Bicicletas podem trafegar no corredor entre os carros?

Não há problema - e nem infração - ao ultrapassar os carros parados no congestionamento. Foto: Willian Cruz

Não há problema – nem infração – em ultrapassar veículos parados. Foto: Willian Cruz

Circular entre carros em movimento é realmente arriscado e recomendamos aos ciclistas que não o façam. Por outro lado, passar por entre os carros parados não oferece risco, quando feito de forma adequada.

Com os automóveis em movimento (ainda que lento), o mais seguro é ocupar a faixa, aguardando atrás de um dos carros até que eles parem por completo. Há vários motivos para isso, entre eles o de que os motoristas não conseguirão trafegar na distância de segurança necessária (1,5m). Outro forte motivo é que nem sempre os motoristas mantém uma linha reta e muitas vezes, sem perceber, espremem quem está no corredor – para desviar de um buraco por exemplo. Os motociclistas que o digam.

Quando os carros param congestionados, o ciclista pode sim ultrapassá-los, em velocidade que permita reagir a imprevistos (como um pedestre atravessando em meio aos veículos).

Ao perceber que estão prestes a se mover novamente, sinalize e volte a circular na faixa, atrás de um dos automóveis.

Dicas adicionais

- Quando for entrar no corredor, cuidado com as motos. Espere que parem de passar, para não correr riscos ou sofrer reações agressivas.

- Quando estiver no corredor, muita atenção ao passar por veículos altos, que obstruem seu campo de visão e podem ocultar um pedestre atravessando. Diminua a velocidade de modo que seja capaz de frear a tempo.

O que diz a Lei

O Código de Trânsito afirma, explicitamente, que veículos não motorizados podem “ultrapassar veículos em fila, parados em razão de sinal luminoso, cancela, bloqueio viário parcial ou qualquer outro obstáculo”, enquanto proíbe os demais. Isso está no artigo 211, veja aqui.

Ou seja, ainda que os carros estejam parados em uma fila, como para entrar em uma balsa ou para passar em uma blitz, as bicicletas podem ultrapassá-los.

Exemplo prático

No vídeo que fizemos para explicar as diferenças de uma bicicleta dobrável, há um exemplo prático dessa ultrapassagem e do retorno à faixa. Avance (ou assista) até os 2:11.

No vídeo só não é possível ver a sinalização feita com a mão, pois a câmera está no capacete do ciclista. Antes de voltar à faixa, sinalize e veja se o motorista vai mesmo lhe deixar entrar. É muito raro não deixarem, mas se isso ocorrer sinalize para a faixa à sua esquerda e ocupe espaço ali, até conseguir voltar à faixa direita depois que o apressadinho passar.

Dicas para o ciclista urbano

1Como se manter seguro

2Pedalando para o trabalho (vídeo)

3Não pedale na contramão

4Ocupe a faixa

5Cuidado com as portas

6O que diz o Código de Trânsito

710 dicas para os dias de chuva

8E se a empresa não tem chuveiro?

97 truques para as subidas mais difíceis

107 dicas para pedalar de madrugada

11Medo de pedalar nas ruas?
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16 comentários para Bicicletas podem trafegar no corredor entre os carros?

  • André Diniz

    Só corrigindo: o momento em que o vídeo mostra a ultrapassagem é “a partir de ” 2:11, não “até os” 2:11.

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  • Rafael

    Olá Willian, estávamos discutindo eu e uns amigos sobre está questão, no facebook, pode conferir neste link, https://www.facebook.com/rafael.fanti/posts/10202272687401279
    E o que estava complicando é a questão da gentileza, ou falta dela no caso do ciclista ultrapassar e se colocar a frente dos veículos e “atrapalhar” eles em diversos momentos de ultrapassagem, já que o veículo para, a bike passa de fininho, depois o veículo para ultrapassar novamente precisa de um espaço de 1,5 de segurança, seguindo a logica de boa convivência que alguns meus amigos sugerem, para não gerar antipatia a bike deveria ocupar a vaga de um carro, e ficar na fila como todo mundo, opinião que eu discordo, acredito que se tem espaço seguro, ele deve ser utilizado.

