Ciclovia Rio Pinheiros é interditada por tempo indeterminado

Foto: Roberta Godinho

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Ciclovia Rio Pinheiros, uma ciclovia de lazer

Quem tenta usar a Ciclovia Rio Pinheiros encontra, desde a quarta-feira 19 de junho, uma placa com a seguinte informação: “ciclovia fechada devido às manifestações e depredações”.

Segundo a CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), durante as manifestações de terça-feira 18 de junho a estrutura física da ciclovia foi depredada. Equipamentos como grades de proteção, placas de sinalização e lixeiras foram arrancados e quebrados. Objetos foram jogados na via e no rio Pinheiros. Os banheiros dos pontos de apoio das estações Santo Amaro, Vila Olímpia e Cidade Jardim também foram atingidos.

O ciclista Cristiano Ferri, que estava voltando do trabalho nesse dia, relata o ocorrido:

abre aspasO trem foi paralisado entre as estações Berrini e Morumbi e, pelo que ouvi, houve depredação do trem. Foi quando a CPTM decidiu interromper o serviço da linha inteira. O problema é que não avisavam os usuários na roleta (entrada) e cada vez mais a plataforma foi ficando cheia, até uma hora que um grupo veio andando pelo próprio trilho do trem dizendo que a Linha não iria mais funcionar.

Muitos usuários começaram a pular no trilho e ir até a ciclovia. Até os policiais do próprio trem orientavam os usuários a irem a pé. A multidão começou a caminhar pela ciclovia, inclusive eu. Havia grupos que destruíam tudo e colocavam fogo em madeiras no próprio trilho. Andavam e iam destruindo o que tinha no caminho. O mais curioso é que eu não ouvia ninguém dizendo algo contra a destruição, tamanha a revolta pelo desserviço da CPTM ao longo de muitos anos.fecha aspas

Além da ciclovia, 14 trens e as estações Morumbi, Berrini, Vila Olimpia e Villa-Lobos-Jaguaré foram depredadas na linha 9 – Esmeralda. Segundo a CPTM, o prejuízo foi de R$ 720 mil, sendo R$ 300 mil decorrentes de avarias nos trens e o restante em sistemas de sinalização e equipamentos, como som e bloqueios (catracas).

Ainda segundo a Companhia, a ciclovia é utilizada semanalmente por 10 mil ciclistas. As equipes de manutenção trabalham para restabelecer o funcionamento normal da ciclovia, mas ainda não há data prevista para a reativação. Avisaremos aqui no Vá de Bike assim que houver alguma novidade.

Foto: Roberta Godinho

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21 comentários para Ciclovia Rio Pinheiros é interditada por tempo indeterminado

  • otavio

    Na verdade a CPTM acha que ciclistas são bebes sem coordenação, vai que um se joga no rio pq tá sem grade né? Me lembra o mesmo estilo do center norte que proíbe ciclistas de circularem no estacionamento por “segurança”, e não são os únicos a criarem regras inúteis tratando ciclistas como retardados sem coordenação. Não preciso de grade, lixeira e banheiro pra me locomover de bicicleta, se esses são os únicos danos não há necessidade alguma de bloqueio.

