Ciclistas podem circular em avenidas de tráfego rápido? Por que insistem em fazê-lo?

Ciclistas pedalam em avenida de São Paulo. Foto: Willian Cruz

Ciclistas pedalam em avenida de São Paulo. Foto: Willian Cruz

Com frequência ouvimos que ciclistas não deveriam trafegar em avenidas. Algumas pessoas chegam a afirmar, com base no Código de Trânsito Brasileiro (CTB), que os ciclistas não teriam esse direito. O Vá de Bike analisou essas questões.

Optando por caminhos alternativos, seu deslocamento se torna mais seguro e agradável. Infelizmente, nem sempre isso é possível.

Escolha

Por terem automóveis em velocidade mais alta e, geralmente, presença de caminhões e ônibus, recomendamos sempre aos ciclistas que evitem as grandes avenidas que não possuem ciclovia ou ciclofaixa. Ainda que essas vias estejam congestionadas, motoristas impacientes por vezes querem tirar todo o atraso em um espaço de poucos metros, ameaçando propositalmente o ciclista, como se aquela simples bicicleta (que em segundos não estará mais ali) fosse a responsável por todo o congestionamento desde lá de trás.

Ruas de menor movimento, que tenham elementos “acidentais” de traffic calming (semáforos, valetas, quebra-molas, rotatórias e áreas de estacionamento que diminuem o espaço livre no vário, entre outros) tornam-se mais seguras para as bicicletas. E, geralmente, são bem mais agradáveis, com arborização, menos poluição, comércio local, praças, pessoas, vida.

Avenidas costumam ser inóspitas, desagradáveis e estressantes. Isso, por si só, é um bom motivo para você escolher outro caminho. Seu deslocamento pode ser mais agradável e, por que não, divertido. Essa é uma das vantagens da bicicleta: aproveitar o percurso, usar aquele tempo para você em vez de desperdiçá-lo parado e impotente frente ao congestionamento.

Necessidade

Ciclistas sinalizam o solo da Av.Paulista, em São Paulo, pedindo compartilhamento da via – anos antes de uma ciclovia ser construída por lá.

Apesar da recomendação de se buscar alternativas, nem sempre há uma via paralela que acompanhe toda a avenida. Isso obriga o ciclista a conhecer muito bem a região onde trafega, para que possa encontrar alternativas, e pode aumentar bastante o percurso.

Para piorar, as grandes avenidas costumam ser construídas em regiões de fundo de vale ou sobre “espigões” (como no caso da Av. Paulista, em São Paulo). Isso por vezes faz com que as paralelas tenham aclives, tornando a avenida o caminho mais plano, reto e geograficamente adequado a quem usa a bicicleta. Em uma cidade para pessoas, esses caminhos seriam priorizados para pedestrianismo e meios movidos a propulsão humana, deixando o ônus dos aclives para quem só precisa pisar num acelerador ou torcer uma manopla para vencê-los.

Nesses casos, não adianta insistir para que o ciclista escolha outro caminho: quem se desloca usando um meio que dependa de esforço físico (a pé, bicicleta, skate, patins e outros) tende sempre a buscar o caminho mais curto e plano. É o que faz as pessoas atravessarem fora da faixa de pedestres, quando utilizá-la implica em deslocamentos de centenas de metros. São escolhas lógicas, naturais e compreensíveis, que devem ser aceitas e protegidas pelo poder público, além de previstas e incentivadas por quem planeja a infraestrutura viária e o meio urbano, tornando a cidade mais amigável e segura para quem utiliza esses modais.

Vias perigosas?

Tráfego rápido?

Afirmar que ciclistas não devem usar determinada via porque ela é “perigosa” é ser conivente com os motoristas que trafegam por ela de forma irresponsável. É aceitar que a conduta perigosa em um veículo automotor seja um argumento válido para que outros atores do trânsito, como bicicletas e pedestres, cedam seu direito de circulação para que a irresponsabilidade e a impunidade possam continuar a vigorar. Deve-se combater as causas e os causadores do problema, em vez de responsabilizar suas vítimas e puni-las com o cerceamento de seus direitos.

