Por que o ciclista deve ocupar a faixa

Mantendo a extrema direita, os carros forçam passagem e colocam o ciclista em risco. Ocupando um espaço maior na pista, o motorista é obrigado a aguardar o momento certo para ultrapassar com segurança – e ainda há espaço para fuga.

Pouco compreendida pelos motoristas e mesmo por muitos ciclistas, essa prática pode evitar muitos acidentes, mesmo com os motoristas mais apressados e irresponsáveis. Nosso instinto de sobrevivência nos faz pedalar mais à direita da via, para liberarmos espaço para os carros e evitar que eles nos pressionem, mas com isso acabamos obtendo o resultado exatamente oposto: liberamos espaço para que eles nos pressionem.

Ao pedalarmos muito à direita da via, quase dentro da sarjeta (e ás vezes até dentro dela), o espaço que sobra na pista não é suficiente para fazer uma ultrapassagem segura. Mas os motoristas não percebem isso, a impressão que lhes dá é que o espaço não é o ideal mas “dá pra passar”. É fato que pouquíssimos dão a distância de um metro e meio necessária para a ultrapassagem segura: muitos vão passar entre você e o carro do lado e entre esses vários vão passar muito rente a você, com o risco de esbarrar no seu guidão ou até de te derrubar só com o susto (sim, acontece!).

E o carro que forçar essa passagem geralmente vai dar mais distância do carro que está à esquerda do que de você à direita, por dois motivos principais:

  • Visão: ele tem visão melhor do que está do lado dele, por isso tem uma noção melhor de espaço e consegue evitar melhor uma proximidade com risco de colisão.
    .
  • Sensação de perigo: o carro do lado dele desperta alguma sensação de perigo, principalmente se for um carro grande, o que o influencia inconscientemente a manter uma distância maior. Já o ciclista não desperta essa sensação na maioria dos motoristas, por seu tamanho menor.

Se você ocupar uma porção razoável da pista, o motorista vai ter que colocar pelo menos duas rodas na pista do lado (ou contrária) para poder ultrapassar, o que significa que ele não vai tentar passar entre você e outro carro. Vai fazer uma ultrapassagem mais segura, porque não haverá veículo que limite seu desvio à esquerda e ele se afastará mais.

Margem de segurança

Além de forçar os carros a ultrapassarem com segurança, passando para outra pista, também dá espaço adicional para fugir de fechadas. Ilustro essa vantagem com um exemplo que para nós, ciclistas, infelizmente é corriqueiro: um ônibus te ultrapassa e, em vez de manter a linha reta, vai avançando para a direita conforme aquelas toneladas de metal passam do seu lado, jogando você para a calçada. Se você deixou essa margem de segurança à sua direita, consegue fazer um movimento acompanhando o do ônibus para fugir dele; se não deixou espaço, corre o sério risco de se estatelar na calçada, ser prensado em um carro estacionado ou, pior, cair debaixo das rodas do ônibus.

Com a bicicleta muito rente à margem direita da pista, não há espaço de fuga. Mantendo a linha do 1/3, você mantém espaço para fugir do homicida.

Há mais uma vantagem em andar ocupando melhor a pista. Em ruas onde há carros estacionados, se em vez de andar rente a eles você se afastar mais, terá uma distância suficiente para não levar portadas dos carros parados. Eu já levei uma portada e, acredite, não é nada agradável. E se não mantivesse essa distância, já teria levado várias outras.

A quantidade de pessoas que abre a porta sem olhar é assustadora. Muitos olham e procuram um veículo grande ou um farol potente e acabam abrindo a porta sem ver uma frágil bicicleta (um motivo para usar aquela lanterna branca piscando na frente da bicicleta quando sair à noite). O maior risco de bater numa porta abrindo não é nem a colisão e nem a queda: é cair no meio da pista e um carro passar em cima de você. O risco não é pequeno, pois se você bater a ponta do guidão na porta, ele vai virar bruscamente para a direita e você vai voar para a esquerda, por cima do guidão.

Além de não ser prensado contra os carros parados, você evita as portadas.

Andar na linha do 1/3 da faixa é a melhor solução, porque é menos antipático do que andar exatamente no meio da pista. No meio da pista vão pensar “olha que folgado, acha que a rua é dele”, já na linha do um terço vão pensar “pô, podia ir mais pra lá, né?” – ou seja, parece menos uma provocação. Andar bem no meio da pista infelizmente irrita os maus motoristas, que verão você como um folgado que está tirando o “direito” deles, não alguém em seu direito de ocupar a via, e alguns desses vão te fechar após a ultrapassagem. Andar na linha do 1/3 faz eles pensarem que você está desviando de alguma coisa, que não está mantendo uma linha reta, que não sabe pedalar direito, qualquer coisa, mas não que você está ofendendo o “direito exclusivo” do automóvel sobre as ruas (alguns até vão, tem gente de todo tipo, mas serão menos).

