Ato na Av. Paulista lembrará primeiro ano sem a ciclista Julie Dias

Divertida e feliz, Julie participava ativamente de movimentos de luta pelo direito de utilizar a bicicleta como meio de transporte. Foto: acervo pessoal

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Foi em 2 de março de 2012 que as políticas públicas de São Paulo (ou a falta delas) e a omissão da Prefeitura Municipal com a vida dos ciclistas esmagaram os sonhos de uma jovem de 32 anos que pedalava para o trabalho.

Após um ano da tragédia que aconteceu na Paulista, a poucos metros de outra Ghost Bike, o que se nota de diferente na avenida é apenas a pintura no asfalto indicando o uso limitado e esporádico da bicicleta, aos domingos e feriados nacionais, unicamente como opção de lazer.

Ciclofaixas de Lazer não são e nem podem ser entendidas e contabilizadas como estrutura cicloviária de São Paulo, visto que de segunda a sábado o ciclista continua sem a preferência, prevista em lei, nas ruas da cidade. São estruturas de lazer e devem ser entendidas e divulgadas como tal.

São Paulo continua negligenciando a presença constante e crescente das bicicletas na Avenida Paulista (e em tantas outras pontes, ruas e avenidas), mesmo um ano após a morte de Julie Dias e depois de quatro anos sem Márcia Prado.

As atuais promessas do prefeito recém eleito, Fernando Haddad, dizem que teremos 400km de estrutura cicloviária entregues à população até o final de seu mandato, inclusive com o anúncio de construção de ciclovias ao longo dos novos corredores de ônibus. Também esperamos que seja respeitada a lei municipal que prevê a inclusão de ciclovias em toda construção e ampliação de pontes e avenidas. Nos bastidores, escutam-se depoimentos otimistas sobre um sinal concreto de mudança dentro da estrutura, depois de décadas de negligência à vida.

Mas enquanto a mudança não inicia de fato, cidadãos continuarão manifestando sua indignação contra as prioridades invertidas de SP, seja ao excluir com consequências fatais ciclistas e pedestres, seja pela falta de espaço públicos, pela truculência policial ou pela falta de garantias ao uso adequado e seguro da nossa cidade.

 

Homenagem a Julie Dias

Juliana pagou com sua vida pelo bem que fazia à cidade. Foto: acervo pessoal

Julie era muito querida e participava ativamente de encontros para humanizar as ruas, pedalava e plantava com o grupo do Pedal Verde, acreditava na bicicleta como meio de transformação e certamente foi uma perda irreparável, tanto para os familiares e amigos quanto para a cidade.

No sábado 02/03/2013, dia em que se completa um ano de sua prematura morte, vamos homenagear todas as vítimas dessa violência discrepante no trânsito, que mata os mais frágeis e continua deixando os responsáveis impunes. Quantas Márcias e Julianas ainda serão necessárias?

A concentração acontece às 18h na Praça do Ciclista (no cruzamento da Av Paulista com a Consolação) com saída prevista para às 20h. “Iremos pedalando ou caminhando até o local do acidente. O objetivo é chamar a atenção da sociedade e governo sobre as mortes no trânsito. Pedestres, ciclistas, motoristas, amigos, familiares, desconhecidos, são todos bem-vindos, vivemos em sociedade e é através da união que vamos mudar o que está errado na nossa cidade. Até quando o trânsito matará mais que uma guerra?”, diz a chamada do evento.

Confirme presença na página do evento no Facebook.
Vá de branco, leve flores, paz e sua vontade de mudar a cidade.

 

Documentário

Aproveite e assista o documentário Luto em Luta, que mostra a barbárie que vivemos no trânsito das grandes cidades, suas causas e consequências, com cenas fortes e depoimentos contundentes – inclusive sobre a morte de Julie Dias.


