11 motivos para não pedalar na contramão

Pedalar na contramão proporciona uma falsa sensação de segurança, trazendo mais risco ao ciclista. Foto: Willian Cruz

Pedalar na contramão proporciona uma falsa sensação de segurança, trazendo mais risco ao ciclista. Foto:Willian Cruz

1Não é mais rápido: Ao contrário da crença polular, ciclistas que se integram ao fluxo normal de veículos chegam mais depressa ao destino. Quando você entra na contramão, tem que parar ou diminuir o ritmo a todo instante (pelos motivos expostos nos itens abaixo), enquanto integrado ao fluxo de veículos você desenvolve velocidades maiores – principalmente considerando-se a velocidade média, que é o que determina a duração do trajeto1.

Dicas para o ciclista urbano

1Como se manter seguro

2Pedalando para o trabalho (vídeo)

3Não pedale na contramão

4Ocupe a faixa

5Cuidado com as portas

6O que diz o Código de Trânsito

710 dicas para os dias de chuva

8E se a empresa não tem chuveiro?

97 truques para as subidas mais difíceis

107 dicas para pedalar de madrugada

11Medo de pedalar nas ruas?
Chame um Bike Anjo!


2Não é mais seguro: A maneira mais segura de pedalar no trânsito é fazer parte dele. De acordo com estudos científicos sobre colisões, ciclistas que pedalam na mão correta têm cerca de cinco vezes menos chances de colisão, comparados aos que fazem suas próprias regras em vez de se integrar às que já valem aos demais veículos (J. Forester; Effective Cycling. Cambridge, MA, MIT Press, 1993)1. Segundo Bruce Mackey, diretor de segurança para Bicicletas em Nevada, 25% dos acidentes com ciclistas nos EUA resultam de ciclistas pedalando na contramão5.

3Não há tempo de reação: Mais de 50% dos atropelamentos poderiam ser evitados com um comportamento mais defensivo do ciclista2 (algumas fontes citam 90%4) e em menos de 1% dos casos o ciclista sofre uma colisão traseira2. Na contramão, você tem a sensação psicológica de que está mantendo a situação sob controle, quando na verdade não está. Se você vê um carro desgovernado vindo na sua direção, não dá tempo de desviar, principalmente porque suas velocidades estarão potencializadas: a velocidade com a qual o carro se aproxima de você é a sua somada à dele. Um carro a 60 km/h com você a 20 km/h estará se aproximando de você a uma velocidade relativa de 80 km/h. Se vocês estivessem na mesma direção, ele chegaria a você com metade dessa velocidade, 40 km/h. Com o bom uso de um espelho retrovisor e de seus ouvidos, você tem o dobro do tempo de reação. O motorista também terá esse tempo e é mais importante ele desviar de você do que você dele, porque quem conduz o carro é quem realmente pode evitar o atropelamento. Você não consegue jogar sua bicicleta cinco metros para o lado em um segundo, mas o motorista pode fazer isso com seu carro se houver tempo suficiente.

4É mais difícil evitar o atropelamento: Andar na contramão é chegar nos carros mais depressa3. Trafegando em direções opostas, tanto você como o motorista precisam parar totalmente para evitar uma colisão frontal. Trafegando no mesmo sentido, o motorista precisa apenas diminuir a velocidade para abaixo da sua para evitar o atropelamento, tendo ainda muito mais tempo para reagir1 e uma margem bem maior.

5Em caso de atropelamento, os danos ao seu corpo serão bem maiores: Pelo mesmo motivo do item anterior (soma de velocidades), se você bater de frente com um carro vai sofrer muito mais. E ainda há um agravante: a inércia. Se você está indo no mesmo sentido do carro, ele vai pegar primeiro sua roda traseira e você sairá voando por cima do guidão, devido à inércia (com a roda de trás da bicicleta agarrada pelo carro, você continuará seu movimento anterior) ou devido à transmissão de energia cinética (o carro colide com a bicicleta e transfere parte de seu movimento para ela e consequentemente para seu corpo, impulsionando ambos adiante, com a bicicleta começando a parar uma fração de segundo depois porque a roda de trás não gira mais e seu corpo saindo para a frente com o movimento transferido). Melhor voar por cima da bicicleta em direção ao asfalto livre e estacionário do que se chocar com um para-brisa ou capô, que além de estarem a um metro de você no momento da colisão ainda vêm em sua direção com velocidade e força de impacto.

6Você surpreende os carros: Como você chega mais rápido nos carros, você os pega de surpresa. Principalmente em curvas à direita: o motorista está fazendo a curva quando de repente aparece você vindo na direção dele. Não há tempo de reação. Ele não consegue frear, não pode ir para a esquerda porque há outros carros, na direita tem um carro parado ou a calçada. Você também não pode se jogar para a calçada se há carros parados e, mesmo que não haja, não dá tempo nem de pensar nisso. Se vocês estivessem no mesmo sentido, o motorista teria bem mais tempo para reagir, talvez até o dobro, e poderia apenas diminuir a velocidade para evitar a colisão. Um carro não estanca imediatamente, mesmo que o motorista queira, se esforce e tenha um freio ABS com pneus bons.

7Os motoristas não te vêem nos cruzamentos: 95% dos acidentes com bicicletas acontecem em cruzamentos2. E falando especificamente de pedalar na contramão, é fácil entender o motivo: quando um carro vira num cruzamento, o motorista olha apenas para o lado do qual os carros vêm. Imagine um carro entrando numa avenida: o condutor olha para a esquerda; se não vem carro, ele entra. Nisso você está chegando com sua bicicleta na contramão e ele te pega de frente1. Não tem buzininha, grito, agilidade ou terço pendurado no guidão que resolva isso.

8Os motoristas não te vêem ao sair das vagas e garagens: Ao sair de uma vaga em que está estacionado, o motorista olha para trás, seja pelos espelhos ou pela janela, para ver se há veículos vindo. O mesmo ocorre quando ele sai de uma garagem de prédio ou de um estacionamento. Ele não olha para a frente, afinal não vêm carros daquela direção. Você, vindo na direção do carro, nem sempre verá que o motorista vai sair da vaga e, quando vir, talvez não adiante mais frear. Ao sair, ele vai te pegar de frente, mesmo que você consiga parar totalmente a bicicleta a tempo.

9Os motoristas não te vêem ao abrir as portas dos carros: Se muitos já não olham pelo espelho para abrir a porta do carro e ainda culpam o ciclista por isso, imagine se vão olhar para a frente para ver se vem vindo uma bicicleta. A chance de levar uma portada é muito maior.