Experimente adotar essa técnica no seu próximo trajeto e você verá que alguns motoristas podem até se irritar, mas passarão mais longe de você. As “finas” serão bem menos frequentes e, quando ocorrerem, haverá espaço para fugir. Se alguém buzinar atrás de você, o que é bem menos comum do que você pode imaginar, faça um sinal pedindo para o motorista esperar e continue no seu espaço: ele vai desistir da espera e vai te ultrapassar, dando mais distância do que se tivesse forçado a passagem com você muito no canto. Seu risco será bem menor.

Mas seja simpático: quando estiver em uma rua onde há muitos carros estacionados e aparecer um respiro maior, sem nenhum veículo ou caçamba parados, vá para a direita e deixe os mais estressados te ultrapassarem. Depois mais adiante sinalize, tenha certeza de que nenhum carro se aproxima em alta velocidade, e retorne com cuidado.

Mas e a Lei?

O que o Código de Trânsito diz sobre essa prática? Estou infringindo alguma lei?

O CTB diz que devemos utilizar o “bordo”, definindo-o apenas como “margem da pista”, sem dizer até onde vai essa margem. Portanto, não estamos infringindo nenhuma lei de trânsito. É importante considerarmos como bordo o espaço suficiente para que tenhamos segurança na condução de nosso veículo.

Por se mostrar eficiente no aumento da segurança do ciclista, a técnica de ocupar a faixa, defendida pelo Vá de Bike desde 2006, chegou a ser recomendada pela Companhia de Engenharia de Tráfego de São Paulo (CET), em rede nacional de televisão, em 2011. A recomendação também faz parte da campanha Respeito Bicicleta, da Prefeitura de São Paulo – assista aos vídeos aqui.

Dicas para o ciclista urbano
1Como se manter seguro

2Pedalando para o trabalho (vídeo)

3Não pedale na contramão

4Ocupe a faixa

5Cuidado com as portas

6O que diz o Código de Trânsito

710 dicas para os dias de chuva

8E se a empresa não tem chuveiro?

97 truques para as subidas mais difíceis

107 cuidados para pedalar de madrugada

11Medo de pedalar nas ruas?
Chame um Bike Anjo!


112 comentários para Por que o ciclista deve ocupar a faixa

  • [...] ciclista deve ser assertivo, se impor na pista [e não ficar acuado no canto], gesticular e se comunicar com [...]

    Thumb up 0 Thumb down 0

  • [...] ciclista deve ser assertivo, se impor na pista [e não ficar acuado no canto], gesticular e se comunicar com [...]

    Thumb up 0 Thumb down 0

  • [...] ciclista deve ser assertivo, se impor na pista [e não ficar acuado no canto], gesticular e se comunicar com [...]

    Thumb up 0 Thumb down 0

  • Absurdo

    INTERPRETACOES CORRETAS DAS LEIS É O QUE TA FALTANDO NO BRASIL ! Infelizmente!!
    Vale sempre o bom jeitinho brasileiro … Depois reclamam…

    Thumb up 0 Thumb down 2

    • CiceroS

      Decida-se, Absurdo: você está aqui debatendo o direito, conforme o Código Brasileiro de Trânsito, de a bicicleta trafegar como qualquer outro veículo nas vias pública, e com plena segurança? Ou você veio aqui só repisar definições de dicionário?

      Thumb up 0 Thumb down 0

  • Absurdo

    [Comentário oculto devido a baixa votação. Clique para ler.]

    Esse comentário não tem feito muito sucesso. Thumb up 0 Thumb down 6

  • Pedro Augusto

    Nas avenidas onde há ‘faixa exclusiva de ônibus’ (e não possuem rotas alternativas, como Vital Brasil e Corifeu) qual é o modo mais seguro de andar?
    Esses dias um ônibus quase passou por cima de mim na Av. Corifeu. Eu estava na faixa ao lado da exclusiva e mesmo assim o motorista mudou de faixa e jogo o ônibus propositalmente em cima de mim, me xingando ainda… Por sorte não havia carro próximo e consegui frear.

    Thumb up 0 Thumb down 0

    • George

      Apesar do “correto” ser não ocupar a faixa exclusiva de ônibus, no caso da Corifeu acho que é a opção mais segura para o ciclista, já que o trecho de faixa exclusiva é bem esburacado e muitos motoristas até evitam trafegar por ela… bom, andei lá só uma vez e foi essa a impressão que tive
      Abs!

      Thumb up 1 Thumb down 0

  • [...] Destaquei abaixo, em vídeo, um trecho onde fui seriamente ameaçado por um ônibus da companhia Breda, e logo na sequencia por mais dois automóveis de passeio. Quando estou pedalando na estrada é comum eu olhar para trás para ver se algum veículo grande se aproxima. Quando vi que um ônibus descia em alta velocidade já fiquei apreensivo, mas como a pista não conta com acostamento, optei por garantir minha segurança pedalando pelo meio da faixa. Esta prática não é nenhuma novidade, e você pode ver uma ótima explicação para este comportamento neste post do Willian Cruz no Vá de Bike. [...]

