Atletas de ciclismo ganham espaço exclusivo para treino em Santos-SP

Mapa ATCC pista de treino Santos

Mapa indica trecho onde funciona a pista de treino na avenida da praia. Imagem: CET/Santos

A cidade de Santos (SP) conta agora com um espaço exclusivo para o treinamento de atletas de ciclismo de competição na orla da praia. A Área de Treinamento de Ciclismo de Competição (ATCC) possui aproximadamente 1,6 km (800 metros em cada sentido). De acordo com a prefeitura de Santos, a ATCC foi criada para dar mais segurança aos atletas e foi inspirada em modelo carioca.

Instalada na faixa da esquerda da avenida Almirante Saldanha da Gama (avenida da praia), entre as ruas Carlos de Campos e Capitão João Salermo, a ATCC é separada do tráfego de outros veículos por cones, semelhante às ciclofaixas de lazer de São Paulo. A circulação dos automóveis não é interrompida.

Atletas de diferentes modalidades de ciclismo terão o espaço disponível entre 4h e 6h, às terças e quintas (exceto feriados e véspera). Porém, é necessário portar o adesivo com logo do projeto, adquirido após se registrar na Secretaria de Esportes (Praça José Rebouças s/ nº) ou pelo e-mailatcc@santos.sp.gov.br.

ATCC Santos pista de treino

Avenida já era utilizada para treino de ciclistas antes mesmo da implantação da infraestrutura. Foto: Ronaldo Andrade/Prefeitura de Santos

Oficializando o uso do espaço

“O espaço já era utilizado pelos ciclistas sem a interdição e só foi regulamentado para garantir a segurança dos ciclistas”, explica o coordenador de Planejamento e Projetos da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) de Santos, Fernando Garcia. “Santos já tem a bicicleta bem presente no cotidiano das pessoas, muitos ciclistas utilizam a pista para aquecimento e depois, dada a proximidade, terminam o treino na Rio-Santos.”

Esse é o caso do atleta amador de speed, MTB e triathlon, Ulisses Lins, que utiliza o espaço desde a inauguração. “O espaço é excelente. Uso para aquecer e depois vou para a Rio-Santos”, diz. Para ele, se o horário fosse maior, mais pessoas utilizariam o local.

O proprietário da Bike Shop Santos, Luiz Claro Junior, elogia a iniciativa por dar uma opção mais segura para quem quiser treinar e torce para que a demanda faça com que a prefeitura estenda o horário de funcionamento da ATCC. “O horário não ajuda, mas depois que põe o capacete acaba o sono.”

Garcia, da CET, ressalta que por questões de segurança o horário não poderá ser aumentado por enquanto. “A preocupação maior é com pedestres, dada a velocidade das bikes. A CET não definiu sozinha, fizemos reuniões com representantes dos ciclistas, Secretaria Municipal de Esportes e demais órgãos da prefeitura de Santos.”

O maior problema enfrentado por quem treina na Baixada Santista são roubos à mão armada. “Nós deixamos de treinar na Ilha Porchat, em São Vicente, por causa de assaltos”, relata o atleta amador de MTB Luciano Mabilde, que não usa a estrutura para treinamento, pois treina à noite na rodovia Rio-Santos. A rodovia Padre Manuel da Nóbrega também foi deixada de lado por causa dos assaltos frequentes.

Segundo a prefeitura de Santos, na ATCC sempre haverá um profissional da Secretaria de Esportes (Semes) e um da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), com apoio da Guarda Municipal e da Polícia Militar.

Devido à demanda, atletas sugerem que a CET amplie horário de uso da pista de treino, que vai de 4 às 6. Foto: Ronaldo Andrade/Prefeitura de Santos

Devido à demanda, atletas sugerem que a CET amplie horário de uso da pista de treino, que vai de 4 às 6h. Foto: Ronaldo Andrade/Prefeitura de Santos

Mar de bikes

A bicicleta em Santos é, talvez, o modal mais usado na cidade, e todas as manhãs as ciclovias ficam lotadas de trabalhadores. Balsas apinhadas de ciclistas trafegam entre Guarujá-Santos e mostram o poder da magrela nos deslocamentos urbanos.

Apesar disso, segundo o diretor do Pedal Noturno Santos, Rafael Rizzato Santos, “por anos e até nos dias de hoje a bicicleta é discriminada, sendo tido como ‘menos favorecido’ quem a utiliza como um modal diário”. O cenário começa a dar sinais de mudança com a bike se tornando o assunto da moda. Houve o surgimento de vários grupos, que levaram outras pessoas a redescobrir a magrela.

A malha cicloviária da cidade possui 32 km e foi desenvolvida para levar as pessoas a grandes centros comerciais ou de interesse cultural, mas ainda pode ser melhorada para os usuários. “Infelizmente, as ciclovias apresentam algumas falhas por não consultar pessoal que usa a bike”, completa Santos.

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