10Os pedestres não te vêem: Quando um pedestre vai atravessar a rua, ele olha para o lado do qual os carros vêm. Preste atenção no seu próprio comportamento na próxima vez que for atravessar uma avenida a pé e perceberá como isso é verdade. Por isso, pode acontecer de alguém cruzar a rua do nada na frente da sua bicicleta, saindo do meio dos carros, de costas para você. E não vai dar tempo para fazer nada.

11Se quer ser tratado como veículo, porte-se como um: Se você se comporta como um veículo, sinalizando suas intenções, respeitando mãos de direção, sinais de tráfego, faixas de pedestre e etc., os motoristas o respeitarão mais. “Se aquele cara se preocupa com tudo isso, não é um mané qualquer que está aqui só atrapalhando”. Se, por outro lado, você anda na contramão, você os incomoda. Sim, isso irrita muitos motoristas, que ficam com a sensação de que você está adotando uma atitude de confrontamento, de negação de regras, de desrespeito. Passar em todos os sinais e outras pequenas infrações também os irritam, geralmente pela sensação de injustiça (“poxa, aquilo é proibido mas só porque ele tá de bicicleta ele pode fazer e eu não?”). Seja um modelo a ser espelhado e não um alvo da raiva e frustração alheias.

Você deve *ser* a própria mudança que deseja ver no mundo – Mahatma Gandhi

Fontes

1 Bicycling Street Smarts: Where to Ride on the Road

2 Escola de bicicleta: pedalar no trânsito

3 Guia Bike na Rua (por Cleber Anderson)

4 Traffic safety solutions in the works – Las Vegas Sun, 04/Jun/2004

5 Bicyclesafe.com – How to Not Get Hit by Cars

O que diz a lei

O Código Brasileiro de Trânsito é claro: bicicletas devem circular na via, no mesmo sentido dos carros e com preferência sobre eles. E não é à toa, é uma questão de segurança viária.

Art. 58. Nas vias urbanas e nas rurais de pista dupla, a circulação de bicicletas deverá ocorrer, quando não houver ciclovia, ciclofaixa, ou acostamento, ou quando não for possível a utilização destes, nos bordos da pista de rolamento, no mesmo sentido de circulação regulamentado para a via, com preferência sobre os veículos automotores.


108 comentários para 11 motivos para não pedalar na contramão

  • MAURI ZARDIM

    o que me impressiona é ver certas pessoas defendendo o pedal na contramão.
    1-) a uma grande probabilidade de o condutor de veiculos se assustar ao ver alguém na contramão. na primeira visão ele não sabe que é um ciclista. Isso pode ocasionar acidente.
    2-) precisamos de organização no transito, vc acha que ciclistas na contramão teremos transito organizado.
    3-) ciclistas tem que obedecer a sinalização de transito, na contramão vc tem condições reais de ver a sinalização???
    4-) cruzamentos e saídas de locais não foram elaborados para esperar alguém na contramão.

    e por ai vai.

    e ainda o cara diz que tem vários anos como condutor de motocicleta.

    Comentário bem votado! Thumb up 10 Thumb down 1

  • Makoto

    Ciclistas devem respeitar as leis de trânsito para poderem cobrar o respeito as leis que nos protegem (pedestres, ciclistas e motoristas)

    Comentário bem votado! Thumb up 13 Thumb down 0

  • Aline Schneider

    Achei incrível as pautas e de muita utilidade todas opiniões. Concordo sobre os risco de andar na contra-mão. Como aderi a bike como meu transporte diariamente e 70% dos caminhos que faço não contém ciclofaixa, me pego indo pelo contra-fluxo por ser “mais rápido”. Porém, tenho toda essa consciência dos risco.. carros abrindo portas, carros saindo das vagas, pessoas atravessando a rua e olhando só pro lado ‘que interessa’, um susto qualquer… Também sempre que faço isso, reduzo a velocidade ao extremo e vou meio que com os pés no chão. Mas mesmo assim, isso me incomoda! Vou me adaptar a não andar mesmo na contra-mão. Pq concordo e me sinto na obrigação de agir igual se eu quiser ser igual. “Seja a mudança que vc quer ver no mundo.” Se eu quero respeito, tenho de respeitar e tomar todas as cautelas necessárias. Obrigada, gente. Texto mega válido! =D

    Polêmico. O que acha? Thumb up 6 Thumb down 3

  • Uma dúvida: pode-se pedalar na contramão na ciclofaixa? Aqui em Recife isto é bastante comum e os outros ciclistas não parecem incomodados. Eu evito porque a ciclofaixa é estreita e sou meio estabanado, mas não há sinalização nela e ninguém parece incomodado…

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    • CiceroS

      [Comentário oculto devido a baixa votação. Clique para ler.]

      Esse comentário não tem feito muito sucesso. Thumb up 0 Thumb down 8

  • Nelson Teixeira

    Eu fui motociclista urbano por 28 anos. Andei em todos as condições que vc possa pensar e com todos os tipos de motos. Deixei de andar de moto à cerca de 4 anos e há algum tempo comecei usar a bicicleta para ver pro trabalho. Por isso comecei a ler um pouco a respeito de bicicletas e do meio. Ao ler este artigo realmente me assustei ao constatar que essa é a compreensão da maioria dos ciclistas. A meu ver andar no mesmo fluxo dos carros é se colocar em grande risco. Quero aqui contestar o artigo e colocar minha visão.

    1-Não é mais rápido: Ao contrário da crença polular, ciclistas que se integram ao fluxo normal de veículos chegam mais depressa ao destino. Quando você entra na contramão, tem que parar ou diminuir o ritmo a todo instante (pelos motivos expostos nos itens abaixo), enquanto integrado ao fluxo de veículos você desenvolve velocidades maiores – principalmente considerando-se a velocidade média, que é o que determina a duração do trajeto1.

    -Começa o erro logo no 1o item. Se vc está preocupado com o “ser mais rápido” já quer dizer que não está tão preocupado com a segurança. Velocidade deve ser diminuida SEMPRE que necessário

    2-Não é mais seguro: A maneira mais segura de pedalar no trânsito é fazer parte dele. De acordo com estudos científicos sobre colisões, ciclistas que pedalam na mão correta têm cerca de cinco vezes menos chances de colisão, comparados aos que fazem suas próprias regras em vez de se integrar às que já valem aos demais veículos (J. Forester; Effective Cycling. Cambridge, MA, MIT Press, 1993)1. Segundo Bruce Mackey, diretor de segurança para Bicicletas em Nevada, 25% dos acidentes com ciclistas nos EUA resultam de ciclistas pedalando na contramão5.

