Mais ciclistas, mais acidentes? Veja por que isso não faz o menor sentido

Apoie nosso trabalho,
doe um libre!

Matéria publicada no Diário Oficial do Estado de São Paulo recomenda usar a bicicleta apenas em parques e ciclovias dominicais (clique para ampliar). Imagem:reprodução

Tem circulado a notícia de que 9 ciclistas são internados por dia no estado de São Paulo e ao menos um deles morre em decorrência dos ferimentos. Ciclistas estão sendo feridos e mortos – e não é por caírem sozinhos. A solução para isso passa por várias coisas: infraestrutura, campanhas educativas, sinalização, fiscalização…

Mas não parece ser o que pensa o Governo de São Paulo, se analisarmos a matéria publicada no Diário Oficial do estado, no dia 11 de julho de 2012. Após discorrer sobre os ferimentos e imputar a culpa aos ciclistas, a recomendação é usar a bicicleta apenas como lazer, “em cidades menores, parques públicos e em ciclovias instaladas na capital, aos domingos”. Quem diz é o especialista consultado, que dá embasamento ao tom da matéria.

Mais bicicletas, menos acidentes

Os erros da matéria começam pelo título. Um estudo dos lugares mais seguros e mais perigosos para se pedalar na Grã-Bretanha, divulgado em 2009, mostrava que a taxa de acidentes com ciclistas costuma ser mais baixa onde há mais bicicletas circulando.

O estudo sobre segurança viária de ciclistas Safety in Numbers, citado pela Transporte Ativo, demonstra que “consideradas diversas circunstâncias, se o uso da bicicleta dobra, o risco individual de cada ciclista cai em aproximadamente 34%”.

E por que isso? Por dois motivos principais. Em primeiro lugar, quanto mais bicicletas nas ruas, menos elas passam desapercebidas. Os motoristas se acostumam a vê-las, a resistência à sua presença diminui, as pessoas nos carros cada vez mais sabem como reagir ao encontrá-las. Em segundo lugar, e talvez mais importante, cada vez mais as pessoas que dirigem passam a conhecer pessoas que pedalam, seja um amigo, um parente, um colega de trabalho. E passam a entender que aquele ciclista ali na frente também é uma pessoa, não um obstáculo.

Especialista

O que é óbvio para quem vive a bicicleta no dia a dia, o que salta aos olhos de quem se dispõe a estudar o assunto, continua sendo difícil de ser aceito para algumas das pessoas que apenas dirigem. É o caso do ortopedista escolhido para opinar sobre mobilidade urbana.

Mas espera aí… ortopedista? Sim, você leu direito. O entrevistado deve ser um excelente profissional de medicina – afinal, é chefe do grupo de trauma ortopédico do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Mas, me desculpem, aparenta não entender muito de mobilidade urbana.

O médico decidiu explicar, pelo que parece, do alto de sua experiência como motorista e sem nenhuma vivência no uso da bicicleta nas ruas, sobre a causa dos acidentes com ciclistas. Para ele, “o acidente acontece porque o motorista não vê o ciclista, que se desequilibra diante da situação perigosa“.

Se alguém te matar, a culpa é sua

O bom doutor acerta na trave quando fala sobre ciclistas se desequilibrando diante de situações perigosas. Essa frase esclarece a necessidade da ultrapassagem a 1,5m de distância, como determina o Código Brasileiro de Trânsito. Mas o profissional de saúde comete um equívoco do tamanho de um bonde ao colocar todos os “acidentes” nessa mesma panela e, principalmente, ao atribuir a culpa de uma situação como essa ao ciclista.

Em resumo, a mensagem passada pela matéria do Diário Oficial é que se você estiver pedalando e um carro passar perigosamente perto de você, a culpa é sua, não do motorista que desrespeitou a lei de trânsito e colocou deliberadamente sua vida em risco.

A matéria ignora que ciclistas que pedalam nas ruas dificilmente caem sozinhos. Desconsidera que traumas graves nos membros inferiores são geralmente causados por rodas ou para-choques de veículos maiores. Também ignora solenemente os atropelamentos e ameaças à vida do ciclista, sejam intencionais, por imperícia ou negligência na condução do veículo maior. Mostra desconhecimento do Código de Trânsito e da prioridade de circulação nas vias. Passa ao largo do respeito à vida, do compartilhamento, do uso comum do espaço público. E atropela todas as noções de civilidade ao isentar motoristas de culpa, atribuindo-a única e exclusivamente ao ciclista, usando um exemplo de claro desrespeito à vida como regra geral e suposta falha do ciclista. Afinal, quem é louco de andar de bicicleta nas ruas? O lugar delas é no parque…

Além de divulgar um conceito distorcido em um veículo oficial – o que obviamente traz questionamentos sobre a política do governo sobre o assunto – o texto encerra com a recomendação do médico para resolver o problema das mortes de ciclistas no trânsito: deixar de usar a bicicleta como meio de transporte. Matérias desse tipo em um veículo que traz consigo o peso de declaração oficial aumentam a agressividade com ciclistas nas ruas, por parte de motoristas que passam a ter certeza de que aquela bicicleta não deveria estar ali e aquele idiota que atrapalha o trânsito deve ser punido por isso.

