Documentário traz questões essenciais sobre o trânsito de SP

Já está rolando na internet o teaser do documentário que está sendo produzido pelo Movimento Viva Vitão, cujo objetivo é “evidenciar a situação de barbárie que vivemos em nosso trânsito e, dessa maneira, conscientizar as pessoas”. A campanha Viva Vitão iniciou depois da morte do publicitário Vitor Gurman, em julho de 2011, atropelado em uma calçada da Vila Madalena, em São Paulo, por um motorista embriagado.

“O trânsito de São Paulo é o retrato mais perfeito da nossa taxa de cidadania”, diz um dos entrevistados diante de cenas fortes do caos visto e vivido diariamente em nossa cidade.

Depois de toda a repercussão sobre a notícia desastrosa publicada no Diário Oficial de São Paulo, esse documentário vem para escancarar o que realmente acontece nas ruas e avenidas. Quem causa, quais as consequências e, principalmente, quem são as vítimas dessa violência absurda.

Ciclistas e pedestres morrem e geram custos ao sistema de saúde não porque pedalam e caminham (atividades essencialmente saudáveis e que promovem o bem estar social), mas porque são a parte mais frágil de uma lógica perversa que estimula ruas velozes, impunidade e omissão de todos, inclusive da sociedade que assiste passiva a essa chacina.

A bola da vez

É muito interessante notar que, enquanto as bicicletas ganham espaço tanto nas ruas quanto nas pautas e discursos políticos no mundo inteiro, uma outra parcela da sociedade insiste em criminalizar e culpar quem insiste (!!!) em usar este veículo – que é anterior a qualquer outro motorizado e legítimo no CTB – nas vias públicas.

Uma das justificativas para esse ataque unilateral (que pode tirar vidas ao endossar um discurso egoísta e perigoso) é que, de certo modo, os ciclistas passaram a existir em maior número, ganharam força e ocuparam classes com poder aquisitivo da nossa sociedade. Isso tem feito do “movimento cicloativista” um embrulho chato, barulhento e incômodo. São os “revoltados” que, bem ou mal, têm mexido com a dinâmica das grandes cidades ao retirar as pessoas “do automático”, a cada entrevista, a cada polêmica, a cada manifestação.

Como dizem no teaser do documentário, vivemos num momento de individualismo e falta de reconhecimento do espaço do outro. “A pergunta é: alguma coisa está errada? ESTÁ TUDO ERRADO!”, finaliza.

“NÃO ESPERE PERDER UM AMIGO PARA MUDAR SUA ATITUDE NO TRÂNSITO” – Movimento Viva Vitão

Assista também:

Entrevista feita pelo jornalista Rodrigo Bugarelli/Estadão com o diretor da Ciclocidade, Thiago Benicchio, sobre a inversão de responsabilidades nos “acidentes” de trânsito

“Sua pressa vale uma vida?” Registro da ação feita por ativistas em protesto à morte de Vitor Gurman, com depoimentos e imagens do local do crime, a Rua Natingui, na Vila Madalena, em São Paulo.

Ação dos ciclistas de Aracaju/SE, que instalaram 56 cruzes em memória a pessoas que morreram enquanto exerciam seu direito de pedalar. As cruzes foram retiradas pela prefeitura em menos de 24h.


9 comentários para Documentário traz questões essenciais sobre o trânsito de SP

  • Luciano

    Boa tarde a todos.

    Gostaria de compartilhar uma sensação com vocês. Estive nestes últimos dias na cidade de São Paulo, a qual nunca tinha tido a oportunidade de conhecer. E como eu creio que é a cidade da maioria daqueles que aqui participam, vou deixar minha visão dela.

    Andei muito por diversos locais em 4 dias (Av. Paulista, Av. da Consolação, Brás, 25 de Março, Ibirapuera, Vila Mariana, etc.).

    Tive uma grata constatação de que São Paulo é melhor do que eu esperava. Os noticiários pintam a cidade como uma selva de pedra maldita, que só quer saber de trabalho, dinheiro e tudo o que há de pior na convivência entre os seres humanos (violência, desrespeito, etc.). Gostei de ver que as avenidas são muito bem arborizadas, limpas e com asfalto em boa qualidade (na grande maioria dos locais em que passei).

    Conheci um trânsito cheio, mas que fluiu muito bem (tive a sorte de não o vê-lo parado devido aos acidentes, segundo o relato de taxistas). Andei pela cidade de táxi, metrô (o modal mais utilizado por mim e minha esposa), trem urbano, bicicleta e andamos muito também.