    -Onde foi feito esse estudo ? Estudos feitos em países de 1o mundo com toda uma infra-estrutura viária diferenciada e uma população muito mais educada não podem ser levados em conta quando se comparam com o trãnsito no Brasil. Aqui a postura a ser adotada tem que ser muito mais defensiva de forma a levar em conta as distrações e terrível falta de educação e até podemos dizer o “espirito ruim” de muitos. Querer igualar o trânsito em Nevada com o trânsito nas principais cidades brasileiras é obviamente falacioso.

    3-Não há tempo de reação: Mais de 50% dos atropelamentos poderiam ser evitados com um comportamento mais defensivo do ciclista2 (algumas fontes citam 90%4) e em menos de 1% dos casos o ciclista sofre uma colisão traseira2. Na contramão, você tem a sensação psicológica de que está mantendo a situação sob controle, quando na verdade não está. Se você vê um carro desgovernado vindo na sua direção, não dá tempo de desviar, principalmente porque suas velocidades estarão potencializadas: a velocidade com a qual o carro se aproxima de você é a sua somada à dele. Um carro a 60 km/h com você a 20 km/h estará se aproximando de você a uma velocidade relativa de 80 km/h. Se vocês estivessem na mesma direção, ele chegaria a você com metade dessa velocidade, 40 km/h. Com o bom uso de um espelho retrovisor e de seus ouvidos, você tem o dobro do tempo de reação. O motorista também terá esse tempo e é mais importante ele desviar de você do que você dele, porque quem conduz o carro é quem realmente pode evitar o atropelamento. Você não consegue jogar sua bicicleta cinco metros para o lado em um segundo, mas o motorista pode fazer isso com seu carro se houver tempo suficiente.

    -Esse é um exemplo de querer usar um caso extremo com raríssima probabilidade de acontecer (carro desgovernado) pra tirar um conclusão tendenciosa do que pode ocorrer. Se vc anda no fluxo dos carros numa avenida sem ciclofaixa, o que ocorre é que vc não estará vendo o que está acontecendo antes de acontecer. Se vc já tem dificuldade em desviar de alguém que vá pra cima de vc, imagina se não souber que isso está perto de ocorrer antes de ocorrer ? vc se torna um mero expectador do seu próprio atropelamento. Irresponsabilidade dar um conselho como esse. Se vc não estiver em uma velocidade alta, vc pode sim perceber antes que um veículo está em uma “atitude suspeita” de longe. Vá pra calçada imediamente e espere que ele passe. Se jogue se precisar. Difícil ? dependendo do caso pode até ser. Mas vc pelo menos tem a chance de ver se consegue fazer algo antes de ocorrer. Se estiver de costas só resta sentir o impacto.

    4-É mais difícil evitar o atropelamento: Andar na contramão é chegar nos carros mais depressa3. Trafegando em direções opostas, tanto você como o motorista precisam parar totalmente para evitar uma colisão frontal. Trafegando no mesmo sentido, o motorista precisa apenas diminuir a velocidade para abaixo da sua para evitar o atropelamento, tendo ainda muito mais tempo para reagir1 e uma margem bem maior.

    -Mas pelo menos vc vê os carros ANTES e vê pra onde estão indo e como eles estão vindo. Se estiver no mesmo fluxo vc não os verá e nem saberá o que lhe espera. Vc pode ir pra calçada ou se afastar no mesmo momento que vir um veículo vindo de forma perigosa. Se estiver no fluxo vc será obrigado a usar a visão periférica e/ou espelho retrovisor (se houver) que são muito borrados e que não dão uma estimativa precisa da distância e atitude do condutor veículo. Fora que usar a visão periférica pra ver tira o foco da frente e ás vezes tira um pouco da firmeza da roda dianteira que pode oscilar um pouco. Lembre-se que não está lidando com condutores educados nem pacíficos. Precisa-se de uma atitude igualmente preventiva.

    5-Em caso de atropelamento, os danos ao seu corpo serão bem maiores: Pelo mesmo motivo do item anterior (soma de velocidades), se você bater de frente com um carro vai sofrer muito mais. E ainda há um agravante: a inércia. Se você está indo no mesmo sentido do carro, ele vai pegar primeiro sua roda traseira e você sairá voando por cima do guidão, devido à inércia (com a roda de trás da bicicleta agarrada pelo carro, você continuará seu movimento anterior) ou devido à transmissão de energia cinética (o carro colide com a bicicleta e transfere parte de seu movimento para ela e consequentemente para seu corpo, impulsionando ambos adiante, com a bicicleta começando a parar uma fração de segundo depois porque a roda de trás não gira mais e seu corpo saindo para a frente com o movimento transferido). Melhor voar por cima da bicicleta em direção ao asfalto livre e estacionário do que se chocar com um para-brisa ou capô, que além de estarem a um metro de você no momento da colisão ainda vêm em sua direção com velocidade e força de impacto.

    -A idéia tem que ser evitar o atropelamento, não como ser atropelado melhor. Isso deveria ser óbvio.

    6-Você surpreende os carros: Como você chega mais rápido nos carros, você os pega de surpresa. Principalmente em curvas à direita: o motorista está fazendo a curva quando de repente aparece você vindo na direção dele. Não há tempo de reação. Ele não consegue frear, não pode ir para a esquerda porque há outros carros, na direita tem um carro parado ou a calçada. Você também não pode se jogar para a calçada se há carros parados e, mesmo que não haja, não dá tempo nem de pensar nisso. Se vocês estivessem no mesmo sentido, o motorista teria bem mais tempo para reagir, talvez até o dobro, e poderia apenas diminuir a velocidade para evitar a colisão. Um carro não estanca imediatamente, mesmo que o motorista queira, se esforce e tenha um freio ABS com pneus bons.

    -O erro aqui está em “vc chega mais rápido nos carros”. Se está compartilhando uma via com os carros e não há uma faixa exclusiva pra vc, não é pra correr. É pra andar devagar. Devagar tem tempo de reagir.