Se a matéria fosse sobre atropelamento de pedestres, a recomendação seria deixar de andar nas ruas. Quer atravessar a avenida? Tome um táxi. Afinal, você pode se assustar com um carro em alta velocidade, tropeçar e cair na sua frente – e será essa a causa do acidente.

Ignorando o elefante na loja de cristais

Mikael Colville-Andersen chama isso de ignorar o touro na loja de porcelana. Abrasileirando a expressão, ignorar o elefante na loja de cristais.

O uso excessivo do automóvel, a infraestrutura viária que estimula esse uso, o excesso de velocidade, a ingestão de álcool antes de dirigir, a priorização ao transporte individual motorizado, a falta de reconhecimento e aceitação da bicicleta nas ruas, a impunidade aos crimes de trânsito e os exames de habilitação pouco objetivos (e passíveis de serem “comprados”) são algumas das causas para tantas pessoas morrerem no trânsito todos os dias. Não apenas ciclistas, mas pedestres, motociclistas e até mesmo condutores e passageiros de automóveis, ônibus e caminhões.

Mas é muito comum ignorar tudo isso, avaliando a questão por uma ótica pessoal, para discorrer sobre os perigos de se usar a bicicleta. A culpa é do ciclista, que não deveria estar na rua. É do pedestre, que demorou demais para atravessar. Mas é raro questionar a conduta do motorista, ainda que pela lei e pelo bom senso seja ele o responsável pela segurança dos que estão em veículos menores (ou sem veículo algum). Veja: se eu resolver andar em um local cheio de gente carregando um objeto enorme, que pode ferir fatalmente ao menor descuido, de quem é a obrigação de tomar cuidado para que nada de errado aconteça?

A comparação com o elefante na loja de cristais é inevitável: em vez de tirar o elefante de lá (ou ao menos adestrá-lo a não esbarrar em nada), recomendam colocar proteções no topo de cada taça para que não quebrem ao cair; colocar proteções entre elas e o elefante, restringindo as taças para os locais protegidos, ainda que sejam parte ínfima da loja; ou até, como nessa matéria, retirá-las da loja. Deixem o elefante em paz. Afinal, a loja foi feita para elefantes, quem não deveria estar ali são as taças.

Outro lado

O Estadão, ao abordar o assunto, teve o profissionalismo de ouvir a opinião também de um especialista no uso de bicicletas nas grandes cidades. Em contrapartida à opinião de outro médico, que conta que 90% dos ciclistas estão sem capacete no momento do “choque” com outros veículos (como se essa falta causasse os atropelamentos), Thiago Benicchio, Diretor da Ciclocidade, afirma que o grande número de acidentes se deve a uma relação desproporcional de pesos e velocidades dos carros e à agressividade dos motoristas.

“Essa relação só será menos desigual quando houver mais educação da população para aprender a dividir as ruas, mais infraestrutura, com ciclovias e ciclofaixas, e diminuição da velocidade máxima”, diz Benicchio ao Estadão. Para ele, a velocidade máxima em avenidas deveria ser de 50 km/h e em vias expressas dentro da cidade não poderia ultrapassar 70 km/h. Leia a matéria completa.

Gostou da matéria? Doe um libre
e ajude nosso projeto a continuar!

56 comentários para Mais ciclistas, mais acidentes? Veja por que isso não faz o menor sentido

  • Mais ciclistas, mais acidentes? | Caos Planejado

    […] artigo do site Vá de Bike também procurou refutar esta afirmação, colocando que a questão não deve […]

    Thumb up 0 Thumb down 1

  • Leandro OABC

    ótimo post Wilian! depois de ler a matéria do jornal ia falar da ignorancia citada pelo médico de não usar as bicicletas mas o exemplo do elefante foi ótimo! As pessoas deveriam pensar mais antes de imprimir as coisas.