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  • Fred

    Acho também muito estranho não haver divulgação exata do que foi depredado ou muitas fotos do ocorrido circulando pela internet. É conveniente que a ciclovia fique fechada para piorar a aprovação da opinião pública sobre as manifestações em SP. De fato, é ridículo que os usuários (ciclistas) sejam punidos indiretamente pelas atitudes imaturas de outro grupo, frustrado que (eventualmente, se é que de fato ocorreu) depredou qualquer coisa para descontar sua raiva (compreensível e genuína) no transporte público absolutamente falido em SP (diga-se de passagem, a própria razão central dos protestos). Agora, fato é que se fosse uma via para tráfego de automóveis (digamos, a vizinha marginal do Rio Pinheiros) ela não teria ficado interditada por conta de placas, lixeiras ou grade de proteção nem por alguns segundos. Parece óbvio que uma via necessária para a fluidez do trânsito em uma cidade grande (como a ciclovia de fato vem se tornando) não pode ficar fechada por conta de problemas menores (a não ser que tenham depredado a pista em si – mais uma vez, se houver evidência fotográfica disso, gostaria muito de ver). Comenta-se que os usuários revoltados pelo fechamento são atletas que querem treinar lá, mas esquece-se do grande número de trabalhadores que pedalam diariamente lá fugindo exatamente do transporte público falido de SP ou evitando entupir ainda mais a cidade com seu carro. Pior que a reação da CPTM é perceber a crônica e persistente falta de informação da opinião pública sobre a vantagem que seria para uma metrópole como SP a utilização mais disseminada de outros meios de locomoção que não os carros. Uma bicicleta a mais circulando em SP (seja ela na ciclovia ou na rua) pode ser um carro a menos ocupando 6 metros quadrados, estacionado na sua frente em um congestionamento mostro, ocupado na média por um único usuário, emitindo poluentes mesmo sem se movimentar). Mesmo para os apaixonados por carros, ou apenas os que acham que são dependentes deles para sobreviver e se deslocar em SP, imaginem que a cidade seria muito melhor e vocês teriam mais espaço para poder ter o estranho prazer que sentem sentados nos seus carros, se a cidade contasse com uma ampla rede de ciclovias e com transporte público de qualidade. Dessa forma, apenas os que gostam de fato de dirigir o fariam, e todos os outros que (supostamente) o fazem apenas porque precisam parariam naquele instante. Sobraria muito mais leito urbano para quem quer transitar de carro (que certamente não é o caso dos usuários diários da ciclovia, que não depredaram nada e foram punidos por tentar colaborar para a redução de trânsito, poluição e custo de transporte em uma cidade grande e complicada como essa.

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  • ohlif

    Os trens não deixaram de funcionar como estão fazendo com a ciclovia, engraçado, o trem custa e ganham nas costas do povo, já a ciclovia é “grátis” e portanto não há necessidade de abri-la tão cedo. Parabéns primeiro aos vândalos e depois à nossa CPTM que objetiva apenas ganhar muito com poucos investimentos e claro sem nenhum prejuízo.

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  • Palmer

    Não vou entrar no debate da destruição ser direito ou vandalismo (no meu ponto de vista a segunda, claramente), mas vendo as fotos e texto achei interessante ver no site da CPTM a referência a “área de lazer”… E como fica quem vai trabalhar pela ciclovia? Encara a marginal?
    No mínimo patético.

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  • Fabio

    Bem que podiam aproveitar esse período para reformar o piso da ciclovia, que está vergonhoso. Se bem que, pensando bem, se formos esperar fazerem isso, ficaria fechada por pelo menos um ano.

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  • Renato

    É a triste constatação de que ainda somos um povo de caráter rudimentar, porque não se tratava de manifestantes, e sim de trabalhadores retornando para casa.

    O que leva um cidadão a depredar com selvageria uma ciclovia, por conta da paralisação de um serviço de transporte, cujo motivo foi de força maior (manifestação)? Revolta? Limite? Eu não acredito nisso, a motivação é algo mais íntimo e torpe, a tendencia ao mal, a preponderância do ruim, um prazer inconfesso por destruir.

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    • Carlos

      Subdesenvolvido ? Como algumas charges internacionais nos mostraram.

      Bem, o resultado da consulta no site da CPTM:

      Nº da Manifestação: 2013/022784

      Informamos que a CPTM trabalha para reabrir a ciclovia no tempo mais breve possível. Para maiores informações e fotos do vandalismo, sugerimos acessar o link: http://www.cptm.sp.gov.br/E_NOTICIAS/WebNoticias/one_news.asp?IDNews=9142

      Atenciosamente, ”

      E no link:
      http://www.cptm.sp.gov.br/E_NOTICIAS/WebNoticias/one_news.asp?IDNews=9142

      E veja as fotos e o seguinte parágrafo:
      “Além da ciclovia, na mesma data, 14 trens e as estações Morumbi, Berrini, Vila Olímpia e Vila Lobos-Jaguaré na Linha 9 foram depredadas. O prejuízo foi de R$ 720 mil: R$ 300 mil decorrentes de avarias nos trens e R$ 420 mil em sistemas de sinalização e equipamentos, como som e bloqueios [catracas].”

      É pena, mas é essa realidade. Não adianta ignorá-la. Temos que lidar com isto. E parte da solução deste problema está conosco, e precisamos ser ativos, atuantes e comprometidos com o bem estar comunitário.

