Capixabas simulam obras de ciclovia para pressionar o poder público (com vídeo)

Ciclistas utilizaram equipamentos de segurança e criaram placa "semi-oficial" indicando obras na pista. Foto: Reprodução

Ciclistas utilizaram equipamentos de segurança e criaram placa “semi-oficial” indicando obras na pista. Foto: Reprodução

Como comemorar o Dia do Ciclista? Num cenário triste, em que o poder público não acordou ainda para a importância de integrar com segurança a bicicleta aos outros modais de transporte, os membros do coletivo Ciclistas Urbanos Capixabas (CUC) decidiram adotar o bom humor: no dia 19 de agosto, “encenaram” as obras de uma ciclovia em uma avenida crítica de Vitória, no Espírito Santo. “Anunciamos a construção e a imprensa caiu na pegadinha. Ligaram para a prefeitura e depois ligaram para nós. A imagem teve mais de 300 compartilhamentos no Facebook”, diz Rafael Darrouy, membro do CUC.

A ciclovia em questão é uma demanda antiga dos ciclistas de Vitória. “É a única opção plana para atravessar a cidade. É uma via rápida, de 60 km/hora, numa região de Vitória que é passagem obrigatória para outras cidades”, diz Rafael. Uma ciclovia ali impactaria diretamente a segurança e qualidade de vida de trabalhadores das regiões de Cariacica e Vila Velha, que usam o trajeto para ir de casa ao trabalho.

Durante audiência, ciclistas pressionam com cartaz por construção de ciclovia. Ao centro, o secretário de Estado dos Transportes e Obras Públicas, Fábio Damasceno. Foto: Rafael Darrouy

Luta por ciclovias é histórica em Vitória: durante audiência esse ano, ciclistas pressionaram por construção de estrutura cicloviária. Ao centro, o secretário de Estado dos Transportes e Obras Públicas, Fábio Damasceno. Foto: Rafael Darrouy

O coletivo de ciclistas fez uma simulação da obra com um cartaz anunciando a ciclovia das docas, utilizando uniformes de construção civil, cones e equipamentos de segurança, às 5h30 da manhã. “Queríamos pegar uma placa oficial e fazer uma cópia exata, mas a gente achou que poderia receber um processo. No fim fizemos sem referência direta à prefeitura”, diz o ciclista. As fotos foram um sucesso imediato nas redes sociais, com elogios à iniciativa. “Quando as pessoas descobriram que foi uma intervenção urbana, só uma achou a piada ruim, as demais continuaram apoiando. Os holofotes todos se voltaram para a ação por pelo menos dois dias. Foi super válido, fantástico.”

Pelo receio de consequências jurídicas e de perder o apoio para a causa, a brincadeira parou quando a imprensa tentou confirmar a veracidade da obra com o grupo. “A gente podia mentir para a imprensa ou jogar limpo e tentar fazer eles noticiarem do mesmo jeito. Saiu em vários jornais, com nossa foto”, diz Rafael. Para ele, hoje Vitória enfrenta o mesmo problema de muitas cidades que começam um esforço de integrar a bike ao tráfego. “Já tem cerca de 29 quilômetros de  ciclovia. Nas vias novas tem pedaços de ciclovia picotados, mas falta a interligação. Elas acabam de frente para um muro ou numa rodovia de 80 km por hora.”

A integrante do CUC Detinha Son ressalta a importância da estrutura na região das docas. “São cinco grandes galpões no porto, no centro da cidade. A prefeitura fez uma medição em 2008 e tinha cerca de 1500 viagens por dia. Na ciclovia das docas, até pouco tempo, morria um trabalhador a cada seis meses”, diz a cicloativista. Foram feitos 800 metros de ciclovia em um trecho perigoso, mas há outro de 1,5 km sem nenhuma proteção. Ela também acredita que a ação surtiu o efeito desejado. “A gente queria que a prefeitura se posicionasse: disseram que em meados de novembro sai o projeto.”

Assista abaixo ao vídeo da intervenção:

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