A pirâmide inversa do tráfego

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O diagrama acima (clique para ampliar) foi criado pelo Bicycle Innovation Lab. A ideia original era colocar os modos de locomoção mais saudáveis e menos emissores de CO2 no topo, mas percebemos que por consequência representava também a prioridade de circulação que os veículos deveriam ter nas ruas, em termos de importância para a mobilidade, bem como a prioridade que deveriam receber no planejamento urbano.

Planejar a mobilidade tendo em mente a ordem representada nessa pirâmide é uma receita simples para cidades mais viáveis, humanas, seguras e saudáveis.

Transporte de cargas

O Vá de Bike tomou a liberdade de adaptar algumas legendas e de incluir o transporte de cargas, representado por caminhões, caminhonetes, vans e outros veículos de distribuição. Apesar de serem grandes emissores de CO2, têm importância inegável na distribuição de recursos nas nossas cidades.

Dentro do transporte de carga, poderíamos ainda acrescentar que veículos maiores (que transportam mais carga) deveriam ter sua utilização priorizada em relação aos que precisam realizar mais viagens para entregar o mesmo volume total. Entretanto, o que acontece na cidade de São Paulo é o oposto: caminhões têm sua circulação restringida e a distribuição acaba sendo realizada em veículos pequenos, que somados acabam ocupando mais espaço viário, causam mais congestionamento e poluem mais.

Trens deveriam fazer boa parte da distribuição de cargas, mas como já estão acima dos caminhões na pirâmide, a prioridade continua correta.

O transporte hidroviário também deve ser considerado prioritário em relação aos caminhões, sendo colocado junto aos trens. Mas deve se tomar cuidado com o tipo de propulsão e combustível utilizados, para diminuir o efeito poluidor e de interferência sobre a flora e fauna dos rios.

Carros e motos

As motocicletas não estão nessa lista, mas enquadram-se na mesma categoria do carro particular. Se por um lado ajudam a diminuir os congestionamentos, por outro poluem como os carros (ou até mais em certos casos), prejudicando a coletividade por agravarem um problema de saúde pública.

O uso de carros e motocicletas não deve ser incentivado pelo poder público, ainda que movidos a energia elétrica, por inúmeros motivos (entenda aqui).

Voos

O transporte aéreo pode parecer um pouco deslocado, mas constava da pirâmide original por ser o meio de transporte mais poluidor. Importante para longas distâncias, os voos para cidades próximas podem ser substituídos por automóvel, ônibus ou trem. Pode não ser tão rápido ou confortável, mas nossa intenção é esclarecer quais meios de transporte devem ser incentivados no planejamento público – e, certamente, se houver uma boa alternativa ferroviária, por exemplo, o uso de aviões naquele trecho diminui.

Dentro das cidades temos ainda um uso crescente de helicópteros, que também poluem bastante. Seu uso cresce quando os congestionamentos travam uma cidade, ou seja, são uma consequência direta da falta de planejamento da mobilidade de uma cidade.

Tração humana

Ainda adaptando o diagrama à realidade de nossas cidades, em “veículos de carga de tração humana” podemos ter bicicletas de carga, carrinhos empurrados ou puxados por pessoas para transportar pequenos volumes e as carroças que recolhem material reciclável.

Os carroceiros também devem ser contemplados quando se pensa na mobilidade urbana, tanto pela necessidade de garantir sua segurança quanto pela importância do trabalho que realizam.

Cadeirantes também estão ausentes do diagrama, mas devem estar lá em cima, na primeira fatia da pirâmide. O planejamento da mobilidade para as pessoas a pé DEVE contemplar também quem possui restrição de mobilidade ou deficiência visual. Uma cidade acessível é uma cidade melhor para todos.

O diagrama original, em inglês, se encontra aqui.

