Projeto pretende criar 217km de ciclovias em Salvador

A Companhia de Desenvolvimento Urbano do Governo do Estado da Bahia (Conder) lançou no ano de 2012, o Plano de Mobilidade Urbana para Salvador e o Projeto Cidade Bicicleta – apresentado como uma das soluções para a Copa do Mundo de 2014, com estímulo ao uso da bicicleta como meio de transporte. As obras devem começar no 1º semestre de 2013.

Com um investimento de cerca de R$ 41 milhões, o Projeto promete implantar um sistema cicloviário na cidade ao ampliar a malha cicloviária para 217 Km. Números não oficiais dizem que a capital baiana tem, hoje, aproximadamente 20km de ciclovias.

“Este projeto pretende dotar as cidades da Bahia, em especial Salvador e sua macrorregião, de sistemas cicloviários completos que permitam o pleno circuito do trabalhador, da população nas atividades sociais e esportivas e do turista”, diz descrição encontrada no site da Secretaria de Planejamento.

 

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Em andamento

A primeira fase do Cidade Bicicleta já está em curso, com a abertura de licitações para os projetos executivos de cinco etapas, somando aproximadamente 64 km de ciclovias situadas basicamente em pontos de interesse para o mundial: entorno da Arena Fonte Nova (palco dos jogos na capital baiana) e no percurso do Centro até a orla, incluindo pontos turísticos da Cidade Baixa e Centro Antigo.

Para o Superintendente da Conder, Antônio Brito, o sistema cicloviário do Projeto Cidade Bicicleta é uma alternativa para solucionar a mobilidade urbana em Salvador e em mais 41 municípios baianos. “Esse modelo é uma tendência mundial e é totalmente adaptável à cidade, além de ser sustentável”, afirmou durante reunião com os membros do Grupo Executivo de Trabalho de Infraestrutura, em novembro.

Mapa da 1ª etapa do Sistema Cicloviário, o circuito Arena Fonte Nova. Imagem: Conder/Jornal A Tarde

Veja os outros mapas disponibilizados pelo Jornal A Tarde

 

Promessas não cumpridas

Apesar da iniciativa positiva, a população de Salvador continua desconfiada sobre qualquer proposta de mobilidade para a cidade. Isso por conta da quantidade de promessas não cumpridas, em especial o atraso histórico do Metrô, que teve sua construção iniciada em 2000 e até hoje não foi concluído. ”Acredito que a maioria das pessoas é a favor do projeto, mas tem tido muita resistência e ceticismo em acreditar que as propostas e anúncios do poder público saiam do papel”, disse Roque Júnior, ciclista e morador de Salvador.

Imagem: Reprodução

Segundo o Jornal A Tarde, uma pesquisa feita pela Conder em 2009 apurou que 60% dos usuários de bicicletas na capital baiana não tem renda ou ganham até um salário mínimo. Para Antônio Brito, o projeto Cidade Bicicleta foi focado principalmente nas classes mais baixas.

“A Copa só veio a ajudar o início da sua implementação, mas não se restringe ao entorno da Arena ou locais de visitação turística. A malha chega ao Subúrbio, Lauro de Freitas, etc. Estas pessoas já se locomovem na cidade com bicicleta, até por não terem dinheiro para outros tipos de transporte. Precisamos oferecer a elas uma mobilidade sem que tenham sua segurança comprometida devido aos [demais] veículos”, diz Brito.

Além de uma questão social, a bicicleta deve ser entendida como um meio de integração entre as pessoas, promoção da saúde e mais uma alternativa viável de transporte a qualquer cidadão. Não adianta pensar nas ciclovias apenas como uma maneira prática de tirar “o pobre do caminho dos carros”, para que não atrapalhem a fluidez. A bicicleta é uma solução real, para todas as classes sociais, gostos e motivações. Segregá-la da via apenas com a justificativa da segurança é empurrar para debaixo do tapete um problema que causa desgaste político e que, por isso, ninguém quer encarar de frente.

 

Alargamento de faixas, pontes, túneis e infraestrutura exclusiva para automóvel em Salvador. Foto: Reprodução

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As cidades que vão receber as Olimpíadas, Copa do Mundo e Copa das Confederações 2013 (considerado evento-teste que antecede o mundial) sofrem, em geral, com os problemas do excesso de automóveis – e já sentem a necessidade de procurar soluções menos pontuais e paliativas para garantir o deslocamento de moradores e turistas.