    Thumb up 1 Thumb down 1

  • Marcelo

    Independente da matéria quero dar os parabéns aos ciclistas dispostos a serem os desbravadores no trânsito infernal de São Paulo, muitos vão se acidentar e alguns vão morrer. Obrigado, alguns terão que se sacrificar pelo bem de todos…

    Thumb up 0 Thumb down 1

  • David

    Barbara, aposto que devem haver bem mais de 9 pessoas internadas diariamente por estarem andando a pé e serem atropeladas. Seria melhor parar de andar a pé?

    Thumb up 1 Thumb down 1

  • Barbara Mendes

    9 ciclistas são internador por dia em São Paulo???? Não sabia…………. posso discordar do resto da matéria, mas o choque com essa notícia é tão grande que to pensando em parar de ir de bike pro trabalho.

    Thumb up 0 Thumb down 4

  • Andre Antonio da Silva Neto

    Gostei da ideia do governo, transformar toda a cidade em um parque,ai não teria mais que se preocupar com os ciclistas..

    Thumb up 4 Thumb down 1

  • Sergio

    Que piada esse governo de SP… hahahahahahah

    Thumb up 0 Thumb down 2

  • Eduardo

    Esse medico deve um dia andar de bicleta nos grandes centros para ver o que é ser ciclista,
    no minimo é uma pessoas que se locomove em carros importado e não tem noção do que esta falando.

    Thumb up 2 Thumb down 1

    • Rosana

      Na matéria do G1, leiam os comentários de Cassio Bertani e Silas de Oliveira, por exemplo, pra ver qual o senso comum: ciclista “não paga IPVA (pra minha bicicleta não chegaria a 20 reais por ano)”, “quer direitos sem deveres”, “não respeita ninguém”. São muitos os que pensam assim, por isso as ações tem também que ser no sentido de mostrar que IPVA não é passe livre pra circular, que a cada dever corresponde um direito, e que quem não respeita ninguém pode estar a pé, de bike ou de carro, nesse último caso ainda é pior. Realmente é pouco, mas nem é o começo, já devia estar bem mais adiantado esse processo.

      Thumb up 1 Thumb down 1

  • Eduardo Amaral

    É como dizer que ter mais filhos aumenta o número de crianças que morrem no parto.

    O que que tem a haver o Olho com as Calças!? Como disse o próprio Governador outro dia: “Educação vem de Dvco, do latim e significa saber conduzir-se em sociedade”

    Eu discordo! Pelas pesquisas que fiz Educar tem origem, ainda latina, mais provável na palavra “E-Ducere” que significa Conduzir-se Para Fora, o que ainda nos levaria ao conceito de saber se relacionar, mas de um modo muito mais completo.

    Precisamos saber nos conduzir, mesmo que de casa ao trabalho respeitando os demais seres humanos e seus meios de transporte – é assim que a bicicleta é definida pelo código brasileiro de trânsito: Meio de Transporte.

    Pensemos então: Este é um meio de comunicação OFICIAL do Estado, representado pelo Sr, Geraldo Alckmin. O Estado é o Poder Executivo, cabe a ele, NÃO julgar, NÃO legislar: apenas fazer valer, executar.

    Poderia por horas avaliar e criticar as atitudes dos governos Alckmin, Serra, Kassab, mas isto seria “chover no molhado” – apenas. Porém chego a uma conclusão óbvia: Já deu! É muito “mais do mesmo”, muita noticia requentada e pouca atitude.

    Transporte digno, educação a todos (e de alto padrão), moradia (digna) próxima ao postos de trabalho. Claro que não é fácil, por isto votamos com uma consciência cada vez maior. Quem sabe quando o financiamento das campanhas for público veremos mais sobriedade e menos Cachoeira. Mas será que Eles querem insto?

    Eu já tenho meu candidato para esta eleição municipal: Aliás enviei e-mail solicitando que concorresse a tal cargo e por sorte terei o orgulho (ao menos no primeiro turno) de votar em uma pessoa que encara questões polêmicos de frente.

    Thumb up 1 Thumb down 1

  • dmmg

    O mesmo Diário Oficial poderia publicar uma matéria entitulada: “Mais pessoas, mais mortes”. A matéria discorreria sobre o maior número de atendimentos médicos e óbitos causados pelo fato de haver uma maior população no Estado de São Paulo, e, no final um especialista sentenciaria: “Se você não quer morrer, o ideal é não nascer”.