    7-Os motoristas não te vêem nos cruzamentos: 95% dos acidentes com bicicletas acontecem em cruzamentos2. E falando especificamente de pedalar na contramão, é fácil entender o motivo: quando um carro vira num cruzamento, o motorista olha apenas para o lado do qual os carros vêm. Imagine um carro entrando numa avenida: o condutor olha para a esquerda; se não vem carro, ele entra. Nisso você está chegando com sua bicicleta na contramão e ele te pega de frente1. Não tem buzininha, grito, agilidade ou terço pendurado no guidão que resolva isso.

    -É por isso que antes de chegar num cruzamento, vá para o ponto do cruzamento onde os carros não estão. Por exemplo: se vc está chegando num cruzamento onde os carros vêm da esquerda, vá pra direita. Se não deu pra atravessar antes por causa do trânsito, pare, espere todo mundo passar a aí vá. Ou mesmo atravesse a pé indo pra calçada. De novo o problema aqui me parece que tá todo mundo querendo não parar ou andar sempre rápido. Essa atitude é que é o problema.

    8-Os motoristas não te vêem ao sair das vagas e garagens: Ao sair de uma vaga em que está estacionado, o motorista olha para trás, seja pelos espelhos ou pela janela, para ver se há veículos vindo. O mesmo ocorre quando ele sai de uma garagem de prédio ou de um estacionamento. Ele não olha para a frente, afinal não vêm carros daquela direção. Você, vindo na direção do carro, nem sempre verá que o motorista vai sair da vaga e, quando vir, talvez não adiante mais frear. Ao sair, ele vai te pegar de frente, mesmo que você consiga parar totalmente a bicicleta a tempo.

    -E vc já sabe disso não é ? E vc também vê a porta da garagem abrir não ? Então PARE e espere ele sair. Usar a buzina da bicicleta também auxilia às vezes. Se não auxiliar PARE. Se der vá pro lado oposto. Se afaste dos carros.

    9-Os motoristas não te vêem ao abrir as portas dos carros: Se muitos já não olham pelo espelho para abrir a porta do carro e ainda culpam o ciclista por isso, imagine se vão olhar para a frente para ver se vem vindo uma bicicleta. A chance de levar uma portada é muito maior.

    -Claro que não… óbvio que não. Ao sair alguém dentro do carro tem uma visão muito maior da frente do que de trás né ? Claro que muitos não olham pelo retrovisor ao abrir a porta. Mas TODOS olham a parte frontal que é para onde estão olhando. É muito menos perigoso vir pela frente do que pelo lugar que não estão olhando. De onde veio uma idéia dessa ?

    10-Os pedestres não te vêem: Quando um pedestre vai atravessar a rua, ele olha para o lado do qual os carros vêm. Preste atenção no seu próprio comportamento na próxima vez que for atravessar uma avenida a pé e perceberá como isso é verdade. Por isso, pode acontecer de alguém cruzar a rua do nada na frente da sua bicicleta, saindo do meio dos carros, de costas para você. E não vai dar tempo para fazer nada.

    -Se vc estiver em uma velocidade adequada, vc consegue sim ver os pedestres. Além disso buzinar torna sua bicicleta mais visível. E essa é outra situação onde vc já sabe disso. Preste atenção no que rodeia vc e ande numa velocidade compatível com o lugar que vc está pedalando. Bem devagar é praticamente impossível atropelar alguém. Velocidade é para lugares com grande visibilidade do que está na frente e sem possibilidade de colisões, cruzamentos ou encontros indesejáveis com carros.

    11-Se quer ser tratado como veículo, porte-se como um: Se você se comporta como um veículo, sinalizando suas intenções, respeitando mãos de direção, sinais de tráfego, faixas de pedestre e etc., os motoristas o respeitarão mais. “Se aquele cara se preocupa com tudo isso, não é um mané qualquer que está aqui só atrapalhando”. Se, por outro lado, você anda na contramão, você os incomoda. Sim, isso irrita muitos motoristas, que ficam com a sensação de que você está adotando uma atitude de confrontamento, de negação de regras, de desrespeito. Passar em todos os sinais e outras pequenas infrações também os irritam, geralmente pela sensação de injustiça (“poxa, aquilo é proibido mas só porque ele tá de bicicleta ele pode fazer e eu não?”). Seja um modelo a ser espelhado e não um alvo da raiva e frustração alheias.

    -A raiva e a frustração alheias é um problema de quem as tem. Se a gente viver a vida se preocupando com o que estranhos pensam e sentem criamos pra nós um peso colossal que só piora nossa vida. Deixa que cada um carregue sua cruz e cuide de aliviar seu peso. Além disso essa frustração e raiva derivam da ignorância de não entender como se sente um ciclista andando no trânsito nem qual é sua intenção. Por sinal quando um ciclista anda na contramão está querendo estar mais seguro. Se passa um sinal vermelho quando não vem carros na faixa que cruza, está querendo não atrapalhar os carros que vão virar nessa faixa. Agora isso não quer dizer que ele não deva ser cortês e dar passagem aos pedestres. Inclusive tudo o que defendi acima foi justamente andar em uma velocidade compatível se preocupando com eles.

    Então a meu ver é ingenuidade querer tirar de si a responsabilidade de andar em segurança e esperar que os carros desviem e “façam menos estrago”. A segurança está em nossas mãos. Sabemos onde vivemos. Sabemos como é a atitude do povo do país onde vivemos. Não vamos ser ingênuos e esperar que eles evoluam mais rápido do que podem. Vamos nos lembrar que temos famílias nos esperando em casa e mesmo que não tenhamos com certeza tem alguém que gosta de nós e que quer que cheguemos vivos em casa. Vamos pensar melhor no que estamos fazendo ao dar conselhos como esses que podem ser bons para outros lugares para para o trânsito “selvagem” do Brasil estão longe de serem adequados.

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    • Paulo Fernandes

      Arthur,
      Poderia fazer uma tréplica item a item pra você, mas você realmente parece convencido que pedalar pela contra-mão seja mais seguro, apesar de todos as informações e argumentos bem embasados do William. Usando seu próprio texto, eu poderia dizer que pedalar pela calçada é mais seguro. Pena que, assim como pedalar na contra-mão, pedalar pela calçada não é recomendado ou permitido pelo CTB. Vamos então todos segui-lo?
      Em relação à velocidade, é o que todos querem. Ir do ponto a ao ponto b da forma mais segura, sem colocar em risco a vida de ninguém, e no menor espaço de tempo. Simples assim.

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    • CiceroS

      Nossa, Nelson… Isso de respeitar “a mão” te incomodou mesmo, hein? Mal lhe pergunte: qual o teu trajeto pro trabalho? É todo dia é de bici?

