Em pesquisa acadêmica, ciclovias do RJ são comparadas às de cidades como Copenhaguen e Bogotá

Ciclovia no Rio de Janeiro. Foto: Transporte Ativo

Ciclovia no Rio de Janeiro. Foto: Transporte Ativo

A dissertação de mestrado em Engenharia Urbana do arquiteto Alziro Neto, realizada através do Centro Técnico Científico da PUC-Rio, fez um comparativo das ciclovias do Rio de Janeiro com as de cidades mais avançadas como Nova York, Londres, Copenhaguen e Bogotá. A pesquisa considerou parâmetros como clima, segurança, qualidade cicloviária e constatou que é possível integrar a bicicleta com os demais meios de transporte urbano através de ações que valorizem a segurança do pedestre e reduzam a prioridade dos veículos motorizados.

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O estudo destaca a importância da bicicleta no planejamento urbano da cidade, capaz de ser integrada a trens, barcas e metrôs, para promover um estilo de vida mais saudável, sustentável e positivo tanto para quem usa, quanto para quem não usa a bicicleta. Além disso, Neto também propõe a redução do espaço destinado ao estacionamento de carros para a instalação de ciclovias bem sinalizadas, principalmente em vias de menor espaço. “A priorização do transporte individual provoca uma crise de mobilidade nas metrópoles brasileiras e gera um impacto social também”, diz.

Dados que auxiliam políticas públicas

Os dados estatísticos dos outros países constatam benefícios sociais e econômicos com a construção de ciclovias e demais infraestruturas destinadas à melhoria da mobilidade urbana. Em Nova York, por exemplo, o risco de acidentes diminuiu em 73% entre 2000 e 2011. Em Londres e Bogotá, as ciclofaixas são utilizadas como forma de integração entre a periferia e a cidade. As Cycle Superhighways (CS), ou Super Ciclovias, na Inglaterra, trouxeram reflexos positivos no trânsito da cidade ao reduzir os congestionamentos e aliviar a superlotação do transporte público.

Em Nova York,
risco de acidentes
diminuiu 73%
entre 2000 e 2011

Já no Rio de Janeiro, apesar de a prefeitura não disponibilizar os dados, o aumento de ciclistas é evidente, principalmente após a implantação do sistema de aluguel de bicicletas públicas. A Lei Municipal n° 4.678, de 11/10/2007, que trata do incentivo ao uso da bicicleta na cidade, compila uma série de boas ideias, porém com poucas diretrizes a respeito das medidas a serem tomadas. “Para que se saiba o que fazer, é preciso um monitoramento contínuo do ciclismo como meio de transporte urbano, e não é o que acontece na prefeitura do Rio”, contesta Alziro Neto.

Neto acredita que é preciso construir uma base de dados sólida, capaz de auxiliar na tomada de decisões e priorização das metas e políticas na cidade do Rio de Janeiro. A ONG Transporte Ativo, principal responsável pelas pesquisas que servem de base para o município “pensar a bicicleta”, tem trabalhado ativamente para que todos os dados cheguem até os departamentos responsáveis do poder público.

Através do trabalho da ONG, hoje a prefeitura do Rio já possui mais de 20 contagens de ciclistas em pontos estratégicos e diversos estudos qualitativos, que consolidam bases para a construção de infraestruturas e contribuem para traçar novas metas de implantação. O próximo passo, segundo Alziro, é analisar estas pesquisas com base no conhecimento da realidade da região. “Vivemos um momento de transição, que deve ser aproveitado para transformar o espaço urbano da cidade”, completa.

Veja o estudo completo aqui.

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