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  • Fabio

    Eu e três amigos que fazemos o percurso regularmente, neste dia entramos na ciclovia as 18h15min e fomos avisados da presença de pedestres na via, com calma fizemos o percurso da Vila Olímpia até Interlagos sem problemas, curiosamente não testemunhei nenhum ato de vandalismo.
    Deste então a ciclovia permanece fechada com a alegação de “vandalismo”, com quem conversei e frequenta neste mesmo horário também não presenciou nenhuma depredação.
    Acho isso tudo muito estranho!!!
    Sem a ciclovia sou mais um lutando por um espaço, dentro de meu carro.

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  • Raphael

    Caros, eu acho que infelizmente a CPTM fez por merecer. Sou usuário dessa linha há dez anos e da ciclovia há 2. Essa, e ela está cada dia mais cretina. Acho que não teve nada a ver com protestos, é que tá todo mundo de saco realmente cheio da qualidade do serviço prestado. Quem anda de trem todo dia e vê o que acontece sabe o que estou dizendo. Culpa da incompetência dos funcionários que não têm nenhum treinamento para situações como essa. Daqui a pouco nem de trem nem de bike. E tome imposto…

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    • Carlos

      Raphael, não, a CPTM não fez por merecer. Em última análise, nós merecemos esta situação, por sermos muito bonzinhos com a situação, ou, na minha opinião, omissos. Quantos de nós usamos o contato fornecido pela própria CPTM ? ( http://www.cptm.sp.gov.br/e_atendimento/default.asp ). Garanto que muitos não. E, para melhorar os serviços da CPTM teremos que usar mais esta canal, é o feedback que a CPTM precisa para orientar suas operações e investimentos. CPTM não tem bola de cristal. E ficamos sob a boa vontade de políticos como governador de estado, prefeitos e administradores da CPTM para ganharem dividendos políticos. Quando formos mais participativos e atuantes, aí sim CPTM fez por merecer, quando não der ouvidos e ignorar as solicitações.

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    • Luis

      Raphael,

      Uma coisa é a reclamação ser justa, outra é destruir um patrimônio que, bom ou ruim, foi pago com o nosso dinheiro e agora será consertado com o nosso dinheiro.

      Num contexto em que falta infraestrutura, destruir a existente é bem estúpido. É preferível fiscalizar a má gestão pública e cobrar punição a quem joga dinheiro fora.

      Abs

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  • Valdemir

    Me desculpem o trocadilho mas…NÃO TEM DESCULPAS! Olha fazer manifestação, exigir os direitos é um direito universal de todo e qualquer cidadão, desde que seja feito em ordem, é ORDEM aquela palavrinha que está estampada na nossa bandeira, deveria estar estampado também EDUCAÇÃO coisa que falta para muitos, educação de civilidade, humanidade, respeito com os outros e com as coisas dos outros.
    O serviço da CPTM é uma droga, o pessoal deveria era ir reclamar com a CPTM e não sair depredando a ciclovia que não tem absolutamente nada a ver com os trens, conclusão por causa de um punhado de debilóides, mais uma vez os ciclistas que já não tem muitas ciclovias para circular pagam o pato, Agora eu pergunto é justo isto???

    Pior é que tem gente que ainda acha que este tipo de atitude e de pessoas são corretos! Vamos ver agora como e quando vão abrir a ciclovia e como será a manutenção!

    Lamentável!

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    • Carlos

      O serviço da CPTM é assim porque é o resultado de nossas ações no passado, que praticamente ficamos apáticos, omissos e pouco dávamos de feedback sobre o serviço da CPTM. Reclamamos para os nossos colegas e outras pessoas, mas nada de usar efetivamente o SAC da CPTM, usar os telefones do site, etc …
      Para a CPTM dar o serviço que precisamos, e a orientação que precisamos, é preciso que saibam o que queremos. Por mais que se ouça pela mídia, que é totalmente manipulada por grupos não interessados pela melhoria dos serviços, mas pela repercussão das notícias. Não são dados que a CPTM possa usar para implementar melhores serviços. Tem o CPTM denúncia via SMS que garanto que pouca gente usa. É preciso dar feedback para CPTM, decentemente, para que ela possa nos ajudar a ter melhores serviços. Se tivéssemos agido desta maneira, o serviços da CPTM não seriam assim, seriam melhores e não haveria ocorrências deste tipo. Nós temos que ajudar a CPTM a nos ajudar. E essa ajuda vem em forma de feedback, vias canais apropriados. E não adiantra um ou outro fazer, porque as coisas que move a administração pública é por quantidade e prioridade, aquelas que tem maior reclamação ou solicitação é que serão a que serão implementadas primeiro. Se poucos fazem, então vai na lógica inversa da Massa Crítica, não é preciso, porque poucas pessoas reclamam e solicitam. Portanto, dêem feedback, deixem de ser acomodados, e movamos os dedos e os pés para falar o que pensamos dos serviços da CPTM.

