Pedalando de São Paulo a Curitiba pelo litoral

Vista de Cananéia. Foto: Pedro Sibahi

Vista de Cananéia. Foto: Pedro Sibahi

Viajar de São Paulo até Curitiba de bicicleta é um desafio agradável e repleto de paisagens paradisíacas, para quem deixa de lado a BR-116 e segue pelo litoral entre os dois Estados. O trajeto entre as duas capitais é perfeito para um feriado prolongado ou para aproveitar as férias. Para fazer essa viagem, recomenda-se levar uma barraca, mas há sempre a opção de pequenas pousadas pelo caminho. Um fogareiro não é necessário, pois há muitos restaurantes no trajeto.

As etapas da viagem
De São Paulo a Curitiba pelo litoral
De Curitiba ao cânion do Guartelá: cachoeiras e banhos de rio
Atravessando o Paraná evitando grandes rodovias
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Saindo de São Paulo a melhor opção é seguir pelo litoral sul. Os ciclistas que conhecem a região sabem que a área no entorno de São Vicente e Praia Grande não é das mais seguras, assim como os trechos finais das estradas que descem para Santos. Com uma bicicleta carregada, talvez dê para arriscar pela dificuldade de roubo. Eu optei por começar minha viagem tomando um ônibus até Peruíbe, no litoral sul de São Paulo. É possível descer antes, em Mongaguá ou Itanhaém.

Saindo da capital paulista em torno das 9h, no terminal Jabaquara, chega-se a Peruíbe após três horas de viagem. Aqui, é recomendado levar uma nota fiscal da bicicleta para ter alguma garantia da empresa de ônibus. A partir de Peruíbe, segui viagem pela SP-055, a rodovia Padre Manoel da Nóbrega. Depois de aproximadamente 25 km, pode-se fazer uma refeição em Pedro de Toledo.

A partir daí, são mais 17 km até a BR 116. Sim, essa é a rodovia a ser evitada, mas será apenas um pequeno trecho de 15 quilômetros. A vantagem de começar o pedal a partir do litoral é que se evita o trecho de serra da BR 116, com grande tráfego de caminhões. Após o município de Miracatu, basta pegar a primeira entrada à esquerda, sentido Iguape, pela SP-222, a Rodovia Prefeito Casemiro Teixeira.

Eu terminei aí meu primeiro dia de pedal. É possível acampar próximo a alguma lanchonete, ou seguir mais alguns quilômetros por uma pequena estrada de terra até o Salto do Biguá. A cachoeira fica na área de Miracatu e tem vários quiosques no entorno. O local é seguro o suficiente para uma boa noite de sono, mas converse primeiro com um proprietário de algum quiosque.

Vila de pescadores de Superagui. Foto: Pedro Sibahi

Vila de pescadores de Superagui. Foto: Pedro Sibahi

Pela serra do mar

Saindo da região de Miracatu, é hora de enfrentar a serra do mar até Iguape. A SP-222 tem pista simples e sem acostamento, mas o tráfego de veículos é pequeno. Também há várias fontes de água potável, além de alguns bares e restaurantes ao longo do caminho, que é cercado de floresta.

Chegando a Iguape, atravessamos para Ilha Comprida por uma ponte. Depois, pode-se seguir até um trecho isolado da praia, ou procurar por um camping ou pousada. A Ilha Comprida não recebe esse nome à toa. São aproximadamente 60 quilômetros de extensão até a Vila de Boqueirão Sul, onde se pega uma balsa gratuita para Cananéia. Planeje bem esse trecho, pois após o centro de Ilha Comprida (que fica no norte da ilha), não há muita opção de alimentação. Após 20 km acaba o asfalto, que é substituído por uma estrada de cascalho. Quando o cascalho ficar muito ruim, opte por pedalar na areia firme, próxima da água.

Cananéia é uma cidade histórica que lembra Paraty, no Rio de Janeiro. Há vários prédios históricos do tempo da colonização portuguesa. Nas proximidades é possível conhecer sambaquis (montes de conchas formados por populações ancestrais) e regiões de mangue.