18 comentários para Ato na Av. Paulista lembrará primeiro ano sem a ciclista Julie Dias

  • Henrique

    Fui na Manifestaçao (prestar homenagens), resumo: Muito triste pelo motivo, mas ao mesmo tempo um grande recado a sociedade sobre a valorização e respeito a vida, Julie vc ja faz parte de minhas orações diarias, vc é um Pilar eterno da mudança e conscientização de uma sociedade, que Deus te Abençõe, abraço a todos.

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  • Patrícia

    Olá !

    Como não temos facebook, estou confirmando por aqui mesmo minha presença e a presença do meu marido.

    Abs !

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  • Ítalo Nascimento

    Estou me mudando agora para São Paulo e, infelizmente, não levarei a minha bicicleta. Motivo: medo.

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    • tiago barufi

      Respondendo pra você, mas inspirado pelos demais depoimentos… eu entendo. É perfeitamente razoável que as pessoas se sintam amedrontadas pela situação das ruas em São Paulo. É degradante. Isso torna a situação mais ridícula nos fins de tarde, quando nenhum carro anda a mais de 5km/h. Passamos por eles serenamente, eu procuro pedir licença com gentileza para passar ao lado deles, ali, os motoristas tão indefesos e inofensivos, se fazendo de vítimas. Quem sabe quantos deles me acertariam com o carro, de propósito, se pudessem. A maioria está ali mesmo porque não conhecem outra vida, a ideia de sucesso atrelada ao carro se enraizou na mente das pessoas há tanto tempo. Ainda não perceberam o que estão fazendo consigo mesmos e com a cidade onde deveriam viver.

      Acreditem: já foi muito pior. Hoje consigo fazer meus trajetos na maior parte das vezes sem ser incomodado e sem me intimidar. Sei que pessoas como o motorista que matou Julie e outros tantos estão à solta, mas acredite: esse tipo de gente já teve muito mais condescendência por parte do resto da humanidade do que tem agora, quando se começa, ainda que timidamente, a se perceber a obscenidade da primazia do carro sobre as pessoas. Hoje em dia é preciso se fechar à realidade para continuar acreditando que as ruas devem ser exclusivas para os carros.

      E, se alguns não se sentirem seguros para percorrer as ruas sem a carapaça, eu compreendo: sou eu mesmo um desistente, que por algum tempo deixei de crer que seria possível. Situações assustadoras me levaram a perder a esperança e cheguei a desfrutar do conformismo motorizado que vemos todo dia, não só nos horários ditos de pico, entulhando a cidade e acossando as pessoas para dar passagem a mais um bem-sucedido pertencente à classe motorizada.

      Já houve um tempo em que andar de bicicleta aqui era coisa de gente excêntrica ou obcecada por esporte, ou quem sabe de quem não podia manter um carro. Ou de quem já não encontrava sentido em ficar sentado em um carro parado, porque congestionamento não é exatamente novidade. E hoje não são poucos os que largariam os carros, se pudessem, se não se sentissem tão ameaçados. Eu pude fazer isso, e a alegria de encontrar as pessoas que também o fazem é o que permite superar os dissabores, que não vou fingir que não existem.

      É com tristeza que participo da homenagem, mas também com a consciência de sua importância. O lugar-comum a que se relegava essas histórias não existe mais, porque temos uma porção de gente que se importa com isso. Essa história e tantas semelhantes não serão mais tratadas com a indiferença reservada a um ônus do progresso.

      Nossos netos haverão de contar sobre a barbárie da cidade de outros tempos.