    Vi muitas pessoas utilizando bicicletas, de todos os tipos. Me agradou ver entregadores em bikes cargueiras, muitos bike couriers, e muita gente pela Av. Paulista. Achei a largura das faixas de trânsito muito estreitas, o que gera maior insegurança a todos.

    E realmente tive sorte em não passar por nenhum engarrafamento por acidentes e nem por chuva (foi chover no dia seguinte em que parti).

    Um detalhe que me causou espanto foi ver uma pessoa que estava no metrô com a filha pequena e ambos de bicicleta. Ele não podia utilizar as escadas rolantes nem o elevador. Teve que subir os muitos (muitos mesmo) degraus com as duas bicicletas nos ombros e deixando a sua filha pequena subir sem poder lhe dar as mãos.

    Outro detalhe sobre o ritmo de vida da cidade: é um ritmo muito acelerado. As pessoas andam muito rápido, sempre com muita pressa. As ruas sempre muito cheias e se você não acompanhar vai ser “atropelado”.

    Nas escadas rolantes do metrô vi uma mensagem: mantenha-se à direita. Claro, muitos passavam por ela “voando”. Estranhamos isso, mas entendemos que há uma diferença cultural entre cidades que não é algo que quem é de fora queira mudar. É questão de se adaptar ou conviver com isso. O ritmo da população em geral pareceu ser frenético. E isso passa a ser cotidiano. Aquela correria passa a ser normal. E se reflete no modo de ser das pessoas em tudo o que fazem. Inclusive no trânsito.

    Enfim, São Paulo foi mais humana e aprazível do que eu imaginaria que pudesse ser. Foi realmente um prazer conhece-la. Um enorme prazer em ver muitas bikes nas ruas. Vi muito mais do que esperava.

    A avaliação foi bem positiva. Apesar dos problemas de trânsito que todos nós enfrentamos em nossas cidades, ainda há mais gente que respeita e quer algo melhor a todos do que gente ruim nesse mundo.

    Um grande abraço a todos.