    Thumb up 1 Thumb down 0

  • Antonio

    O ciclista que faz uso da bicicleta como meio de transporte todo santo dia sabe que nem todo motorista respeita sequer os outros motoristas, o que dirá uma bicicleta! Além disso as leis no Brasil só favorecem os carros, isso porque ciclista não paga seguro obrigatório, não precisa pagar IPVA, não precisa pagar para tirar carta e não paga um absurdo para comprar a sua bicicleta! Pensando bem agora sei porque mesmo estando bebados atropelam e saem da delegacia no mesmo dia! Acho que vou vender minha bicicleta e comprar um carro também!

    Thumb up 1 Thumb down 0

    • George

      Vou imaginar que esteja sendo irônico com seu comentário…
      De qualquer forma, se paga sim um absurdo para comprar uma (boa) bicicleta, além de peças e equipamentos.

      Thumb up 1 Thumb down 0

  • Rafael Santos

    Como ciclista, já utilizei a técnica apresentada nessa matéria, e confirmo que é super eficiente.

    E como motorista, também prefiro quando o ciclista ocupa a faixa inteira: nesse caso, quando estou com o meu carro logo atrás do ciclista, reduzo a minha velocidade e ligo a seta para ultrapassar, e fica claro para o carro de trás de mim que minha intenção é agurdar a oportunidade de mudar de faixa para ultrapassar o ciclista.

    Por outro lado, quando o ciclista está espremido no canto da faixa, o carro que está atrás de mim aparenta não compreender direito por que razão eu estou reduzindo a minha velocidade, já que, na opinião deles, há espaço “suficiente” para prosseguir sem mudar de faixa. Isto é, o motorista do carro de trás não entende direito o que eu estou fazendo (freiando e dando seta), e essas ambiguidades de intenção são potenciais amplificadores de risco no trânsito.

    Comentário bem votado! Thumb up 12 Thumb down 1

  • George

    Compartilhando minha experiência “em cores” rs
    http://vimeo.com/99431328

    Não me assustei pq já estava vendo o nosso amigo FMI 4797 colando pelo retrovisor. Aliás, recomendo muito esses retrovisores de capacete!

    Thumb up 2 Thumb down 1

  • carlos da bike

    [Comentário oculto devido a baixa votação. Clique para ler.]

    Esse comentário não tem feito muito sucesso. Thumb up 0 Thumb down 6

  • CONDE TERRANOVA

    Não ligo se o motorista vai me achar antipático ou legal se estou no meio da faixa, se a faixa não for muito larga e rua não for de alta velocidade, eu ocupo MESMO… Eu não quero é que tirem fina de mim

    Thumb up 2 Thumb down 2

  • Lillis

    O texto é bem legal, se todos as pessoas pudessem lê-lo, os ciclistas estariam mais seguros. Eu mesma já fui vítima de uma “porta” semana passada. Tive muita sorte de estar devagar e de não estar passando nenhum carro ou ônibus no momento da queda, pois foi em frente à faculdade daqui de Mogi das Cruzes. O moço disse q não viu pq o carro era filmado. Graças a Deus foram só dores no corpo e um pouco de dor de cabeça (ainda bem q eu estava de capacete). Parabéns pelo texto !!

    Thumb up 0 Thumb down 1

  • francisco

    Eu acho que atualmente, essa prática, apesar de coerente, ainda é muito arriscada. Os motoristas, principalmente de caminhões e ônibus ainda nos veem como um veículo lento atrapalhando o trânsito. Pedalo há muitos anos e já levei muita fechada e muita fina pedalando perto da guia ou ocupando a faixa. O que faço é evitar grandes avenidas. As vezes pedalo uns 100 ou 200 metros a mais, mas vou por dentro dos bairros. Quem sabe num futuro próximo, campanhas realmente eficientes, sensibilizem os motoristas.

    Thumb up 1 Thumb down 0

    • Paulo

      Francisco, tenho utilizado uma antena corta pipa com uma fita colorida para que o condutor do veículo veja que há algo na lateral da bicicleta e distâncie para que não risque o carro. As finas que tinha antes reduziram muito depois que comecei à utilizar este recurso.Outro recurso para aumentar a segurança é utilizar um espelho retrovisor no guidão ou no capacete, assim o ciclista fica menos tenso em andar no trânsito porque ele estará vendo oque vêm atrás dele.
      Veja a imagem abaixo no Youtube de como irá melhorar a segurança, instalando a antena corta cerol.
      http://www.youtube.com/watch?v=fcCkCDgVh0k

      Thumb up 0 Thumb down 0

  • Rosana

    “Afirmar que o CTB precisa dizer até onde vai essa margem é falta de bom senso…” (comentário de Emmanuel, 22/07/2013 às 4h59).
    “O bom senso é a coisa do mundo mais bem distribuída: todos pensamos tê-lo em tal medida que até os mais difíceis de contentar nas outras coisas não costumam desejar mais bom senso do que aquele que já têm.” (René Descartes).