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  • Valdemir

    É um cenário triste mesmo ! Também acho que a curto prazo muitos motoristas que não andam de bicicleta, que são neuróticos mesmo, nunca entenderão que o espaço é PÚBLICO, é de todos carro, caminhão, onibus, moto e bicicleta que também é um meio de transporte como os outros, só não tem motor e não polui, as leis tinham que ser severas, estas ciclofaixas que temos hije já deveriam existir aqui a muitos anos para concientizar todos o uso da bicicleta, mais e mais ciclofaixas deveriam existir cortando a cidade por todos os lados, assim teriamos mais segurança e nosso próprios caminhos, mas como bicicleta não paga IPVA, não gasta gazolina, não passa no CONTROLAR somos tratados assim , largados ao vento!
    Eu hoje em dia quando saio de casa para ir a algum lugar, vejo o Google Map, traço uma rota segura e tranquila e vou embora.
    Muitos veem a bicicleta como coisa de moleque, ou uma modinha passageira, mas para nós que gostamos mesmo de pedalar e usamos a bicicleta seja como esporte ou locomoção diaria, sabemos o quanto estas questões são importantes, quem sabe um dia todo este quadro mude…quem sabe!

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    • Cristiane

      Valdemir, eu tenho um sonho, se é que dá para se chamar assim, de que os motoristas que fossem surpreendidos desrespeitando o ciclista fossem obrigados a participar de um passeio de bicicleta na cidade para sentirem na pele o que eles estão causando. Acho que a experiência valeria mais que uma multa.

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  • Rosana

    Imagino até que haverá alguma manifestação pelo Lauro Neri, que foi atropelado nessa Eliseu de Almeida (que não conheço, sou de Brasília)… Porém infelizmente não se podem homenagear todos, todos os anos, os Antonios, Lauros, Julies, Marcias, Pedros,… Mas é importante manter a cabeça erguida e seguir pedalando em frente, a causa é justa e nobre e os que se foram, anônimos ou conhecidos, de todos os lugares, merecem esse nosso tributo diário.

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  • Vamos protestar. Centenas ou milhares de vezes, se for preciso. A lógica vai prevalescer, quem viver verá.

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  • Nelson Oliveira

    O que tenho à dizer sobre tudo isso se resume em uma única palavra: TRISTEZA. Dificilmente lemos algum comentário aqui, que seja em prol dos ciclistas. Praticamente 100%, sofreram ou sofrem algum tipo de ameaça ou presenciaram. Como todos, já passei por isso. Já tomei “finas educativas”, buzinaço, xingamentos e minha reação foi e é a seguinte: “Vá com Deus amigo e ande com cuidado. Assim como você, eu também tenho uma família me esperando em casa”. Pode não ser 100% eficaz, mas na maioria das vezes, deixa o motorista totalmente sem reação e pasmem, já recebi até pedidos de desculpas. Lógico que não é sempre, pois pessoas mal educadas existem aos montes e é algo que não vislumbro melhoras à curto prazo. Briga entre motoristas, entre os motoboys que se dizem uma classe unida, entre pedestres e até entre ciclistas sempre haverá. O jeito é tentar seguir, mesmo com todoas as adversidades pois quanto mais nos trancarmos, menos espaços teremos. Não é possível, que algum dia essa situação não mude. Peço à todos os meus amig@s ciclistas que não desistam, mas por favor andem com cuidado e tenham calma. Como disse meu amigo JP e colocou até em panfleto: “Esse é o segredo que pode mudar o mundo”

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    • Paulo K V Fernandes

      Essa é exatemente a tática que eu uso, Nelson. Ainda penso em andar com flores nas mãos pra distribuir pros motoristas quando isso acontece. Abraços!

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  • Wolf

    Infelizmente presenciei uma tentativa de homícidio hoje na avenida 9 de julho. Um carro após desrespeitar a lei do 1,5m e ser orientado pelo ciclista lesado simplesmente avançou com o carro para cima do ciclista, mostrando que ele, protegido por 1 tonelada de aço, era mais forte e portanto merecia fazer o que julgava melhor. Acaba-se a fé na humanidade…

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    • Wolf, na próxima vez que ver uma cena dessas, vá com o ciclista a uma delegacia e faça um boletim de ocorrência, para que essa pessoa aprenda que atitudes como essa são criminosas e não podem ficar impunes. Acontecem com certa frequência, mas sem testemunhas não dá para fazer muita coisa.