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      • Nelson Teixeira

        Assim… o que incomodou é isso ser apresentado como a única “opinião correta”. Como acredito ter demonstrado na análise vários desses pontos são falaciosos. Não quero com isso agredir ninguém. Só que, como ex-motociclista que aprendeu a se defender pra não morrer, acho muito perigoso ser colocado dessa forma. Porque é sujeito a convencer as pessoas a adotar uma atitude que pode matá-las ou machucá-las gravemente. Então quis colocar um contra-ponto pra que se perceba que quem faz de outro jeito pode sim saber o que tá fazendo.
        E sim meu trajeto é todo dia de bicicleta. Eu moro em Fortaleza, capital que tem um trânsito extremamente caótico. Os meus anos de moto foram 13 anos em Curitiba e 15 em Fortaleza.

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        • CiceroS

          Honestamente, Nelson, tenho certeza de que não há nada de falacioso nesses motivos apresentados pelo Vá de Bike. E pra ser mais honesto ainda, acho que nem nos seus contra-motivos, simplesmente você peca pela falta sua experiência de utilizar a bicicleta no viário, por trazer práticas da condução da motocicleta que não se aplicam na da bicicleta e por uma noção “antiquada” de falsa percepção de que a contra-mão seja mais seguro.

          Sim, é inevitável essa sua posição equivocada, defensiva e reativa seja fruto dessa realidade aí caótica do trânsito de Fortaleza, mas nem isso pode justificar, nem emocional nem racionalmente, fazer essa defesa do indefensável, excetuando, claro, determinadas situações, que são pra lá de peculiares.

          Pois pensa bem, Nelson, por mais que existam críticas a serem feitas ao CBT… por que o nosso código de trânsito expressamente veda a prática de contra-mão pela bicicleta? Será que, além do fator segurança, permitir-se a contra-mão não acabaria jogando por terra a legitimidade dela como veículo?

          Nelson, bicicleta deixou de ser brinquedo pra nós adultos há um bom tempo. E, como adultos, nossa responsabilidade não reside apenas em acatar 100% as regras (desde que elas sejam no mínimo razoáveis). É de nossa responsabilidade também exigir que os outros (motoristas, pedestres, ciclistas) igualmente sigam essas regras, e que o poder público dê melhores condições pra tal.

          Mais ainda: como adultos, se nossa responsabilidade é questionar regras que são flagrantemente questionáveis, chegar a saber o que questionável e o que não é são outros quinhentos, que demanda um pouco mais de esforço, né?

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          • Nelson Teixeira

            Então Cicero, eu compreendo sua atitude de querer ser respeitado pelo poder público e de ver uma “atitude adulta e responsável”. Um amigo meu diz que eu vejo o mundo de forma muito negativa. Pode até ser isso. Mas da forma que eu vejo o tal “poder público” não está muito se importando se eu e vc vivemos ou morremos. Está sim preocupados com a manutenção do poder. Aqui e ali vemos algumas coisas boas sendo feitas como as ciclovias que o Haddad está tão resolutamente querendo implantar em SP. E aqui em Fortaleza foi criado um diminuto programa de ciclo-faixas na cidade que resolve pouco.
            Mas enquanto não chegamos em uma sociedade mais justa eu e vc precisamos sobreviver Cícero. Seus filhos e os meus também. Será realmente que ser “adulto e responsável” é ser aquele que é “respeitado pelo poder público” ? é nos colocar em perigo em nome da aceitação de quem não tem o menor problema em tirar finas ou passar a toda velocidade quase te derrubando ? ou vc acha realmente que o “poder público” vai dar maior atenção a vc se andar no fluxo ? acha realmente que eles pelo menos consideram isso ? Vc realmente não se sente ingênuo ao pensar assim ?

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            • CiceroS

              Sim, Nelson, e acho não, tenho certeza, tenho plena certeza de que, respeitando, sou e serei respeitado tanto pelos outros cidadãos como pelo poder público. E se acontecer de eu não ser respeitado, aí eu “peito”, né? Porque respeitando me sinto absolutamente “seguro” de exigir que me respeitem.

              E não, Nelson, tenho plena certeza de que não me coloco em risco seguindo o fluxo, assim como tenho plena certeza de que me colocaria se o contrariasse.

              E aí, como eu disse antes, também entra a experiência no viário, né? Eu NÃO pedalo feito barata, ficando na sarjeta ou por ali, eu OCUPO a faixa de modo a não induzir “finas” e uso RETROVISOR, equipamento obrigatório segundo o CBT, aliás.

              Então, Nelson, eu deveria mesmo me sentir um ingênuo, não só pensando, mas agindo assim?

              Ah, e “enquanto não chegarmos em uma sociedade mais justa”? Pô, Nelson, me desculpa, mas você pensando e agindo assim nunca chegaremos numa sociedade nem assim nem assada, não mesmo.

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              • Nelson Teixeira

                Então Cícero não é questão de peitar. É questão de não ter uma infra-estrutura viária básica nem infra-estrutura humana pra ter essa atitude.
                Minha experiência é que, se vc ocupa a faixa viária com de um veículo não motorizado, o que acontece é que carros, caminhões e ônibus colam atrás de vc pra vc sair o que é uma experiência assustadora e muito perigosa. Eu já vivi isso algumas vezes em BRs, de moto. Uma vez estava a 120 km/h e um caminhão colado na minha traseira quase batendo em mim, me forçando a sair e eu sem poder por causa do tráfego. Ainda bem que não tive que frear ou não estaria aqui conversando com vc. Não foi uma experiência nada boa.
                Mas assim Cícero, desde o começo o objetivo era mostrar um contra-ponto. Não nos devemos revoltar, nem ser revoltados por ninguém. ;) Vamos parar por aqui ? :) Estou achando que depois desse ponto a conversa não seria muito produtiva.
                Minha intenção era de trazer mais consciência a esse respeito. E pelo jeito a imagem que passei pra alguns foi de que eu é que era o “sem consciência”. Deixo essa decisão a critério dos leitores. Por enquanto não tenho intenção de mudar de atitude. Caso leia algo ou tenha alguma experiência que me faça mudar de idéia, venho aqui e assumirei com prazer meu erro. Convido-os a fazerem o mesmo.
                Pra finalizar peço que pelo menos percebam que estou procurando ter o que sinceramente considero a melhor atitude pra mim e para os outros.

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              • CiceroS

                Mas, Nelson, “peitar” é extremo, não precisar peitar é possível, é possível ser o habitual. Agora… isso que eu quis dizer com falta de experiência e trazer experiências inapropriadas.