Ao adotar o discurso de que ciclistas não deveriam circular em avenidas, estamos estimulando e municiando de argumentos os motoristas que não concordam com sua presença nas ruas e os colocam em risco propositalmente, de forma criminosa, com o objetivo de “educá-los” a não utilizarem as avenidas. E quando um órgão de imprensa – ou, pior, um representante do poder público - faz essas afirmações, o efeito nocivo é potencializado, pois uma declaração revestida de caráter oficial estimula ainda mais o comportamento agressivo. Esse estímulo pode resultar em mortes, sequelas e amputações – infelizmente de forma bastante indireta, tornando impossível estabelecer uma relação de causalidade que imputaria responsabilidade legal a quem divulga publicamente esse conceito distorcido e que fortalece intolerância e agressões aos ciclistas que trafegam em avenidas.

Afirmar que ciclistas não devem usar as avenidas pois há motoristas que podem matá-los é como dizer às mulheres para não usarem saias, pois há estupradores que podem atacá-las.

O que diz a Lei

A afirmação de que os ciclistas não poderiam usar “vias de tráfego rápido” advém do seguinte artigo do CTB:

CAPÍTULO XV – DAS INFRAÇÕES

Art. 244 (…)
§ 1º Para ciclos aplica-se o disposto nos incisos III, VII e VIII, além de:
(…)
b) transitar em vias de trânsito rápido ou rodovias, salvo onde houver acostamento ou faixas de rolamento próprias

Uma primeira análise nos faz crer que em avenidas onde os carros trafeguem em alta velocidade, a bicicleta estaria proibida de circular. Mas vamos entender, no anexo que complementa o CTB, o que a Lei considera como “via de trânsito rápido”:

ANEXO I – DOS CONCEITOS E DEFINIÇÕES

Para efeito deste Código adotam-se as seguintes definições:
(…)
VIA DE TRÂNSITO RÁPIDO – aquela caracterizada por acessos especiais com trânsito livre, sem interseções em nível, sem acessibilidade direta aos lotes lindeiros e sem travessia de pedestres em nível.

Traduzindo, a bicicleta só não pode trafegar em avenidas onde sejam atendidos os seguintes requisitos:

  • não haver semáforos
  • não haver cruzamentos
  • não haver acesso direto a terrenos, prédios, casas, sítios, garagens, etc, sendo esses feitos apenas através de pistas de aceleração/desaceleração
  • não haver faixas de pedestres (ou outra forma de travessia que não sejam pontes e passarelas)

Em outras palavras, as únicas avenidas onde a bicicleta é proibida por lei são aquelas com características de rodovia – e, ainda assim, que não tenham acostamento. Na cidade de São Paulo, os únicos locais onde isso ocorre são as pistas expressas das Marginais Tietê e Pinheiros e a Av. 23 de Maio. Em todo o resto da cidade, PODE.

Independentemente do direito de uso, o Vá de Bike recomenda que sejam buscadas vias alternativas, quando não impliquem em aumento excessivo da distância ou em aclives consecutivos. E, mesmo nesses casos, pese as vantagens e desvantagens de mudar seu caminho para evitar grandes avenidas. A decisão final é pessoal e subjetiva.

>> Veja o que o Código de Trânsito diz sobre bicicletas e ciclistas <<


49 comentários para Ciclistas podem circular em avenidas de tráfego rápido? Por que insistem em fazê-lo?

  • cleide franco

    Por favor podem me explicar como pode às 21.15h do dia 22.09.17 um bando de ciclistas andando em plena marginal Pinheiros? Uma via super movimentada neste horario e lotada de caminhões, se caso acontecer um acidente o motorista ainda e culpado, acho que tem que ler para todos, eles tem as ciclovias e ruas onde podem circular normalmente mas numa marginal para mim e o fim.

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  • Nilson

    Pessoal;
    Aproveitando o tema: Moro na Freguesia do Ó em SP e trabalho em Barueri.
    Como avaliam o trajeto Marginal + Castelo Branco (ida e volta). Dá uns 20Km cada perna o que não é muito. A questão é a segurança no trajeto que assusta bastante, apesar de já ter utilizado por anos a bike como meio de transporte para ir ao trabalho.
    Apesar de assustador, frequentemente vejo ciclistas na Castelo pela manhã, me parecendo assim uma alternativa viável.

    Obrigado!

