Entre povoados, aldeias e cidades charmosas – atravessando o norte da Argentina de bicicleta

Parque Nacional Rio Pilcomayo. Foto: Pedro Sibahi

Parque Nacional Rio Pilcomayo. Foto: Pedro Sibahi

O norte argentino pode ser considerado bastante adequado ao cicloturismo: é pouco frequentado por carros ou caminhões, as estradas são planas e há dezenas de pequenos povoados ao longo do caminho. Na porção centro-norte está o Chaco, uma grande planície de floresta e selva que se estende por mais de 400 quilômetros, sem uma subida ou descida.

Percorrer uma planície sem fim pode parecer um pouco monótono para um ciclista treinado, mas apresenta um desafio psicológico interessante e encanta pelo encontro frequente com aves e outros animais silvestres. Ao entrar na região noroeste, o viajante passa rapidamente por climas bem variados, atravessando uma pequena área de selva, para depois se aproximar da Cordilheira dos Andes, onde a temperatura baixa.

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Entrando pelo Paraguai

Quem vem do Brasil passando por Assunção, no Paraguai, pode atravessar para a Argentina pela cidade de José Falcon, onde há uma aduana. O trajeto pode ser feito todo por asfalto ou pode-se cruzar o rio Paraguay em um pequeno barco que serve para o transporte da população local, saindo de um porto quase informal em frente ao palácio do governo paraguaio (Palacio de López, na Avenida Costanera José Assunción Flores). A experiência compensa.

Entrando na Argentina, a primeira cidade é Clorinda, na província de Formosa, onde há bancos e mercados para se abastecer. A partir daí, uma boa opção é tomar a Ruta 86, que passa ao longo de vários parques nacionais onde é possível acampar e desfrutar a natureza. O primeiro desses parques é área de proteção do Rio Pilcomayo, com uma enorme lagoa, cheio de pássaros e espaço para fazer churrasco a cerca de 45 km da divisa com o Paraguai.

No total a Ruta 86 tem 200km entre Clorinda e a cidade de General Guemes, onde se encontra com a Ruta 95. Daí, são apenas 85 km até o cruzamento com a Ruta 81, que segue para oeste.

Parque Calilegua. Foto: Pedro Sibahi

Parque Calilegua. Foto: Pedro Sibahi

Belezas naturais

Nessa rota passamos por mais uma beleza natural, o Bañado la Estrella, área alagadiça que lembra o pantanal brasileiro, a apenas 40 quilômetros do povoado de Las Lomitas, onde é fácil conseguir abrigo.

Esse é o trecho que oferece um certo desafio psicológico. A Ruta 81 tem 500 km até a Ruta 34, percorrendo uma estrada plana em uma região que tem um aspecto um tanto agreste, principalmente por conta das plantas espinhosas ao redor da estrada. Todos os povoados são muito pequenos, há várias aldeias indígenas e não há hotéis na maioria das cidades. É preciso ir preparado para acampar onde der.

Pela Ruta 34 são mais 300 km até a cidade de Salta. Aqui a paisagem finalmente começa a mudar. No começo, uma área de selva de altitude, conhecida como yunglas. Nessa área está o Parque Nacional Calilégua, ao lado da cidade homônima, onde há rios abastecidos pelos Andes, vegetação densa e muitos pernilongos. Acampar aqui vai lhe custar uma garrafa de repelente, mas compensa.

Ruta 81. Foto: Pedro Sibahi

Ruta 81. Foto: Pedro Sibahi

Áreas urbanas

Chegando em Salta, enfrentamos subidas e a aproximação de uma zona urbana mais densa, com os perigos inerentes para quem anda de bicicleta, como o maior tráfego de veículos pesados. Ainda assim, vale conhecer essa capital com um centro histórico charmoso, cheio de cafés e restaurantes. Duzentos quilômetros mais ao sul, está a cidade de Cafayate, muito visitadas por suas incríveis montanhas multicoloridas próximas a uma cidade pequena, de arquitetura colonial hispânica preservada.

Ao norte de Salta está San Salvador de Jujuy, que deve ser visitada após um dia percorrendo a Ruta 9, mais conhecida como La Corniza. É uma estrada de 97 km, extremamente sinuosa, mas com uma altimetria que progride suavemente e com um visual deslumbrante de serras verdejantes ao longo de quase todo o trajeto.

Em San Salvador de Jujuy há uma mistura com toque mais forte de influência indígena do que espanhola ou italiana, o que torna a cidade bem diferente de outras capitais argentinas. É pequena, intimista, possui comida a preços honestos e será um ótimo lugar para recobrar as anergias antes de seguir viajem rumo a pontos mais altos da cordilheira.

É de San Salvador de Jujuy que se começa a travessia andina pelo Paso Jama até San Pedro de Atacama, no Chile, na qual a estrada ultrapassa os 5 mil metros acima do nível do mar. Essa será nossa próxima aventura.

Cruzando Rio Paraguay de Barco. Foto: Pedro Sibahi

Cruzando o Rio Paraguay de Barco. Foto: Pedro Sibahi


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Pedro Sibahi partiu de São Paulo rumo ao sul do país, passando pelo Paraguai, Argentina e Bolívia, para de lá voltar à capital paulista. Acompanhe essa aventura no pedal e conheça as preciosas dicas do viajante. Veja o que Pedro já publicou aqui no Vá de Bike.

1 comentário para Entre povoados, aldeias e cidades charmosas – atravessando o norte da Argentina de bicicleta

  • Fabio

    Que linda viagem!
    Eu subiria um pouquinho mais até Tartagal, a fronteira com a Bolívia e passaria pelas minhas lindas Yacuiba, Villamontes, Camiri e Charagua.
    Chaco S2! Saudades!

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