      Por exemplo, já pedi um bicicletário na estação Presidente Altino, que é o final de duas vias cicláveis, segundo plano cicloviário da subprefeitura da Lapa, mas como ninguém pede, nunca será implementado, embora, vejo muitas pessoas andando de bicicleta na região que seriam beneficiados com este bicicletário.

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  • Patricia

    É uma pena que as pessoas destruam o patrimônio que é delas também. Agora, além das precárias linhas de trem , ficaremos sem a alternativa do transporte com bicicletas. Nossa população além de acordar, precisa amadurecer para encontrar maneiras eficazes de protestar e fazer valer os seu direitos.

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  • Ariatia Macedo

    Acho um absurdo!!!!
    Esses vândalos, destruindo tudo onde passam.

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  • Luis

    Espero que pelo menos tenham pisado em muito cocô de capivara antes de chegarem em suas casas…

    Se eu pensasse como eles, agora teria o mesmo direito de ir na rua dessas pessoas e cortar os fios elétricos…

    Não tiro a razão da raiva dessas pessoas, mas precisamos amadurecer como sociedade na forma de reivindicar as coisas.

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    • Carlos

      Certamente cheiraram e aspiraram o que fizeram nos escritórios, casas e lojas e shoppings de água de esgoto não tratada no rio Pinheiros. Neste ponto foram punidos indiretamente.

      E, disse corretamente: imaturidade. Infelizmente, as pessoas que fazem isto ficarão impunes. E os que não fizeram, irão pagar pelo que fizeram. A começar por nós que usamos a ciclovia. Por isto, a punição tem que ser imediata. E aí que entra a polícia nas manifestações. Então, quando acontecer isto, tem que ter alguém para impedir os atos, seja policiais, manifestantes, ou cidadãos. E nesse caso em particular, os ciclistas tem que demonstrar exemplos de boa contuta no trânisto, e, se não puder evitar, também nas calçadas. E com colaboração, em ações locais, como consertos de iniciativa própria, ação sociais. A imagem dos ciclistas melhora, e com certeza haverão mais defensores do partrimônio público que são as ciclovias e ciclofaixas.

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      • Carlos

        Temos que valorizar os espaços públicos conquistados, através das nossas ações como manutenção e zelo. E temos que retribuir por mínimo que o o espaço público tem dado para nós para podermos ir e vir, através de ações sociais, seja no momento, sendo gentis com os pedestres e com o poder público, como a longo prazo, através de engajamento social. Colaboração, não significa que os outros trabalham, enquanto você usufrui o resultado do trabalho. Você tem que dar uma força, ser ativo nesta construção social pública. Vandalismo não é o caminho.
        No caso da CPTM, na linha 9 Esmeralda, a grande maioria dos passageiros não é da região, vem da região Sul, que é um das regiões mais carentes que a linha serve. Por isto que a Ciclocidade, que é sediado na região de Pinheiros, elencou a região como a área que irão concentrar maior parte dos esforços de conscientização e ajuda.
        Nesta linha, em particular, na hora do pico, se você estiver no trem, e tiver que descer na Estação Pinheiros, terá que ser bruto, pois dificilmente irá obter passagem para sair. Só por esse fato, entenderá porque houve o acontecido. A estação é lotado, e com toda essa gente, quando há um ato de vandalismo, prevalece a lógica de manada, de estouro, para parar isto precisa de ação mais intimidante.
        Dia-a-dia com esta estação cheia é um barril de pólvora prestes a explodir, é só preciso uma pequena faísca.

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  • Vinicius Rodrigues

    Detalhe que não tinha nada a ver com as manifestações essa galera. Estavam só tentando ir pra casa, mas essa linha infernal parou totalmente. Os trens estavam abarrotados e as plataformas lotadas.

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  • Fábio

    Se fosse uma via de automóveis, não ficaria interditada para uso nem por duas horas.

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