAGOGIA.

    E onde vai nos levar essa hipocrisia? Bom, antes a prefeitura nãoinvestiu nas vias pq, pq sabe lá Deus pq. Hoje não investirá pq é pra andar de bike, a pé, com pó de pirlimpimpim do Harry Potter e por aí vai.

    Se nós, todos nós, aceitarmos hipocrisia e demagogia como política pública vamos construir o cenário do caos. Como a causa verde e mobilidade consciente (bike, coletivos etc) são pautas historicamente ignoradas, quando algum político usa dela a galera tem quase um orgasmo, mas a questão é que São Paulo precisa de ciclovias e não de pistas interditadas para e apenas para passeio.

    Se a Prefeitura tem mesmo o objetivo de adotar as bikes como modal de transporte em São Paulo faça uma faixa exclusiva lá na Paulista, espaço tem, menos do que isso para mim é hipocrisia.

    Mas afinal, o que tudo isso tem a haver com o tema central. Velocidade.

    Bom, se formos tomar da estatística para ver o que é mais seguro eliminamos o carro de vez. Mas o fato é que, alé, de vilão o carro tb é mocinho. Ele é um anti-herói.

    Não há como nosso modo de vida atual coexistir sem carro. Mas e o ônibus, metrô, bike skate etc?

    São modais de transporte diferentes interdependentes. Por exemplo, sabe o metrô que eu queria ir e voltar de bike? Combinei assim com minha namorado, quando formos em lugares cobertos por metrô, iremos até este metrô de carro e seguimos de coletivo. INTEGRADO.

    Cada meio diferente de transporte tem suas vantagens e desvantagens. As desvantagens dos coletivos é que eles trabnalham num sistema programado e dentro de um roteiro. Se num domingo vc resolver juntar panela e ir pra casa da tia jurema do outro lado da cidade, e no meio do caminho pegar fulano e ciclano que vai ter que parar na farmácia e no supermercado, o coletivo não atende.

    O que mata no Brasil é que, para se ter acesso a um carro, que permite esses fluxos de ponto a ponto, o sujeito deveria ter 03 opções. Táxi, aluguel e aquisição de um automóvel.

    A porcaria arrecadatória desse país é tão grande que o custo de locar e andar de táxi é superior ao de comprar um pois é. Daí temos que conviver com este volume insustentável de carros nas ruas. Eu mesmo seria um caso de táxi e locação. Hoje eu não teria comprado um automóvel se o orçamento permitisse as outras opções.

    De tanto imposto, já é sabido que o Brasil fabrica M@#%#@ e vende por carro. Isso somado a demagogia do tudo “light” vai levar nossa política para fatais décadas de descaso em relação ao atual momento da tecnologia automobilística.

    A ciência não está de braços cruzados em relação ao automóvel, tem pesquisa séria tanto para substituir o petróleo quanto para tornar os carros mais seguros para TODOS. Uma delas é simplesmente transformá-los em robôs 100% independentes. Ou seja, carros que andam sozinhos e não, não é ficção nem coisa para 100 anos, já está acontecendo (não aqui na demagolândia).

    Se o carro andar sozinho vc simplesmente integra dois modais de transporte, carro e coletivo (ônibus). Pra que ter carro? Eles vão ser uma rede de módulos pequenos (já exibidos em salões de automóveis pelo mundo) andando por aí, precisou, pega um, pede para levar até um destino e de lá ele continua servindo o sistema (levando outras pessoas). Simples assim e bem possível.

    Por isso, demonizar o automóvel e dicotomizar pedestre e ciclista X automóvel é perder um baita tempo. Um tempo fatal.

    A única coisa que estamos fazendo é dar fôlego para a prefeitura ignorar a mobilidade urbana por mais décadas.

    A velocidade mata sim, mas depois de anos sem investir em passarelas, sem investir em semáforos, faixas de pedestres, asfalto etc, jogar toda a culpa na velocidade é minimalismo desnecessário.