    O que tu acha a respeito?

    Obrigado

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    • Anderson

      Opinião terrivelmente equivocada. Geralmente quando o transito para é por que a via está engarrafada. Se vc passa o sujeito pelo corredor e o transito anda, mesmo que ele te passe novamente, é quase certeza que logo a frente ele irá parar outras vez, e a bike não só irá passar pelo corredor como ir embora e deixar o motorista pra trás.

      Essa ideia de motoristas que bike atrapalha o transito é a que mais me irrita. Nenhum carro em SP no horário de pico é mais rápido que um bom ciclista e raramente atinge a mesma média de velocidade de um ciclista casual. A média de velocidade em SP nos horários de pico é de 14 a 18 km/h, com minha bike sempre faço 25 km/h de média, por isso em tese são os carros que atrapalham minha bike e não o contrário. Como base de exemplo, inauguraram um pequeno trecho de ciclovia na Eliseu de Almeida, só com esse trecho ganhei 10 minutos de tempo em relação a época que trafegava no meio do transito.

      Os únicos veículos que realmente me passam e vão embora são as motos, mas geralmente por que estão acima da velocidade permitida, pois em condições normais uma moto tem extrema dificuldade em passar em certo corredores, enquanto minha bike com guidão estreito passa em qualquer lugar.

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  • Francisco Godoy

    Olá William, bom dia, como vai?
    Aproveitando a ocasião eu gostaria de saber o seguinte, imagine o quadro: um grupo de uns 60,70 ciclistas pedalando pela noite paulistana, de repente um cruzamento e um semáforo que fecha. Passa 30% do grupo, mas os guias do referido grupo atentos “seguram” o fluxo, ou seja, impedem os carros que estão lícitos a passar para que os 70% dos cislistas restantes passem.
    A minha dúvida é: o correto é isso mesmo, os motoristas que tenham paciência e aguardem os ciclistas passarem ou o grupo de ciclistas deve esperar que o semáforo fique verde para que possam passar?
    Agradeço por quaisquer esclarecimentos, grato.
    Francisco Godoy

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    • Oi, Francisco.

      Isso é chamado de corking e é realizado para evitar que automóveis circulem em meio aos ciclistas, colocando-os em risco, principalmente quando há crianças e idosos em meio ao grupo. É como se todo o conjunto de ciclistas fosse tratado como um único veículo, que ainda não completou a travessia.

      Note que a prática também é adotada em passeios ciclísticos que contem com a o apoio explícito e a participação do poder municipal, sendo o corking nesses casos realizado pelos próprios agentes de trânsito ou policiais militares.

      Cabe aos organizadores do passeio avaliar se e quando vale a pena quebrar o grupo em dois, reagrupando mais adiante, principalmente se houver um buraco grande no meio da massa de ciclistas. Mas isso precisa ser feito com muito cuidado e competência, a solução mais simples e segura é sempre o corking.

      Nessa página da Wikipedia há uma justificativa mais extensa sobre a necessidade do corking, junto com alguns comentários sobre a polêmica que ele causa. Veja no item “Rolhagem”, que suponho ser como os portugueses, mais avessos a anglicismos, chamam o corking:
      http://pt.wikipedia.org/wiki/Massa_Cr%C3%ADtica#Rolhagem

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  • Bruno Lima

    Concordo, sempre com cautela e gentileza claro!

    Lamentavel o episódio com a estapar hein Willian…

    Parabéns!

    Abs

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  • Wesley

    Sou ciclista e uso a bicicleta para ir e voltar do trabalho (Av. Nrs do Sabará), a minha rota diária é da estação da CPTM Jurubatuba onde deixo a minha bike no bicicletário e pedalo até o nº1822, sempre fugindo das avenidas principais. O meu comportamento é de sempre ficar atras dos carros e principalmente dos onibus, porque como motorista e tendo a experiencia de ter andado de moto (mesmo como garupa), pude perceber que poucos motoristas respeitão os ciclistas ou motociclistas, eu falo no geral, taxistas, motoristas de peruas ou onibus, e de automóveis proprios.
    Adoro andar de bicicleta e é realmente uma pena que a lei ainda não nos proteja, ou nos ajude a conviver e harmonia com os automóveis nessa grande metrópole.
    Agredito que não sou o unico, que pensa dessa forma.