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  • ANDERSON

    Caros amigos ciclistas. Não pode haver essa confusão entre “ciclomotores” e bicicletas. Ciclomotores, por definição do Anexo II do CTB “veículo de duas ou três rodas, provido de um motor de combustão interna, cuja CILINDRADA não exceda a 50cc e cuja velocidade máxima de fabricação não exceda a cinquenta quilômetros por hora. Por essa definição e por isso que não pode transitar em avenidas de trânsito rápido. Não há objeção quanto ao trafego da bicicleta (mesmo que alguns desaconselhem) no Art. 244 do CTB. Temos que ter cuidado na argumentação. Quanto ao Art. 29, que foi citado, somente regra alguns comportamentos, e em nenhuma linha proibe o uso de bicicletas em Avenidas de Trânsito Rápido. A proibição de transitar com bicicletas tem que ser precedida de placa de proibição (PLACA R-12). Aí sim, entendo que o tráfego é totalmente proibido pelo órgão com jurisdição sobre a via.

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  • Karine

    Por uns 3 anos eu trabalhava em Ermelino Matarazzo, na ZL, e moro no centro, não há muitas opções pro deslocamento, o mais prático era ir pela Marginal, eu costumava ir mais ou menos da ponte das Bandeiras até a Nordestinos pela local da Marginal, que por incrível que parece eu achava menos perigoso do que pegar a Radial Leste, Av. Celso Garcia. Mais pra frente descobri uns caminhos por dentro, que levavam mais tempo. Mas na real, de tantos anos que pedalo, já tomei vários sustos enormes em avenidas do que na local da Marginal. Não que não seja perigosa, mas onde não é numa cidade que muitos motoristas nos veem como um empecilho, a gente, ocupando um espacinho de nada que temos culpa pra muitos, aí se sentem na razão de tirarem fina, meter a buzina, dar fechada, não nos dar a preferência até quando estamos numa preferencial.
    Às vezes não temos muita opção, pegar avenidas, vamos dizer, muito movimentas e de velocidade mais alta pros carros às vezes é a alternativa menos pior.

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  • bruno da silva costa

    entre no grupo ciclovia ponte rio niteroi . no facebook

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  • Marcelo Cunha

    O art. 244 não trata de bicicletas, mas de motocicleta, motoneta e CICLOMOTORES. Não tem absolutamente NADA a ver com bicicletas…
    Ciclomotor é a velha “mobilete”, ou a “cinquentinha” e motoneta é a famosa “vespa”. Motocicleta todo mundo sabe o que é, né??
    Esse artigo é tão sem lógica que, por ele, você não pode conduzir sua Harley Davidson Fat Boy de mil e tantas cilindradas numa via de trânsito rápido sem acostamento, já que não existem dúvidas que uma Harley é uma motocicleta, rsrsrs.

    O artigo mais importante do CTB, a meu ver, é o 214. Por quê? Porquê é a “lei do mais forte ao contrário”. Carro > Moto > Bicicleta > Pedestre. O mais forte tem sempre que dar preferência e cuidar pela incolumidade do mais fraco. O mais fraco tem SEMPRE a preferência, mesmo em caso de sinal aberto.

    Art. 214. Deixar de dar preferência de passagem a pedestre e a veículo não motorizado:

    I – que se encontre na faixa a ele destinada;

    II – que não haja concluído a travessia mesmo que ocorra sinal verde para o veículo;
    etc, etc, etc.

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    • Marcelo, o parágrafo primeiro do artigo 244 é explicito: “Para ciclos aplica-se o disposto nos incisos III, VII e VIII, além de”. E o Anexo I do CTB esclarece: “CICLO – veículo de pelo menos duas rodas a propulsão humana.”

      E você tem razão quanto ao 214, mas acho o 29 mais completo nesse sentido:

      “Art. 29. O trânsito de veículos nas vias terrestres abertas à circulação obedecerá às seguintes normas:
      (…)
      § 2º Respeitadas as normas de circulação e conduta estabelecidas neste artigo, em ordem decrescente, os veículos de maior porte serão sempre responsáveis pela segurança dos menores, os motorizados pelos não motorizados e, juntos, pela incolumidade dos pedestres.”

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  • Tarantino

    Poder, acho que até pode…mas sinceramente, desaconselho.

    O próprio deslocamento de ar dos veículos em velocidade pode desestabilizar o ciclista.