                Pô, mas quais são teus caminhos? Você quer pedalar em vias com limite acima de 60 km/h? De jeito nenhum. E 60 já é preocupante, há algumas vias com limite de 60 que, com relativa segurança, até dá, dependo das características e circunstâncias dela. Mas aí seria melhor você encontrar alternativas, por exemplo, a tranquilidade de uma paralela. Agora, claro que mesmo numa via de máxima de 30 km/h você vai encontrar um motoristas idiota buzinão, acontece, e invariavelmente vai acontecer.

                A questão de fundo é: você realmente conhece os teus caminhos, Nelson? Pra ciclistas esse conhecimento é profundo, muito mais do que pra motoristas e motociclistas. Você conhece todos os buracos desses caminhos? É, pra ciclista “mapear” buraco é fundamental.

                E pra “sinalização de intenções” também. Num asfalto muito remendado, em velocidade um pouco maior ou na descida, você não vai tirar uma mão do guidão pra mostrar pro motorista atrás que você vai reduzir e encostar e/ou virar à direita ou ainda mudar de faixa, né?

                E outra coisa: esse negócio de “gentileza gera gentileza” não é balela, não. Gentileza pra ciclista é estratégia. Neste último ano e meio, eu diminui muito dos conflitos com motoristas sendo gentil, percebendo depois que, mesmo eu estando certo, foram conflitos desnecessário.

                Por exemplo:

                1) Ah, tem uma trecho longo de faixa que é pra estacionar mas está vago, eu continuo ali e deixo passar.

                2) Ah, e nesse trecho a largura da faixa é muito estreita, mas sei que logo ali adiante ela alarga e é então logo ali, e apenas logo ali, que eu deixo o motorista passar. E normal e surpreendentemente esses motoristas acabam entendendo isso.

                2) Ah, nos cruzamentos não preferenciais, pra conversão ou seguir adiante, eu me posto lateralmente e deixo o(s) motorista(s) imediatamente atrás avançarem ou fazer a conversão.

                3) O farol fechou? Ah, eu não preciso ir lá no começo da fila. Tendo uns três, quatro veículos na minha frente, eu fico por ali. Abriu o farol, quem ficou na minha frente segue, quem ficou atrás de mim, paciência.

                4) Rotatórias em cruzamentos de ruas locais, ali no conflito, eu dou passagem, eu “permito” a passagem, só de sacanagem….rs.

                Enfim, Nelson, já a minha intenção, era simplesmente essa, de esclarecer. Esclarecer que é possível sim você seguir o fluxo na boa, como manda o figurino e com responsabilidade.

                E eu tive que aprender isso tudo antes da gestão Haddad, viu? Que antes da gestão Haddad a coisa aqui era muito mais feia pra ciclista.

                Mas é isso aí, Nelson, bola pra frente e… bora lá pedalar! rs.

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  • Marco Antonio Bertani

    A policia militar tem que acabar com este mito de que bicicleta tem que andar na contramão, este trabalho será árduo, pois em algum momento foi dito isto pela própria policia militar, anos 1970 a 1980, e se leva até hoje que bicicleta tem preferência. Isto é claro quando esta seguindo a lei que é andar na mão de direção de transito, ai então o maior tem que respeitar o menor, neste caso não tem discussão, mas se esta na contra mão esta errado.

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  • Alexandre Lopes

    Bocê me convenceu, sem dúvida. Nunca mais ando na contra-mão. Tinha falsa sensação de segurança.

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  • Rubens Cano de Medeiros

    Bem, é o caso de parabenizar! Parabéns ao editor desse texto, os “onze motivos”! É um arrazoado, um lúcido alerta aos que insensatamente – e não são só “meia-dúzia” deles – pedalam em contramão. O texto até que surpreende pois é costume cicloativista apoiar (ao menos, não reprovar) a contramão dos guidões e pedais.

    Olha, o conteúdo desse texto – muito bom – bem poderia até inspirar técnicos de trânsito (os da CET paulistana) a que viessem a elaborar – o que nunca vimos nas ruas – uma “política” de atitudes, preventivo-educativas, para ciclistas. Um verdadeiro programa de direção defensiva para bicicletas, as quais protagonizam um comportamento agressivo em relação a pedestres. Aos ciclistas, nas ruas, falta-lhes civilidade.

    A mim – à parte o exagero – me parece que o legislador, ao consentir que ciclista pedale em contramão nas ciclovias, esse fato acabou por colocar, simultaneamente, três elementos sob risco de acidentes: o próprio que pedala, o motorista que rola na mão certa e, também, o pedestre que vai atravessar a via.

    Ora, consideremos as ciclovias pintadas adjacentes às sarjetas. Comportam duas estreitas mãos de direção, contíguas e opostas, ciclovias estreitas para poder caber na via. Cada mão é de largura insuficiente para ciclista ultrapassar outro: daí, numa situação, o cara ter que ou subir na calçada, ou rolar junto dos carros. O ciclista que vem nessa contramão consentida, é uma loucura… Ao legislador, não lhe terá ocorrido?

    Nessas primorosas obras viárias de cicloatividade, vermelhonas pintadas no asfalto, quase nenhuma sinalização (para ninguém); ao ciclista deu-se-lhe o “direito” mais torto possível: navegar contra a corrente. Que solução!

    Ao motorista, o risco de colher um ciclista que lhe vem… contrário! Ao pedestre – que, confiando por bom senso, atravessar com atenção no sentido do fluxo – seja atropelado por um veículo silencioso, que sequer usa campainha e que, de repente, vem “do nada”: bicicleta… na contramão! Afinal, nem sempre é mais prático cruzar a via SÓ no semáforo. Será talvez “ideal” mas quase nunca “real”.

    O que ciclista – estando sem bike, ou seja, circunstancialmente “pedestre” – deveria levar em consideração, é que bicicleta SEMPRE surpreende o caminhante – na calçada e no asfalto. Pedalar na contramão é apostar ou investir… na imprudência, para não invocar a burrice. Há fiscalização?

    E as malfadadas bicicletas “motorizadas”, hein!? Incorrem nos mesmos vícios: sem placas, luzes ou campainhas; ignoram semáforo… Só lhes falta andar na calçada – e na contramão – se é que… Há fiscalização? Absurdo…

    Numa parede, “trudia” li esta verdade filosófica: “em festa de cobra entra quem tem veneno”. Bem, eu, “maldoso”, até que desejaria, sem remorso. Que a inteligência que deliberou colocar ciclista em contramão – provasse do próprio veneno: ao cruzar, caminhando, uma dessas estapafúrdias ciclovias, ele deparasse com uma cascavel – digo, opa, bicicleta! Veloz, silenciosa, repentina! Esse “legislador” ia ver “o que é bom para a tosse”! Bem merecia. Só!

