Prefeitura de Curitiba não entregará os 300 km de ciclovia prometidos para 2016

O prefeito Gustavo Fruet tentou falar, mas estava difícil. Foto: Rachel Schein

O prefeito Gustavo Fruet durante o III Fórum Mundial da Bicicleta, que aconteceu em 2014 em Curitiba. Foto: Rachel Schein

Reconhecida pela implementação da Lei da Bicicleta e pelo primeiro prefeito do Brasil que pedalou para tomar posse de seu mandato, a prefeitura de Curitiba ficou longe da implementação de seus 300 km de estruturas cicloviárias prometidas em campanha pelo prefeito eleito Gustavo Fruet (PDT). Até o momento, foram cerca de 60 km de vias concluídas e algumas ações que visam o planejamento da mobilidade urbana, mas a falta de ações concretas que ofereçam maior proteção ao ciclista nas ruas desqualifica o poder público e causa frustração nos que acreditavam em uma gestão mais comprometida.

Desde que assumiu, em janeiro de 2013, Fruet sempre se mostrou favorável em legitimar a bicicleta no cenário urbano da capital mais motorizada do Brasil (segundo dados da Revista EXAME, Curitiba é a cidade com mais carros por pessoa, em pesquisa realizada em abril de 2014). Porém, grande parte de seus projetos voltados para este setor ainda não foram concluídos e a cidade continua oferecendo sérios riscos para quem pedala, como mostra o levantamento feito pela Associação de Ciclistas do Alto Iguaçu (CicloIguaçu), que registrou oito mortes de ciclistas em apenas 30 dias, na Região Metropolitana da capital paranaense, no ano passado.

Goura Nataraj, assessor na coordenação de mobilidade urbana da Setran. Foto: Divulgação/PMC

Goura Nataraj (centro), assessor na coordenação de mobilidade urbana da Setran, destaca conquistas da gestão. Foto: Divulgação/PMC

Conquistas…

Apesar de confirmar o não cumprimento da meta estabelecida, o cicloativista Goura Nataraj não deixa de destacar as conquistas da gestão Fruet, como a Coordenadoria de Mobilidade do SETRAN Curitiba, onde atua como assessor, criado exclusivamente para o acompanhamento de projetos que visem o pedestre e veículos não motorizados, além da implantação da chamada Área Calma, que estabelece vias com velocidade reduzida e faixas preferenciais aos ciclistas no centro da cidade.

Outras medidas, como a instalação de paraciclos nos terminais de ônibus e a conclusão de mais 60 km de estruturas cicloviárias previstas até o final de 2016 também devem ser reconhecidas. “Mais do que lamentarmos o fato da prefeitura não ter conseguido implementar na sua totalidade uma meta de gestão, devemos estar satisfeitos por fazer parte dessa mudança de paradigmas que visa a integração da bicicleta aos outros modais de transporte”, afirma Goura.

… e desafios

Já na opinião de quem está ligado aos movimentos da sociedade civil organizada, há muito reconhecimento para pouco engajamento político. Segundo Alexandre Nascimento, do site Ir e Vir de Bike, a situação de Curitiba é alarmante e precisa ganhar mais atenção dos órgãos responsáveis. Cortes orçamentários para o financiamento das obras representaram as perdas substanciais que refletiram no pouco que foi feito pela mobilidade urbana. “Houve uma expectativa em torno da atual gestão que não ocorreu, e por isso ninguém está satisfeito com a situação”.

Para Alexandre, os desafios da gestão Fruet não deveriam colocar em risco as prioridades que haviam sido estabelecidas desde as eleições. “Há avanços e um grande caminho já foi trilhado em busca do ideal, mas precisamos de ações mais incisivas sob um cenário de reorganização do transporte urbano, e isso nós não temos visto da prefeitura”, completa. A expectativa, segundo alguns representantes do cicloativismo na região, é de que o atual cenário acabe por fortalecer um movimento contrário aos avanços já conquistados até então.

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