O ideal é que os eventos esportivos deixem legados após as competições, melhorando a qualidade de vida das pessoas, com obras de infraestrutura urbana eficientes e, claro, que continuem estimulando a prática esportiva.

Por isso os investimentos em meios de transporte mais humanos e não motorizados devem ser vistos com bons olhos e cobrados das autoridades, especialmente considerando as novas diretrizes da Política Nacional de Mobilidade Urbana, legislação sancionada no início de 2012 pela presidenta Dilma Rousseff.

 

Vídeo

Vale a pena assistir o vídeo abaixo, que apresenta e explica o projeto Cidade Bicicleta:


17 comentários para Projeto pretende criar 217km de ciclovias em Salvador

  • junior

    Qual o interesse das esferas publicas em implantar ciclovias na cidade de Salvador, já que os grandes empresários das empresas de onibus em seu chamado OLIGOPOLIO financiam suas respectivas campanhas?
    È correto afirmar que se os grandes empresarios (coroneis) perdessem receita os nossos queridos gestores publicos, que por sinal são de qualidade duvidosa, teriam uma campanha polposa? Alias devo lembrar que esse dinheiro é tirado, ou melhor arrancado do nosso bolso, pobre assalariado no extremo minimo. Tambem haveria uma grande baixa na receita das grandes montadoras, ou será que elas passariam a montar bicicletas? E se tudo isso acontecesse o nosso Governo Federal com suas manobras inteligentissimas para arrecadar tributos , principalmente para o bolso dos MENOS necessitados, inventariam impostos maiores nos insumos para fabricação das bicicletas e de impostos na propria utilização da bicicleta. Já que o nosso Governo só faz coisas para melhorar a nossa excelente vida, pois é assim que eles querem que passemos a pensar

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  • Nota sobre a situação da 1º etapa do projeto Cidade Bicicleta:

    http://mobicidade.com/2013/02/19/sobre-a-licitacao-para-a-1a-fase-do-projeto-cidade-bicicleta/

    Infelizmente, uma má notícia :(

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  • Rafael

    Conversei esta semana com um conhecido que faz parte do governo e ele já me adiantou que infelizmente este projeto não vai andar.
    Reza a lenda que a grana dele inclusive já foi redirecionada pra fechar as contas do governo.

    É realmente uma pena. 40 milhões é um nada para uma projeto de mobilidade. Se ele fosse posto em prática, Salvador passaria a ser a 2ª na america latina em ciclovias e ciclofaixas.

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  • Jefferson de Oliveira

    Poderia ter algo assim aqui em Soteropólis:

    http://www.youtube.com/watch?feature=player_detailpage&v=pG4YVis69mw

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  • Jefferson de Oliveira

    Sobre as vias expressas, elas foram feitas para movimentar a economia, é muito egoísmo pensar só apenem si!

    Não concordo em ficar colocando sinaleiras em todo canto das vias expressas até pq não movimenta as rodovias, porém se o governo apresentasse uma proposta boa para o sistema cicloviário da cidade e negociasse com a industria de bicicletas poderíamos muito bem transformar este veículo como um meio de transporte de uma cidade desenvolvida, mas sim e a economia???

    Ciclofaixas tendem dá bodes, o certo seria ciclovias em locais estratégicos da cidade!

    Também poderiam aderir ao rodizio de placas em alguns locais de Salvador como na região da Pituba que engloba o Caminho das Árvores, Avenida Tancredo Neves, Itaigara e Iguatemi

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  • marcio roberto

    Estamos nescessitando urgente dessa aprovação,pelo amor de DEUS…

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  • [...] Conforme informado na apresentação do programa, disponibilizada pela Secretaria de Planejamento da Bahia, o foco dos trabalhos será direcionado a Salvador e sua macrorregião. A proposta é de que sejam construídos 217 quilômetros de ciclovias, a partir do investimento de R$ 41 milhões, como noticiado pelo jornal A Tarde e pelo site Vá de Bike. [...]

