"Bandeirinha" trabalhando na Ciclofaixa de Lazer, na Zona Oeste de São Paulo. Foto: Willian Cruz/VdB

É preciso rever o modelo da Ciclofaixa de Lazer de São Paulo

Formato precisa ser ajustado para atrair novos patrocinadores – sob risco de não termos mais essa opção de lazer aos domingos

Mais uma vez, a Ciclofaixa de Lazer de São Paulo corre o risco de acabar. A patrocinadora Uber decidiu não renovar o termo de cooperação com a Prefeitura. E a cidade pode ficar sem a estrutura a partir de 23 de agosto.

A Ciclofaixa de Lazer foi criada em 2009 e é frequentada por cerca de 100 mil pessoas a cada domingo. São pessoas que pedalam com os amigos, com a família e com crianças. E que podem ficar sem essa opção de lazer saudável e não poluente do final de semana.

Serviço pode ser interrompido

A Prefeitura de São Paulo garantiu que manterá o serviço até que surja alguma empresa interessada em bancar a operação. Mas essa promessa já foi feita no passado, com um roteiro que pode se repetir esse ano.

Quando o primeiro patrocinador desistiu em 2019, a administração municipal fez a mesma garantia. No entanto, desistiu logo em seguida, não chegando a manter por um final de semana sequer o funcionamento da estrutura. A cidade ficou quase um ano sem a Ciclofaixa de Lazer, até a entrada da Uber.

No vídeo que está nessa página (e que também pode ser visto aqui) há imagens dos ciclistas pedalando na rua, na faixa da esquerda, onde antes havia a Ciclofaixa de Lazer, no segundo final de semana após sus suspensão.

Importante opção de lazer

Os paulistanos não podem ficar sem esse serviço.

Para fazer uma comparação, em jogos importantes um estádio de futebol recebe até 65 mil pessoas, que ficam no local por duas ou três horas. Portanto, 100 mil pessoas circulando de bicicleta das 7 da manhã até as 4 da tarde, todos os domingos, não é pouca coisa.

Não se pode ignorar toda essa gente e dizer que, já que não tem patrocinador, não teremos mais Ciclofaixa de Lazer.

O que mudar

Para manter a Ciclofaixa de Lazer funcionando, o patrocinador atual vinha investindo cerca de R$ 11,5 milhões por ano. Esse alto custo afasta possíveis patrocinadores. Por isso, é preciso ajustar esse modelo.

Um dos caminhos seria mudar detalhes da operação, para conseguir reduzir esse custo. Algumas opções seriam rever a distância entre os cones e retirar a sinalização nos trechos onde já há ciclovia. Há quem defenda até mesmo a retirada dos “bandeirinhas”, apesar do impacto social que isso teria.

Outra opção seria mudar o modelo de patrocínio, oferecendo-o por meio de cotas. Dessa forma, seria possível termos mais de uma empresa dividindo esse investimento. Mas, para isso, a Prefeitura precisaria gerir esse serviço – algo que não estão dispostos a fazer.

Uma terceira possibilidade seria concessionar a operação, dentro de regras e limites claros, como foi feito pelo Governo do Estado com a Ciclovia Rio Pinheiros.

É hora dos representantes da Prefeitura sentarem com calma, conversarem com a Câmara Temática da Bicicleta, com entidades do segmento e com a iniciativa privada, para buscar um modelo que atraia mais os patrocinadores.

Não podemos ficar mais um ano sem a Ciclofaixa de Lazer, correndo o risco inclusive de não surgir mais nenhum patrocinador.


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