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  • renato

    Srs.,
    não sou ciclista, quando em trajetos, 90% motorista,
    respeito não só ciclistas, mas motos, pedestres, outros motoristas.
    Só fico chateado, que ao defenderem o ciclista, abusam das acusações de que motoristas são o diabo e ciclistas anjinhos.
    existem bons e maus de ambos os lados, mas ao ler os comentários aqui, digo que fui ofendido,
    não vou deixar de respeitar, mas deveriam começar a pensar em real interação e não em simples defesa independente de razão aos ciclistas.

    penso ter expressado o que penso.
    boas pedaladas
    abs
    Renato

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    • João Vanzuita

      Renato,

      entendo o que quer dizer, e essa discordância entre (carros x bicicleta) não deveria existir, o sentido deveria ser de ajuda e respeito mútuos.

      O que no fundo acontece, é que há alguns motoristas que são completos imbecis no trânsito, e ao ligar o carro se sentem no direito de usufruir de 110% da via. Ao encontrar um ciclista, o vê como obstrução, ou de alguma forma enxerga o ciclista de forma muito negativa. E é aí que a briga começa, porque o ciclista nesse ponto realmente é muito frágil (anjinho?), e o motorista em cima de algumas toneladas de ferro pode matar.

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  • Luiz Eduardo

    Outras vias em São Paulo comcaracteris semelhantes às marginais são os túneis e o corredor da 23, não? Nesses casos tb creio q sejam vias proibidas para bicicletas.
    Uma vez andei um trechinho da marginal e tenho certeza q foi uma das maiores burrices da minha vida. Caí lá por engano, mas não foi apenas a diferença de velocidade entre os carros e eu q me causou insegurança. Foi o medo de algum problema acontecer, tal como furar um pneu ou eu cair pelo motivo q fosse.
    A marginal não é local para ciclista e pessoas q tem um mínimo de noção não trafegam por lá de bicicleta. Precisamos apenas de condições para cruzar as pontes

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  • João vieira maciel

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  • Newton Granado

    William, boa tarde.
    Precisamos defender a criação de uma ciclo-faixa na Av. Ricardo Jafet / Abraão de Morais, em toda sua extensão. Utilizo-a todos os dias para ir e vir do trabalho e sempre vejo diversos ciclistas no trajeto… Lá, como em várias vias em São Paulo, os motoristas vivem tirando as “finas educativas” em nós, com grande potencial de acidentes. Eis a minha sugestão… Para reflexão. Grato. Um abraço,.

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  • erick

    Willian bom dia, moro perto do Mandaqui e trabalho na vereador jose Diniz apos a ponte da Ibirapuera, você conhece alguma rota onde posso utilizar, da mais ou menos 18km.

    Obrigado

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  • gabriela

    entao nao pode usar a 23 de maio??? realmente nunca vejo bikes na 23… moro em moema e trabalho no centro… todas as vezes que pesquisei rotas fala pra pegar a 23… e n comecei a usar a bike por medo… qual sugestao de trajeto??? onde posso achar essas informacoes

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    • Gabriela, uma boa rota de Moema para o centro é seguir até o Parque do Ibirapuera (o caminho para isso dependerá do seu ponto de partida), cruzá-lo por dentro, atravessar a passarela do “ex-Detran”, seguir um trecho de calçada até a Rua França Pinto e subir por ela até a Vergueiro, onde há uma ciclovia que segue até o centro.

      Quando começamos a pesquisar rotas para a bike, sempre pensamos em fazer o mesmo caminho que faríamos de carro ou de ônibus, mas eles geralmente fazem uso de grandes avenidas, que via de regra devem ser evitadas. 23 de Maio, por exemplo, está fora de cogitação enquanto não tiver ciclovia. Usar o Waze ou um GPS tradicional para traçar a rota também é uma má ideia, porque sua programação busca sempre os caminhos mais rápidos – para o carro. O melhor caminho para a bicicleta é sempre o mais curto, com menos subidas e menos tráfego de veículos pesados (nessa ordem).

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  • Saulo Ferreira

    Vivemos uma “Guerra Civil” no transito em geral. Nós ciclistas somos o lado fraco desta “guerra”, ocupar a via é quase que uma militância que infelizmente é paga com a vidas de vários colegas todos os dias no País. É triste, pois, a ignorância dos políticos e uma justiça fraca, permitem esse genocídio.

