Mais da metade dos paulistanos usaria a bicicleta nos deslocamentos em condições seguras, aponta pesquisa

Foto: Willian Cruz

Foto: Willian Cruz

A implantação da malha cicloviária na cidade de São Paulo fez com que a maioria dos paulistanos, ouvidos em uma pesquisa, apontasse melhora no deslocamento por bicicleta. O estudo “Mobilidade para ir e vir do trabalho” foi realizado entre 16 e 25 de agosto deste ano, por e-mail, para uma amostra da base de currículos cadastrados no portal de carreira VAGAS.com.br. Foram ouvidas 3208 pessoas em dez capitais brasileiras (São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza, Belo Horizonte, Florianópolis, Recife, Brasília, Salvador, Curitiba e Porto Alegre).

63% gostariam de usar a bike
nas capitais pesquisadas, mas ainda
sentem falta de segurança (52%),
de estrutura nas empresas (40%)
e de respeito dos motoristas (26%)

Os dados mostram que na capital paulista, a bicicleta foi o meio de transporte que mais teve melhorias no deslocamento, sendo apontada em cerca de 75% dos questionários. A motocicleta aparece logo em seguida, com 36%, e os ônibus com 25%. Em relação às demais capitais, a media de melhora da bicicleta aparece com 64%. Motos e ônibus com 29% e 18%, respectivamente.

A parcela de entrevistados que optariam pela bike, caso pudessem utilizá-la e com condições que consideraram “adequadas”, foi de 58% em São Paulo. Ainda assim, a cidade aparece na pesquisa abaixo da média nas capitais, que mostraram a bicicleta como forte opção, com 63% dos entrevistados apontando essa tendência.

Em nível nacional, entre os fatores negativos para utilizar a bike nos deslocamentos estão a falta de segurança (52%), ausência de estrutura no trabalho (40%) e falta de respeito dos motoristas (26%). As vantagens mais citadas foram o exercício físico (68%), saúde (60%) e redução da poluição (59%).

PL prevê que empresas que promoverem o uso da bicicleta podem conseguir empréstimos subsidiados. Foto: Rafael Neddermeyer/Fotos Publicas (cc)

Foto: Rafael Neddermeyer/Fotos Publicas (cc)

Demanda reprimida

94% dos consultados acreditam que as empresas não estão preparadas para receber funcionários ciclistas. Para o coordenador da pesquisa, Rafael Urbano, existe uma demanda reprimida por conta da falta de infraestrutura. “As empresas precisam estar preparadas para receberem essa demanda. É necessário um vestiário, bicicletário e outras intervenções para proporcionar essa alteração. Há uma demanda reprimida”, avalia Rafael.

Mas a falta de vestiário ou chuveiro não é impeditivo para pedalar de casa ao trabalho. Desde 2008, o Vá de Bike divulga dicas de como se portar nestas condições, como por exemplo pedalar devagar, tomar banho antes do deslocamento, levar as roupas em condições adequadas, e outras. Consulte aqui.

Em relação a outros modais, o trem aparece como o pior na avaliação dos paulistanos: 47% avaliaram como péssimo ou ruim esse meio de transporte. Já o ônibus aparece com 41% de avaliações péssimas ou ruins; 34% consideram regular e, para 24%, esse meio é bom ou ótimo.

Marginal Tietê durante a noite. Foto: Paulo Pinto/Fotos Públicas

Marginal Tietê durante a noite. Foto: Paulo Pinto/Fotos Públicas

Excesso de carros é o problema

Um dos principais agentes causadores da imobilidade nas cidades, o excesso de automóveis apontado por especialistas reflete-se também na opinião dos entrevistados. Na cidade de São Paulo, 30% das pessoas apontaram esse fator como o principal problema do trânsito, figurando como a primeira entre as opções da pesquisa. Na média das demais cidades, esse índice aparece em 34%.

Já 86% dos respondentes na capital paulista afirmaram que são favoráveis à implantação das faixas exclusivas dos ônibus. Na média nacional, esta questão tem aprovação ainda maior, com 90%.


4 comentários para Mais da metade dos paulistanos usaria a bicicleta nos deslocamentos em condições seguras, aponta pesquisa

  • EVALDO DE JESUS OLIVEIRA OLIVEIRA

    Um bom (bom?) exemplo de desestímulo ao uso da bicicleta para deslocamento ao trabalho, está na ciclovia da Marginal Pinheiros.Acesso a ela todos os dias na entrada do Autódromo de Interlagos, indo para o trabalho em Vila Mariana.Moro no Grajaú,próximo a terminal CPTM. Metade do caminho, cerca de 8Km,é relativamente segura,com seguranças motorizados, fazendo rondas de vez em quando. Digo isso porque trafego nela todos os dias e raramente os vejo.Geralmente os encontro parados em algum ponto conversando ou ao celular.Chegando na ponte João Dias é que começa o verdadeiro problema e só poucos loucos e por enquanto sortudos como eu tem coragem de encarar.São mais 8Km até a Ponte Cidade Jardim,sem nenhuma segurança. Você trafega do lado oposto às estações, devido às obras do Monotrilho.Já ouvi testemunho de ciclistas que já foram assaltados por ali, pois o trecho é um verdadeiro oasis para bandidos, principalmente próximo à Ponte Espraiada e no seu final, próximo a Usina de Traição. Esse descaso já foi bem difundido aqui.Só estou relembrando e deixando mais um registro, pois tenho quase certeza que os responsáveis (responsáveis?), CPTM e Metrô, por essa tão importante rota, só tomarão providências depois de alguma tragédia.Os sinais (assaltos) já foram dados e lamentavelmente, continuam sendo ignorados.Até quando?

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  • Roberto Silva

    Até 3 meses atrás (tempo que levei para me recuperar de uma cirurgia no tornozelo causada por um chute de um sujeito na tentativa de roubo da minha bike), eu pedalava 30 km diariamente usando ciclovias para ir e voltar ao trabalho. Hoje, infelizmente tive que desistir deste excelente meio de transporte devido à falta de segurança, e utilizo a bike somente nos fins de semana e trilhas no interior. Isto sem contar outros tantos trajetos que eu fazia e que não posso mais devido aos assaltos. É uma pena perceber que tantos incentivos ao uso das “magrelas” não tem suporte e apoio dos agentes de segurança do nosso país.

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  • Tarantino

    Eu iria de bicicleta ao trabalho se realmente houvessem condições mínimas de segurança. Por isso sempre insisto na mesma tecla: ciclovias decentemente planejadas e educação para o trânsito desde o ensino fundamental. Não dá pra ignorar um assunto tão fundamental como o trânsito, deveria ser obrigatório nas escolas.

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  • Mario Rodrigues da Silva

    O desrespeito ao ciclista esta muito grande, não é possível que um motorista não consiga observar um ciclista a cinquenta mts, que não consiga desviar ou diminuir a velocidade.
    O número de ciclistas atropelados cresceu significativamente.
    Aqui fica minha indignação e o meu protesto contra o motorista imprudente.

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