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    • Wesley, a lei já nos protege, basta ser cumprida. Quem ainda não nos protege como deveriam são os órgãos de trânsito.

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      • Wesley

        O maior problema é a facilidade de compra dos automóveis, sem aumentar o complexos de vias adequadamente e a falta de investimento nos transporte coletivo (que é um absurdo pagar 3 reais para andar explimido feito lata de sardinha), São paulo em breve irá parar e se tornará um caos completo e a solução seram as bicicletas.

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  • Valdemir

    Muito boa a matéria, concordo! Seguro para andar entre os carros é isto mesmo, se eles estiverem parados, pois dirigir não é tão simples quanto parece, dentro de um carro não temos uma visão de 360 graus como em uma bicicleta ou uma moto, além disto o carro possue pontos cegos, que muitas vezes tira um pouco da visão do motorista, todo ciclista antes de xingar ou o motoboy antes de chutar o retrovisor, deveria ver se está transitando corretamente, o problema é que as pessoas sempre acham que elas estão certas e os outros errados.
    Outro dia vi um sujeito em uma Avenida Hiper movimentada aqui da minha casa com uma Speed fazendo zigue e zague entre os carros, como se fosse uma moto, não dá! Por melhor que o ciclista seja, por mais rápido que sua bike seja, a aceleração de um carro ou de uma moto é mil vezes mais rápido que uma perna humana, transito parado tudo bem a bike vai que vai, agora o transito andando rápido, sem chance !

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  • Ricardo João

    O que o CBT diz sobre motos trafegando no corredor?

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    • Ricardo, não diz nada. Havia um artigo proibindo, mas foi vetado:

      “Art. 56. É proibida ao condutor de motocicletas, motonetas e ciclomotores a passagem entre veículos de filas adjacentes ou entre a calçada e veículos de fila adjacente a ela.

      Razões do veto:

      Ao proibir o condutor de motocicletas e motonetas a passagem entre veículos de filas adjacentes, o dispositivo restringe sobre maneira a utilização desse tipo de veículo que, em todo o mundo, é largamente utilizado como forma de garantir maior agilidade de deslocamento. Ademais, a segurança dos motoristas está, em maior escala, relacionada aos quesitos de velocidade, de prudência e de utilização dos equipamentos de segurança obrigatórios, os quais encontram no Código limitações e padrões rígidos para todos os tipos de veículos motorizados. Importante também ressaltar que, pelo disposto no art. 57 do Código, a restrição fica mantida para os ciclomotores, uma vez que, em função de suas limitações de velocidade e de estrutura, poderiam estar expostos a maior risco de acidente nessas situações.”

      http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/Mensagem_Veto/anterior_98/Mvep1056-97.htm

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    • Marcelo Mendes

      Como não diz nada ??
      “O Código de Trânsito afirma, explicitamente, que veículos não motorizados podem ultrapassar veículos em fila, parados em razão de sinal luminoso, cancela, bloqueio viário parcial ou qualquer outro obstáculo, enquanto proíbe os demais. Isso está no artigo 211″
      Aí esta bem claro qdo fala de VEICULOS NÃO MOTORIZADOS !!

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      • Oi, Marcelo

        O que eu quis dizer é que não há um artigo específico tratando das motos. Na verdade, faz-se vista grossa para essa questão: já que o artigo que as proibia expressamente de fazer isso foi vetado, assume-se a permissão, principalmente pelas razões dadas ao veto.

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  • Julio cesar.

    Sou motociclista e ciclista, podem sim, na av josé diniz bikes trafegam tao bem quanto motos, e atè sao mais educados, ao contrario ciclista que quase bateu na minha lateral por que estava de cabeca baixa e fone de ouvido alto em horario de pico, e aind a me xinga rsrs!

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