    Se a 30 anos atrás uma via foi construída por um engenheiro para uma belina andar a 80Km por hora como hoje um Fusion não pode transitar na mesma via na mesma velocidade com segurança? A resposta tem que ser técnica e sim, é possível sacanear só para angariar fundos com multas.

    Segurar um carro a 60km com uma 05 marcha as 22hs numa via longa e sem fluxo é piada, vc tem que ficar olhando velocímetro e, com isso, obviamente olhando menos para a via e pedestres etc. Não digo que de 60km deva ir para 110km, mas para 70km ou, mais adequadamente, para o que se chama velocidade natural da via.

    Estamos reduzindo o assunto demononizando o automóvel sem nos darmos conta de que os políticos estão usando isso apenas como discurso. Exemplo.

    Chega em São Paulo o famoso Cirque de Soleil. Quem descer na estação Villa Lobos/Jaguaré de trem vai perceber, ao sair da estação, que tem uma passarela linda a enorme que leva o sujeito dali para o circo. Imagem linda. Mas, a verdade é que esta estação de trem fica escondida atrás de uma alça de acesso para a Marginal Pinheiros, para o sujeito transitar do ponto de ônibus do sentido centro-bairro até a estação são mais de 15 minutos passando por 04 faixas de alta velocidade. Apenas na Queiroz Filho tem semáforo e, a passarela em questão só leva para o Villa Lobos (Parque e Cirque de Soleil). Se vc parar ali, vai perceber que de 1000 pessoas menos de 20 usam esta passarela, ou seja … dinheiro público jogado fora. Para irritar mais ainda, tem nos projetos trienais da Prefeitura ali da Lapa que era para mudar algumas estações de trens por estarem mal localizadas. Esta aí que citei tem um detalhe de irritar qualquer um. Ela termina debaixo da Ponte do jaguaré. Daria para ter um acesso rápido para a estação com uma entrada por esta ponte. Quem conhece a ponte sabe que ela tem duas partes (vias) e um vão livre no meio, esta estação termina exatamente debaixo desse vão. Não seria necessário nem passarela para o ponto de ônibus que citei, era só abrir acesso ali. Mas aí, apegada no discurso “light” rococó o q a prefeitura diz? Projeto mãozinha. manda o Kassab colocar a mãe dele pra ficar dando com a mãozinha ali. É um perigo aquele pedaço, quando o motorista consegue ver o pedestre já está em cima.

    Então é isso, a prefeitura está usando da prerrogativa do “bom viver” para continuar a não fazer nada para ninguém.

    Pra que rever os acessos dos trens e metrôs? – Dá com a mãozinha.
    Pra que fazer passarela? – Dá com a mãozinha e diminui a velocidade das principais vias (motorista mau).
    Pra que fazer ciclovia pra vc PASSEAR de bike? – interdita uma faixa na frente da sua casa aos domingos?
    Pra que investir nas bikes como meio de transporte? – acorda, 90% dos ativistas bikers têm mais de R$5000,00 para gastar em suas magrelas mais itens de segurança e vão andar de carro durante a semana, é só dá uma faixa para eles passearem aos Domingos e juntamos o útil ao agradável.

    DEMAGOGIA, DEMAGOGIA E DEMAGOGIA.

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  • Ricardo

    Acho que os limites devem ser r eavaliados sim… tenho conviccao quw temos tantos acidentes porque a maioria do limites estabelecidos sao tao baixos que ninguem se imagina respeitando uma regra tao absurda… a partir do momento que ninguem respeita a regra passar a 100 ou a 150 e o mesmo…

    40km/h eu ando de bicicleta… nao e possivel que seja o limite de um carro… Mas esse aumento de velocidade vem com alguns onus… faixas de pedestres respeitadas,
    Ciclovias, boas estradas e sinalizaçao realista e nao cobservadora demais…

    Essas leis sao questionaveis sim! Perdi minha carteira porque levei uma multa gravissima por andar de viseira de capacete aberta e dai essa mula multiplica por 3 passando de 20 pontos…

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  • Valdson

    Willian, só uma observação: claro que devemos priorizar a vida, não o fluxo, mas acho que a diminuição das velocidades máximas não prejudicam o fluxo. Esses tempos dei uma pesquisada sobre esse assunto e, pelo que vi, existe uma velocidade que proporciona o fluxo máximo em uma via e acima dessa velocidade a capacidde de fluxo diminui. Nos estudos que eu vi essa velocidade de máximo fluxo estava em torno de 30 km/h, se não me engano.