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  • Ricardo Corbetta

    olha, eu acho o seguinte: temos o direito sim, mas temos tbm que andar com velocidade compatível com os carros. Se não dá pra andar assim, eu vou para outra via, prefiro continuar vivo

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    • Luiz Eduardo

      Perfeito! É um direito pelo qual se deve brigar, mas não se deve arriscar a própria vida. Todos que querem reivindicar esse direito precisam usar primeiro a cabeça, e apenas depois sair para pedalar.

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  • Alberto

    Olá Willian,
    No caso de vias como a Av. Liberdade, onde há a faixa para motos, existe alguma restrição sobre o uso dela? Devemos incentivar o uso dela, ou o que??
    Abs

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    • Oi, Fernando.

      Uma ponte é um elemento de ligação, não uma via em si. No “glossário” final do CTB, há a definição de ponte:
      PONTE – obra de construção civil destinada a ligar margens opostas de uma superfície líquida qualquer

      Ou seja, não é uma “via” em si. Ela contém uma via – que não iniciou ali, é uma continuação da via que está em uma das margens e terá continuidade na margem seguinte.

      Sem contar que restringir a passagem de uma margem a outra apenas a quem estiver em um veículo motorizado, obrigando os deslocamentos humanos a se estenderem por quilômetros de extensão (muitas vezes os impossibilitando), é um cerceamento da liberdade de deslocamento, negando a liberdade de locomoção garantida pelo Art. 5º da Constituição, além de um preconceito social vergonhoso. É praticamente um “apartheid veicular” e não há desculpas técnicas ou legais que o justifiquem.

      Pior ainda é a situação onde até mesmo os pedestres são proibidos de cruzar, pois de acordo com o Art. 68 do CTB, § 6º, “onde houver obstrução da calçada ou da passagem para pedestres, o órgão ou entidade com circunscrição sobre a via deverá assegurar a devida sinalização e proteção para circulação de pedestres“.

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    • Luiz Eduardo

      Eu concordo com Fernando que pontes tem as mesmas características de vias de trânsito rápido em que bicicletas não devem trafegar. E adiciono dizendo que os túneis do município de São Paulo também se enquadram nessas características de vias de trânsito rápido!
      Não acho que faça sentido querer dividir a pista de pontes, pois além das mesmas características de vias de trânsito rápido, as pontes ainda tem um agravante das perigosas alças de acesso. Nelas a travessia do ciclista é muito perigosa, pois é difícil olhar para trás e escolher o momento apropriado de cruzá-las. Eu passei um belos perrengues nas vezes que atravessei pontes de bicicleta e não recomendo! O mais seguro é cruzar pontes em que há espaço para pedestres (ex. Ponte do Jaguaré e Cidade Universitária, Eusébio Matoso em vez de ponte Bernardo Goldfarb).
      Numa cidade como São Paulo a travessia de pontes não apenas por ciclistas, mas também por pedestres é um dos desafios de mobilidade a serem combatidos. São necessárias passarelas para travessia, não apenas de pedestres, mas também de bicicletas.
      Aqui na Usp havia um projeto de ligar por passarela a praça do relógio ao parque Vila Lobos, mas não foi feito. Nesse caso seria muito legal se fosse feito, pois daria para fazer uma passarela sem aquele caracol de rampas para acessá-la. Dava para fazer como rampa única tanto na chegada quanto na saída.

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  • Edu

    Fala Willian, tudo certo?

    Pedalo todos os dias pela pista expressa da Av do Estado, no trecho do Glicério até a Av Dom Pedro. Esse trecho em particular não tem semáforo,travessia de pedestres ou cruzamentos, mas tem um asfalto bem melhor que o da pista marginal, além de não passar linha de ônibus (apenas fretados e ônibus recolhendo). Você sabe me dizer se nesse trecho especifico é proibido o trafego de bicicletas?

    Abraço!

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  • Rafael

    Instalaram placas sinalizando rota de bicicleta na Alameda Santos. Seria continuação do trabalho do iniciado na gestão passada, ou desestímulo ao uso da Av Paulista pelos ciclistas?