    Thumb up 0 Thumb down 0

  • Raquel

    E como fica quando somos obrigados a pedalar na pista exclusiva de ônibus?
    Em algumas avenidas (por exemplo: Av Corifeu de Azevedo Marques)a pista exclusiva de ônibus esta a direita.
    Mas por vezes é muito perigoso ocupar a pista do meio e ficar com os carros de um lado e ônibus do outro.
    O problema é que em geral os motoristas de ônibus não aceitam bicicletas nesta pista.
    O que fazer?

    Thumb up 0 Thumb down 0

    • tiagobarufi

      A tal faixa exclusiva criou uma nova condição de trânsito.
      Eu desenvolvi uma estratégia para trafegar por elas.
      Em alguns casos, os ônibus andam mais lentamente do que eu: na Paulista, por exemplo, eles param em quase todos os pontos e precisam ultrapassar os carros-fortes e outros veículos estacionados irregularmente ou fazendo conversão à direita. Assim, posso ultrapassá-los e seguir sem mais preocupações pela faixa, do jeito que recomendou o presidente da CET.
      Em outros lugares como essa Corifeu, existem menos pontos de parada e menos interrupções, e portanto os ônibus transitam muito mais depressa. Prefiro deixá-los me ultrapassar, esperando parado na calçada ou mesmo na primeira faixa junto aos carros parados no trânsito. Em seguida posso usufruir do arremedo de ciclovia que se forma.
      As faixas vazias são aquelas que funcionam melhor: os ônibus estão transportando pessoas e não congestionando. Nelas, os ônibus andam num ritmo regido pelo tempo do semáforo, e na maior parte existe um intervalo suficiente para vencer o trecho – é claro que isso depende da velocidade que você desenvolve.
      Sempre evito ultrapassar um ônibus quando existe a possibilidade dele me ultrapassar logo em seguida. Brincar de ‘pular carniça’ com o ônibus não é divertido, e é uma falta de gentileza com aquele profissional, muitas vezes cansado, que precisa fazer uma manobra difícil para ultrapassar a bicicleta em segurança.

      Comentário bem votado! Thumb up 5 Thumb down 0

  • [...] muito mais seguro para o ciclista ocupar a faixa, pois isso força os motoristas que não aceitam cumprir o 1,5m a [...]

    Thumb up 0 Thumb down 2

  • [...] a lei não trata da distância exata do “bordo” ao qual se refere. Particularmente, gosto da regra do 1/3, mas entendo as razões do poder [...]

    Thumb up 0 Thumb down 0

  • Fernando

    So li materia agora, mas concordo com a questão da distancia. Te mais visibilidade e margem de manobra.
    Outro ponto que para mim é essencial, é a velocidade que trafegamos. Infelizmente andar muito devagar é bem mais perigoso. Quando se esta proximo a velocidade dos carros ( mesmo pq todo cidade tem um transito do inferno e ninguem anda a mais que 40 de media ) mais facil seguir um fluxo e tomar decisoes junto aos carros. Não podemos esquecer que não adianta reclamar dos motociclistas, se fizermos o mesmo. Não ande no meio das faixas, de sinal com o braço antes de virar ou passar para outra pista, não use a calçada ( se precisar, desça e empurre), não passar em sinal vermelho e muito menos andar na contramão..essas praticas além de perigosas, não mostram aos outros a nossa educação e respeito, os mesmos que esperamos deles ( motoristas).

    Thumb up 2 Thumb down 0

  • Rodrigo Nascimento

    Muito boa essas dicas, pelado para ir ao trabalho há quase 3 meses e por costume (ou inexperiência) pedalo bem no canto direito da pista, algumas vezes na sarjeta mesmo e, sei como é complicado quando um veículo (principalmente os maiores) passa raspando a gente. Já aconteceu de um caminhão quase me levar embora, porém por sorte não me assustei com sua ultrapassagem perigosa e sai ileso, mas o susto foi grande. Vou colocar em prática essas dicas e acredito que vá melhorar bastante.

    Obrigado.

    Thumb up 1 Thumb down 1

  • Bruno

    Esta matéria também deveria estar em algum blog de motoristas(eles precisam muito ler isto)!!! Muito bom!

    Thumb up 1 Thumb down 2

  • [...] mostrado como o posicionamento adequado da bicicleta na rua, em uma comunicação da prefeitura. Ocupar a faixa é o comportamento mais seguro, mas por ser pouco aceito pelos motoristas é importantíssimo que tenha sido evidenciado e tenha [...]