    Comentário bem votado! Thumb up 4 Thumb down 0

  • Natanael Maia

    Relatório da Associação Médica Britânica: “Carros matam. Carros engordam. Reduza o espaço para os carros e aumente o espaço para ciclistas e pedestres”. Bem que nossos médicos poderiam aprender com os de lá:


    http://www.bikehub.co.uk/news/sustainability/curb-car-use-urges-bma/

    Comentário bem votado! Thumb up 5 Thumb down 1

  • Luciana Nicola

    Excelente matéria!!! O uso da bicicleta em prol da mobilidade urbana é um movimento que veio para ficar. Precisamos de mais bikes na rua, para criar o respeito mutuo no transito entre os vários meios de transporte.
    Luciana Nicola

    Thumb up 2 Thumb down 1

  • Eleições municipais, tempo de pensar em cidades para pessoas | Planeta em Perigo

    […] a conclusões tal fortes como as apresentadas no texto. Conforme análises publicadas nos blogs Vá de Bike e Na Bike, estudos anteriores apontam justamente o contrário do que a manchete do texto deixa a […]

    Thumb up 1 Thumb down 1

  • Eleições municipais, tempo de pensar em cidades para pessoas | Simone Tuasco

    […] a conclusões tal fortes como as apresentadas no texto. Conforme análises publicadas nos blogs Vá de Bike e Na Bike, estudos anteriores apontam justamente o contrário do que a manchete do texto deixa a […]

    Thumb up 0 Thumb down 1

  • Valdemir

    Por ai vc ve aonde chega a ignorância do ser humano, um sujeito que deveria dar exemplo por ser policial, se é que era né?? Solta uma destas, SE VC NÃO PAGA IPVA SAIA DA PISTA! É o fim da picada mesmo!
    Ou seja quer dizer que na cabeça de um individuo destes que se acha acima de tudo e todos pelo cargo que exerce, ele se acha no direito de PASSAR POR CIMA de um ciclista se precisar, só pelo fato dele ser da policia e pelo fato da Bicicleta não pagar IPVA, é brincadeira uma coisa destas! Queria ver se fosse alguém da familia dele, se ele ia agir assim!
    É por causa de ATORMENTADOS como este, que eu sou totalmente a favor de redes interligadas de Ciclovias por toda a cidade,exclusivas e protegidas destes animais!
    Infelizmente querer que um ciclista tenha uma convivencia igual e seja respeitado pelos motorizados aqui nesta cidade, é um sonho mesmo! A gente tem de ser realista, andar de bike em algumas ruas e avenidas movimentadas de São Paulo, é como jogar roleta Russa, por isto não me arrisco mesmo, ando pelos caminhos mais seguros, mesmo que seja mais longo, e se precisar subo mesmo a calçada, já que não temos uma malha viaria de Ciclovias decente nesta porcaria de transito!
    Quem sabe um dia, alguém realmente mude isto…quem sabe um dia…

    Thumb up 2 Thumb down 0

  • T.Cox

    Qual será a porcentagem de acidentes causados pela má qualidade das bicicletas produzidas no Brasil (que não passam por nenhum controle de qualidade, e não podem ter concorrentes importados, graças a toda carga tributária que vem aumentando “dia a dia”)?
    Qual será a porcentagem de acidentes causados por má sinalização, má conservação do asfalto entre outros de responsabilidade “do poder publico”?

    Thumb up 0 Thumb down 1

  • política e bicicletas no país dos orcs. | as bicicletas

    […] consistente em só focar um problema sem entender suas causas, e as práticas que as levam. o william, no vá de bike, explicita muito bem todos os problemas da reportagem mal feita. leia. o pásqua também, bem demonstra como a reportagem do diário oficial é […]

    Thumb up 1 Thumb down 1

  • Sergio Figueiroa

    Na terça feira passada, dia 10 de Julho as 22:30 passou por um Jetta a menos de 58cm e me fechou, este veiculo estava com velocidade acima da permitida naquela via, Av Indianopolis, em seguida com muito esforço parou no sinal, qdo o alcancei, chamei batendo de leve no vidro, ele abriu e lhe pedi que mantivesse 1,5mts para minha segurança. “SUA RESPOSTA VC PAGA IPVA ENTÃO SAI DA PISTA” e outra melhor
    “SAI DE MIM CARA EU SOU POLICIA” e era mesmo pois astava com colete da civil, depois dessas perolas vamos esperar o que de um servidor publico.

