Atravesse pedalando o maior mar de sal do planeta: o salar de Uyuni, na Bolívia

No Salar de Uyuni. Foto: Pedro Sibahi

No Salar de Uyuni. Foto: Pedro Sibahi

Atravessar o deserto mais seco do mundo e o maior salar do planeta, saindo do Chile e terminando na Bolívia, é uma aventura extenuante, mas que atrai ciclistas de toda parte. Muitos viajam para esta região apenas para percorrer uma das rotas entre os dois países.

Há duas opções principais, uma de caráter mais histórico-cultural e outra mais selvagem. O caminho descrito nesse texto passa por cidades históricas, pela maior mina a céu aberto do mundo e inclui trechos de areia e deserto, com 540 km de distância. O caminho em meio à natureza é conhecido como Ruta de Joya, passando por desertos, gêiseres e formações de pedra, com 520 km de distância. Independentemente da rota, é preciso estar preparado para o frio, ter equipamento completo de acampamento e boas noções de navegação.

Mina de Chuquicamata. Foto: Pedro Sibahi

Mina de Chuquicamata. Foto: Pedro Sibahi

Começando pelo Chile

Partindo de San Pedro de Atacama, no Chile, eu tomei a ruta 23, uma estrada asfaltada que segue por 100 km em meio ao deserto até a cidade de Calama. O caminho tem uma boa subida nos primeiros 30 km, mas foi fácil concluir tudo em um dia. Chegando em Calama, não há muito o que ver na parte urbana, que cresceu de maneira mais ou menos ordenada em função da mineração.

A poucos quilômetros dali está a mina de Chuquicamata, a maior do mundo a céu aberto, com 5 km de comprimento, 3 km de largura e 1 km de profundidade. Para visitar o local é preciso mandar um e-mail de agendamento para a Codelco, estatal Chilena que administra o lugar, pelo endereço visitas@codelco.cl. Aproveite para recarregar as energias e comprar comida antes de seguir viagem.

Deserto, povoados e vulcões

A estrada que segue em direção a Bolívia é a Ruta 21. Logo nos primeiros 30 km, encontramos a cidade de Chiu Chiu, um povoado pacato, que faz parte da antiga trilha inca e onde está a igreja mais antiga do país, construída em 1600. A partir daí, são aproximadamente 160 km pelo deserto, cruzando poucos povoados, alguns vulcões e belos desertos de sal na Reserva Nacional Alto Loa. A maior parte do trajeto está asfaltada.

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Em Ollagüe você estará na fronteira com a Bolívia, aos pés do vulcão homônimo à cidade. Há dois pequenos hotéis e alguns mercadinhos, além de um museu antropológico. O vulcão pode ser escalado sem grandes desafios técnicos, mas a caminhada é longa, com 20km, chegando a quase 6 mil metros de altitude, sem fontes de água.

Passando pela fronteira, a estrada muda completamente. Após o trâmite aduaneiro, o asfalto some, dando lugar a areia e buracos. Desvie dos ônibus e siga pela esquerda em direção a Chiguana, cidade-fantasma nas bordas de um salar. Lá há uma base de treinamento do exército boliviano, onde é possível conseguir água.

Daí, é seguir até a estrada RN5 e depois tomar a saída para Chuvica, onde começa o Salar de Uyuni. Desde a fronteira, esse trecho tem 133 km e leva pelo menos dois dias para ser percorrido.

Sem bússola mas com GPS, no salar de Uyuni

Uma vez no salar, são aproximadamente 70 km sentido norte até a Ilha Incahuasi, local que recebe turistas em carros 4×4 e possui alguma infraestrutura para passar a noite mais abrigado. Vale ressaltar que entre a estrada e o deserto de sal, o piso é extremamente lamacento, então será preciso empurrar a bicicleta.

No período de chuvas, que costuma começar em janeiro e se estende até março, o nível de água aumenta e pode ser impossível passar de bicicleta pela região. Também é importante ressaltar que bússolas não funcionam no Uyuni devido à grande concentração de lítio no local, porém, os aparelhos de GPS funcionam com maior precisão.

Lhama e estradas de areia no caminho a Uyuni. Foto: Pedro Sibahi

Lhama e estradas de areia no caminho a Uyuni. Foto: Pedro Sibahi

Chegando na ilha Incahuasi, não espere grandes recepções. Algumas poucas pessoas vivem e trabalham no local e não se importam muito em ajudar cicloviajantes. Ainda assim, se o vento estiver muito forte para armar a barraca, será possível encontrar um salão fechado para dormir, por 30 Bolivianos, com banheiro e água encanada.

A partir da ilha são mais 90 km até a cidade de Uyuni, localizada a oeste. O povoado é extremamente turístico, com preços inflacionados para a média boliviana, mas parece que os lucros não são devidamente reinvestidos. A cidade está descuidada e o lixo não é descartado adequadamente, amontoando-se nas áreas periféricas. Ainda assim, é um bom lugar para conhecer outros viajantes e se recuperar da viagem com mais conforto.

Pedro Sibahi partiu de São Paulo rumo ao sul do país, passando pelo Paraguai, Argentina e Bolívia, para de lá voltar à capital paulista. Acompanhe essa aventura no pedal e conheça as preciosas dicas do viajante. Veja o que Pedro já publicou aqui no Vá de Bike.

Mapa

[Nota do Editor

O mapa foi traçado de acordo com a descrição de Pedro, mas por não saber exatamente seus passos no salar, decidi marcar a saída por um caminho que passa em um pequeno hotel em meio ao mar de sal, o que aumenta um pouco o trajeto mas aumenta também a segurança do percurso. Dali, a rota marcada passa pelo povoado de Colchani antes de chegar a Uyuni, o que aumenta as possibilidades de água, comida e abrigo.

Tentei marcar o que, pelas imagens de satélite, parecem estradas, mas é preciso avaliar a situação durante a viagem. O importante é seguir sempre em direção ao destino, orientado pelo GPS, desviando de possíveis partes encharcadas por chuva, onde pode ser mais custoso pedalar. Na Wikitravel tem algumas recomendações sobre o que levar, como protetor labial e óculos de sol.

Boa sorte na viagem! E depois volta aqui pra contar pra gente! ;) ]

Clique aqui para abrir o mapa em outra janela/aplicativo.


1 comentário para Atravesse pedalando o maior mar de sal do planeta: o salar de Uyuni, na Bolívia

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