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  • acresça-se que o fato de que a pesquisa preliminar do Cidade Bicicleta tem vários erros de interpretação de dados (as pesquisas realmente melhoraram sob o Governo Wagner, vide a da SEI com a SECULT sobre o comportamento econômico durante o carnaval – uma estocada no figado do Axé-System que não deixa de ter a ver com a especulação imobiliária).

    Por exemplo, eles dizem que a maior queixa dos usuários já existentes é perigo. Não é: é sensação de perigo, ou desconforto. Dizer que pedalar em Salvador hoje é perigoso, ou não, tem de se basear em dados epidemiológicos (mortes, intercorrências, chamadas para a SAMU, etc.). Falo isso de catedra já que meu trabalho diário é com epidemiologia (não em orto-trauma, mas em saúde mental) numa escala de 500mil vidas.

    E, com isso, o Cidade Bicicleta mantém e estimula um discurso da Indústria do Medo. De mais a mais, é um projeto paternalista que visa “proteger o usuário que já existe”. Ora, este usuário 1) não precisa de sua proteção, tanto que já usa, caro Estado-Babá!; 2) o que gera proteção é atrair novos usuários, especialmente os de classe média tradicional, ou os que dirigem diariamente por motivos mil (inclusive como trabalho: taxistas, motoristas de ônibus – e nisso Belém do Pará dá o exemplo).

    Mas faço minhas as palavras de Roque: UM trecho sairá, até porque já tem edital na rua. É um trecho que pega 1/3 de meu trajeto pro trabalho, talvez justamente o trecho MENOS problemático. Os outros 2/3 são Brotas, um bairro tão cicloviário que tem 4 boas bicicletarias, algumas com excelentes peças de uso urbano. Mas Brotas não entraria em nenhuma das etapas do Cidade Bicicleta – por aí você tire… (e é o bairro mais populoso, denso e uniforme/continuo do Centro Expandido de Salvador…)

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  • Aline,

    Infelizmente as coisas na Bahia, pelo menos por parte do governo, tendem a mostrar muito mais do que concretizar. Pelo que pude perceber, e por meio de boatos, não vai sair tão cedo.

    Há quem diga que foi cancelado, mas ainda não tenho o link comprovando tal feito. :(

    É uma pena mesmo.

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  • Som do Roque

    Ehehehehehehe…
    Olha, eu até acredito que “alguma coisa”, em algum momento, vai sair. Algum trecho pequeno, próximo do Estádio “Arena Fonte Nova” e do Centro Histórico. Algo que possa ser vendido como “olha, estamos preocupados com a mobilidade sustentável”… No mais, eu não acredito que estes duzentos e poucos km se concretizem…

    Não existe NENHUMA preocupação com a bicicleta “como meio de transporte”, vinda dos orgãos públicos tanto municipal quanto estadual. Quer dizer, alguns atores no meio disso tudo tem algum discursinho sobre isso, mas não passa disso (discurso) mesmo.

    Independente do Projeto “Cidade Bicicleta”, inúmeras (e grandes) obras viárias foram construídas em Salvador nos últimos tempos e NENHUMA delas tem qualquer infraestrutura para a bicicleta como meio de transporte. Portanto é muita viagem ficar acreditando que o tal projeto mudará isto. Tivemos obras enormes na Avenida Centenário, na Rótula do Abacaxi, Ladeira do Cabula, Avenida Heitor Dias, Avenida Jorge Amado (Praça do Imbuí), Avenida Vasco da Gama, entre outras, TUDO, TUDO, TUDO mesmo somente voltado para os veículos automotores. Em todos estes locais é MUITO necessário se ter infraestrutura, pois são locais velozes, com poucos semáforos e quase nenhuma estrutura de microacessibilidade, inclusive para os relegados pedestres (que dentro desta lógica carrocêntrica também são intrusos, estorvo, sem valor algum). Em várias destas obras não seria difícil se construir estrutura para as bicicletas, mesmo que não fossem ciclovias (segregadas), mas que se fizessem ciclofaixas, se sinalizassem, para que pelo menos simbolicamente a coisa se delineasse… Mas NÃO, não existe NADA, NADA foi construído neste sentido… Por quê eu acreditaria que, como num passe de mágica, o Projeto Cidade Bicicleta vai mudar isto? É lógico que eu desejo que tudo isso aconteça. Porém, pela experiência, sou um verdadeiro cético.

    Comentário bem votado! Thumb up 5 Thumb down 0

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