Quem faz o Vá de Bike

Willian Cruz pedala nas ruas da cidade de São Paulo desde o ano 2000, utilizando a bicicleta em quase todos seus deslocamentos. Com o trabalho no Vá de Bike e o ativismo em diversas frentes, vem ganhando relevância no cenário do cicloativismo nacional desde sua primeira ação, em 2004.

Entre os projetos e ações dos quais participa ou já participou, destacam-se Bike Anjo, Ciclocidade, Instituto CicloBR, CicloLigaDia Mundial Sem Carro, Desafio Intermodal, Vagas Vivas, ações de acompanhamento e apoio a projetos e campanhas do executivo, legislativo e outros órgãos públicos, além de cursos, palestras, seminários e fóruns sobre mobilidade urbana e bicicletas.

Seu casamento, em 2009, foi um evento público em duas rodas, com um cortejo de mais de 50 ciclistas pelas avenidas da cidade, tendo os noivos à frente. A ação teve enorme divulgação na imprensa, com matérias em redes de televisão, jornais, revistas e internet, tendo até hoje repercussão na mídia e citação em entrevistas.

A imagem do autor traz grande identificação e confiabilidade entre usuários de bicicleta e cicloativistas. Com laços estreitos com outros grandes nomes do cicloativismo nacional, dando o exemplo através de suas ações e tendo uma postura abrangente, ponderada e conciliadora, sua opinião é requisitada, ouvida e respeitada entre ativistas, ciclistas e imprensa. Suas entrevistas, textos e recomendações geram sempre visitação e repercussão em redes sociais.

> Saiba mais sobre o Vá de Bike <

> Veja onde o Vá de Bike andou aparecendo na mídia <

A opção pela bicicleta
“Quando criança eu andava bastante de bicicleta, chegando até a ir com ela para a escola vez ou outra na adolescência, num trajeto nada amigável. Mas conforme chegava a maioridade, como todo jovem de classe média influenciado pela sociedade e pela propaganda, quis ter um carro e dirigir.

Com o carro, esqueci da bicicleta e me tornei um motorista padrão: gostava de velocidade, de carro bonito, de som alto, de provar o tempo todo minha suposta perícia ao volante. Mas alguns anos depois, já sentia saudade da sensação de liberdade que a bicicleta nos dá.

No final do ano 2000, comecei a pedalar nas ruas com a ajuda de um amigo mais experiente, que me incentivava bastante. Logo passei a participar de grupos de pedalada noturna, muito comuns em São Paulo, que me ajudaram a acostumar com a bicicleta nas ruas. Também comecei a fazer trilhas nos finais de semana, chegando até a participar de algumas competições de mountain-bike.

Num dia em que meu carro quebrou, em 2003, resolvi ir de bicicleta para o trabalho. Percebi que era muito mais simples do que eu imaginava e, a partir daí, comecei a questionar muito o uso do automóvel e toda essa cultura do carro que nos cerca e influencia todo o tempo. Comecei a ir de bicicleta uma vez por semana, duas, três e quando percebi já a utilizava todos os dias.

Fui percebendo ao longo dos anos que era possível viver sem ter um carro e em 2006 o vendi, porque ele não era mais usado. E olha que era um carro bom, esportivo, vermelho, com ar condicionado, motor potente, etc. Mas ele já não me atraía mais. Em um ato que para mim foi emblemático, levei o carro de volta para a mesma concessionária de onde eu o havia comprado alguns anos antes, tirei a bicicleta do porta-malas e voltei para casa pedalando, sorrindo e me sentindo liberto.

Hoje, uso a bicicleta para tudo e nem penso em dirigir. Meu tempo é muito curto para tudo que preciso fazer e não posso desperdiçá-lo me estressando dentro de um carro parado, no meio de uma avenida. O tempo utilizado num deslocamento em bicicleta, por outro lado, é aproveitado, saboreado e me deixa feliz. Às vezes uso transporte público, eventualmente táxi, mas não é preciso ter carro para viver em São Paulo. Isso é lenda urbana.”

O site

“O Vá de Bike surgiu a partir do momento em que comecei a compartilhar em um blog minhas experiências com o uso da bicicleta nas ruas. Conforme fui experimentando comportamentos e práticas do uso das vias junto a outros veículos e vendo o que funcionava melhor, o que era mais seguro, o que trazia melhor resultado, eu ia relatando no blog em forma de artigos com dicas. O objetivo, desde o início, foi ajudar quem está começando, passando a experiência prática que adquiri nas ruas de São Paulo – na época, bem menos receptivas que hoje.”