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    • Valdson, tem algum link para essa informação?

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      • Valdson

        Willian, pesquisei um pouco de novo sobre isso essa semana pra poder te responder, vou tentar resumir o que encontrei e o que entendi sobre isso:

        O fluxo é dado pela velocidade multiplicada pela concentração de veículos na via. Ou seja, quando maior a velocidade e a concentração, maior o fluxo. Só que velocidade e concentração são inversamente proporcionais, ou seja, quanto maior a velocidade, menor a concentração.

        Esses gráficos mostram essas relações entre fluxo, velocidade e concentração: http://www.intechopen.com/source/html/8715/media/image10.png

        O primeiro gráfico mostra a velocidade diminuindo a medida que a concentração de veículos aumenta, e o segundo gráfico mostra o fluxo em relação à velocidade. Note que inicialmente o fluxo aumenta com o aumento da velocidade, até atingir o fluxo máximo, e a partir dessa velocidade o fluxo diminui com o aumento da velocidade, devido à necessária diminuição da concentração para esse aumento de velocidade.

        O começo da seção 6 desse artigo fala bem sobre isso: http://d2051.fsv.cvut.cz/predmety/tren/trafficflow.pdf

        “Even with ideal roadway conditions, traffic volume tends to reach a maximum point at a relatively low speed. This phenomenon, which is puzzling to the casual observer, results from the fact that spacing allowed by the average driver when trailing another vehicle increases nonlinearly with increases in speed. Increasing speed tends to increase volume, but that effect is offset by concomitant decreases in density.”

        O que parece não ser muito fácil de determinar é essa velocidade que proporciona o fluxo máximo. O cálculo dessa velocidade vai depender da via que está sendo analisada e do modelo matemático utilizado para determinar a relação entre a velocidade e a concentração de veículos.

        Acho que o valor em torno de 30 km/h que eu tinha visto saiu dessa informação aqui, que se refere a um estudo feito no Lincoln Tunnel:

        “Assuming that this data is a representative sample of this facility’s traffic, the value of 27.7 km/h is an estimate not only of the sensitivity coefficient for the non-linear car following model but it is the ‘characteristic speed’ for the roadway under consideration (i.e., the speed of the traffic stream which maximizes the flow).”
        http://www.fhwa.dot.gov/publications/research/operations/tft/chap4.pdf (pag. 4-17)

        Esse outro estudo usa os dados observados em uma Freeway em Dallas e aplica a esses dados diversos modelos matemáticos para determinar que modelo melhor se adapta aos dados observados: http://www.ce.tuiasi.ro/~bipcons/Archive/222.pdf

        Na tabela 1 estão os valores encontrados. A velocidade no fluxo máximo, dependendo do modelo matemático utilizado para o cálculo, varia de 14 km/h (8.83 mph) até 60 km/h (37.4 mph). Para o modelo escolhido como o melhor nesse estudo, a velocidade no fluxo máximo é de 57 km/h (35.3 mph), mas para o modelo escolhido como o segundo melhor, que ficou tão próximo dos dados observados quanto o primeiro, a velocidade no fluxo máximo é de 28 km/h (17.5 mph).

        O que eu entendo disso tudo é que o fluxo não deve variar muito nessa faixa de velocidades onde se consegue o fluxo máximo, ou seja, mais ou menos entre 14 km/h e 60 km/h. Então, entendo que a velocidade máxima permitida pode ser escolhida considerando a segurança da via, pois essa escolha, no meu entendimento, teria pouco ou nenhum impacto sobre o fluxo de veículos.

