Protesto binacional pedirá maior rigor na punição a crimes de trânsito, dia 26/2

Protesto é motivado por casos frequentes de impunidade em crimes e mortes no trânsito.

Protesto é motivado por casos frequentes de impunidade em crimes e mortes no trânsito.

Na sexta-feira 26 de fevereiro, cidadãos de dezenas de cidades brasileiras – e duas uruguaias – se unirão para protestar contra a impunidade em crimes de trânsito, pedindo que motoristas que ferem e matam sejam de fato punidos.

A página do evento no Facebook possui a lista de cidades, com local e horário de saída. As manifestações são abertas a todos, não apenas ciclistas. Participe!

Impunidade é assustadoramente comum

Casos de ciclistas, pedestres – e até mesmo motoristas! – feridos e mortos no trânsito são comuns, tendo via de regra o mesmo ponto em comum: a impunidade de quem cometeu o crime. Poderíamos escrever páginas e páginas com casos de impunidade, mas ficaremos apenas em dois, bastante emblemáticos.

Atropelamento coletivo

Um caso claro de impunidade é o do atropelamento coletivo de ciclistas em Porto Alegre, em fevereiro de 2011. Naquela noite, o bancário Ricardo José Neis avançou com o carro sobre centenas de ciclistas que participavam da Massa Crítica de Porto Alegre e que, ironicamente, pediam por mais respeito no trânsito. Com seu filho dentro do carro, o atropelador feriu 17 pessoas, o que resultou em um processo por 11 tentativas de homicídio e seis lesões corporais graves. Naquela noite, Ricardo Neis só não matou ninguém por pura sorte.

Arte: Danilo Sales

Arte: Danilo Sales

O episódio gerou reações em diversas cidades do mundo e deu origem à hashtag #naofoiacidente, como crítica ao hábito de imprensa e poder público de tratarem como um simples acidente crimes que poderiam ter sido evitados, seja com a conduta adequada de um motorista ou com a não ingestão de bebidas alcoólicas antes de dirigir.

As 11 tentativas de homicídio de Ricardo Neis foram consideradas como triplamente qualificadas (motivo fútil, perigo comum e meio que dificultou a defesa das vítimas), o que, na prática, torna o crime hediondo. Ainda assim, passados cinco anos do crime, o bancário está livre e fazendo de tudo para que seu julgamento continue sendo adiado.

Para a promotora de justiça responsável pelo caso, Lúcia Helena Callegari, o tempo e a morosidade da justiça são parte da estratégia utilizada pela defesa de Neis para diminuir o impacto de seus atos. “O juri popular é julgado por populares, e não se quer que eles lembrem do caso. O advogado faz isso tentando protelar, com coisas absurdas, como pedir a reconstituição dos fatos – como se fará isso num lugar que tinha centenas de pessoas?”, criticou a magistrada em entrevista ao Vá de Bike.

Bebeu, dirigiu e matou na calçada

Em julho de 2011, Vitor Gurman, de 24 anos, havia deixado o carro em casa, já que beberia vinho em um jantar. Quando voltava caminhando para casa, no bairro da Vila Madalena, em São Paulo, foi atropelado na calçada por um jipe blindado a 90 km/h, numa rua em que o limite era de 30 km/h.

Quem estava no carro era a nutricionista Gabriella Guerrero Pereira, junto com seu namorado, Roberto de Souza Lima. A motorista havia bebido tanto que, 8 horas após o crime, ainda não conseguia levar o dedo indicador à ponta do nariz no exame feito pelo Instituto Médico Legal. O carro, de propriedade de seu namorado, tinha 26 multas, sendo dez por excesso de velocidade.

A jovem saiu ilesa. Vitor morreu 5 dias depois. Sua morte levou seu tio, Nilton Gurman, a criar a ONG “Não Foi Acidente“. Amigos criaram o movimento Viva Vitão, que deu origem ao documentário “Luto em Luta”.

Gabriella foi denunciada por homicídio doloso, porque ao beber assumiu o risco de matar, mas depois de quase cinco anos ainda não foi julgada. Continua livre e dirigindo.

Visite a página do evento no Facebook e saiba onde a manifestação vai ocorrer em sua cidade.

Imagem: Reprodução

Imagem: Reprodução


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