Advogado de 81 anos propõe manifestação com 100 mil ciclistas em São Paulo

O advogado Roberto Arruda, que está organizando a pedalada. Foto: Rachel Schein

Roberto Arruda tenta mobilizar os ciclistas mais jovens a lutarem pelos seus direitos. Foto: Rachel Schein

Será que temos 100 mil ciclistas para encher a avenida Paulista?

Para Roberto Arruda, advogado que escreveu o texto “Ciclovias em prol da vida” (leia abaixo), isso não é utópico, já que a estimativa do número de ciclistas na cidade seria de 500 mil. “Se você pensar, seriam 20%”, diz Arruda. O simpático senhor de 81 anos costuma distribuir seu texto a ciclistas que passam pelas ciclovias e pela Ciclofaixa de Lazer, com o objetivo de mobilizá-los.

Ele conta que “se divorciou” da bicicleta em 1990, depois de sair de Araras, no interior de São Paulo, e ir viver na capital. “Aqui não tive coragem de pedalar entre os carros. Acho uma aventura.” Mesmo sem condições para usar a bicicleta, o advogado, que também pratica corrida, caminhada e natação, apoia o projeto das ciclovias. “Para ser favorável a uma medida tão cheia de aspectos positivos como é o caso do transporte por bicicletas, não precisa ser necessariamente militante do ciclismo, é uma questão de bom senso”, defende Arruda.

Ele critica a contradição entre as políticas públicas de mobilidade dos governos federal, estadual e municipal. “Enquanto o governo federal estimula intensamente a venda de carros, o estadual também lucra com a arrecadação. A parte perdedora do ponto de vista da mobilidade é o município, então é complicado.”

Redução de tributos

A isenção de tributos sobre a bicicleta é uma luta antiga dos ciclistas. Durante a campanha eleitoral de 2014, a União dos Ciclistas do Brasil (UCB) escreveu uma carta-compromisso  para os candidatos à presidência. Um dos itens era a redução de impostos. A carta foi assinada por Eduardo Jorge (PV), Marina Silva (PSB) e Luciana Genro ( PSOL). A então candidata e presidente Dilma Roussef (PT) assinou com algumas restrições.

Durante a pedalada do Dia Mundial sem Carro (DMSC) daquele ano, em 22 de setembro, o prefeito Fernando Haddad (PT) comentou sobre a importância de pedir aos candidatos à presidência e ao governo do Estado a redução de tributos para bicicletas.

A importância da mobilização

Roberto Arruda indigna-se com uma matéria que leu sobre a chegada de montadoras no Brasil e que pretendem se estabelecer no interior de vários estados do país. “Eu acho isso uma tragédia. Parece que estamos na contramão do que está sendo feito no mundo”, diz o advogado, referindo-se à restrição dos automóveis nas cidades europeias.

Arruda aproveita para mandar um recado aos ciclistas e convidá-los para a Pedalada dos 100 mil: ”conscientizem-se: sem mobilização não há nada substancial no sentido de alternativa a esse descalabro que é o ‘monotransporte’. Isso é de uma irracionalidade total.”

Assista abaixo à entrevista completa.

Ciclovias em prol da vida

Para nossa infelicidade, a desastrosa opção de JUSCELINO KUBITSCHEK pelo AUTOMÓVEL, prosseguiu e continua no atual GOVERNO FEDERAL, grande estimulador do TRANSPORTE INDIVIDUAL MOTORIZADO. Em decorrência disto, numa sequência histórica e RADIANTES de ALEGRIA, as MONTADORAS MULTINACIONAIS vão se instalando no ”PARAÍSO BRASILEIRO”. Aqui, por conta de uma intensa, permanente e fantasiosa PUBLICIDADE, a PRODUÇÃO dos CARROS tem como resposta um ENCANTADO e DESMEDIDO CONSUMISMO. E num TREMENDO ATRASO, continuamos a viver na CULTURA do AUTOMÓVEL. A fútil exaltação do CARRO como símbolo de “STATUS” comprova esta realidade. Conseguintemente, a imensidão do irracional MONOTRANSPORTE pelos AUTOMÓVEIS penaliza o transporte coletivo e produz os MONSTRUOSOS CONGESTIONAMENTOS. Os EFEITOS DELETÉRIOS da enorme POLUIÇÃO que também produz, estão encurtando nossas VIDAS. Eis o quadro de CONDENAÇÃO das GRANDES CIDADES brasileiras. SÃO PAULO, particularmente, em consequência da ESTUPIDEZ sempre crescente de seu TRÂNSITO, é uma cidade que se aproxima a passos largos de uma CATASTRÓFICA IMOBILIDADE. Afinal, até quando vamos insistir nesse MODELO SUICIDA?

Em razão do exposto, penso que é chegada a hora de uma AMPLA MOBILIZAÇÃO da SOCIEDADE, a fim de que sejam construídas NUMEROSAS, EXTENSAS e PLANEJADAS CICLOVIAS no PAÍS. Com este intuito e utilizando os meios eletrônicos de comunicação, parece-me possível organizar e realizar – de forma séria e disciplinada – a colocação de 100.000 BICICLETAS na AVENIDA PAULISTA. A concretização deste ato seria um grande PASSO INICIAL, visando a uma EFETIVA MUDANÇA da situação CAÓTICA atual para uma CULTURA de MOBILIDADE HUMANA. Em legítima defesa, em prol de uma VIDA mais FELIZ.

São Paulo, 02 de dezembro de 2014
Roberto Aranha de Oliveira Arruda


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