    Thumb up 0 Thumb down 0

  • Cícero Soares

    Então vamos lá (2), Emmanuel:

    Em primeiro lugar, acho que há uma confusão de afrontas aí: há aquela que o motorista sente ao ver uma bicicleta no meio da faixa, e há outra, infelizmente mais geral, devido ao simples fato de ela circular no espaço que o motorista supõe exclusivo a ele. E é muito, muito provável que mesmo a primeira afronta não tenha quase nenhuma relação com a regra do 1,5 m, que é pouco disseminada, quanto mais respeitada. A verdade é que a bicicleta não tem ainda, culturalmente, status de veículo de transporte, Emmanuel, ainda que existam avanços, inclusive no CBT, para tal.

    Mas o próprio CBT acaba expressando essa deficiência cultural (a lei como expressão dos “costumes”, e não o contrário, tá?), quando disciplina qual o lugar da bicicleta relativamente aos motorizados. É só observar os cacoetes da redação dela: na falta de malha cicloviária específica, de estrutura segregada… Ou seja, o compartilhamento, quando vem, sempre vem por último (claro, pari passo com a última esperança que morre, um largo e continuado investimento público em ciclovias e ciclofaixas para fins de deslocamento, o que daria materialidade àquele ganho de status.)

    E enquanto isso não acontece, e apesar de o número de bicicletas usadas com a finalidade de transporte continuar a crescer, como é que fica o sagrado fluxo? Compartilhado? Mas de qual fluxo falamos? Ah, sim, o determinado pelos motorizados. Mas será que as metrópoles, no grosso, são regidas à 70 km/h? Não, muito pouco dos sistema viário delas são. Claro, fluxos nessa velocidade e maiores são impróprios ao compartilhamento, ponto pacífico, mas… Mas com menos de um mês de bike aprendendo a compartilhar, Emmanuel, não foi nada difícil notar que reduzir em 10 km/h muitas vias limites de 50 e 60 não mudaria em quase nada no “poder de circulação” dos motorizados. Mas já para os não motorizados…

    Quando você começar a pedalar, Emmanuel, logo você também vai notar isso: que o modelo urbanístico de fluxo motorizado que conhecemos (ah, note, não falo da característica disciplinar da lei, tá?, isso é outra coisa) não é um dado “de natureza”, mas uma convenção, uma medida arbitrária que “venceu” historicamente, logo, que pode e tem que ser quebrada e então reacordada. Congestionamentos? Apenas “acidentes históricos” que vieram nos mostrar o ponto crítico e o esgotamento desse modelo arbitrário, nada mais do que isso.

    E assim “descemos” ao argumento de que bicicletas ocupando o meio da faixa seguram o fluxo, quebrando o princípio mesmo de respeito mútuo subjacente à possibilidade de convivência social e à própria lei.

    Olha, isso, na prática, é letra e razão mortas, quando não falácia, tá? Como já disse antes, dirigindo um veículo lento, nossa responsabilidade sobre o fluxo torna-se muito maior, maior do que a dos motorizados. O variabilidade do viário, para os lentos, é mais, digamos, sensível, ela não aparenta ser aquela coisa chapada que é para os motorizados, com as variáveis de velocidade máxima e número de faixas no mesmo sentido sendo percebidas, por eles, na aceleração, como quase irrelevantes.

    Então temos que assumir tal responsabilidade. E como penso que eu a assumi? Primeiro, adaptei o meu comportamento como veículo lento àquelas variáveis, e ao número também variável de motorizados no tempo e no espaço ao meu redor. E essa adaptação me levou a ganhar… flexibilidade: em determinados momento ocupo o meio da faixa, e então não, e então sim, e então estaciono, deixando uma leva de motorizados passarem por mim, para então voltar a circular ocupando o meio da faixa, e segundos depois não, e então etc., etc. e etc. Mas para que essa flexibilidade seja eficaz, devo conhecer (e não demorar muito a conhecer) bem meu trajeto, para saber onde e quando devo segurar o motorizado e então liberá-lo. Devo também saber onde o asfalto do bordo, de tão comprometido (o que é tão comum…), pode comprometer meu equilíbrio, e então evitá-lo.

    Opa, mas e o motorista, ele se importa com isso? É fácil para ele se importar com isso? Ele tem a mesma percepção de circulação segura que eu tenho que ter? Claro que não, né?

    Em suma, Emmanuel: o que eu estou querendo impor não é a minha vontade divina, muito menos um meu “jeitinho” mundano, eu estou apenas, na prática, no dia a dia, e aos olhos de todos que têm olhos pra ver, fazendo valer minha legitimidade como veículo e garantindo a segurança do meu ir e vir, sem machucar ninguém e… Tá, acrescentando uns, hum, 5 segundinhos na “vida de trânsito” dos motorizados. Ou não: tá lá ele parado no farol e eu chegando logo atrás dele.

