Corpos pintados no asfalto da Av. Paulista questionam mortes de ciclistas e pedestres – #QuemMatou450?

Corpos desenhados no asfalto questionam mortes no trânsito. Foto: Fabio Miyata

Corpos desenhados no asfalto questionam mortes no trânsito. Foto: Fabio Miyata

Pessoas de bicicleta, a pé, de skate e de patins se reuniram em São Paulo, na noite da sexta-feira 28, para pedir que as ciclovias e os limites de velocidade sejam mantidos na cidade. A preocupação se deve às declarações feitas pelo prefeito eleito, João Doria Jr. (PSDB), que dão a entender que mais de metade das ciclovias da cidade pode vir a desaparecer em sua gestão, além das sinalizações sobre um possível aumento dos limites de velocidade nas marginais. Veja aqui as declarações mais recentes sobre ambos os assuntos, com fotos e vídeos.

Foto: Fabio Miyata

Foto: Fabio Miyata

Cerca de 500 manifestantes saíram da Praça do Ciclista e circularam pela Avenida Paulista, ocupando as quatro faixas mais a ciclovia, caminhando e pedalando até a esquina com a avenida Brigadeiro Luís Antônio. O clima era de festa, com duas bicicletas com música e gritos em coro que diziam “vai ter ciclovia e calçada”, “mais amor, menos motor” e outros motes.

De lá, retornaram à Praça, onde um grupo permaneceu confraternizando enquanto outro seguiu pela Rua da Consolação, em bicicletas, skates e patins, até a Praça Roosevelt, de onde subiram a Rua Augusta até retornar à Praça do Ciclista.

Apesar da impaciência de alguns motoristas e principalmente motociclistas, que com certa frequência tentavam passar em meio à massa de pessoas, não houve nenhum conflito ou ação agressiva durante o protesto. Uma viatura da PM e duas da CET surgiram ao longo do caminho, escoltando e protegendo os manifestantes, ajudando a evitar conflitos com quem estava motorizado.

A manifestação foi marcada pelo lema “Nem um cm a menos, nem um km/h a mais”, reivindicando que não haja retrocessos tanto na estrutura cicloviária implantada na cidade quanto na redução dos limites de velocidade no perímetro urbano.

Foto: Fabio Miyata

Foto: Fabio Miyata

Corpos no chão

Ao longo do trajeto, um grupo de ativistas desenhou corpos estendidos no chão em diversos pontos da Avenida Paulista e também nas imediações. Junto com as marcações, a hashtag #QuemMatou450?, em alusão ao número de pedestres e ciclistas mortos em 2015.

Embora as mortes no trânsito da capital paulista tenham diminuído e estejam abaixo da média nacional, o índice ainda é considerado muito alto. São Paulo registra 8,26 mortes a cada 100 mil habitantes por ano. A meta da Organização das Nações Unidas (ONU) é de que a cidade chegue a 6 até 2020.

“Em 2015, morreram 419 pedestres e 31 ciclistas. A pergunta: ‘#QuemMatou450?’ é justamente para problematizar a questão”, afirma Ana Carolina Nunes, participante do protesto. “Não queremos colocar a culpa em indivíduos, mas chamar a atenção para a gravidade do problema. Este número pode facilmente voltar a crescer com a volta das altas velocidades na cidade”, completa.

Os ativistas que assinam a intervenção, assim como os coletivos e entidades ligadas à mobilidade ativa, defendem a adoção da agenda de Visão Zero, premissa de que toda morte no trânsito é inaceitável e pode ser evitada. Ação semelhante foi realizada em 2015 em volta do edifício do Instituto Tomie Othake, no bairro de Pinheiros. Na ocasião, acontecia o Cidades a Pé, primeiro congresso internacional para debater exclusivamente a Mobilidade a Pé no Brasil.

Vídeo e fotos

Transmitimos a manifestação ao vivo (e pedalando!), em nossa página do Facebook. Até o fechamento dessa matéria, o vídeo principal já havia sido assistido por mais de 10 mil pessoas.

Assista abaixo (continuação aqui) e veja, nessa mesma página, nossa galeria de fotos. A galeria também está no Facebook, para que você possa marcar a si e a seus amigos.

Clique aqui para assistir o vídeo

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