Objeto metálico "perdido" na praia. Boatos dão conta de que é um pedaço de satélite. Foto: Pedro Sibahi

Objeto metálico “perdido” na praia. Boatos dão conta de que seria um pedaço de satélite. Foto: Pedro Sibahi

De Cananéia a rota segue de barco para Ilha do Cardoso, mais especificamente para a vila de Marujá. Informe-se no local sobre horários e dias de partida, não há disponibilidade em todos os dias da semana e o preço fica em torno dos R$40. Em Marujá, o clima pacato, a natureza exuberante com trilhas, cachoeiras e a areia branca são convidativos. É possível acampar ou ficar em uma pousada na vila, ou seguir pedalando e acampar sozinho na praia.

Depois de aproveitar um pouco da região, é preciso seguir sentido sul, por cerca de 20 km até a divisa de São Paulo com o Paraná. Aqui existe um rio e será necessário pedir para um dos pescadores que ficam na área fazer a travessia, que custa em torno de R$30.

A entrada no Paraná é pelo Parque Nacional do Superagui. São mais 30 quilômetros até a vila que recebe o mesmo nome do parque. Fique de olho na tábua de marés, pois quando o mar enche, resta apenas a areia fofa para pedalar, o que é um verdadeiro suplício. Durante o trajeto eu encontrei algumas tartarugas e até um golfinho, todos mortos, vítimas da poluição no mar. Também há enormes peças de metal atoladas na praia, que segundo boatos são partes de algum satélite.

A Vila de Superagui é residência para centenas de famílias de pescadores, além de alguns comerciantes e pessoas que vivem do turismo. Durante períodos de alta-temporada, o lugar lota, mas na baixa-temporada é completamente pacato. É possível hospedar-se em camping ou pousadas. O lugar é perfeito para relaxar de forma simples.

Quem estiver com mais tempo e dinheiro, ainda pode esticar a viagem para a Ilha das Peças e para a Ilha do Mel. Ambas são conhecidas pela beleza e possuem colônias de pescadores com a infraestrutura necessária para abrigar turistas. Lembre-se que cada ilha visitada necessita de mais uma viagem de barco, que custa mais dinheiro. Eu optei por seguir viagem até a cidade portuária de Paranaguá. De Superagui há barcos saindo diariamente às 7h da manhã por R$30.

O trem que leva de Morretes a Curitiba tem vagão adaptado para transportar bicicletas, por um pequeno adicional na passagem. Foto: Willian Cruz

O trem que leva de Morretes a Curitiba tem vagão adaptado para transportar bicicletas, por um pequeno adicional na passagem. Foto: Willian Cruz

A chegada em Paranaguá não é pelo porto, mas em um píer próximo do centro antigo, com alguns prédios do período colonial. De lá até Curitiba são aproximadamente 80 km. A saída da cidade é um pouco complicada devido ao tráfego de caminhões carregados de soja, cujo farelo insiste em voar na direção dos olhos. Ainda assim, há alguns trechos de calçamento ao lado da rodovia.

Quando efetivamente sair da cidade, são mais alguns quilômetros até iniciar a subida. É bom fazer uma última refeição antes de começar a subida de quase mil metros, atravessando um dos trechos mais conservados da serra do mar. A vista é realmente exuberante, mas em alguns momentos a rodovia fica sem acostamento por causa da terceira faixa para os caminhões que sobem. Não se desespere, os motoristas desviam sem buzinar, mas se preferir, é possível atravessar para a outra pista e utilizar o acostamento do lado oposto.

Um caminho alternativo é, antes de subir a serra, pegar a saída para Morretes. A cidade é conhecida pelo prato típico, o barreado, e possui um trem turístico que vai até a capital paranaense.

Pronto. Após aproximadamente 300 quilômetros pedalados, mais alguns percorridos de barca, eis a esperada chegada a Curitiba. A viagem dura ao menos seis dias, mas pode ser estendida. Aproveite as ciclovias da capital paranaense e os parques espalhados pela cidade.

Pedro Sibahi partiu de São Paulo rumo ao sul do país, passando pelo Paraguai, Argentina e Bolívia, para de lá voltar à capital paulista. Acompanhe essa aventura no pedal e conheça as preciosas dicas do viajante. Veja o que Pedro já publicou aqui no Vá de Bike.


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Cachoeira do Biguá. Foto: Pedro Sibahi

Cachoeira do Biguá. Foto: Pedro Sibahi


6 comentários para Pedalando de São Paulo a Curitiba pelo litoral

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