    Ah, e eu agir assim também tem um plus, viu? Eu educo. Quando me posiciono (responsavelmente, apenas na circunstância em que devo me posicionar) no meio da faixa, estou ensinando ao motorizado logo atrás de mim e àqueles que estão me observando a me ultrapassarem com segurança e respeito. E se ele se sentir afrontado com isso… melhor pra ele.

    (Putz, é mesmo, eu nem tchuns pra letra da lei.) Ih, Emmanuel, larga mão desse Hobbes e abraça forte o Rousseau! rs.

    Thumb up 2 Thumb down 0

  • Cícero Soares

    Putz, Emmanuel, então você ainda não é ciclista, muito menos habitual… Taí. Então me desculpa aí, desculpa minha postura um tanto bronca, indo de 0 a 100 km/h em menos de 5s…rs. Cara, é que logo, hum, terminando uma sessão Terminator (sim, os quatro filmes seguidos!) às 5 da manhã aparecer na minha caixa postal teu comentário, e justamente na seqüência da minha resposta ao Peter?! Meu… aí me deu um piti mesmo…rs.

    Mas agora deu pra sacar tua boa vontade de adentrar no mundo dos veículos magros movidos a tração humana com ambos os pés direitos, viu? rs. Então peraí, peraí que vou elaborar uma réplica decente a essa tua última resposta. (Putz, é agora tô precisando desacelerar pra “encontrar o meu eixo”, acabei de chegar da rua com a bike e hoje… Meu, hoje foi meio black bloc.)

    Thumb up 0 Thumb down 0

  • Emmanuel

    Primeiramente, na ausência de ciclovia ou ciclofaixa, o ciclista deve utilizar o ACOSTAMENTO e, onde não houver, a circulação deverá ser feita no BORDO da pista de rolamento, no SENTIDO DE CIRCULAÇÃO (seguindo o fluxo, não na contramão).

    Não vou discutir se é ou não mais seguro pro ciclista, vou apenas argumentar com base no que diz a lei, já que o autor do artigo afirmou que agindo dessa forma não estará infringindo-a.

    Ao contrário do que diz o artigo em tela, o CTB define claramente em seu anexo II o bordo da pista:

    BORDO DA PISTA – margem da pista, podendo ser demarcada por linhas longitudinais de bordo que delineiam a parte da via destinada à circulação de veículos.

    Bordo é sinônimo de margem, borda, extremidade, etc. Afirmar que o CTB precisa dizer até onde vai essa margem é falta de bom senso, pois todo mundo sabe o que é uma borda, uma margem ou uma extremidade. Falta aí boa vontade de querer interpretar a lei da forma correta, abrindo, sem razão, possibilidades para interpretações equivocadas.

    Ainda assim, o CTB nos dá uma ideia a partir dessa definição disposta no anexo II. Vejamos:

    “podendo ser demarcada por linhas longitudinais de bordo que delineiam a parte da via destinada à circulação de veículos”. A lei refere-se aqui àquela faixa contínua de cor branca que fica no BORDO (no canto, na borda, na extremidade) da pista de rolamento.

    Vamos pensar:

    O art. 29, II do CTB dispõe que “o condutor (de veículo automotor) deverá guardar distância de segurança lateral e frontal entre o seu e os demais veículos, bem como em relação ao bordo da pista…”

    A partir da leitura deste dispositivo, temos uma boa referência do que seja bordo da pista. Se “bordo da pista” significasse outra coisa, o que poderíamos pensar sobre o art. 53?

    Art. 53, II – “os animais que circularem pela pista de rolamento deverão ser mantidos junto ao bordo da pista”.

    Então os animais deveriam circular no meio da faixa? Certamente NÃO!

    Bordo da pista é MARGEM, BORDA, EXTREMIDADE, BEIRADA, CONTORNO. Indiscutivelmente, de acordo com a lei, o ciclista, na ausência do acostamento, deve ficar o mais afastado possível do centro da faixa de rolamento, seguindo o fluxo, a fim de evitar acidentes.

    “Art. 58. Nas vias urbanas e nas rurais de pista dupla, a circulação de bicicletas deverá ocorrer, quando não houver ciclovia, ciclofaixa, ou acostamento, ou quando não for possível a utilização destes, nos bordos da pista de rolamento, no mesmo sentido de circulação regulamentado para a via, com preferência sobre os veículos automotores”.

    Repito: não discuto se essa ideia é ou não mais ou menos segura para o ciclista (apesar de achar que não é segura). Mas não vale dizer que a lei permite essa situação.

    Thumb up 2 Thumb down 1

    • Cícero Soares

      (Ppq, 5 da manhã e lá vou eu mais uma vez dar atenção a uma coisa dessas…)

      Tá, vamos lá, Emmanuel, vamos fazer hermenêutica torta das linhas retas da lei, assim: vamos imaginar que o ciclista é uma carroça, considere então a largura da carroça e coloquemos esse ciclista imaginado com largura de carroça na extremidade da faixa, ou seja, lá no bordo da pista. E aí eu pergunto: quanto sobraria lateralmente para um veículo motorizado (vai, um carro de passeio normal) ultrapassá-lo, considerando o art. 29 (“guardar distância de segurança lateral”)?

