Plano Cicloviário do Recife não inclui rua onde passam mais de dois mil ciclistas por dia

Já em 2012, durante Bicicletada, ciclistas de Recife pediam infraestrutura para demanda crescente de usuários do modal. Foto: Reprodução

Já em 2012, durante Bicicletada, ciclistas de Recife pediam infraestrutura para demanda crescente de usuários do modal. Foto: Reprodução

Voluntários da Associação Metropolitana de Ciclistas do Grande Recife (Ameciclo) realizaram, em 27 de agosto de 2014, uma contagem de bicicletas no cruzamento da rua Odorico Mendes com a Estrada de Belém, no bairro de Campo Grande. “Mas apesar do fluxo médio de 154 bicicletas por hora, totalizando mais de duas mil bicicletas por dia, o local não foi inserido nos estudos realizados para o Plano Diretor Cicloviário da Região Metropolitana”, aponta Maíra Barros, coordenadora administrativa da Ameciclo.

A contagem de bicicletas, que foi realizada das 6h às 20h, registrou 2.155 bicicletas. Roderick Jordão, coordenador de comunicação social da Ameciclo, explica: “O objetivo do trabalho é conhecer melhor o uso da bicicleta na região metropolitana e comprovar que esse modal é massivamente utilizado como meio de transporte no dia a dia, e não apenas como instrumento de lazer nos finais de semana.”

Durante as 14 horas de contagem, os dados coletados foram os seguintes: 8,31% eram mulheres, 12,39% eram bicicletas cargueiras usadas para transporte de produtos; um fato que se destacou é que apenas 3,25% dos ciclistas usavam capacete. E, de um total de 2,155 ciclistas, apenas 0,1% utilizavam as bicicletas do programa “Bike PE” nesse local (projeto de bicicletas públicas do Estado de Pernambuco).

Diversas organizações estão realizando contagens de bicicletas e produzindo dados sobre o fluxo de ciclistas em vias importantes das cidades. As contagens têm como principal objetivo informar ao poder público a importância do uso da bicicleta como veículo de transporte e não apenas de lazer. Desde 2013 a Ameciclo promove a contagem e a primeira de 2014 foi realizada no cruzamento da avenida Mascarenhas de Moraes com a rua Engenheiro Alves de Souza, onde foram registrados 1.386 bicicletas das 6h às 20h.

Detalhe do sensor de contagem usado no Rio de Janeiro. Foto: Fabio Nazareth

Detalhe do sensor de contagem usado no Rio de Janeiro. Foto: Fabio Nazareth

A importância das contagens

No Rio de Janeiro, a ONG Transporte Ativo (TA) realizou recentemente, na ciclovia de Copacabana, a contagem de bicicletas utilizando um equipamento eletrônico que coleta os dados automaticamente. A TA também já publicou um Manual de Contagem de Bicicletas. Confira abaixo alguns pontos destacados nesse manual, que apontam motivos importantes para realização da contagem:

1) Contagens de bicicleta são interessantes não somente para engenheiros de trânsito e planejadores urbanos. Os dados podem ser úteis também para agentes de saúde.

2)  O número de ciclistas em idade escolar é fundamental para programas de educação para o trânsito ou implantação de rotas seguras para a escola.

3)  A polícia pode encontrar, nos dados coletados, bons motivos para reforço do policiamento e da segurança na região.

4)  Associações de ciclistas podem usá-los nas reivindicações de melhorias para bicicletas em determinadas áreas.


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