Paixões pela bike e pela zoeira marcaram olimpíadas de fixed gear em Porto Alegre

Sílvio Lucena (em primeiro plano) e Eduardo Macedo, ambos de Porto Alegre, disputam o roller race durante as Fixolimpíadas. (foto: Mariana Villa Real)

Sílvio Lucena (em primeiro plano) e Eduardo Macedo, ambos de Porto Alegre, disputam o roller race durante as Fixolimpíadas. Foto: Mariana Villa Real

O fim de semana de 15 e 16 de novembro em Porto Alegre, marcado pela realização da edição 2014 das Fixolimpíadas, teve dois momentos emblemáticos e que representam suas duas principais características: a paixão pela bicicleta e pela… zoeira.

O primeiro caso foi a constatação do gaúcho Marcelo Castro, vencedor, no domingo, da prova de roller race. “Calculando agora, na final com o Daniel Farias, meu tempo foi de 9,7s nos 250 metros, com uma media de 208RPM, quase 3 voltas e meia no pé de vela por segundo! Aaaauuuuu”, disse o rapaz na página do evento no Facebook. O “rolo”, em que dois adversários disputam, em bicicletas estáticas, quem atinge em menos tempo a marca de 250m, foi uma das provas que mais tiveram a empolgação dos torcedores e o empenho físico dos atletas. No processo, a galera ficava exausta, perdia o boné, a compostura, e até esquecia de parar de pedalar, tamanha a empolgação.

A outra ponta, a da “zoeira”, caracterizou-se pela originalidade de algumas provas que aproveitaram a recente vocação de Porto Alegre para a prática de esportes com pouca ou nenhuma roupa. Por isso, o primeiro “campeonato mundial de sprint em bicicleta infantil…. pelado” gerou a comoção dos participantes, mesmo passando batido na mídia local, que perdeu a oportunidade de aumentar a estatística da nudez esportiva da capital gaúcha. A vitória foi conquistada pelo curitibano Guilherme Akio, que disputou o “pódio” com outros três desnudos. Na noite de sábado, na orla do lago Guaíba, os mesmos pelados destemidos já tinham praticado uma prova de arremesso de pneu.

Sem roupa e sem vergonha, fixeiros aderem à nova tradição portoalegrense: a prática naturista de esportes. (imagem: Deb Dornelles)

Sem roupa e sem vergonha, fixeiros aderem à nova tradição portoalegrense: a prática naturista de esportes. (imagem: Deb Dornelles)

Na verdade, não houve nenhuma das provas ou atrações do evento que não tenha proporcionado diversão máxima e ainda mais integração à já unida comunidade brasileira de adeptos das fixas (veja aqui o que são). “Nada te prepara para o quão foda é uma Fixolimpíadas”, resume Marcella Olinto, de Florianópolis, vencedora da categoria feminina da prova de subida, que percorreu, ladeira acima, o trajeto até o topo do Morro Santa Tereza, na zona Sul de Porto Alegre. Marcella começou a andar de fixa há cerca de um ano, mas a maior parte de seus deslocamentos é feito com uma mountain-bike que também usa para cicloviagens. Além da subida, ela disputou a final da roller race com a jornalista e cicloativista Aline Cavalcante (colaboradora do Vá de Bike), que, por sua vez, venceu a prova e conquistou também o primeiro lugar no Sprint feminino, no sábado.

Repetindo vitórias

Se Marcella é uma das vencedoras novatas das provas da Fixolimpíadas, o evento repetiu diversos êxitos da edição passada, que aconteceu em São Paulo em novembro de 2013. Vinícius Hax, o Elfo, de Porto Alegre, foi vencedor novamente no trackstand e dessa vez também no peanut. Carina Chandan, de São Paulo, que mesmo de braço quebrado tinha sido vencedora da anticorrida de 2013, recuperou-se da fratura e conquistou o Critério feminino e a prova de arremesso de objetos. Geninho, de São Paulo, que foi vencedor da subida em 2013, foi o melhor de 2014 no free-style e ficou em segundo no Sprint.

Celebração e saudades

Aline Cavalcante e Tássia Furtado ajudaram a organizar o evento e também participaram das provas. (Imagem: Mariana Villa Real)

Aline Cavalcante e Tássia Furtado ajudaram a organizar o evento e também participaram das provas. (Imagem: Mariana Villa Real)

Como em anos anteriores, a premiação e os “louros da vitória” não são a principal atração das Fixolimpíadas. Quem explicou o verdadeiro espírito do evento foi uma das organizadoras locais, Tássia Furtado, da Vulp Bici Café, que recebeu algumas das atrações do evento. “Pra mim, a Fixolimpíadas representou a energia da cultura urbana da bicicleta tanto em Porto Alegre quanto no Brasil. Para quem curte fixa, bicicleta é transporte, esporte, prazer, estilo de vida. São muitas coisas que vão muito além de pedalar e que mostram que, quando as pessoas se unem, dá para fazer coisas incríveis”, filosofa.

Esse espírito aconteceu na hospedagem solidária, onde desconhecidos dividiram o mesmo teto e viraram velhos amigos; barris de chopp da melhor qualidade, além das comidinhas veganas já célebres em Porto Alegre, também ajudaram a “azeitar” parcerias para a vida toda. “A festa mal acabou e já estamos sentindo saudade de toda essa zoeira”, suspira Roger Cardoso, outro dos organizadores locais. Em suma, como se diz lá na Vulp, a mistura de “cerveja bonita e gente barata” torna o mundo mais feliz.

Resultados das Fixolimpíadas POA 2014

Alleycat pré-evento

Vencedores: Ogro e Fabrício

Peanut

Vencedor: Vinícius Hax

Primeiro a cair: Guilherme Akio

Trackstand

Vencedor: Vinícius Hax

Primeiro a cair: Pedrinho

Arremesso de objetos

Mais longe: Carina Chandan

Mais perto: Seiti

Free Style

Vencedor: Geninho

2º lugar: Danilo

3º lugar: Carina Chandan

Anticorrida

Vencedor: Alemão

Skid

Vencedor: Guga

2º lugar: Geninho

3º lugar: Macedo

Sprint feminino

Vencedora: Aline Cavalcante

2º lugar: Andreza

3º lugar: Cristine

Sprint masculino

Vencedor: Kiko

2º lugar: Victor Gimenes

3º lugar: Igor

Critério

Categoria feminina: Carina Chandan

Categoria masculina: Vicente Siufi

Categoria elite: Jim Daniel

Subida

Categoria feminina: Marcella Olinto

Categoria masculina: Kiko

Roller race (rolo)

Categoria feminina: Aline Cavalcante

Categoria masculina: Marcelo Castro

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