      Não, nem se dê ao trabalho de responder, já que pode estar mais do que subentendido que o motorizado seria obrigado a utilizar a outra faixa para fazer a tal ultrapassagem segura.

      Ah, mas “concretamente” bicicleta não é carroça, você poderia replicar, e é um absurdo fazer essa equiparação, inda mais com base no CBT Mas peraí: o art. 201 reza lá, com todas as letra, que há infração se se “deixar de guardar a distância lateral de um metro e cinqüenta centímetros ao passar ou ultrapassar bicicleta”, o que não se aplica para uma carroça, evidentemente. Então será que, hermeneuticamente falando, o bordo para a carroça corresponderia mesmo ao para a bicicleta? E se forçarmos a interpretação com, hum, digamos, 1,5m de bordo para a bicicleta, onde esta poderia estar na largura da faixa?

      E aqui também não, de novo nem se dê ao trabalho de responder: porque, se pedalarmos no meio da faixa, não seremos punidos mesmo… Além do mais, isso não está nem precisa estar na discussão, não é mesmo, Emmanuel?, isso de pedalamos assim apenas pela própria segurança e pela do próprio motorizado atrás de nós, evitando que ele caia “em tentação” e chegue às vias de fato, em infração ou coisa pior.

      Thumb up 0 Thumb down 0

      • Emmanuel

        Cícero, não é trabalhoso para mim responder. Estamos aqui em uma discussão até então saudável. Estou sempre a aprender nessa maravilha que é a internet.

        Eu sou motorista, ora pedestre, futuro ciclista (pois pretendo comprar a minha bike em breve).
        O trânsito seguro é formado por um tripé: Educação, Engenharia e Fiscalização. Infelizmente, no Brasil, nenhum dos três funciona da maneira adequada.

        Em primeiro lugar, o respeito tem que ser mútuo. Se os motorizados não dão respeito aos não motorizados, não é pagando na mesma moeda que veremos a mudança acontecer.

        Não tenha dúvida de que quando um motorista (de automóvel) vê um ciclista no meio da pista de rolamento, toma isso como uma afronta e pensa: “se ele quer os 1,5m, então que comece dando o exemplo”. Tá entendendo?

        Ora, Se até para as 50 CC (cinquentinhas trax, dafra zig e CIA) é recomendando utilizar o bordo da pista quando não houver acostamento, imagine para as bicicletas.

        “Art. 57. Os ciclomotores devem ser conduzidos pela direita da pista de rolamento, preferencialmente no centro da faixa mais à direita OU NO BORDO DIREITO DA PISTA sempre que não houver ACOSTAMENTO ou faixa própria a eles destinada, proibida a sua circulação nas vias de trânsito rápido e sobre as calçadas das vias urbanas”.

        Repito, o respeito deve ser mútuo. Para que os ciclistas exijam a distância mínima de 1,5m disposta em lei, ele deve também dar o respeito e seguir o fluxo conforme REALMENTE determina o CTB.

        Quanto à questão da carroça, a ultrapassagem sobre a bicicleta também deveria se dar, em tese, na outra faixa. A questão do 1,5m é só um PLUS que o CTB dá aos ciclistas. É uma espécie de segurança a mais. As demais regras de circulação devem ser aplicadas NORMALMENTE, inclusive em relação às bicicletas.

        ANEXO II:

        BICICLETA – VEÍCULO de propulsão humana, dotado de duas rodas, não sendo, para efeito deste Código, similar à motocicleta, motoneta e ciclomotor.

        ULTRAPASSAGEM – movimento de passar à frente de outro VEÍCULO que se desloca no mesmo sentido, em menor velocidade e na mesma faixa de tráfego, necessitando SAIR e RETORNAR à faixa de origem.

        O problema é que no Brasil as pessoas não tão nem aí para regras. O povo faz o que lhe é conveniente, do alto de seu egoísmo, e f***-se o resto. Infelizmente, o brazuka só cumpre a lei de trânsito quando está na frente da viatura e por medo de tomar multa.

        Então, se nem vocês, que prezam tanto por segurança, querem cumprir a lei, inventando diversas teorias e interpretações inexistentes, imagine os motorizados, que são seres altamente egoístas e mal-educados.

        Fica difícil.

        Thumb up 2 Thumb down 0

  • Peter

    Ciclista que anda no meio da faixa está infringindo o CTB sim. Carros e bicicletas não deveriam compartilhar a mesma via.

    Bicicletas são muito lentas comparadas com carros, o que gera ainda mais gargalos em vias já congestionadas.

    Ciclovias são a única solução. O CTB permite ao ciclista utilizar a MARGEM da pista onde não há outra opção.