    Thumb up 3 Thumb down 1

    • Anônimo

      Sujeitos como este estão acima da lei. Eles são a lei. Você teve sorte de ter ficado só nisso. Provavelmente o cara estava com pressa de chegar em algum lugar. Ele estivesse sem ter o que fazer e meio de mal humor a coisa ia ficar preta para o seu lado rapidinho. Ele podia sacar a arma e fazer você ajoelhar no milho ali mesmo. Podia chamar mais gente pelo rádio e te levar para dar uma volta de viatura só para te apavorar. Isso eu já vi acontecer. Os caras te levam para dar uma volta nas “comunidades”, ai quando você estiver bastante “abalado” eles te soltam lá mesmo, tipo uns 30Km de onde você estava. Quer se poupar de todo o stress? Leva essas coisas numa boa, não fale com ninguém no trânsito que demonstre hostilidade a você ou a sua bike. Canso de ver esses caras gritando e fazendo gestos para os motoristas (não digo que você fez o mesmo, Sérgio, sei que você foi na boa). Isso só ajuda a piorar mais ainda as coisas. Daqui a pouco vai virar senso comum que ciclista precisa ser tratado na base do xingamento, afinal, eles xingam todo mundo… o caminho é outro, galera.

      Thumb up 2 Thumb down 1

  • Valdemir

    Este tipo de comentário do Governo, não me surpreende em nada! Aliás acho isto até normal, pois depois de tantos e tantos anos que nós Ciclistas ficamos a merce da própria sorte, só agora tentam fazer algumas Ciclofaixas umas Ciclovias aqui e ali a titulo eleitoral e só! O resto como sempre vai se empurrando com a barriga! E a culpa e a conta fica sempre com o mais fraco é claro!
    Acontece tanto acidente com Ciclista, por termos uma infraestrutura PÉSSIMA, HORROROSA,coisas que sãs executadas nas pressas só para dizer que o governo apóia o ciclismo, a mobilidade urbana etc.
    A realidade são ruas e avenidas em péssimo estado de conservação, esburacadas, rachadas, recapiadas onde quelquer Ciclista, Motocilcista ou pedestre pode se acidentar fácil, tropeçando, derrapando ou caindo em algum buraco! Já um carro no máximo que pode acontecer é estourar mola, furar pneu,quebrar amortecedor ou quebrar as bandejas.
    Na verdade ao invés do Governo mandar as bicicletas para o parque, ou economizar fazendo estas Ciclovias maquiadas por faixas vermelhas e coneis nas ruas aos Domingos. Deveria era criar vergonha e começar a fazer um grande e profundo planejamento de verdade e executar de verdade também, investir realmente em ciclovias seguras e de qualidade, investir em locais unicos de circulação apenas para bicicletas fora deste transito estressante de São Paulo, a bicicleta nunca terá os mesmos direitos na rua do que os carros, infelizmente aqui no Brasil é fato,não adianat querer ficar se iludindo ou quererndo impor na força, nós não somos a Holanda, mas uma rede Cicloviaria muito bem planejada e espalhada pela cidade funcionando 24 hs e os 360 dias do ano, seria o ideal.Isto sim solucionaria o problema e seria bom para todos veiculos motorizados, pedestres e ciclistas.
    Acho que tem muito Ciclista que se preocupa, e acha que se a bicicleta não estiver enfiada no meio da rua com os carros, não vale,que temos o mesmo direito e não podemos ficar confinados a ciclovia etc,etc, eu acho que isto pouco importa, se a pessoa pode ter um ótimo transito em pistas paralelas e projetadas apenas para as bikes, já seria mais que suficiente, e com certeza o numero de acidentes seria ZERO! Não digo como hoje uma Ciclovia aqui e outra lá do outro lado da cidade, mas sim várias se interligando por todos os lados, e por toda a cidade, é demorado isto e trabalhoso, mas seria o ideal, por melhor que seja um ciclista e sua bike, a gente tem que ser realista o tamanho, o peso e a velocidade comparada aos motorizados é difrente, no transito parado, no congestionamento a bike ganha fácil, fácil, mas na hora que o transito flui, aquele motorista que está nervoso, estressado por ter ficado preso no congestionamento e perdido tempo, na hora que o transito anda ele quer voar, é ai que acontece a merda! Qualquer um que estiver no caminho dele atrapalhando ele mete a mão na buzina e joga o carro em cima, seja motoqueiro, pedestre ou ciclista, e todos aqui sabem que o CAOS do transito de SP é assim, não estou mentindo!
    Muitos Ciclistas gostam também de usar a Holanda como exemplo, mas se as pessoas notarem bem, mesmo na Holanda as bicicletas tem o seu espaço próprio, suas vias e não se misturam junto aos motorizados e nem aos pedestres, por isto ninguém lá usa capacete ( QUE EU ACHO ERRADO )pois a velocidade que eles pedalam é baixa e tranquila e com certeza uma colisão entre dias bicicletas deve causar menos dano que uma colisão com um carro, onibus etc a mais de 60,70,80 km por hora que é a velocidade absurda que os motorizados andam por aqui!.
    O problema é que aqui nunca pensaram nisto expansão e planejamento urbano, da cidade dos veiculos das bicicletas das pessoas, e agora o Governo DESESPERADO por votos é claro, quer ficar fazendo coisas paliativas como as Ciclofaixas com dia e horário marcado e comentários absurdos como estes de VÁ ANDAR de bicicleta EM PARQUE! É o fim da pícada mesmo!