        Isso é o que eu consegui entender numa estudada por cima, mas o assunto é bem complexo. Infelizmente não achei em algum lugar isto que entendi sendo dito de forma clara, para leigos como nós…

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  • Temos que ter isso aqui no Brasil ! e com multa, senão ninguém pratica.

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  • zeiz

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    • Jorge

      Zeiz, a resposta pode ser simples para a presença desse radar:
      - curva perigosa
      - pista com problemas (neste caso a incompetência governamental fica evidente)
      - entrada e saída de veículos no local
      - presença de pedestres
      - presença de animais

      E todo motorista sério talvez saiba que é inviável dirigir a 40Km/h, mas todo cidadão sério também deveria saber que se há um radar fixo em algum lugar, é porque há um motivo.

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  • Rosana

    Impactantes os filmes! Deveria passar todo dia no horário nobre um filme horroroso desses pras pessoas pararem de sair na rua como quem vai jogar GTA.

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  • O problema pode ser mais profundo. Os novos motoristas que são jogados nas ruas as pencas todos os dias pelos centros de formação de condutores, estão mais preocupados em estacionar bem os seus carros do que em respeitar o pedestre, o ciclista, as leis, as normas, a convivência, a ética, etc. O maior temor dos postulantes a uma carteira de motorista é o teste da baliza, como se estacionar bem significasse que o sujeito fosse um baita motorista. O que importa é que ele se comporte bem diante do volante, que dirija com responsabilidade, pensando no cuidado com o próximo. Se ele não consegue enfiar o veículo naquela vaga minúscula, vá mais a frente e estacione em um local mais apropriado a ele, que a caminhada vai até lhe cair bem à saúde.

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  • Quando cheguei no Japão pela primeira vez, o que mais me chamou a atenção foi o silêncio e a calma das ruas. Depois fui descobrir que a velocidade dos carros lá é bem menor que aqui. Encontrei esta página no Wikipedia: http://en.wikipedia.org/wiki/Speed_limits_in_Japan . Veja que em geral a velocidade é bem menor que em São Paulo. Muitas ruas daqui têm limite de 60 km/h que é alto demais para os ciclistas e pedestres. Além disso, é preciso respeitar as placas, é claro…

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  • Kilder Catapano

    Jorge

    Industria de Multas é uma bobagem inventada por quem não tem desculpas para justificar o injustificavel. Existe industria da venda de carteiras de habilitação, que coloca pessoas sem capacidade para guiar monstros de 1 tonela pelas ruas.

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    • Verdade, Kilder. E todo mundo sabe como é fácil comprar uma habilitação, volta e meia saem matérias na imprensa, mas ainda assim ninguém vai atrás pra resolver.

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      • Jão

        Eu não sei como é fácil comprar uma habilitação pq não comprei a minha. Mas se vcs estão falando, eu acredito!

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        • Jão, também não comprei a minha e a maioria das pessoas não o faz, mas boa parte das autoescolas oferece, geralmente de forma sutil, a opção de “garantir aprovação” nos exames teórico e prático. Vem aquela conversa de que é difícil passar, que muita gente reprova, que os examinadores são muito rígidos, reprovam por qualquer motivo e etc. Quem já está inseguro quanto a seu conhecimento e/ou habilidade e não tem muitas restrições morais, ou que não compreende as consequências da indústria que está ajudando a alimentar, cai nessa fácil.

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  • Jorge

    Eu sempre digo: existe indústria de multas? Sim, existe. Apenas porque também existe indústria de infrações. Não haveriam radares de velocidade se as pessoas não exagerassem no acelerador. Não haveriam radares de semáforo se respeitassem o sinal. Não haveriam multas se as pessoas tivessem consciência e, principalmente, educação.

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  • fernanda

    Sensacional alerta.

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