 

Autores convidados

Arte: Vá de Bike

O Vá de Bike também dá voz a outros autores, que ajudam a engrandecer e diversificar o conteúdo do site. Com visões e opiniões próprias, os convidados têm sempre como foco a mobilidade por bicicleta, a defesa do direito de uso desse meio de transporte e o apoio ao ciclista urbano, princípios que norteiam este site.

Os autores convidados são selecionados com um critério bastante rígido, avaliando principalmente seu histórico e postura frente aos temas recorrentes no site, a fim de manter o padrão de qualidade dos textos e opiniões que caracterizam o Vá de Bike. Além dos convidados fixos, textos de outros articulistas e até de nossos leitores também são publicados eventualmente por aqui.

 

Aline em sua fixa rosa – ou vermelha, não decidimos ainda. Foto: Laura Sobenes

Aline Cavalcante

Uma dessas pessoas é a Aline Cavalcante, que volta e meia publica seus textos por aqui. Já conhecida dos ciclistas urbanos, a @Pedaline tem na bicicleta seu meio de transporte principal e está sempre participando de ações de divulgação e incentivo ao uso da bicicleta. Atua em diversos grupos e coletivos e é uma das organizadoras do projeto Las Magrelas e oGangorra, além de ser jogadora de Bike Polo. Veja os textos que a Aline já publicou.

Essa menina de Aracaju, que descobriu na bicicleta sua paixão quando mudou para São Paulo, pedala com seu estilo cycle chic hipster sua fixa vermelha, que ela jura ser rosa. Não suporta injustiças ou preconceito contra quem pedala, defende os direitos dos ciclistas urbanos e está sempre disposta a ajudar os iniciantes, principalmente outras meninas que começam a se aventurar pelas ruas.

 

Foto: Anna Muylaert

Foto: Anna Muylaert

Rachel Schein

Para a Rachel também foi necessário ficar sem carro para que descobrisse a bicicleta como meio de transporte. “Primeiro virei pedestre e, depois de passar muitas horas por dia caminhando, resolvi tirar a bicicleta da garagem”. Logo descobriu que o mesmo trajeto que ela fazia em 50 minutos andando podia ser feito em menos de 15 de bike. “Daí para pedalar seis, oito horas por dia, me candidatar a voluntária em projetos e me envolver com o cicloativismo foi um pulinho. Quer dizer: uma pedaladinha!”

Rachel acredita na bicicleta como instrumento de transformação pessoal. Ela mudou sua relação com a cidade e com as pessoas. E junto com isso veio uma vontade enorme de mudar o mundo.

Saiba mais sobre a Rachel Schein e veja o que ela já publicou por aqui.

 

Foto: Arquivo pessoal

Foto: Arquivo pessoal

Lívia Araújo

Nossa colaboradora de Porto Alegre tem a bicicleta como meio de transporte principal desde 2008. Com sua Peugeot dos anos 70 e dois alforjes de palha, faz até a feira no final de semana. Lívia estava entre os 150 ciclistas contra os quais Ricardo Neis acelerou seu carro em fevereiro de 2011, ferindo 17 deles, em um caso que repercutiu em todo o mundo.

Mas em vez de refrear o uso da bicicleta, o atropelamento da Massa Crítica lançou mais ciclistas às ruas, fortaleceu a mobilização na capital gaúcha, aumentou a cobrança ao poder público e fomentou uma rede de intercâmbio que culminou na realização anual do Fórum Mundial da Bicicleta.

Lívia ajudou na realização do Fórum e participou da criação da Mobicidade, a Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta de Porto Alegre. “Nunca imaginei que ter adotado a bicicleta como meu principal meio de transporte me traria tanta transformação”.

Conheça a Lívia Araújo e veja o que ela já publicou no Vá de Bike.

 

Foto: Arquivo pessoal

Foto: Arquivo pessoal

Enzo Bertolini

O rapaz que começou como bike messenger no interior paulista, numa época em que essa nomenclatura ainda nem era conhecida, acabou deixando a bicicleta de lado por receio do trânsito quando foi trabalhar em São Paulo. Mas logo Enzo cansou-se do transporte público e dos congestionamentos e decidiu adotar a bicicleta nos seus deslocamentos diários.

Morador da Zona Norte de São Paulo, o corinthiano roxo enfrenta batalhas diárias para usar a bicicleta, sobretudo nas pontes que precisa cruzar – inóspitas a pedestres e ciclistas. Juntos com outros ciclistas e amigos da região, criou o grupo CicloZN, para lutar por uma cidade mais justa e receptiva a quem usa a magrela como meio de transporte

Conheça o Enzo Bertolini e veja o que ele já publicou no Vá de Bike.