    Thumb up 1 Thumb down 2

    • Cícero Soares

      Putz, é mesmo, sou um infrator. Ou melhor, um meio-infrator, já que pedalo no meio da faixa mas não na contramão:

      Art. 58. Nas vias urbanas e nas rurais de pista dupla, a circulação de bicicletas deverá ocorrer, quando não houver ciclovia, ciclofaixa, ou acostamento, ou quando não for possível a utilização destes, nos bordos da pista de rolamento, [ênfase] no mesmo sentido de circulação regulamentado para a via [/ênfase], com preferência sobre os veículos automotores.

      Opa, mas também são infratores ciclistas pedalando na calçada sem a devida autorização para tal:

      Art. 59. [ênfase] Desde que autorizado e devidamente sinalizado pelo órgão ou entidade com circunscrição sobre a via [/ênfase], será permitida a circulação de bicicletas nos passeios.

      E assim, para a nossa segurança e/ou o arremedo desta, reinamos pedalantes e felizes de infração em infração.

      Thumb up 2 Thumb down 1

  • FLÁVIA

    DEVERIA TER MAIS CAMPANHA ATRAVÉS DE FOHETOS E OUTDOOR CONCIENTIZANDO OS MOTORISTAS E CICLITAS COMO SE COMPORTAR NO TRANSITO RESPEITO GERA EDUCAÇÃO

    Thumb up 1 Thumb down 0

  • Robson

    Concordo com os argumentos, bem esclarecedores. Mas na minha opinião, eles não se encaixam em 100% das situações, como toda regra.

    Vivemos num país onde o povo não costuma seguir regras, não receberam educação na infância.

    Fica difícil colocar em prática. Só com muita fiscalização, que não tem também.

    Aqui em BH, seguir essas regras em alguns lugares da cidade é simplesmente fazer roleta russa.

    No trânsito é a lei do mais forte. O caminhão desrespeitando carro, que desrespeita moto e o ciclista e vice-versa.

    Sou a favor do ciclista poder andar na calçada, desde que bem devagar, na velocidade compatível com os pedestres. E se bater em alguém, multa! Mas sei que é proibido na maioria dos lugares.

    Meu tio foi atropelado por um ciclista em cima da faixa de pedestre, que descia a avenida a toda, e olhava para trás no momento da batida, segundo testemunhas. Devia estar prestando atenção nos carros, não tinha retrovisor, acho que iria fazer alguma conversão. Meu tio disse que olhava o sinal de pedestre, que ficou verde. Todo mundo começou a atravessar a rua, sem olhar também, na pressa do dia dia. Quando viu o vulto, já era… foi sorteado. Acordou horas depois no hospital, onde ficou por vários dias. O ciclista também foi desacordado. Ambos tiveram vários traumas, escoreações e a algumas fraturas. Poderiam ter morrido.

    Trânsito é coisa muito séria, e as autoridades estão caminhando a passos curtos para resolver os problemas.

    Temos que nos mobilizar mesmo, para que haja mais fiscalização(para evitar mais mortes) e punição (para os acidentes).

    Lembrar também na hora de votar, que são os deputados e senadores que podem modificar as leis.

    Não adianta votar mal e depois ficar culpando a justiça, como vejo todo dia.

    Abraços a todos

    Thumb up 0 Thumb down 0

  • Gustavo

    Sou adepto dessa prática, mas já tive situações onde – mesmo no meio da faixa – os condutores não respeitaram e passaram tirando fina.
    A distância entre o carro e a bicicleta não vai ser controlada pela sua posição na faixa, mas pela decência do sujeito conduzindo o veículo automotor.
    Mas, percebo que com esse tipo de ocupação de faixa, tenho muito menos problemas.

    Thumb up 0 Thumb down 0

    • Gustavo

      Claro, que esse tipo de postura implica em dizer aos outros “sim, eu sou um veículo e tenho o direito de estar aqui.”

      Thumb up 0 Thumb down 1

      • Paulo

        Gustavo, também sou adepto e recomendo ocupar parte da faixa, testei algumas vezes e agora deixarei fixo a antena corta cerol com fita refletiva para fazer com que o carro distâncie da bicicleta para evitar aquelas finas dos veículos, somando se à isso o espelho retrovisor, assim a sensação de segurança aumentou mais.

        Thumb up 1 Thumb down 0

  • peterson

    sigo todas estas regras regido por um apito que uso preso ao meu capacete todo mundo imagina que um guarda hehehe

    Thumb up 1 Thumb down 0

  • Petrukio

    Vou experimentar isso numa estrada sem acostamento.

    Thumb up 0 Thumb down 1

    • Petrukio, a recomendação é para vias urbanas. Estradas sem acostamento são bastante perigosas pela diferença de velocidade entre o automóvel e a bicicleta, ocupar a pista pode colocá-lo em risco.

      Comentário bem votado! Thumb up 5 Thumb down 0

Enviar resposta

  

  

  

Você pode usar estas tags HTML

<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>