De Foz do Iguaçu a Assunção: cruze o Paraguai de bicicleta!

Rota 7, que leva de Foz a Assunção. Foto: Pedro Sibahi

Rota 7, que leva de Foz a Assunção. Foto: Pedro Sibahi

O Paraguai é um país relativamente plano, com paisagens interessantes e um povo amável, o que o torna um destino perfeito para cicloturistas menos experientes. Nosso vizinho a sudoeste em geral recebe poucos visitantes brasileiros dispostos a ir além das compras em Ciudad del Este, mas tem muito mais a oferecer.

É possível cruzar
o Paraguai de bicicleta
em três ou quatro dias

Viajando de bicicleta, cruzar o país a partir de Foz é uma tarefa relativamente fácil, que pode ser feita em três ou quatro dias. São aproximadamente 300 quilômetros entre a fronteira e a capital, sempre pela Ruta 7. É recomendável trocar dinheiro ainda no Brasil, pois Ciudad del Este é um pouco caótica para ciclistas e nas cidades seguintes não há casas de câmbio.

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Quem tomar essa rota encontrará diversos povoados ao longo do caminho, a cada 40 ou 50 quilômetros. Alguns lugares são pequenos e simples, não possuem hotéis, mas são tão calmos que até as praças são convidativas para acampar. Também há cidades com alguma estrutura e oferta de hotéis para viajantes. Eu mesmo, quando atravessei esse trecho, dormi apenas em praças, em uma delegacia e nos jardins atrás de um restaurante (sempre pedindo permissão aos responsáveis).

As paisagens são tomadas por fazendas apenas nas proximidades do Brasil, depois há muitos sítios familiares, hortas e trechos de mata. A altimetria varia pouco, com pequenos morros similares aos campos paranaenses.

Depois de Foz, a primeira cidade de maior interesse que aparece após cruzamos o bucólico interior paraguaio é Caacupé, 278 km depois. É um ponto de peregrinação que vale ser conhecido pela importância para o povo local. Quase toda a população do país, que é muito católica, se dirige para a catedral da cidade no mês de dezembro.

Recanto Marianela, onde é possível descansar. Foto: Pedro Sibahi

Recanto Marianela, onde é possível se hospedar a bom preço. Foto: Pedro Sibahi

Em Caacupé, é possível fazer um “desvio” de rota antes de chegar a Assunção. É para a cidade de Atyrá, uma estância climática localizada a apenas 60 quilômetros da capital. A cidade conserva um charme histórico, uma vez que tem quase 500 anos. Uma boa opção para relaxar por aqui é o recanto Marianela, uma espécie de retiro espiritual que faz as vezes de hotel e pode abrigar ciclistas a preços camaradas.

De lá, seguimos para São Bernardino, outra cidade de veraneio, localizada bem em frente ao Lago Ypacaraí, que já serviu de tema para músicas de amor. Infelizmente, hoje o lago não se encontra próprio para banho, mas está em processo de recuperação e a bela paisagem pode ser visitada mais de perto em barco. Pássaros como o quero-quero habitam as margens e dão mais vida ao lugar.

Após esse pequeno desvio, o próximo destino é Assunção, a 46 quilômetros de distância. A melhor rota é seguir pedalando até a cidade homônima ao lago Ypacaraí, depois pegar a rota que passa por Areguá sentido Luque, onde fica o aeroporto internacional. O caminho é tranquilo e dependendo da época do ano, ao longo da estrada há barracas vendendo morangos e todo o tipo de guloseimas feitas com a fruta.

Lago Ypacaraí. Foto: Pedro Sibahi

Lago Ypacaraí. Foto: Pedro Sibahi

Chegando em Assunção, é preciso tomar cuidado com as avenidas movimentadas, como Las Residentas, que vem de Areguá. Quem for para o centro antigo irá passar na frente da Confederação Sul Americana de Futebol e próximo a áreas verdes como o Parque Guasu e o Jardim Botânico.

Uma boa opção de acomodação na cidade é o hostel La Fábrica, localizado no coração do bairro La Catedral (Calle 14 de Mayo, 1051). O terreno onde está o hostel é um dos poucos que ainda abriga um vasto gramado no centro da cidade – onde é possível acampar – e os hóspedes compartilham as áreas comuns com os simpáticos funcionários de uma troqueladora (equipamento de indústria gráfica) que funciona no mesmo prédio (daí o nome La Fabrica). O hostel está em uma construção histórica e foi idealizado por um mexicano chamado Erick Alarcon, que viajou por quatro anos pela América Latina, dois deles em bicicleta.

Quem quiser explorar a cidade não pode deixar de pedalar pela avenida Costanera, às margens do Rio Paraguay, além de gastar algumas horas caminhando pelo centro. O Palácio de Lopez, sede do governo, também merece uma visita, mas o lugar mais charmoso é o bairro de San Jerónimo, uma comunidade que se uniu para combater a violência e se renovar, abrigando cafés e bares dentro das casas de fachadas coloridas.

Pedro Sibahi partiu de São Paulo rumo ao sul do país, passando pelo Paraguai, Argentina e Bolívia, para de lá voltar à capital paulista. Acompanhe essa aventura no pedal e conheça as preciosas dicas do viajante. Veja o que Pedro já publicou aqui no Vá de Bike.


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Quero-quero no lago Ypacaraí. Foto: Pedro Sibahi

Quero-quero no lago Ypacaraí. Foto: Pedro Sibahi


2 comentários para De Foz do Iguaçu a Assunção: cruze o Paraguai de bicicleta!

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