12 pontes de São Paulo terão ciclovias até final de 2015; outras 16 estão em estudo

Ponte Júlio de Mesquita Neto receberá ciclovia bidirecional central já na primeira etapa. Foto: Fernando Stankuns (cc)

Ponte Júlio de Mesquita Neto receberá ciclovia bidirecional central já na primeira etapa. Foto: Fernando Stankuns (cc)

Jilmar Tatto, secretário de Transportes (esq) e Fernando Haddad. "Toda ponte tem que ser pensada neste sentido", afirmou o prefeito durante o anúncio das medidas de proteção ao ciclista.  Foto: SMT/Divulgação

Jilmar Tatto, secretário de Transportes (esq) e Fernando Haddad. “Toda ponte tem que ser pensada neste sentido”, afirmou o prefeito durante o anúncio das medidas de proteção ao ciclista. Foto: SMT/Divulgação

A Companhia de Engenharia de Tráfego de São Paulo (CET) está realizando estudos para travessia de ciclistas em todas as pontes que cruzam as marginais dos rios Pinheiros e Tietê. A travessia das marginais é parte importante para a ligação cicloviária das zonas Norte, Oeste e Sul ao Centro e a criação desses ramais será fundamental para a formação de grandes eixos de deslocamento por bicicleta na cidade. ”Daqui para frente, toda ponte tem que ser pensada neste sentido”, afirmou o Prefeito Fernando Haddad ao anunciar as medidas, na terça-feira 7 de outubro.

Nessa primeira fase foram desenvolvidos projetos para 12 das 28 pontes e, inicialmente, quatro estruturas serão contempladas, com pintura de solo e obras de pequeno porte: Viaduto Domingos Franciulli Netto (Penha) e as Pontes Presidente Jânio Quadros (Vila Maria), Júlio de Mesquita Neto (Pompeia) e Vitorino Goulart da Silva. As três primeiras ficam sobre o Rio Tietê e a última, sobre o Rio Pinheiros, na zona sul. Esta última se situa próximo à saída sul da Ciclovia Rio Pinheiros, tornando mais seguro o acesso à via de ciclistas para quem vem do extremo sul da cidade.

Ciclistas e pedestres

A travessia de pontes, tanto por ciclistas quanto por pedestres, é um problema antigo e conhecido em São Paulo, que até recentemente só tinha recebido soluções pontuais, esporádicas e pouco eficientes – e, ainda assim, contemplando apenas o pedestre. Isso acaba fazendo com que muitos ciclistas trafeguem junto a quem está circulando a pé, por ver nesse procedimento a única alternativa segura para travessia. Ainda assim, os ciclistas (e os pedestres) continuam sendo colocados em risco pelos carros em alta velocidade, quando precisam cruzar as alças de acesso.

De um ano para cá, duas intervenções mais relevantes foram realizadas: uma para proteger os pedestres, com a demarcação de um espaço na via na cor azul e segregado por blocos de concreto, suprindo a falta de calçadas no viaduto Pacaembu (veja aqui); outra, bem mais recente, atendendo tanto pedestres quanto ciclistas, no Viaduto Maestro Alberto Marino, no Centro (Av. Rangel Pestana), com uma ciclovia bidirecional em um dos lados do viaduto e o espaço azul dos pedestres do outro lado.

Ciclovia no Viaduto Alberto Marino. Foto CET/Divulgação

Ciclovia no Viaduto Alberto Marino. Foto CET/Divulgação

Formato

A intervenção feita pela Prefeitura no Viaduto Maestro Alberto Marino foi considerada um projeto-piloto. Entretanto, as ciclovias nas próximas pontes poderão ser feitas tanto nas faixas da direita quanto no canteiro central ou mesmo nas calçadas, dependendo da estrutura existente. Cada ponte terá seu estudo e solução próprios. A lista no quadro mais abaixo especifica essas intervenções e a galeria de imagens no final do texto detalha as implantações.

Redução de velocidade

Em todas as pontes onde houver intervenção para proteger os ciclistas, a velocidade máxima para os veículos motorizados será regulamentada em 50 km/h, tornando a via mais segura tanto para ciclistas e pedestres como para os próprios motoristas e motociclistas.

Prazos

Mais oito pontes devem receber ciclovias em breve, tendo sido deixadas para um segundo momento já que exigem obras de engenharia civil de maior porte e, portanto, mais demoradas. Essas duas etapas terão andamento simultâneo e as primeiras intervenções começam ainda neste mês de outubro, na Ponte da Casa Verde. A previsão é que as doze pontes estejam com ciclovia até o final de 2015.