    Thumb up 0 Thumb down 0

  • Jonas Bertucci

    Estou curiosíssimo para saber o que o médico realmente disse.
    É muito, mas muito provável que sua fala tenha sido distorcida ou recortada, colocada fora de contexto.

    Tirando isso, ótima análise!

    Thumb up 1 Thumb down 1

  • Wagner Mitsumaru Menescal Hirata

    Simplesmente sem noção…

    Querem nos culpar por ter nascido…

    Thumb up 1 Thumb down 0

  • J. Fernando Paiva

    O artigo reitera a máxima do brasileiro em resolver o problema da maneira mais “fácil” possível, ou melhor, “tampando o sol com a peneira”. Exemplo: morre muita gente com arma de fogo. Solução: proibir a venda de arma. Morre muita gente pedalando. Solução: não pedale. Queria entender porque ainda não pararam de vender bebida alcóolica e nem carros, sendo que a morte associada a combinação dos dois é das que mais cresce.

    abraço

    Thumb up 0 Thumb down 1

  • Rodolpho

    Especialista do HC recomenda não usar a bike no trânsito, mas “sim em parques públicos e em ciclovias”

    Na sua opinião, os acidentes ocorrem por causa da pouca estrutura na cidade de São Paulo para utilização da bicicleta como alternativa de transporte.”

    O Governo de SP não está recomendando coisa alguma. Entrevistaram um médico do HC que emitiu sua opinião e fez uma recomendação. Só isso. Não espere que o doutor demonstre visão ampliada sobre mobilidade, desafios de urbanização etc. Espere, sim, informações como essas que foram passadas: quantidade de ocorrências, internações, partes do corpo mais afetadas etc. Na posição de profissional da saúde, o médico recomendou algo óbvio e sensato para ele:

    “Para não colocar a vida de quem pedala em risco, recomendo não usar a bike no trânsito de São Paulo.”

    A reportagem é falha? Sim. Faltou ouvir outras partes envolvidas no problema? Sim, faltou. Qual a opinião do secretário de transportes sobre o assunto? Cadê a entrevista com um ou dois ciclistas internados no HC para termos uma ideia de como os acidentes aconteceram?

    Thumb up 1 Thumb down 2

    • Vinícius

      A questão Rodolfo é onde a informação foi veiculada.

      Entende-se que algo publicado no Diário Oficial tem o consentimento do governo.

      Comentário bem votado! Thumb up 4 Thumb down 0

      • Rodolpho

        Você está inferindo isso, certo? Nunca li em canto algum do Diário algo do tipo: “as opiniões de pessoas entrevistadas representam e endossam a opinião do Diário e do Governo do Estado de São Paulo”. Muito pelo contrário…

        Thumb up 0 Thumb down 3

  • Verena

    Realmente, o Brasil pode até se desenvolver, mas para virar um país civilizado, a perspectiva é de muitas décadas. O ex-presidente acha q todo mundo deveria ter um carro… Publicações desse tipo no diário oficial… A pessoa que deu consultoria para a construção de linha amarela do Metrô dizendo q não se deve criar demanda para o Metrô para não saturar as linhas- a linha amarela claramente já foi projetada subestimando a sua lotação graças à consultoria desta pessoa de cujo nome infelizmente não lembro, mas essas declarações foram publicadas em um artigo da Folha
    O problema é de mentalidade, e esta só muda com cada vez mais pessoas tomando as atitudes coerentes e aos poucos tornando-as parte do dia-a-dia, como utilizando a bicicleta e tornando-a parte do tráfego.

    Thumb up 0 Thumb down 0

  • Alexandre

    O tráfego de bicicletas em rodovias é proibido por lei? Já viajei 200 km de bicicleta pela BR 101, inclusive passei por vários postos policiais, nunca fui alertado.

    Thumb up 0 Thumb down 0

  • Roberson Miguel (@biosbug)

    Acho que devemos fazer um MEGA PROTESTO.