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  • Luan Bernardi

    Antes de mexer com leis, seria bom usar o bom senso. “Poder” é uma coisa, mas será que tudo que se pode fazer é conveniente? Quem pedala e tem bom senso evita avenidas complicadas, mesmo que não sejam “vias de trânsito rápido”.

    Polêmico. O que acha? Thumb up 4 Thumb down 5

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    • Rodrigo, a repetição excessiva desse mesmo comentário em diversas postagens e do link em todos seus comentários está se tornando bastante desagradável. Principalmente porque parece se tratar de pesquisa para um projeto comercial, o que poderia ser considerado spam. Se você tiver interesse em anunciar no Vá de Bike, entre em contato.

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  • Zerbinato

    Willian,

    Evito sempre que posso, mas não acho nem um pouco errado que a pessoa na bici trafegue por vias de trânsito rápido.

    Em Brasília, se queremos ir de bici, somos praticamente obrigados a pedalar por ruas enormes, extremamente largas e com a velocidade média de 70km (na prática).

    Não acho, de verdade, quealguém goste ou prefira pedalar numa marginal, numa 23 de maio ou similares, mas como chegar da vila mariana até a clinicas sem se obrigar a pedalar na Paulista?

    O grande lance é que apesar de exigirmos direitos para as bicicletas, para que se comportem como veículos, acabamos nos esquecendo que o uso da bicicleta se assemelha mais ao pedestre do que ao uso do carro.

    Então, ainda que a lei nos dê esse e aquele direito, ainda que saibamos que é certo a bicicleta circular na via, se não houver espaço adequado para ela e é obrigação dos motoristas proteger o ciclista e o pedestre.

    Vale o bom senso na hora de pedalar, e uma dica de quem já passou por momentos BEM stressantes no trânsito: Em caso de conflito, monte na bici e vá embora, não vale a pena querer resolver a coisa de outra forma!

    Abraços!!!

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    • Luiz Eduardo

      Eu concordo que seja obrigação do motorista proteger o ciclista e o pedestre. Mas nem sempre isso é possível nas vias de trânsito expresso. Falo por experiência de trafegar nas marginais de SP. Com frequência quando estou de carro cruzo ciclistas na faixa da direita sem qualquer sinalização de segurança, apenas usando capacete e nada mais. Quando estou pela direita, eu dou seta e desvio das bicicletas. Mas há o risco de outros carros que estejam desviando de algum obstáculo ou que estejam saindo da via troquem para a faixa direita e não vejam as bicicletas, aproximando-seem velocidade elevada, com risco de colisão e atropelamento!

      Eu pessoalmente acho que falta maior integração entre transporte coletivo e bicicletas. SP tem distâncias enormes entre locais que as pessoas frequentam, mas trafegar por vias de trânsito expresso não é alternativa, ou não deveria ser. Para que as pessoas possam trafegar de bicicletas e transpor obstáculos como vias de trânsito expresso, túneis e pontes é necessária integração de bicicletas ao transporte coletivo associado ao emprego de ciclofaixas nos arredores de terminais de ônibos e estações de trens e metros.

      Pode ser até que em um futuro essa situação mude, mas atualmente, andar em via de trânsito rápido significa estar ilegal e ainda arriscar a própria vida.

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  • Valdson

    Ah, o mesmo que falei sobre rodovia ser via rural, vale para via de trânsito rápido, que é uma via urbana (vi o art. 60 agora).
    Ou seja, no caso de não haver acostamento e portanto ser permitida a circulação nos bordos da pista de rolamento de acordo com o artigo 58, o artigo 244 estaria excluindo as vias de trânsito rápido das vias urbanas e excluindo as rodovias das vias rurais de pista dupla.
    Entendo que o artigo 244, que está no capitulo das infrações, estabelece uma infração que contraria o artigo 58, que está no capítulo das normas gerais de circulação e conduta.
    Quando uma lei não respeita a constituição ela é inconstitucional, e quando um capítulo de uma lei não respeita outro capítulo mais geral da mesma lei, é o que?