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  • marcos appa

    Joaquim te entendo, tb atravesso a Eliseu de Almeida ou a Corifeu de Azevedo Marques todo sia para o trabalho e nao sei qual caminho é pior, onibus passando colado e buzinando carros com motorista me mandando sair da rua e andar na calçada, caminhoes jogando a gente pra fora da rua, alem de FDp´sai da rua, pobre fdp, alem de outros varios elogios, nao acho que exista soluçao a curto e medio prazo, quem sabe para nossos filhos….e uma pena, me sinto uma formiga com um monte de bota querendo me amassar todo dia.

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  • Valdemir

    Estava indo para a Ciclovia perto de casa em uma avenida não tão movimentada , ia eu próximo a calçada, bem no cantinho para não atrapalhar ninguém um filho de um jegue para não falar outra coisa do nada, a um milhão por hora, tirou uma fina de mim para entrar em uma rua láááá na frente, o cara estava tão acima da velocidade ali permitida que minha bike tremeu com o vento, se me pega, eu não estaria aqui para escrever isto, o ser humano é um bicho ignorante mesmo que só olha para o próprio umbigo,eu quando estou dirigindo faço questão de passar até mais de 1,5 mt de um ciclista, mas tem gente que parece que tira estas finas de propósito, para se aparecer, no minimo devem ser uns baita de uns frustrados na vida.
    Outra coisa porque alguns imbecis gritam para gente ir andar na ciclovia, quando estamos justamente indo ou vindo de uma, será que eles acham que a ciclovia sai da porta de cada ciclista, ou a gente vai levitando a bike até lá, não tem jeito motorista BURRO é motorista BURRO mesmo, por isto temos que cobrar mais ciclovias seguras e eu mantenho a seguinte filosofia enquanto a lei e as ruas não nos protegerem, TRANSITO INTENSO, CALÇADA! ANTES EU EM CIMA DA CALÇADA DO QUE DEBAIXO DE UM CARRO ! Eu sei que eu não deveria pensar assim, mas infelizmente casos como da ciclista aqui homenageada são frequentes, por conta de um transito caótico, mal educado e IMPUNE !

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  • Rodrigo

    Eu parei de pedalar para meu trabalho depois de um motorista tentar me assustar e com isso quase me matar na av consolação em sp, acredito que quem continua apesar dos riscos são verdadeiros heróis em busca de sua própria liberdade e de uma mudança de atitude na cidade.

    Vou estar no ato sábado, exatamente para tentar fazer alguma coisa para que essa mudança aconteça.

    Abraços e parabéns

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  • Cristiane

    Esse tipo de tragédia me desanima muito ao pensar em pedalar nas atividades diárias. Eu não tenho coragem de sair nas ruas durante a semana, quando o trânsito é muito intenso, pois não tenho experiência suficiente. Saio somente aos finais de semana, somente em São Caetano do Sul, onde moro e, mesmo assim, procuro desviar por ruas de pouco movimento, onde não passam ônibus. E ainda paro na calçada para deixar os carros passarem se tiver alguém atrás de mim. Como a região é de serra, isso significa que eu pego muita subida, pois apenas as avenidas da cidade tem um trajeto plano. Um dia, era domingo, sai de bicicleta e estava um pouco cansada e resolvi vir pelas avenidas. Eram apenas 2 km e não tinha quase ninguém na rua. De cara um motorista buzinou e gritou comigo dizendo para eu ir para a ciclovia (que de fato existe, porém já havia terminado uns 2 quarteirões atrás). Eu estava na faixa da direita e ele na esquerda, ou seja, minha presença ali não o incomodaria em nada. Na próxima avenida, ainda na direita, atenta pois se viesse algum ônibus eu pararia na calçada, um carro fez questão de vir atrás de mim e buzinar, mesmo com as 4 pistas completamente livres. Difícil entender o que se passa na cabeça das pessoas.

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