Sinalizar e reformar pontes é essencial

Milhares de ciclistas precisam cruzar diariamente as pontes paulistanas. E a maneira como foram construídas – servindo como alça de acesso para vias de alta velocidade – coloca em risco qualquer pessoa que não esteja em um veículo automotor.

O motivo do risco é bastante claro. O ciclista vem por uma avenida principal, quando de repente “surge” uma nova faixa à sua direita, com veículos entrando em alta velocidade. E isso justo no momento em que começa o ciclista começa a subida e sua velocidade, por consequência, diminui.

Mesmo após passar por essa entrada, o risco continua sobre a ponte, pois a velocidade da bicicleta diminui cada vez mais em razão do aclive. E os motoristas, que vêm da avenida abaixo em alta velocidade, vêem a ponte como uma extensão dessa via e tentam manter a velocidade que imprimiam anteriormente. O ciclista passa a ser visto como obstáculo e não raro ocorrem agressões que lhe colocam a vida em risco, como finas e fechadas.

Mais adiante, quando tem início a descida, o risco continua, agora com os motoristas que querem chegar à saída na direita, para acessar a via rápida abaixo. Muitos não têm paciência com o ciclista e o fecham descaradamente, mesmo sabendo que com isso pode ocorrer um atropelamento com consequências gravíssimas.

Construir estrutura e sinalização que permitam a travessia segura de ciclistas e, portanto, uma medida importantíssima e que evitará atropelamentos, que não raro resultam em morte ou em sequelas que acompanham o ciclista para o resto da vida, em um incidente que sempre fere apenas um dos envolvidos: o mais frágil.

As pontes que receberão ciclovias

Ciclistas na Ponte Vitorino Goulart da Silva, uma das que receberão ciclovia já na primeira etapa. Foto: Willian Cruz

Ciclistas na Ponte Vitorino Goulart da Silva, uma das que receberão ciclovia já na primeira etapa. De acordo com a imagem do projeto fornecida pela CET, a ciclovia será instalada exatamente onde os ciclistas estão pedalando (sentido Interlagos). Foto: Willian Cruz

Primeira Etapa (em andamento)

A primeira fase consiste em projetos para pontes que requerem apenas pintura e obras de pequeno porte:
  • [Pronta - veja aqui] Viaduto Domingos Franciulli Neto (General Milton Tavares de Souza) - Sobre o Rio Tietê, ciclovia bidirecional no acostamento, na lateral do sentido Rodovia Fernão Dias
  • [Pronta - veja aqui] Ponte Presidente Jânio Quadros (Vila Maria) - Sobre o Rio Tietê, ciclovia bidirecional central
  • Ponte Júlio de Mesquita Neto (Pompéia) - Sobre o Rio Tietê, ciclovia bidirecional central
  • Ponte Vitorino Goulart da Silva - Sobre o Rio Pinheiros, passarela com ciclovia bidirecional, na lateral do sentido Interlagos

Segunda Etapa (em andamento)

Projetos para pontes que requerem obras civis de maior porte:
  • Ponte Doutor Miguel Arraes (Aricanduva) - Sobre o Rio Tietê, ciclovia bidirecional no canteiro central
  • [Pronta - veja aqui] Ponte Flávio Cavalcanti (Vila Guilherme) - Sobre o Rio Tietê, ciclovia bidirecional no canteiro central
  • [Pronta - veja aqui] Ponte Cruzeiro do Sul - Sobre o Rio Tietê, ciclovia unidirecional central em ambos os sentidos
  • [Pronta - veja aqui] Ponte das Bandeiras - Sobre o Rio Tietê, ciclovia bidirecional sobre o passeio, na lateral do sentido Santana
  • [Pronta - veja aqui] Ponte Jornalista Walter Abraão (Casa Verde) - Sobre o Rio Tietê, ciclovia bidirecional sobre o passeio, na lateral do sentido Centro
  • Ponte Adhemar Ferreira da Silva (Limão) - Sobre o Rio Tietê, ciclovia bidirecional no canteiro central
  • [Pronta] Ponte Remédios - Carmen Fernandes Neves - Sobre o Rio Tietê, ciclovia unidirecional central em ambos os sentidos
  • Ponte Jurubatuba - Sobre o Rio Pinheiros, passarela com ciclovia bidirecional central