    Prezado editor dos “onze”. Motivos, há de sobra – redija igualmente outro (bom) arrazoado! Agora; alertando para outra barbaridade que ciclista comete. Atitude que, parece, escolhida por votação quase unânime: pedalar SEM CAMPAINHA, loucura! Um veneno de cascavel para o pedestre, até mesmo (absurdamente) na própria calçada!

    Pedalar sem campainha é um pedalar afônico, mudo, do bom senso. Tal qual na contramão, fruto da omissão de quem, por lei, havia que fiscalizar. Implantar ciclovias, por si só, não é tudo. Falta fiscalizar bikes.

    A parte do Código que trata de bicicletas é tão inócua quanto aquela leizinha que obriga “cães ferozes” a trafegarem, conduzindo os donos, com focinheiras (digo, o cão, claro). Em não havendo fiscalização do Poder Público, qualquer dispositivo legal é um pneu murcho. Serve para nada. É um farolete apagando.

    Bicicleta sem farolete, sem campainha: é a lucidez “cega e muda”. A imprudência sempre pega carona, cicloativista! “Multar” ciclista? Ah, sim! “Onde, como, quando?”. Nunca!

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  • antonio maciel

    pedalo mais pelas br’s e acho muito inseguro pedalar na contra mão, pois se vem um ônibus ultrapassando outro bem na h q vc vai desviando de q q coisa(achando que só um por tras) é capaz de ser pego de surpresa.
    outra coisa q vejo: foto de ciclistas querendo q os motoristas mantenhão 1,5m de distancia, mas na mesma foto fica um ciclista ao lado do outro e os dois sem retrovisor. se um desequilibra, derruba o outro e pode ser p dentro da pista.

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  • Rubens Cano de Medeiros

    Todo dia – melhor, é noite ainda, 5h30 – vou à padaria – na minha circunstância de pedestre. É infalível, diário: deparo, nesse mesmo roteiro, com certo ciclista – que nem conheço, mas cuja conduta, tão imprudente, não deixo de notar – e reprovar, claro.

    Olha, a imprudência de que se reveste impressiona e, a mim, como pedestre, assusta! Ai do pedestre que, por azar, cruze-lhe à frente! O cara é predisposto à irracionalidade. Despreza a própria incolumidade física. E a de outrem.

    O ciclista, esse, é candidato a suicida, do modo como pedala. Senão um “eventualmente doloso”, para com os outros.

    “Caso isolado”, tal fato? Não é. Veem-se outros, não só “meia-dúzia”! Reflexo de uma modalidade de trânsito não fiscalizado (a).

    Pela regularidade do “encontro”, suponho que ele pedala a destino do trabalho. Só que, doidão que pedala, pode até culminar no hospital. Quiçá no… cemitério. A “sorte”, sabemos, muda como o vento. E quem semeia vento, colhe acidente, não?

    Começa que, no escuro da noite, o herói pedala voando – um morcego, o que voa na escuridão. Sim, bike sem luzes. Ele, sem capacete. Para um pedalar seguro, o cara tá de… chinelo de dedo.

    Sempre calha de eu ver. Pedala em trechos de contramão. Intercepta – pouco ou sem diminuir a velocidade – uma preferencial – sem dar bola para a eventualidade de cruzar com outro doido: um carro, sem luzes, apagado, como essa bike.

    Pedalar nas trevas, sem luzes, só sob a luz dos postes… Que atitude! Digo “luzes” mas luzes que de fato iluminem o chão para quem pedala; que tornem o ciclista perceptível para pedestre e motorista – vez que bicicleta é silenciosa, né?

    Faróis e faroletes, certo – “obsoletos”, anacrônicos, seriam? Cederam lugar aos piscas que (alguns) expelem flashes sucessivos – mas iluminam, mesmo, será? Ou meros coadjuvantes? E luzinhas traseiras: por que “microscópicas”? Por que indiferença com a prudência?

    Esperneiam por ciclofaixas e ciclovias. Mas… bicicletas rolam nas ruas, nem placas precisam ter. Nem faroletes, idem campainhas. Sem a mínima fiscalização. Isso é “positivo” para cicloativista? Equívoco.

    Perigo maior. Bicicleta é silenciosa – imprevisível, inesperada. Trafega em contramão! Pedalar à noite, sem luzes, é a própria cegueira… do bom senso. Acorda, CET! Tu pareces semáforo inerte!

    Queremos um mau exemplo? Tenhamo-lo. Ei-lo. O “exemplo” que vem “de cima”, de quem devia não dar.

    Bicicletas de agentes públicos, que pedalam por natureza da atividade – duvido que tenham campainhas, espelhos e luzes (ainda que só pedalem de dia – mas e a lei?). Bicicletas de PMs, GCMs e marronzinhos que pedalam. Estes todos, estariam “acima” da lei? Aqui no bairro, até na calçada PMs-ciclistas trafegam – “na boa”… Que exemplar!

    Não há fiscalização de ciclistas, nas ruas. Pedalar sem luzes é só mais uma irregularidade. Tanto de ciclistas cidadãos “comuns” como os agentes públicos: isonomia de imprudência.

    Apelemos, então – pelo bom senso – apelemos aos… deuses e heróis… da Grécia Antiga, quem sabe!

    Nem tanto? Ah, pelo menos a um… filósofo! Filosofia, sabemos, é a mãe do saber! Voltemos, pois, ao século IV a. C. – invoquemos Diógenes de Sinope, o da lamparina! A solução!

    Tragamo-lo para colaborar, na CET. Bastar-lhe-ão duas missões. Tá bom!

    Primeiro: alumiar à noite o asfalto das bicicletas das trevas, as sem luzes!

    Depois – melhor, simultâneo – iluminar os cérebros dos que pedalam sem luzes – cérebros de QI digno de cérebros que cabem nas cabeças… de alfinete. Então… FIAT LUX, poxa! Ciclista: voar, no escuro? É para morcego!

    Rubens Cano de Medeiros

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  • Enê

    Olá ! Considero uma violência contra o pedestre se andar na contra-mão de bike. Minha mãe, aos 85 anos, foi vítima de um ciclista na contra-mão na Rua Moreira César, fraturou o fêmur, e isso transformou definitivamente a sua vida.