    Thumb up 4 Thumb down 1

  • Guilherme Fiamenghi

    Dessa forma devemos proibir as motos em São Paulo !

    A acredito que a analise deve ser refeita.

    Att

    Guilherme Fiamenghi

    Thumb up 3 Thumb down 1

  • Rafael

    Na boa, agora eu to acreditando que o mundo vai acabar em 2012

    Thumb up 1 Thumb down 1

  • Leonardo

    É incrível como se esforçam pra acabar com o hábito da bicicleta em São Paulo… impressionante, é ataque de tudo que é lado.

    Thumb up 1 Thumb down 0

  • Du Dias

    O que diabos um ortopedista sabe de mobilidade urbana?
    Ele poderia dizer algo assim:
    “A maioria dos mortos em acidentes de bicicletas apresentam traumas na região do crânio, o que nos leva a crer que estavam sem capacete. Talvez a utilização do referido instrumento de segurança pudesse evitar que boa parte dos choques levassem a mortes”,
    ou mesmo:
    “é comum em pessoas acidentadas com bicicletas a ruptura de ligamentos, fissura nos ossos, rompimento de tendões, desde que o ciclista ou quem colidiu com o mesmo estejam em alta velocidade. Do contrário, em baixa velocidade, é pouco provável que um ciclista venha a quebrar ossos ou mesmo morrer”.
    Isso seria uma abordagem ortopédica dos acidentes envolvendo bicicletas! E assim mesmo seria necessária muita criatividade para culpar ciclistas pelas suas mortes!

    Comentário bem votado! Thumb up 5 Thumb down 1

  • Ricardo João

    Willian, excelente texto.

    Thumb up 1 Thumb down 1

  • DanielBiólogo

    Sempre com a ótica do motorizado, até quando nossa Sociedade, doente sofrendo de normose, vai continuar assim?

    “Repito sempre, que com o aumento de Bicicletas nas ruas, a evolução para um trânsito mais seguro é inevitável.”
    Em Sociedades inteligentes e cidadãs é assim, o que está faltando para nós?

    Punir exemplarmente, para educar?
    Sim, uma boa parcela de MALtoristas precisa disso, pois o que verifico como uma dos maiores causadores da extrema violência em nosso trânsito, é a quase certeza de IMPUNIDADE.

    ACORDA SOCIEDADE!!!

    Thumb up 2 Thumb down 1

  • MBC

    Bom, pelo menos parece que tem um lobby razoável nos dando apoio – ou melhor, rolou uma boa pressão nas redes por aí…

    Já saíram hoje duas matérias criticando, e de retificação do governo do estado,, a matéria publicada no DOE.

    No “Metro” (p.2): http://publimetro.band.com.br/pdf/20120712_MetroSaoPaulo.pdf

    E no “Metrô News”: http://www.metronews.com.br/metronews/f?p=287:24:3979983513789929::::P24_ID_NOTICIA,P23_ID_CADERNO:286937,909

    Bora lá!

    Thumb up 0 Thumb down 0

  • Mauro-SP

    Para encaminhar denúncia à Procuradoria Geral da República, clique abaixo:

    http://pfdc.pgr.mpf.gov.br/informacao-e-comunicacao/contato/como_encaminhar_denuncia/

    Thumb up 2 Thumb down 0

  • Mauro-SP

    Obrigado ao Governo do Estado de SP por nos fornecer mais um subsídio a respeito de quem NÃO deve ser (re)eleito: 1o.) Paulinho da Força; 2o) PSDB… Qual o próximo???
    PS: cá entre nós: sobrará alguém em quem votar???

    Thumb up 3 Thumb down 0

  • Luiz Augusto

    Como disse o Netto, ler esse tipo de reportagem é uma frustração tão grande… Eu vi esta notícia no site do Estadão a tarde, e me deu uma revolta muito grande. Agora a pouco eu vi a mesma notícia no portal Terra, e os comentários sórdidos dos “leitores” são de cair o queixo. É um dizendo que é prá liberarem os ciclistas “prá morrerem tudo”, é outro dizendo que é modinha de ambientalista… Em um sábado passado à tarde eu estava ouvindo a SulAmérica Trânsito e o repórter disse que acha que andar de bicicleta na Av. Paulista é loucura, que é muito perigoso, que até entende que a pessoa muitas vezes não tem dinheiro para comprar um carro…

    Quem foi que definiu que só pode andar de bicicleta quem não tem dinheiro para comprar carro? Quem foi que definiu que as pessoas devem andar de bicicleta só por causa do meio ambiente? Andar de bicicleta em SP é uma solução que as pessoas tem buscado como forma de chegar mais rápido em qualquer lugar, não só de querer “salvar o planeta”.