Próximas pontes (em estudo)

Além destas, outras pontes continuam em estudos técnicos, buscando soluções para implantação de ciclovias:
  • Ponte Imigrante Nordestino - Sobre o Rio Tietê
  • Ponte Deputado Ricardo Izar (Tatuapé) – Sobre o Rio Tietê
  • Complexo Viário Prefeito Olavo Egydio Setúbal (Anhanguera) – Sobre Rio Tietê
  • Ponte Engenheiro Ary Torres – Sobre o Rio Pinheiros
  • Ponte Octávio Frias de Oliveira (Estaiada) – Sobre o Rio Pinheiros
  • Ponte Caio Pompeu de Toledo (Morumbi) – Sobre o Rio Pinheiros
  • Ponte João Dias – Sobre o Rio Pinheiros
  • Ponte Transamérica – Sobre o Rio Pinheiros
  • Ponte Freguesia do Ó - Sobre o Rio Tietê, construção de ciclopassarela bidirecional na lateral do sentido Centro
  • Ponte do Piqueri - Sobre o Rio Tietê, construção de ciclopassarela bidirecional na lateral do sentido Bairro
  • Ponte Hirant Sanazar (Jaguaré) –Sobre oRio Pinheiros, construção de ciclopassarela bidirecional entre as pontes
  • Ponte Cidade Universitária - Sobre o Rio Pinheiros, construção de ciclopassarela bidirecional ao lado do sentido Bairro
  • Ponte Eusébio Matoso - Sobre o Rio Pinheiros, construção de ciclopassarela bidirecional ao lado do sentido Bairro
  • Ponte Engenheiro Roberto Rossi Zuccolo (Cidade Jardim) - Sobre o Rio Pinheiros, construção de ciclopassarela bidirecional na lateral do sentido Bairro
  • [Pronta] Ponte Laguna - Em construção sobre o Rio Pinheiros
  • Ponte Santo Dias da Silva (Socorro) - Sobre o Rio Pinheiros, construção de ciclopassarela bidirecional na lateral do sentido Bairro.

Detalhamento

Veja nas imagens abaixo o planejamento da implantação em cada ponte:


25 comentários para 12 pontes de São Paulo terão ciclovias até final de 2015; outras 16 estão em estudo

  • Thiago

    Não se vê o menor sinal de obras na ponte Júlio de Mesquita Neto. Prometeram essa ciclovia para o final do ano passado e até agora nada! A Prefeitura deveria também fazer uma ciclovia na Av Marqês de S Vicente para interligar a ciclovia do viaduto Antártica com a futura ciclovia da ponte Júlio de Mesquita Neto.

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  • Jayme

    Ciclovia na ponte Julio de Mesquita Neto ? Onde ? nada foi feito, somente algumas grades e nada mais……enrolação geral!!!!! E na ponte do limão ? Pior ainda,nada feito.

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  • Solanjo

    demorou para fazerem uma ciclovia na Ponte Cidade Universitária… essa região ainda é um “cabo horn” para ciclistas, apesar de todos esses km de ciclovia na cidade.

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  • [...] fato é que as pontes sempre foram excludentes tanto para pedestres quanto para ciclistas. Portanto fazer ciclovias em 12 pontes, ligar a radial leste ao centro através de ciclovias é mais do que uma mudança na via. É uma [...]

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  • SavianoMarcio

    VádeBike, já começaram a pintura da ciclovia da Av. Jabaquara, vi agora de manhã, a pintura sai da Al. dos Boninas para a Av. Jabaquara até o cruzamento com a Av. Indianópolis, unidirecional em cada sentido, acho que isso confirma o trajeto a partir do Metrô Vila Mariana pela R. Madre Cabrini, R. Cel. Lisboa, e R. Primeiro de Janeiro.

    Vou verificar até onde estão pintando essa ciclovia hoje a noite.

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  • Carlos

    Há uma nova ponte sendo projetada para ligar a Vila Leopoldina e Jaguaré, que também, já em projeto, deve ser planejado os acessos para ciclistas, talvez incorporados na ponte para diminuir os custos …

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  • Fabio

    Será que as vias marcadas em vermelho nos mapas mais amplos são as que receberão ciclovias?

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  • SavianoMarcio

    Coloquem o link para esse PDF com estas imagens.