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  • Valdson

    Willian, tomei conhecimento desse artigo 244 essa semana, pesquisando um pouco depois de ter ouvido um policial de trânsito afirmar que o ciclista morto neste domingo no final da Castelo Branco não poderia estar pedalando alí, pois seria proibido pelo CTB o trânsito de bicicleta em vias de trânsito rápido ou rodovias.
    O policial não lembrou de dizer que isso valia para o caso de não haver acostamento. Mas naquele trecho da Castelo Branco não tem acostamento direito, tem em alguns pedaços, em outros não (e mesmo nos pedaços que tem o acostamento está no mesmo nível da pista, separado da pista da direita apenas por uma faixa branca contínua). Então, olhando para esse artigo 244, dá pra entender que a bicicleta estaria proibida de transitar alí naquele pedaço da Castelo Branco (mas acho que nem existem caminhos alternativos por alí…).
    Daí fiquei com uma dúvida, esse artigo 244 não se choca com o artigo 58? O artigo 58 fala em via rural de pista dupla e via rural de acordo com o anexo do CTB são estradas e rodovias. Então entendo que o artigo 58 permite o trânsito de bicicletas em rodovias (via rural) mesmo sem acostamento e o artigo 244 proíbe.
    Outra coisa é que não sei porque tem essa especificação de “pista dupla” se nada é falado sobre o trânsito de bicicletas em via rural de pista simples (ou pista tripla…). Quer dizer, o CTB não diz nada sobre o trânsito de bicicletas em vias rurais que não sejam de pista dupla. Bem mal feito esse CTB em vários detalhes, né?

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  • Valdemir

    Eu sei Willian ! O que eu quis dizer é que existem ruas aqui em São Paulo com duas mãos tão estreitas mas tão estreitas que na faixa tanto de ida como de volta os carros tem que andar em fila indiana mesmo, e a distancia entre a guia e o carro que vem na outra faixa se der 1,5 mts é muito, as vezs nem isto mesmo é 1 mt e olha lá, ai para arrumar espaço para mais um veiculo fica complicado, além disto sabemos que a maioria dos motoristas não tem nem a sabedoria e muito menos educação e vontade de cumprir a lei, a maioria mete a buzina em cima, chinga, passa raspando etc !
    Claro que nem sempre este tipo de situação em algunmas ruas e avenidas construidas e projetadas de forma ridicula não são culpa nem do motorista e muito menos do ciclista, e sim dos engenheiros que projetaram as nossas ruas, alias sabemos muito bem que nas periferias, nada mas absolutamente nada antigamente era planejado, hoje quando se constrói uma nova rua, uma nova avenida, viaduto etc Até se pensa melhor no projeto, agora o que herdamos de anos atrás é deplorável, ruas estreitas, mal sinalizadas, esburacadas,casas que invadem rua, ruas que nem calçada tem, casa que não tem recuo por lei, rua que termina em lugar nenhum, rua sem asfalto, rua que termina em barranco e um monte de coisas que dá até vergonha de ver e comentar, outros paises quando construiram suas vias, visaram o futuro sem superfaturar, roubar e entregar uma porcaria qualquer a população!
    De que adianta existir leis se não existe infraestrutura adquada para cumpri-las? No papel tudo é lindo na prática hummmm ……….. Sera que em outros paises os engenheiros são mais inteligentes, será que lá fora quando se projetava uma via se pensava no futuro, que a cidade ia crescer, a população ia crescer, o transito ia crescer! Aqui no Brasil parece que esqueceram destes detalhes!Agora fica assim a gente restrito a ter ciclovias bem projetadas e ciclofaixas em vários lugares!
    Prova de que aqui é dificil cumprir a lei sem ter estrutura, é uma avenida que tem perto aqui de onde moro, esta avenida é muito movimentada, existe desde que o bairro foi construido a décadas atrás e continua exatamente igual aquela época 1800 e rolha! A avenida é movimentada e tão estreita que não dá para entrar nela de bike, a não ser que vc queira um onibus raspando seu guidão no minimo! Calçada então! KKKKKKK As que não estão esburacadas, Tem lugar que é piada, passa uma pessoa por vez de tão estreita!
    Agora como qualquer lei até esta super simples de 1,5 mts de distancia de um veiculo para uma bicicleta pode ser aplicada, e como o ciclista em uma situação destas pode se sentir seguro, sabendo que tem esta lei ????
    Como disse no papel tudo é lindo!
    Bom Pedal a todos!