    Comentário bem votado! Thumb up 15 Thumb down 1

    • Angeloni

      Pois é LUiz, fico impressionado com tamanha ignorância. Fico pensando com são as mentes dessa gente. Prefiro evitar ler os comentários ridículos nos finais das matérias. E o que é isso no Diário Oficial?! Como se prestam para escrever isso??!! Estamos cercados de pessoas que vivem em uma caverna e que não enxergam o mundo e o que está acontecendo nele.

      Comentário bem votado! Thumb up 6 Thumb down 0

    • Ricardo João

      Até entendo o posicionamento da rádio TRÂNSITO. Afinal de contas o comentário não foi uma prestação de serviço, e sim manutenção de emprego!

      Thumb up 1 Thumb down 0

    • Danilo Almeida

      Boa cara! A parada é simples!

      Thumb up 0 Thumb down 1

  • Netto

    Ler esse tipo de reportagem é de uma frustração tão grande… até quando vão tratar a bicicleta como um mero brinquedo ou forma de lazer? Lamentável viu…

    Comentário bem votado! Thumb up 8 Thumb down 0

  • Sergio Melega

    Eu queria saber qual é a orientação dele para os mais de 600 pedestres mortos anualmente na cidade. Andar só no parques?

    Comentário bem votado! Thumb up 18 Thumb down 1

    • Ricardo João

      Sergio, eu vejo um enorme descaso em relação aos pedestres. Já vi críticas em relação à tempos de farol, de calçadas e agora faço a minha: Você acha viável uma faixa de pedestres coexista numa avenida (como a Pedroso de Moraes, por exemplo) em que a velociadade máxima é 60km/k? É impossível atravessar ali. Nenhum carro dá a preferência para o pedestre, literalmente. Além dos pontos de travessias, nossas queridas faixas, serem mal iluminadas.

      A nossa cidade e o poder público são extremamente miopes em relação à questões tão obvias quanto essas. Se fossem ao menos um pouco espertos, colocariam um agente de trânsito bem ali e aquilo se tornaria uma fábrica de dinheiro. Isso é, se o agente fosse capaz de anotar a placa, coisa que eu duvido que aconteça.

      Thumb up 1 Thumb down 0

      • Sergio

        Como uma discussão que eu tive com um amigo. Na verdade nós não somos cidadãos, somos consumidores. O pedestre e o ciclista não tomam multa, não consomem gasolina, e portanto não interessam financeiramente
        Enfim, o trânsito é uma indústria, que gera muito dinheiro. Nós fazemos parte de seus ramos pouco ou nada lucrativos, e portanto, não lhes interessa.

        Thumb up 3 Thumb down 0

  • João Lacerda

    O desconhecimento geral em relação a presença e importância da bicicleta é evidente Brasil afora, uma pena que ele chegue também a um veículo oficial. Mas desconhecimento se combate com conhecimento e quanto mais ciclistas informados e bem embasados, melhores estaremos!

    Thumb up 2 Thumb down 0

  • Bruno Melnic Incáo

    Caros, acho que vale entrar cordialmente em contato com o referido médico, juntamente com representantes do Estado de São Paulo para desfazer essa mística grotesca sobre a periculosidade das bicicletas, omissa e irresponsável quanto a agressividade e egoísmo de alguns motoristas.

    O Estado precisa respeitar as leis e não agir de modo leviano.

    Thumb up 1 Thumb down 0

  • Joao

    Eu gostei da forma que a reportagem foi abordada pelo Estadão. Não aceitaram a noticia e a passaram somente e sim deixaram claro que se basear em um único especialista não ajuda muito.
    Fora que essa matéria do Diario Oficial é algo isolado dentro das inúmeras noticias a favor do ciclista.
    Acredito que estamos indo devagar mas estamos caminhando para o sucesso.

    Thumb up 1 Thumb down 0

  • MBC

    Vale uma bicicletada mesmo…

    Pelo amor de Deus, numa altura dessas ter que ler uma porcaria de matéria dessas…ainda mais no Diário Oficial.

    Trabalho numa secretaria de Estado…quero ver só qual vai ser a repercussão…

    Comentário bem votado! Thumb up 19 Thumb down 1

  • Lena Corazza

    Vamos protestar!!! Acho que vale uma bicicletada!

    Comentário bem votado! Thumb up 28 Thumb down 1

Enviar resposta

Você pode usar estas tags HTML

<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>