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  • Carlos

    Que boa notícia sobre a Ponte Jaguaré (Hirant Sanazar). Se haverá uma ciclopassarela no meio, fico curioso em saber o que farão com a antiga ponte que está no meio, que ficou famosa por abrigar uma vegetação. Acho essa solução melhor. Contudo, há problemas com a ponte que está com parte do seu ferrolho exposto. E há famílias morando entre as pontes novas. A maioria do lado do bairro e uma do lado da cidade.

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  • [...] Veja reportagem completa e desenhos detalhados sobre o projeto de algumas pontes em vadebike.org/2014/10/ciclovias-em-28-pontes-de-sao-paulo. [...]

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  • Aos interessados.
    Penso que a idéia é válida mas a qualidade da ciclovia e a segurança do ciclista estarão sempre em questionadas. Quantos ciclistas e pedestre já foram atropelados ou no mínimo colocados em risco por um automóvel em alta velocidade ou desatento.Acredito que isto deve ser melhor observado antes de ser implantado.
    Sou arquiteto, ciclista e interessado pelo assunto. Projetei um estudo para uma passarela para pedestres e ciclista que acredito ser a resposta para uma das travessias mais importantes da cidade, a travessia do Parque Villa Lobos para a Usp. A quem interessar acesse o site http://www.archilovers.com/projects/136972/estudo-passarela-villa-lobos.html.
    Estou ansioso para ouvir os comentários.
    At.

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    • Felipe Prenholato

      A idéia me pareceu bem bacana (sou ciclista e desenvolvedor, não manjo nada de arquitetura). Já tentou levar ela até a prefeitura?

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      • Sim Felipe, já existe um projeto diferente deste engavetado, não sei a razão. Acho que a prefeitura está preferindo soluções bem mais econômicas.
        Penso em apresentar aos Bancos que estão disponibilizando bicicletas compartilhadas para a população, seria um presente maravilhoso e bastante lucrativo em termos de marketing se o Itau ou Bradesco se interessassem em bancar o projeto.
        Aceito sujestões .

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    • Mariana

      Dizer que a travessia entre o parque villa lobos e a cidade universitária é uma das travessias “mais importantes da cidade” é uma puta visão classista. Uma obra dessas atenderia a demanda de uma classe social muito específica da região. Acho importante aumentar o acesso ao parque e à cidade universitária, mas existem duas pontes que dão acesso à USP: a ponte cidade universitária (mais usada) e a ponte do jaguaré (que é DO LADO do parque), que poderiam passar por obras e serem incorporadas à circulação da cidade não só nos finais de semana, mas no dia a dia também.
      O acesso mais importante da cidade é aquele entre a periferia e o centro, e é disso que a notícia está falando. Facilitar o acesso da periferia ao centro (com bikes ou transporte público) é garantir o direito à cidade a TODOS, inclusive o direito de acesso ao parque e à cidade universitária que você falou. Então, me referindo à região da cidade que você citou, acho prioritário garantir que uma pessoa possa cruzar da zona norte para zona oeste pela ponte dos remédios, a qual está contemplada no projeto da prefeitura, e assim ter acesso ao parque villa lobos e à cidade universitária.

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      • Carlos

        Concordo com Mariana. E também acho que deveria ter mais de uma passarela neste trecho do rio. Acho que a passarela entre as “novas” pontes do Jaguaré irá atender melhor os ciclistas. Fazer passarelas do parque ou da universidade, só vai atender a esse público. Os que usam diariamente, vão ter que fazer uma volta para atravessar, quando uma passarela ao lado da ponte é mais útil, já que seria um trajeto normal. Se é para atender ao público universitário e ao parque, e aos trabalhadores, talvez seja melhor solução estender a ciclovia da politécnica e fazer ali a ciclopassarela seria mais útil, os trabalhadores farão um pequeno desvio. Contudo, creio que remanejando as passagens de pedestres da ponte poderia ser mais barato. Explico: ajeitar a passagem de pedestres da parte de dentro das pontes ou ao lado da ponte antiga para passagem de ciclistas, uma para ir outra para voltar, já que é poquíssimo usada pelos pedestres que usam a parte externa.

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  • Júlio

    Seria ótimo uma ciclovia sobre o viaduto que passa sobre a avenida Sarin Farah Maluf, estendendo um pouco a ciclovia da radial sentido centro. Quase todo dia uso o lado Norte do metrô para evitar este viaduto, este viaduto é cada um por si com os carros, pedalei uma vez para nunca mais (sem ciclovia).

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  • isac

    O faço para a prefeitura de Osasco ter a memesma iniciativa ? Aqui temos poucas pontes.

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