    Luciano
    Taguatinga – DF

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  • Valdemir Avila

    Sou motorista durante a semana e Ciclista no fim de semana, gostaria muito de ser Ciclista sempre! Todo o tempo,pois confesso que amo muito mais pedalar do que dirigir , Eu sempre procuro deixar o carro apenas para usar quando a bicicleta não é possivel, como usar com a familia,Viagem, alguns passeios que não dá para fazer de bike, fazer compras no Supermercado,fazer feira,usar em dias de chuva etc, realmente coisas que exigissem o uso do carro mesmo e não apenas para ir a PADARIA da esquina como vejo meu vizinho fazer por exemplo, o cara não sai de casa sem o carro!
    Uma pessoa que dirige, pode até não gostar de pedalar e tal, é um direito da pessoa ou azar não sei?, mas agora não reconhecer a grande CONTRIBUIÇÃO que a bicicleta trás para o meio ambiente, para a saude do individuo, para o mundo, é realmente uma baita Burrice!!!
    Pessoas sedentárias, obesas e preguiçosas, que são totalmente dependentes de carro e fumaça, nunca entenderão mesmo o uso da bicicleta, nunca entenderão que a bicicleta é o meio de transporte mais SAUDÁVEL do planeta, mais gostoso, mais livre, faz bem a alma andar de bicicleta! E que não somos meros invasores no transito, e sim mais um !
    O grande problema é que muitas pessoas quando estão dentro de um carro se acham poderosas, donos da rua do mundo, além disto tem o BENDITO fator status, a pessoa quer se aparecer, se mostrar!
    Como disse o amigo acima em termos de mobilidade Urbana, o Brasileiro realmente está no fundo da caverna! E nosso transito no fundo do poço!
    Não basta apenas a concientização dos motoristas, mas sim uma concientização geral, motoristas, ciclistas,pedestres,governo, pois em todos os grupos existem as maçãs boas e as maçãs podres, fora isto para andarmos com segurança seria necessário um REVOLUÇÃO na infraestrutura viaria, para Ciclistas, ai sim , muita gente que tem medo de usar a bike na rua, passaria a usar, tendo espaços de transito garantidos e protegidos por lei.
    Temos que lembrar algumas coisas a maioria dos motoristas se acham donos da rua? Sim! Infelizmente,e a nossa lei falha contribui muito para isto também , porém existe e eu já testemunhei, muitos pedestres e ciclistas que também contribuem para o aumento da estatistica de mortes, eu já vi muito neguinho fazendo besteira no transito, pedestre que tem um semáforo a 10, 20, metros de distancia para atravessar uma via perigosa em segurança, mas por preguiça acha que dá para atravessar ali mesmo ao invés de ir até o semáforo ( algumas semanas um Sr. aqui morador da minha rua morreu assim, a 10 metros do semáforo,ele ficou estendido no meio da rua a extos 10 metos de distancia do semáforo e da faixa de segurança, eu vi! Falta de aviso?? Não mesmo! Eu vivia falando a ele do perigo de não atravessar no sinal, muitos vizinhos e familiares viviam falando mas ele era muito teimoso, ai eu pergunto culpa do Motorista?? Aliás no carro havia uma mulher grávida que ficou traumatizada com o ocorrido, já pensou na situação que um pedestre irresponsável, como tantos outros provocou??! ) E o carro estava na velocidade certa, na faixa certa, culpa do carro? do motorista? Ciclista na contra mão, pedestre que atravessa embaixo da passarela, Pedestre que anda de costa com fone de ouvido no meio fio, pedestre que atravessa avenida como se fosse uma passarela de desfile, ciclista que desce da calçada do nada para o meio da rua, ciclista que anda sem capacete,luva,espelho retrovisor, enfim é gente errada para tudo que é lado!
    Como disse no inicio não estou defendendo o transito motorizado, no qual as vezes infelizmente sou obrigado a fazer parte, mas também não podemos erguer as tochas e os tridentes e sair por ai esculhambando pois , nem sempre tudo parece o que é ! No discurso é uma coisa, no dia a dia é outra, eu e meu filho mesmo quase por um milésimo de segundo não fomos atropelados por dois Speeds, ao atravessarmos na faixa de segurança, no sinal verde para nós e vermelho para eles , todos os carros haviam parado e só os dois BONITÕES quase nos atropelaram, por sorte senti o vulto e voltei para trás e puxei meu filho, mas a ponta do guidão chegou a me raspar, podem falar o que quiser, usar a justificativa que quiserem, mas ando de bike também e nunca passo um farol vermelho para mim, uso minha bike como se usasse o carro respeitando todas as leis de transito, e graças a Deus to aqui!
    Os caras estavam uniformizados direitinho, equipados, bikes carissimas, mas sem nenhuma noção de EDUCAÇÃO e CIDADANIA, além do susto ainda tive que ver os dois pararem no cruzamento a frente e nos chingarem, como se a culpa fosse minha de atravessar o sinal aberto para mim!
    Por isto, pessoal, protestem, exijam, lute pelos direitos dos Ciclistas, mas não sejam CEGOS como alguns, que só olham em uma direção e colocam a culpa só em alguém ou em alguma coisa, questione sempre, questionar é saudável!

    PARA PENSAR:
    Olhar só em uma direção é errado, você pode tropeçar por falta de uma visão geral, olhe em todas as direções, garanto que vc pode andar bem melhor e o risco de tropeçar será bem menor!

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    • Rosana

      O problema daqueles dois cidadãos de bicicleta é de falha de educação e caráter, e se estivessem de carro fariam igual, com consequências piores.

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  • O Brasileiro está no fundo da Caverna (Platão)

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  • Felipe Ferandes

    A visão que precisa ser mudada é que estas morte no trânsito são um mal necessário, que são o preço a se pagar por usar um carro. O grande absurdo é que este pensamento seria aceitável no caso dos aviões, que já são o meio de transporte mais seguro, mas mesmo nesses casos essas mortes não são aceitáveis e investe-se furtunas para se estudar cada caso minuciosamente na tentativa de impedir que ele volte a acontecer.

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  • Otávio

    Hoje, muitas reportagens sobre os 5 anos do acidente da TAM, claro que é compreensível a comoção, mas e os milhares que morreram no trânsito ou em decorrência dele (poluição) naquele mesmo ano? Por que não são lembrados? Chega de banalização nas mortes do trânsito!!

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  • Rose Herculano

    O que esperar de uma população que,em sua maioria, aceita tudo calada,conformada ou,como cantou Skank uma vez,”a nossa indignação é uma mosca sem asas,não ultrapassa a janela de nossas casas…”?!
    Movimentos como Viva Vitão e o cicloativismo incomodam justamente por tocar numa ferida profunda,mascarada,cínica,que são as mortes no trânsito.É a corda que sempre arrebenta do lado mais fraco.Lado esse que eu nem preciso mencionar qual é.Mas,se depender de mim,farei barulho enquanto puder.

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