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  • José Vitor

    Faço uma ressalva sem saber se é certa, me ajudem a tirar a dívida:
    Em ruas extremamente estreita onde não vão suficiente para o ciclista; qual a atitude que ele pode tomar? Andar na contra mão se o espaço for maior, ou ele deve fazer sua caminha a pé com a bicicleta na calçada?

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    • José Vitor

      Faço uma ressalva sem saber se é certa, me ajudem a tirar a dúvida:
      Em ruas extremamente estreita onde não há vão suficiente para o ciclista; qual a atitude que devo tomar? Andar na contra mão se o espaço for maior, ou deve fazer a caminha a pé com a bicicleta na calçada?

      Obrigado

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    • Paulo Fernandes

      José,
      Não existe rua extremente estreira. Permança na rua, ocupe seu espaço e agradeça aos veículos mais rápidos por aguardarem.
      E nunca pedale pela contra-mão, seja qual for o motivo.

      Polêmico. O que acha? Thumb up 6 Thumb down 4

  • [...] fácil eu sempre advirto os ciclistas para evitar o máximo possível pedalar contrafluxo. Leia aqui os [...]

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  • Kelly

    Ontem de manhã quando voltava de um compromisso ao entrar na em uma Avenida fui surpreendida por um ciclista que vinha na contra mão, dirijo sempre com muito cuidado e estava olhando na direção dos carros (obvio) a 10 km no máximo, assim que vi o ciclista estava em minha frente parei o carro e desci pois havia pegado na pontinha do carro então fiquei com medo de ele ter se ferido DETALHE ELE NÃO CHEGOU NEM A CAIR DA BICICLETA, perguntei se estava tudo bem queria muito chamar a viatura, o regate, o SAMU e ele se negou não queria pq estava atrasado disse que venho correndo e achou que dava pra passar antes do carro mas em nenhum momento questionei ele por estar errado nem vi danos no meu carro nada estava preocupada apenas com ele e isso nunca me aconteceu antes então ele me pediu dinheiro porque a bicicleta poderia estar quebrada na hora só a corrente soltou mesmo assim como não gosto de enganar ninguém passei meu telefone anotei eu mesma minha placa pra ele e falei que ligaria pra saber se de repente viesse a ter dor sei lá na hora o sangue quente queria ser cuidadosa com ele afinal eu bati nele mesmo que devagar isso é fato.
    Bom a tarde esse ciclista me ligou e meu marido atendeu ele foi super grosso falou que eu estava errada que bati nele que ele tinha meus dados meus endereços e queria dinheiro disso que a bicicleta quebrou que eu ia ter que pagar de qualquer jeito foi muito ameaçador meu marido foi muito calmo com ele mas ele agora insiste que eu estou devendo pra ele. estou com um misto de culpa e medo nem consegui sair de casa até o momento não sei oque pode acontecer sou muito cautelosa a Avenida que isso aconteceu foi a Engenheiro Caetano Alvares ela tem ciclovia no meio sei do meu caráter e dos cuidados que tenho jamais poderia ter acontecido se ele não estivesse com pressa na contra mão com uma ciclovia no meio da avenida mas agora queria uma opinião oque fazer nesse caso? não estou querendo me fazer de vitima mas também não pretendo ficar dando dinheiro a esse ciclista afinal ele que se recusou de fazer o B.O.

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    • Cícero Soares

      Kelly, apenas me baseando no seu relato, isso não é um “acidente” de trânsito, isso é, numa palavra, extorsão, pura e simples. Então não caia em devaneios, e consulte um advogado, que talvez seja caso de você mesma fazer um B.O.

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  • Elton Pinheiro

    Sempre pensei em aderir ao pedal mas… foi a partir de uma apresentação do grupo Bike Anjo, na minha empresa ano passado, que resolvi pegar a estrada. Atento as instruções do “bom pedalar”, sempre uso os equipamentos necessários e acima de tudo, pedalo pela mão de direção.
    Entretanto algo tem me chamado a atenção. Por algumas vezes tenho me deparado com um colega da “Bike Anjo” pedalando.. ora sem capacete, ora na contra-mão. Não quero identificar ninguém apenas deixo esse registro para reflexão.
    Tenho grande apreço pelo Bike Anjo e num País onde ciclistas, literalmente são atropelados dia a dia, ações como as promovidas pelo grupo demonstram sua preocupação, tanto com a mobilidade urbana quanto com a convivência no trânsito.

    Grande abraço a todos.
    Elton Pinheiro

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    • Cícero Soares

      Primeiro, Elton: capacete é recomendável sim, mas não é item obrigatório, seu uso é uma decisão pessoal, aquilo de por conta e risco, sabe? Eu particularmente não gosto de capacete, capacete me tira muito a concentração, principalmente no calor. Mas no inverno e à noite costumo utilizá-lo com bastante frequência..

      Segundo: eu jamais pedalo na contramão, mas talvez releve esse péssimo hábito (e ilegítimo) nos outros ciclistas se eles percorrem vias locais e cobrindo distâncias curtas, apenas para “otimizar” trajetos que, de outra forma, se tornariam longos demais, ou desprovidos ainda de ciclovia. Mas, repito, talvez. Porque, se for esse exatamente o caso, por que não desmontar? Normalmente, ao cruzar com colegas de pedal incorrendo nessa situação, eu já vou soltando um: “Contramão é calçada!”, em alto e bom som, e que se entendam com os pedestres.

      E quanto ao seu colega Bike Anjo, primeiro: ele se encaixa de alguma forma no descrito acima? Segundo: você já bateu um papo com ele a respeito?

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  • Fernando DF

    Euuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu fico muuitoooooooooooooooooooooooooo putooooooooooo quando estou pedalando seja para o trabalho ou voltando para casa em um ritimo bacana e como num passé de magica aparece um “ciclista” na contramão…eu paro de pedalar na hora e deixo que ele invada a pista para ultrapassar..afinal ele que está errado e muita das vezes que ter razão.

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  • [...] se informar a fundo sobre os perigos de pedalar na contramão, acesse este artigo do site vadebike.org, também usado como referência neste [...]

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  • Josafa Gomes

    Exelente matéria, seria muito bom se houvesse mais divulgação sobre este tipo assunto. Parabens aos
    autores.

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  • Cleber Vauduro

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    Esse comentário não tem feito muito sucesso. Thumb up 3 Thumb down 16

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