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  • Valdemir

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    • Valdemir, o motorista não precisa permanecer ao lado do ciclista o tempo todo, a 1,5m de distância, portanto não precisará trafegar na contramão. Ele precisará, sim, fazer uma ultrapassagem, como faria com qualquer outro veículo, utilizando outra faixa ou a pista contrária caso seja seguro e possível. E terá de fazer essa ultrapassagem de forma segura, respeitando a distância legal, que nada mais é que uma medida de segurança e de proteção à vida. Entenda aqui.

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  • Rosana

    Impressionantes os comentários à matéria do Estadão… é muito triste ver “cerumanos” tão limitados quando se trata de viver em sociedade e de perceber as reais causas dos problemas da coletividade. Aqui em Brasília muitas calçadas tem postes e placas bem no meio, a chiadeira com a implantação da faixa exclusiva para ônibus (que demorou a ser implantada, até) é muito parecida com a dos comentários da triste matéria. Ou seja, PESSOAS não poderiam se locomover de bicicleta (ou a pé, ou de ônibus) porque outras PESSOAS acham que têm mais direito, simplesmente por estarem dentro de um carro…

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  • Sergio Figueiroa

    Porém, vias como a avenida Sto Amaro e Av. Ibirapuera na zona sul de São Paulo, não me deixam seguro em pedalar nessas vias é fácil arrumar confusão com os motorista que não reconhecem nossos direitos.

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    • Sergio, também não gosto de pedalar em nenhuma das duas e raramente o faço. A recomendação é sempre buscar vias alternativas, porém nem sempre elas têm altimetria adequada, nem sempre representam maior segurança e muitas vezes não são exatamente paralelas, o que dificulta acertar o caminho para quem não conhece a região em que está transitando.

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  • Valdemir

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    Esse comentário não tem feito muito sucesso. Thumb up 2 Thumb down 15

  • esse canal no vimeo tem vários vídeos com dicas bem legais de como se comportar em vias de trânsito rápido. Nunca tentei nada parecido, tenho medo, mas é a primeira vez que vejo vídeos mostrando q é possível e achei muito legal. http://vimeo.com/album/1881848/video/17502384

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  • Vídeo contando como lidaram com o fato de ciclistas insistirem em usar as grandes avenidas, afinal, ciclistas são apenas pessoas querendo chegar mais rápido: http://www.youtube.com/watch?v=E09HZgphQ1U

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  • Interessante nas afirmações de onde pode e não pode circular a bicicleta ressalto que se algum infeliz tentar andar pela legislação de transito não consegue nem sair do seu bairro.
    Se tiver que andar em bordo direito de pista, tem carro estacionado. Onde não tem carro estacionado é uma via arterial (e olhe lá) um pouco mais rápida mas nem sempre como a minha bike. Pra ocupar uma faixa não tem muitas avenidas com tres faixas ou mais, e quando tem a velocidade da via é acima de 40km por hora (no domingo de madrugada). Ou seja, EU SOU UM FORA DA LEI. Se eu fosse um motorista bebado e sem carta, não cometeria tantas imfrações como ele.

    Vou da Vila Ema á Pompéia em 1:00h, se for de onibus e metro da pelo menos 1:30h.

    Minha média no transito é 25Km/h a do transito é 15Km/h.
    Não dá pra largar a bike.

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  • Wolfgang

    Devo dizer que quase chorei ao ler os comentários na página do facebook linkada nesse artigo. Não sei se de raiva ou se de tristeza… Sei apenas que mais uma vez a estupidez humana me surpreende. Nunca fui de desistir das coisas que acredito e eu acredito em uma São Paulo melhor, mas depois de ler esses “comentários” me senti extremamente corroído pela vontade de deixar essa cidade por algo melhor para mim.

    Estou de luto.

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  • André Mezabarba

    Willian, as únicas vias de transito rápido que andei e que “atendem” essas características foram a Linha Vermelha e Linha Amarela no Rio de Janeiro, em Belo Horizonte, há alguns (posso chama-los de boçais?)que defendem que a linha “nada” verde do aecinho never é uma “via de transito rápido”, claro que é: tem acesso a garagens, comércios, tem várias esquinas, passagens de pedestre (mesmo com o Gov. de Minas e a PBH removendo várias em função da fluidez).

    E infelizmente, para ciclistas que moram em certas regiões, essa “tentativa de fazer via expressa” do querido aecinho never é a única alternativa de passagem pelo atual anel rodoviário de Belo Horizonte.

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