Em Recife, contagem mostra mais de 3 mil ciclistas/dia em avenida sem ciclovia

Contagem na avenida Caxangá. Fonte: Ameciclo

Contagem na avenida Caxangá. Fonte: Ameciclo

A avenida Caxangá, que compõe o corredor leste-oeste do Recife, é uma das mais inóspitas para os ciclistas. Em cada sentido da via, há três faixas que se dividem entre carros, corredor exclusivo de BRT, ônibus comum, caminhões, motocicletas e bicicletas. A razão para sua hostilidade para quem pedala é simples: ela é uma via radial, que liga a zona oeste da cidade e municípios da região metropolitana ao centro do Recife, ao longo de cerca de 6km de extensão em linha reta. Além do tráfego intenso, a velocidade dos veículos motorizados costuma ser alta.

Quem se locomove de bicicleta e precisa acessar o centro não tem uma alternativa viável e segura por falta de planejamento e infraestrutura cicloviária adequada. No dia 9 de setembro, a Associação Metropolitana dos Ciclistas do Grande Recife (Ameciclo) realizou uma contagem de ciclistas na avenida Caxangá, entre 6h e 20h. Foram 3.067 passantes utilizando bicicletas, o terceiro maior número já registrado pela entidade desde o início desse trabalho, em 2013.

“Parece pouco, mas em uma cidade onde praticamente não existe estrutura cicloviária, é um número que chama a atenção. Na Caxangá, passa mais ciclista por dia do que na avenida Faria Lima, em São Paulo, onde tem ciclovia”, compara um dos representantes da Ameciclo, Cezar Martins. Segundo ele, o ciclista, quando escolhe seus trajetos, leva em consideração a segurança e o conforto da rota. Mas no caso na avenida Caxangá, a depender do destino, é o único caminho disponível.

A depender do destino,
a avenida Caxangá é o
único caminho disponível
Foto: Ameciclo

Foto: Ameciclo

As vias em paralelo ou que cortam a Caxangá também recebem grande número de bicicletas. Na rua da Lama, uma paralela, a estimativa da Ameciclo é de três mil ciclistas por dia, enquanto na avenida do Forte, onde foi realizada a contagem, esse número chegou a 3,5 mil. “Não podemos enxergar apenas a Caxangá. Se você considerar as vias do entorno, temos pelo menos uma média diária de nove mil ciclistas. Imagina quantas pessoas usariam a bicicleta se houvesse uma mínima estrutura?”, questiona Cezar.

O Plano Diretor Cicloviário (PDC) do Recife referencia essa via como uma das prioritárias na implantação de uma infraestrutura cicloviária. Dados da Companhia de Trânsito e Transporte Urbano (CTTU), utilizados na elaboração do PDC da cidade, indicam a avenida Caxangá como uma das principais com ocorrências de acidentes com ciclistas no Recife.

O próprio projeto do Corredor de BRT, ao longo dessa avenida, prevê a implantação de uma ciclovia. Segundo a contagem do último dia 9/9, 23,4% dos 3.067 ciclistas contabilizados estavam trafegando pela faixa exclusiva de BRT. “É um percentual muito alto, mas a faixa de BRT é convidativa e a aparentemente mais segura. O próprio Manual do BRT reconhece que, se nenhuma benfeitoria for feita para os ciclistas, a probabilidade de usarem a via exclusiva é alta e bastante difícil de controlar”, observou Cezar.

O corredor leste-oeste de BRT, que deveria ter sido entregue antes da Copa do Mundo, em 2014, sequer ficou pronto e até agora o governo do Estado não trabalha com datas definidas para a conclusão das obras. Enquanto isso, a ciclovia para a avenida Caxangá segue sem previsão de implantação.

Principais resultados da contagem. Imagem: Ameciclo

Principais resultados da contagem. Imagem: Ameciclo


4 comentários para Em Recife, contagem mostra mais de 3 mil ciclistas/dia em avenida sem ciclovia

  • […] inóspita para o ciclista, a velocidade lá é de 60 km/h e é um local bem violento, mesmo assim passaram mais de 3.000 pessoas na contagem que a gente fez lá. Então mostra que as pessoas realmente precisam de infraestrutura para andar de bicicleta, afinal […]

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  • Cassio Carvalho

    Preciso ciclovia de av.Caxangá!

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  • Rosana

    3.000 ciclistas por dia em uma avenida sem estrutura nenhuma para ciclistas, numa cidade de clima quente. E agora, alguém vai dizer que as contagens são “mascaradas”?

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  • Edivan Cruz

    Nos dias 15 e 16 de setembro de 2015, o Grupo de Ciclismo Pedal Cidade Baixa realizou uma pesquisa intitulada “Mobilidade Sustentável na Cidade Baixa”no Caminho de Areia e em algumas escolas locais. Foi levantado o perfil da utilização nesta região, bem como, avaliação das necessidades de estacionamentos, infraestrutura e políticas públicas junto aos órgãos competentes. Confirma o resumo e compartilhe da nossa iniciativa.
    Se não se importar gostaria de lhe enviar por email.

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