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13 comentários para A pirâmide inversa do tráfego

  • Yuri Bassichetto Tambucci

    É uma boa base, mas é preciso conseguir adaptá-la a demandas locais. No Amazonas (onde faço meu mestrado sobre transporte fluvial), por exemplo, os rios são caminhos importantíssimos pro transporte dentro das cidades e entre elas. Essa pirâmide é ótima, mas explicita o nosso modo de ver os deslocamentos como algo que ocorre em vias.
    Me parece que os tipos estão certos: usar só o corpo; o corpo + algo não motorizado; veículos motorizados de alta capacidade; veículos de menor capacidade. No amazonas, não há trem ou estrada entre as (a maioria das) cidades, mas navios. No caso de uma cidade cheia de rios, ou mesmo cheia de morros (e que elevadores são usados no transporte), como Lisboa ou Salvador, imagino que haja opções equivalentes para esses tipos de transporte do diagrama.
    Tem ainda o transporte com animais: cavalo e burro aqui no Brasil, mas em outros lugares lhama, elefante, etc…

    Talvez fosse interessante pensar em um diagrama mais universal. Vou pensar em algo.

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  • Emmanuel M Favre-Nicolin

    Eu adoro essa pirâmide. Sou fã de bicicleta. Eu também acredito que o que vai acontecer num primeiro tempo é passar dos carros de combustão interna para o carros elétricos. A termo será possível produzir energia elétrica renovável que não emite CO2 com energia solar, eólica e hidroelétrica… Já vai dar uma diferença boa. As super-corporações não vão querer parar de vender carros e guardar seu super-poder, frenquentemente maior do muitos países. Como li esse mês na Revista Fórum, 737 donos controlam 80% do valor das empresas mundiais! http://www.revistaforum.com.br/conteudo/detalhe_noticia.php?codNoticia=9503 ou seja 0,00001% das pessoas do nosso planeta, muito longe de 1%!

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  • Jose Carlos

    Concordo plenamente e acho que só vamos mudar algo insistindo nesta piramide ou quando algo muitpo grave ocorrer.

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  • Yma

    E quanto às motocicletas? São veículos de transporte privado porém apresentam vantagens em relação aos carros.

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    • Willian Cruz

      Bem lembrado, Yma. Eu as colocaria na mesma categoria do carro particular. Se por um lado ajudam a diminuir os congestionamentos, por outro poluem em média bem mais que os carros, prejudicando a coletividade por agravarem um problema de saúde pública. Portanto, seu uso também não deve ser incentivado pelo poder público.

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  • Noe

    Continuam faltando os cadeirantes. Eles também podem ser tráfego, se fornecidas as devidas condições.

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    • Willian Cruz

      Noe, não pensamos em explicitar os cadeirantes porque a nosso ver fazem parte do pedestrianismo: eles devem estar lá em cima, na primeira fatia da pirâmide. O planejamento da mobilidade para as pessoas a pé DEVE contemplar também pessoas com restrição de mobilidade e deficientes visuais, isso é requisito básico. Uma cidade acessível é uma cidade melhor para todos.

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  • Otávio Pacheco

    Acho o post ótimo, só a parte “vôos” me parece um pouco deslocada, porque acho que é um tipo de transporte (não em casos como ponte aérea e afins) que está em outra categoria. Porque se você vai viajar para a Rússia, por exemplo, não tem outra opção plausível.

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    • Willian Cruz

      Oi, Otávio. Você tem toda razão, há situações em que não há opção. Mas, por exemplo, pode-se planejar a mobilidade de modo a priorizar uso de trens em vez de aviões em viagens entre diferentes cidades, como São Paulo/Campinas e São Paulo/Rio. Também poderia haver ferrovias ligando as capitais do Nordeste. Se as ferrovias não tivessem sido sepultadas no país, dependeríamos menos dos transportes rodoviário e aéreo.

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    • David

      Tambem fiquei com a mesma sensaco quanto ao transporte aereo nesta piramide, pois estamos falando de transporte urbano, e tirando helicopteros (estes sim poderiam ter aparecido),concordo que é outra categoria. Caso contrario seria necessario inserir os transportes aquaticos e todas as suas variantes (jetsky, navio, gondola etc.).
      Além disto, me questionei se caberia transportes de tracao animal, mas nao sei se são politicamente corretos.

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  • Leticia Freire

    Olá Willian, como vai? Sou editora do Mercado Ético (mercadoetico.com.br) e gostaria de autorização para reproduzir os posts do Vá de Bike em nosso canal, com todos os devidos links e créditos. É possível?
    Grata pela atenção,
    Leticia

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